Aline e Etiópia

O telespectador brasileiro é um sadomasoquista de apanhar de chicote e levar pisada de bota de couro das hilárias pornochanchadas…

O telespectador brasileiro é um sadomasoquista de apanhar de chicote e levar pisada de bota de couro das hilárias pornochanchadas do cinema da Boca do Lixo em São Paulo. Só pode ser, para aguentar por 14 edições o Big Brother Brasil, o BBB do Pedro Bial comandando uma confraria de inúteis e candidatos à posteridade das revistas de sacanagem e dos camarotes de carnaval fora de época.

Tento fugir do BBB. Missão impossível. Os jornais e portais de internet tidos como qualificados e formadores de opinião embarcaram na cobertura do confinamento que deveria ser eterno para aqueles que se habilitam a ensinar traição e a exercitar a inveja dissimulada pela TV.

Longe de mim ser melhor do que algum fã do programa que paralisa milhões todas as noites. É a hipnose mental da Rede Globo, só ela capaz de manipular as cabeças ocas do país. Muita gente que conheço e convivo acompanha e o ruim é ter que ouvir sons e gritarias por tabela.

O Portal Uol, do Grupo Folha de São Paulo é referência. Tem Juca Kfouri, Vitor Birner e Téo José escrevendo colunas e blogues no Esporte, na Política Josias de Souza dá um furo a cada hora, bem acompanhado por Fernando Rodrigues e Leandro Mazzini, ex-editor da escola de jornalismo chamada Informe JB, a grande coluna impressa do charmoso e falecido Jornal do Brasil. Depois do espaço de Carlos Castelo Branco, o Castelinho.

O Uol entrou de sola na cobertura do BBB14, como se estivesse acompanhando uma Copa do Mundo em pleno andamento. A Copa no Brasil, cá pra nós, é uma zona de BBB. Abriram um canal somente para o besteirol e o perfil dos cabeças de vento incluídos na seleção do Boninho. Logo o Uol.

Sim, o Uol entendeu que o público brasileiro gosta de sangue, sensacionalismo, escândalo político e farra descambando à putaria. É audiência garantida e veículo de comunicação, por mais sóbrio e regrado que seja, o Manual da Folha de São Paulo chega a ser mais ortodoxo e fechado que comunista albanês, precisa de retorno para garantir verba e pagar seus profissionais.

Deve haver uma estratégia comercial entre Globo e Folha de São Paulo, duas potências, para turbinar mais ainda um produto tão desprezível. Dele, só costumo ver as saradonas, nuas, na Revista Playboy que quando compro é a pretexto de ler entrevista, desculpa canalha passada de pai para filho e certamente para o neto homem sonhado.

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No BBB 14, no qual beijo lésbico é banal como bebê chorando por mingau, segundo o Uol, existe uma moça ruiva e de beleza discreta, nada de arrasar como uma Bruna Lombardi, uma Dina Sfat ou a inesgotável Maitê Proença.

Chama-se, a mencionada figura, Aline Moraes, e é qualificada na função de atriz, hoje derivada para outros descampados liberais. O Uol destaca os extraordinários conhecimentos gerais de Aline, especialmente em Geografia e História.

Os desocupados, desculpem, participantes, estavam batendo papo furado antes dos beijos e amassos, cobertos por edredons e falavam sobre o sequestro de um avião por um copiloto.

Aline, ao ouvir alguém pronunciar a palavra Etiópia, esmerou-se em sapiência ao questionar, cândida e sorridente “A Etiópia é um país?”, perguntou, na sinceridade.

Houve, ainda segundo o Uol, um longo silêncio seguido de discussão entre os literatos da futilidade. Uns diziam que não, outros garantiam que sim. Na dúvida, passaram a debater sexo grupal. Falta um gênio tipo Alexandre Frota nesse meio.

A Etiópia, ou República Federal Democrática da Etiópia, seria incapaz de formar um time de gostosas do BBB. O país sofreu e ainda padece de fome e tirania. Ocupa a 173ª posição no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano, dentre 187 países pesquisados.

O copiloto autor do sequestro do avião estava fugindo do regime autoritário e tribal que persegue e mata sem conversa. A Etiópia foi obrigada a repatriar 100 mil refugiados que correram em busca de perspectiva na Arábia Saudita e foram expulsos para retornar à falta de perspectiva cidadã.

A Etiópia não é um país real, a culta do BBB terminou acertando por ignorâncias tortas. Nem o lirismo de Nelson Rodrigues amenizaria. Se alguém desafiasse Aline: “O Brasil teve Didi, um craque de futebol, de uma elegância de Príncipe Etíope de Rancho.”

Aline possivelmente perguntaria se o Didi do Botafogo, bicampeão do mundo, era o mesmo dos Trapalhões, se craque significa apenas uma degradante droga e se futebol é aquele jogo de 22 machos correndo por uma bola. Aline é a prova obtusa de que o seu país, como um dia disse o general francês De Gaulle, também não é um país. Sério, nunca foi.

 

A diferença

O desempenho de Lúcio Curió é um canto em desabafo: quando o jogador é bom, vale o preço de uma penca de ruins. Em 45 minutos, Lúcio Curió jogou mais que o ABC inteiro em 2014 e ainda esquentou o clássico contra o América.

Somália

Um cartão amarelo bobo tirou Somália do jogo de domingo. Faltou malícia ao veterano.

Três mil

Três mil pessoas foram ver ABC x Alecrim. Houve quem achasse o máximo o público.

Romarinho

Romarinho abateu o América, que precisa exumar alguma caveira enterrada nas redondezas do Estádio Barretão. O Globo jogou mais futebol, outro êxito do discreto e eficiente Higor César.

Val

Punido – outra vez – com o terceiro cartão amarelo, o volante Val, do América, parece que merecia um contrato por produção. Está prejudicando mais do que ajudando ao clube.

Força da Copa do Nordeste

O América está entre as 10 maiores médias de público do Brasil graças o público na Copa do Nordeste. Torneio regional motivador, que deu certo e supera os estaduais.

Cai, cai Brandão

O histórico Oswaldo Brandão saía da seleção brasileira após empate em 0x0 contra a Colômbia em Bogotá, no dia 20 de fevereiro de 1977, pelas Eliminatórias. Empatar com colombiano era tragédia naquele tempo.

Times

Brasil: Leão; Zé Maria, Beto Fuscão, Amaral e Vladimir; Givanildo (Caçapava), Falcão, Zico e Rivelino; Gil (Valdomiro) e Roberto Dinamite. Colômbia: Lopez; Segóvia, Zarate, Calcedo (Berdugo) e Bolaños; Retat, Calero e Umaña; Ortiz, Vilarete e Cáceres. Cláudio Coutinho assumiu a vaga de Brandão.

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