Aliança do PSB com o PMDB depende de autorização da executiva nacional

Apesar de presente ao evento, Wilma não confirmou que será candidata ao Senado na chapa de Henrique

EVENTO

Alex Viana

Repórter de Política

Não está tão certa como aparenta a aliança do PSB da vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria, com o PMDB, do pré-candidato a governador Henrique Eduardo Alves. Bem como não foi em “céu de brigadeiro” a reunião do PSB potiguar com o presidente nacional da legenda, governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos. Tanto é que o PSB potiguar poderá ter de ir à executiva nacional do PSB para justificar a posição adotada no Rio Grande do Norte de aliança com o PMDB. E mais: Isso não será sinônimo de tranquilidade: A executiva nacional do PSB tem poder de veto da aliança do partido no estado com o PMDB.

Em entrevista ao Jornal de Hoje, a presidente do diretório do PSB em Natal, Márcia Maia, afirmou que, se necessário, o PSB irá até a Executiva Nacional do PSB para justificar a aliança com o PMDB, o que mostra que nada ficou resolvido em definitivo na reunião da última quinta-feira do Diretório Estadual do PSB com o presidente do Diretório Nacional. Segundo Márcia, os argumentos usados pelos socialistas potiguares para justificar a união com o PMDB foram os já batidos: o caos no estado. No entanto, os potiguares poderão ter que ir à executiva nacional, que é o órgão de deliberação máxima do PSB no Brasil.

“Eduardo compreendeu a situação do Rio Grande do Norte que é caótica e de dificuldades. Esse foi o argumento que nós colocamos para o PSB nacional. Mas, se for necessário, vamos à executiva nacional colocar esses argumentos em favor dessa união. Temos a possibilidade de unir forças políticas”, afirmou a deputada, ao participar do encontro do PMDB que lançou a pré-candidatura do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, a governador do RN.

Questões políticas nacionais estariam por trás da negativa de Eduardo Campos em conceder o PSB para a aliança de Henrique no Rio Grande do Norte. Provável candidato a presidente da República, Eduardo Campos gostaria de ter negociado diretamente com Henrique. Entretanto, o processo teria sido atropelado pelo próprio Henrique, que, temendo má interpretação da presidente Dilma Rousseff (PT), evitou dialogar diretamente com Campos, negociando apenas com Wilma.

Resultado: Eduardo Campos estaria chateado com Henrique, mas, sobretudo, com Wilma e o PSB potiguar. Com poder de veto da aliança entre Wilma e Henrique, Eduardo Campos teria informado aos potiguares que, talvez, o grupo devesse se manifestar diretamente à executiva nacional, que deliberaria quanto a aliança com o PMDB no Rio Grande do Norte. Afinal de contas, o PMDB será adversário do PSB em vários estados, inclusive será contra Campos nacionalmente.

A reunião do PSB potiguar com Eduardo Campos aconteceu na última quinta-feira, no Palácio Campos das Princesas, no Recife. Nela, o governador de Pernambuco teria deixado claro sua insatisfação. Pela proximidade com Henrique, e tendo em vista o desejo e a necessidade de Henrique de se aliar ao PSB local para conseguir chegar ao governo do Estado, o PSB norte-rio-grandense poderia ter contribuído mais com o projeto nacional do PSB, ao viabilizar que Eduardo Campos negociasse diretamente com Henrique.

É pela necessidade, talvez, de ter que ir à executiva nacional do PSB, justificar a posição do PSB estadual, que Wilma não confirmou a candidatura dela ao Senado. Por sua vez, Henrique, se quiser realmente contar com o PSB, poderá ter que ir conversar com Campos. O pré-candidato a presidente da República pretende contar com Henrique para resolver pendências do PSB nos estados. Se o PSB é importante para eleição de Henrique governador, como o peemedebista chegou a admitir ontem, que o PMDB também seja importante para o PSB em algum sentido. Essa seria a lógica.

