Amaro Sales: “O Estado do RN precisa de pacto pelo desenvolvimento”

"As empresas e o governo devem ser os grandes protagonistas desse momento, e devemos pensar o RN como futuro"

Foto: Arquivo
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Alex Viana

Repórter de Política

 

O Rio Grande do Norte precisa fazer um pacto pelo desenvolvimento, onde estejam envolvidos a sociedade e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Esta é a opinião do industrial Amaro Sales, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN). Nesta entrevista ao Jornal de Hoje, Amaro avança na defesa de um pacto pelo estado. Para ele, seja quem for o próximo governador, é preciso dar um choque de gestão e gerneciamente, com vistas ao enxugamento da máquina pública e implantação de ferramentas mordenas de gestão, visando a eficiente prestação de serviços. “O Rio Grande do Norte precisa fazer um pacto pelo desenvolvimento. Os empresários precisam participar. As empresas e o governo devem ser os grandes protagonistas desse momento, e devemos pensar o RN como futuro”, afirma. Confira:

O Jornal de Hoje – Esse ano é de eleições, momento decisivo para do Rio Grande do Norte. Qual deve ser a preocupação em relação ao futuro?

Amaro Sales – A grande preocupação neste momento no Rio Grande do Norte é com o seu futuro, esse que não foi planejado, não foi preparado. Eu tenho certeza que os candidatos ao governo têm essa preocupação. É tanto que eles estiveram presentes no lançamento do “Mais RN”, na Federação das Indústrias. O “Mais RN” é um projeto de desenvolvimento econômico voltado para os próximos 20 anos. Foi desenhado para o futuro do RN, com as potencialidades do Estado, mapeando melhorias, para que o RN volte a crescer. Tenho certeza que os candidatos estão preocupados com esse momento crucial em que vive o RN. Nada melhor que ter uma bússola, que é o “Mais RN”. Não é um programa de governo, mas um programa que traz oportunidades socioeconômicas para o Estado do Rio Grande do Norte.

JH – As dificuldades financeiras podem limitar o desenvolvimento?

AS – O Rio Grande do Norte precisa fazer um pacto pelo desenvolvimento, onde estejam envolvidos a sociedade e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Porque se isso não acontecer, essa mudança não vai acontecer. Os empresários precisam participar, as empresas e o governo devem ser os grandes protagonistas desse momento e devemos pensar o RN como futuro. Na área de planejamento, pouco tem sido feito. Há escassez de recursos, dificuldades gerenciais. Precisamos de um momento novo. O Estado tem potencial. Temos uma boa arrecadação, energias renováveis, petróleo, gás, pesca, carcinicultura, setor têxtil, confecções. Tudo isso precisa ser incentivado, tem que acontecer o incentivo. O comércio sofreu um abalo nesse período da Copa. Poderia ter acontecido um planejamento maior, pensando no mundial de futebol, por parte da infraestrutura. Recebemos visitantes de todo o mundo. O turismo precisa ser visto com outro olhos. Para se ter um bom turismo, porém, é necessário ter uma boa segurança, uma área de saúde preparada, infraestrutura mínima organizada. Na Copa, tivemos uma greve de ônibus, mesmo assim, o turista veio, gostou e disse que volta. O turismo, portanto, é um dos nossos potenciais. O RN precisa apostar em seus potenciais econômicos.

JH – Que falta para que o RN desenvolva bons projetos, avançados, modernos? O próximo governo deve dar maior atenção à questão do planejamento, aperfeiçoar a Secretaria de Planejamento, por exemplo, que funciona hoje mais como uma tesouraria da luxo, do que efetivamente como um órgão de planejamento estatal?

