Alunos e professores se unem contra fechamento de escola estadual nas Rocas

Secretaria alega déficit de alunos, mas docentes denunciam falta de investimentos

Escola-Estadual-Isabel-Gondim--HD

Em dias de ser desocupada para construção de um prédio que servirá como sede para o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), a Escola Estadual Isabel Gondim, situada no bairro das Rocas, reuniu moradores, estudantes e profissionais que trabalham no local para debater sobre o fechamento da unidade escolar, por determinação da Secretaria Estadual de Educação.

A principal justificativa para o fechamento da escola seria por que esta não apresenta um grande número de estudantes, mas Gutemberg Câmara, professor da Escola Isabel Gondim, relata que o problema é decorrente da falta de infraestrutura da unidade. “A deficiência de estrutura reflete diretamente nas matrículas, já que os alunos não procuram. O drama de hoje é que a Secretaria de Educação decidiu que vai fechar escola e remanejar os alunos para outras unidades escolares. Não nos foi dado o apoio que necessitamos para estruturação a escola, não houve nenhuma conversa com a comunidade escolar. Vieram nos informar sobre o fechamento do espaço sobre o argumento de poucos alunos, mas será que o local tem condições estruturais para recebimento destes?” argumentou.

Ela afirma que a decisão barra o direito de escolha das pessoas que querem seus filhos estudando no local. “Funcionamos nos três turnos. Temos 187 alunos matriculados nestes períodos. Pedimos sensibilidade para que a secretária não permaneça apenas na frieza dos números. Vemos que essa decisão foi tomada na frieza dos gabinetes sem estudar a realidade. Eles devem ver o que a comunidade tem a falar” disse.

Para Gutemberg, o projeto do Pronatec é muito bom, mas existem outras questões a serem resolvidas. “Nós argumentamos que o programa é muito bom e também cômodo para o Governo Estadual, que recebe verbas federais, assim não haverá gasto do cofre estadual. É cômodo para a secretaria fechar as pequenas escolas em detrimento das grandes, onde vão sendo realocados os professores” afirmou.

A comunidade escolar sugere que dois turnos sejam transformados apenas em um, possibilitando assim, o funcionamento do Pronatec no local, sem atrapalhar as atividades escolares. Outra possibilidade apontada é o uso do prédio abandonado, onde funcionava a Escola Leão XIII, fechada em 2010, que fica vizinha a unidade escolar. “Temos aqui um prédio abandonado com várias salas. Se eles estão precisando, aqui está um espaço desocupado, lá eles poderiam instalar o Pronatec” disse o professor Gutemberg Câmara.

Ele também relata que não houve nenhuma negociação com a comunidade escolar por parte da Secretaria Estadual de Educação. “Não teve nenhuma proposta, foi dado apenas o fechamento da unidade. Ela (Betânia Ramalho) afirmou que não tinha nada que ser discutido e que a chave da escola fosse entregue. Devemos lembrar que a escola não é da secretaria, nem do governo e da comunidade, do povo. Essa é uma decisão vertical, fria e arbitrária ao nosso vê”.

Ireneide Barbosa é mãe de um estudante da Escola Isabel Gondim. Ela afirma que a situação é inadmissível e prejudicará os moradores locais. “Os alunos precisam de estudo e esse é o colégio mais próximo que tem na comunidade. Fica muito difícil para nós que somos mães, tendo que procurar novas escolas. O jeito será colocar meu filho em nova, mas eu torço que isso não ocorra” disse.

Fátima Cardoso, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (Sinte-RN) afirma que a situação colabora para o aumento na crise que a educação estadual vem sofrendo.”Isso é um sinal de um governo que se aproxima da crise na Educação. O gestor tem o papel de revitalizar os espaços educativos e essa escola tem 80 anos, eu já lecionei aqui. O governo deveria pensar em motivar os alunos a permanecer na escola. Se vier a acontecer o fechamento, 50% dos alunos que estão aqui não se matricularam em lugar algum. Lutaremos até o fim para que a escola permaneça aberta” disse.

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