Executiva nacional

Como presidente da executiva nacional do PSB, Eduardo Campos, com apoio da executiva, pode definir a linha do PSB nos Estados. Nesse sentido, ele pode exigir que Wilma seja candidata ao governo, e não ao Senado, para ter palanque próprio no RN. Numa disputa direta ao governo, Wilma venceria Henrique, segundo apontam as pesquisas. A Executiva Nacional do PSB é presidida pelo próprio Eduardo Campos. Tem como presidente de honra o escritor Ariano Suassuna.

A dificuldade de Henrique para negociar diretamente com campos se deve ao fato de que, assim, o presidente da Câmara teria de trabalhar em favor da candidatura do socialista a presidente da República. Seria visto, portanto, por Dilma Rousseff, como um adversário, azedando a relação que espera ser cordial com a cúpula nacional do PT, especialmente com a própria presidente, já que o PMDB indicará Michel Temer para vice-presidente, renovando a parceria com Dilma. No entanto, se atender Eduardo Campos, Henrique conseguirá contar com o PSB no seu palanque estadual. Se não atender, terá muito provavelmente que enfrentar Wilma nas urnas pelo governo.

Assessor de Marina Silva: “Henrique Alves representa o que há de pior na política”

O receio de parecer o lançamento de uma candidatura antes do período permitido não foi o único motivador das respostas evasivas da ex-governadora Wilma de Faria no evento do PMDB nesta sexta-feira, no hotel Praiamar. O fato é que o partido dela, o PSB, ainda não aceitou a desistência de Wilma da disputa pelo Governo do Estado e, aceitou menos ainda, a aliança com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, do PMDB.

A situação seria tão grave que Wilma teria até comunicado a Henrique que estava com dificuldades para convencer a Executiva Nacional peessebista, segundo noticiou o jornal Estadão. A informação, inclusive, justifica a evasividade de Wilma nas respostas quando questionada se a presença dela no evento do PMDB, confirmava o apoio do PSB e a pré-candidatura dela ao Senado. “Estamos conversando, analisando, e vamos continuar assim na próxima semana”, respondeu Wilma.

A notícia sobre essa resistência está no site do jornal Estadão de São Paulo. Segundo o dirigente do partido, Carlos Siqueira, a presença do PSB na composição não tem ainda o aval da cúpula partidária. “Apesar da aproximação estadual com o PMDB, a aliança ainda tem de passar pela chancela da Executiva Nacional. E se isso fosse hoje, não seria aprovado”, disse.

O portal Nominuto também comentou o fato, ressaltando que o PSB não só não teria aceito a candidatura de Wilma ao Senado, como também não resiste a uma aliança com Henrique Eduardo Alves. “Henrique Alves representa o que há de pior na política brasileira e isso vai de encontro ao discurso da nova política que Eduardo Campos e Marina estão apresentando ao Brasil neste momento”, declarou o assessor de Marina Silva. “Henrique Alves é da turma do Eduardo Cunha, a figura que mais representa o atraso e os vícios da política nacional”, acrescentou.

Por sinal, em entrevista antes do evento, a deputada estadual Marcia Maia, filha de Wilma e também integrante do PSB, confirmou que o partido ainda está analisando a situação da ex-governadora e da aliança com o PMDB. Segundo ela, está sendo levado para a cúpula nacional do partido o mesmo discurso que é falado para o eleitor, de que as alianças são consequência do desejo dos partidos de se unir para tirar o Rio Grande do Norte da crise. Ao que parece, no entanto, nem a Executiva do próprio partido, Wilma conseguiu convencer com essa fala, até agora.

SILÊNCIO

Enquanto Wilma evitou confirmar a condição de pré-candidata ao Senado e, até, o apoio ao PMDB, o deputado federal João Maia silenciou sobre a presença dele na chapa encabeçada por Henrique, na condição de candidato a vice-governador. E manteve o silêncio mesmo diante de várias perguntas dos jornalistas presentes. João Maia olhava para os jornalistas e sorria.

O máximo que falou sobre o assunto foi quando questionado quando ele confirmaria a condição de pré-candidato a vice. “Só no dia 5″, comentou, sendo questionado, em seguida, do porque então não anunciava logo no evento que era o nome da aliança para o cargo. “Porque hoje não é o dia 5″, justificou.

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