AS – Projetos de planejamento não são feitos de uma hora para a outra. É preciso estudo, mapeamento de oportunidades. Acredito que a Secretaria de Planejamento tem seu papel de planejar. Mas, na hora que você tem uma folha de pagamento do funcionalismo que compromete parte dos recursos, o gasto público passa a ser um problema. Hoje, o Estado vive praticamente de pagar e administrar a folha de pessoal. Com dificuldade, diga-se de passagem. Portanto, qualquer governante vai ter essa dificuldade e nós chamamos a atenção para o futuro governador: é preciso juntar o útil ao agradável. Juntar política com técnicas modernas de gestão. Sem isso permaneceremos no atraso. Temos que ter essa composição política, mas também a gestão, sobretudo. Precisamos de uma gestão pública moderna, que valoriza as pessoas. Sem planejamento nós não vamos a lugar nenhum.

JH – O senhor toca num assunto muito importante: o inchaço da máquina pública. Temos muitos servidores, e falta eficiência. Quando fala em pacto pelo desenvolvimento, nisso se insere uma modernização na política de pessoal, incentivo à demissão voluntária, atração de profissionais de ponta? E nesse pacto, como seria a participação dos demais poderes, Legislativo e Judiciário?

AS – A máquina pública administrativa tem dentro da sua estrutura o Poder Executivo, que tem a arrecadação, e aí temos o Legislativo, o Judiciário, o Tribunal de Contas e o Ministério Público. Se a gente não tiver, por parte dos gestores desses órgãos, a preocupação com o futuro, até quando o RN vai poder pagar a esses poderes, disponibilizar esses recursos? Dizer que o repasse é obrigatório não resolve. Imaginamos que o próximo governante sente com os poderes para analisar orçamentos, estrutura administrativa e necessidades funcionais. O foco deve ser uma reformulação, um redimensionamento.

JH – É um tipo de medida impopular junto aos servidores…

AS – Algumas pessoas que estão como funcionárias públicas e não querem mais estar em suas funções, devemos facilitar a saída delas, encontrar uma forma de incentivar as pessoas a deixar o serviço público, para que possamos atrair pessoas comprometidas, e dar melhores condições de trabalho, instituir a meritocracia. Isso é modernizar o serviço público. Nós temos que ter no serviço público pessoas que estejam disponíveis e que queiram servir à comunidade. Claro que no momento em que a pessoa está no serviço público, acha que é eterno. Mas precisamos mudar essa visão. Precisamos modernizar a gestão, buscando resultados, instituíndo mecanismos de avaliação de desempenho, desde o secretário de Estado, até os técnicos das secretarias. Não só no Executivo, mas no Judiciário e no Legislativo também. É importante dizer que se nós, enquanto Estado, não tivermos a capacidade de sentar e discutir, estaremos condenando o RN a viver num atraso por muito mais tempo. O próximo governador, que responderá pelo Estado, precisa convidar a sociedade organizada, os empresários, os trabalhadores, para que todos, juntos, possam dar sua contribuição ao Estado.

JH – Na sua visão de industrial, que condições o Estado precisa criar efetivamente para atrair industrias e empresas para cá?

AS – O Rio Grande do Norte está localizado geograficamente no meio da região Nordeste. Por que não atrair os centros de distribuição? Claro, para isso é necessário uma boa infraestrutura de logística, porto, aeroporto, uma capacitação profissional. Além disso, temos que rever o Proadi (programa que isenta de impostos empresas que se comprometam a gerar quantidades significativas de empregos), que é uma ferramenta importantíssima de atração de investimentos. Mas precisa ser melhorado, porque o RN tem a menor renúncia fiscal do Brasil. Estamos na lanterna na tabela de estados que concedem incentivos fiscais. Devemos mudar esse quadro. As empresas, mesmo com renúncias, geram empregos.

JH – Natal sempre teve posição geográfica estratégica, desde a época dos holandeses, na segunda guerra. Hoje temos o aeroporto de São Gonçalo, podemos potencializar ainda mais nossa posição?

AS – Com a gestão privada do novo aeroporto, tanto de cargas e de passageiros, vejo como uma oportunidade para o RN, que nosso Estado possa aumentar sua malha aérea, com o acréscimo de voos de cargas. Com isso podemos mudar nossa história.

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