Ambulantes de Ponta Negra pedem que Prefeitura reveja expulsão do calçadão

Parada em área de passeio público será proibida

Foto: José Aldenir
Foto: José Aldenir

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

 

A Prefeitura do Natal está realizando uma ação de ordenamento do comércio informal na Praia de Ponta Negra e causando uma imensa dor de cabeça a diversos vendedores ambulantes. Desde o início deste mês, equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) e Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) têm notificado os vendedores que trabalham na orla, informando que está proibida a permanência deles em pontos fixos.

De acordo com o Departamento de Fiscalização da Semurb, os ambulantes não poderão mais utilizar o calçadão ou a areia da praia para montarem pontos fixos de comercialização. Entretanto, poderão continuar vendendo seus produtos na praia, desde que fiquem apenas circulando pela orla, sem atrapalhar a área de passeio público.

Apesar das notificações, a fiscalização na orla de Ponta Negra ainda não chegou a retirar os ambulantes do local, mas a efetivação da nova regra assusta os comerciantes. Para eles, a Prefeitura poderia negociar outra maneira de ordenar o comércio. “Eu acredito que eles estejam certos em querer organizar a orla. É importante. Mas do jeito que eles estão querendo é muito complicado para nós”, disse a ambulante Aldeci Gomes da Silva, 46.

Conforme as novas regras, os vendedores ambulantes terão que trabalhar com equipamentos junto ao corpo, como isopores presos à cintura, por exemplo, ou mochilas nas costas. “Esse tipo de adequação não dá para mim. Todos os dias eu coloco 50 cocos no isopor para vender na praia. Como vou carregá-los? Não tenho força para isso, nem tenho condições de mudar o produto que eu comercializo”, disse Aldeci.

Há 17 anos como ambulante, Aldeci Gomes informou que não tem outro jeito de sustentar a sua família. “Eu e meu esposo trabalhamos como ambulantes e tiramos nosso sustento daqui. Acho que a Prefeitura poderia pensar em uma maneira de organizar a orla, sem precisar nos prejudicar”, afirmou.

Uma das reclamações dos ambulantes é que as obras do enrocamento da Praia diminuíram o espaço da areia, onde eles não podem circular em horários de maré cheia. “Nós até podemos ficar andando no calçadão e na areia, mas vai chegar um momento em que não teremos como circular ou precisaremos descansar. Nós não somos de ferro”, criticou Andreza Ferreira, 26. “Será que nesses momentos eu não poderia parar um pouco?”, questionou.

Andreza também alega que não tem força suficiente para carregar seu comércio nas costas. “Além do mais, não é nada higiênico. Eu trabalho com comida e não posso conservá-la assim”, disse. “Também concordo com a decisão da Prefeitura em reordenar a orla. E sei que nós estamos irregulares. Se somos ambulantes, temos que trabalhar como ambulantes e não parados. Mas acredito que podemos pensar em algo que seja bom para todo mundo”.

A Associação dos Trabalhadores de Ponta Negra (Atpon) julgou a medida da Prefeitura de Natal como ação de “despejo”. O presidente da Associação, Marcos Martins, disse que organizar a orla e Ponta Negra e excluir os trabalhadores não é uma solução aceitável. “Isso é um problema social. A Prefeitura, em vez de ajudar os trabalhadores, está prejudicando diversas famílias. Não se trata de uma ‘organização’, mas sim de despejo dos trabalhadores”, criticou. Uma das ideias apontadas por Marcos Martins é de que os ambulantes possam utilizar o recuo que há entre o calçadão e os quiosques.

“Entre um quiosque e outro, ou um banheiro e outro, há um espaço que poderia ser útil aos ambulantes, sem que eles atrapalhem o direito de ir e vir das pessoas”, disse. Ao criticar a decisão da Prefeitura, o presidente da Atpon destacou que não há diálogo entre o poder público e os trabalhadores.

“Há tempos que venho tentando uma audiência com os secretários Raniere Barbosa (Semsur) e Marcelo Toscano (Semurb), mas não sou recebido. Nem as ligações ou mensagens eles retornam. Minha última tentativa de diálogo com eles foi através da audiência pública que realizamos nesta semana na Câmara Municipal de Natal, mas eles também não foram. Mandaram apenas fiscais”, disse. “Nossa intenção é tornar a praia um ambiente favorável ao trabalhador. Mas para isso acontecer é necessário um entendimento com os secretários”.

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