André Vargas, o Demóstenes adiado, mas com algumas diferenças. Ou: Ele agora é um petista sem partido

Reinaldo Azevedo Colunista da Veja No dia 2 de abril, escrevi que o deputado André Vargas estava começando a ficar…

Reinaldo Azevedo

Colunista da Veja

No dia 2 de abril, escrevi que o deputado André Vargas estava começando a ficar com cheiro de Demóstenes Torres. Os passos, até agora, são os mesmos, embora haja algumas diferenças. Todos pararam no Senado para ouvir Demóstenes, que negou relações extravagantes com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O mesmo aconteceu com André Vargas em relação a Alberto Youssef. Nos dois casos, houve um certo voto de confiança dos pares — “quem sabe não seja como parece…”. Em ambos, a realidade se mostrou pior do que as conjecturas. Demóstenes não renunciou e acabou cassado. Antes, foi expulso do DEM. Vargas também resiste. Anunciou nesta sexta-feira que pediu a sua desfiliação do PT. Agora é um, com o perdão da graça, petista sem partido… Acabará cassado — porque bem poucos sairão em seu socorro.

Desde o começo, o grande temor dos petistas é que Vargas prejudicasse as candidaturas de Alexandre Padilha e de Gleisi Hoffmann aos governos de São Paulo e do Paraná, respectivamente. E, claro!, teme-se também por Dilma. Padilha, que nunca deixou de estar na dança, acabou no meio do salão. A conversa interceptada pela PF em que Vargas anuncia ao doleiro que Padilha indicara o diretor da Labogen, Marcus Cezar Ferreira de Moura, foi a gota d’água.

Padilha concedeu uma entrevista coletiva nesta sexta. Nega tudo, claro! Diz que não indicou ninguém, apesar da sua proximidade com “Marcão”. O fato inegável é que um laboratório-fantasma conseguiu atravessar os filtros do Ministério da Saúde e firmar uma parceria com o governo. Em sua defesa, Padilha afirma que a pasta nunca fez nenhum pagamento ao Labogen. Pois é… Só não aconteceu porque a tramoia veio a público, e o processo foi suspenso. Ou tudo estaria caminhando às mil maravilhas.

O ex-ministro e atual candidato ao governo de São Paulo prometeu processar todos aqueles que o ligarem a Youssef e coisa e tal. Entendi que se refere a políticos, a gente que circula nesse estranho meio. Ou estaria se referindo também à imprensa, deixando claro que só aceita notícia positiva a seu respeito? Acho que não. Volto a Vargas.

Os passos do deputado, até agora, seguem os de Demóstenes, mas pode haver algumas diferenças. As relações do ex-senador com Cachoeira, ficou evidenciado, eram suas, não de seu partido. No caso do petista Vargas, isso ainda não está claro. Gente que andou conversando com ele diz que sua mágoa e a resistência à renúncia se devem ao fato de que considera trabalhar para o partido, não para si mesmo. Nesse contexto, a viagem de avião seria só um presentinho a um mero interlocutor.

CRISE???

A decisão do prefeito Carlos Eduardo Alves de se ausentar do país sem avisar a seus sucessores repercute cada vez pior entre os aliados. A vice-prefeita Wilma de Faria não gostou do fato, já que deveria ter assumido o cargo automaticamente e não poderia, por correr risco de ficar inelegível para as eleições. A mesma situação atingiu também o presidente da Câmara, Albert Dickson.

SUSPEITAS

Com a decisão da Justiça de mandar empossar Júlio Protásio, fica comprovado o óbvio: alguém deveria ter substituído Carlos Eduardo, que acabou deixando Natal por 9 dias sem prefeito. A desconfiança agora fica em torno dos reais motivos que levaram o gestor a desaparecer sem avisar a ninguém. Os adeptos do complô, já suspeitam que Carlos atuou para criar empecilhos jurídicos na futura campanha de Wilma.

DESCONFIANÇA

Entre os argumentos a favor da suspeita, está o fato de Carlos Eduardo realmente ser próximo da deputada federal Fátima Bezerra, principal adversária de Wilma na disputa pelo Senado. Há quem diga que a ex-governadora já jogou todas essas acusações no ventilador, e que as mesmas foram levadas ao conhecimento tanto de Carlos como de Henrique Alves. Será?

ECONOMIA

Os aposentados e pensionistas do INSS estão recebendo os benefícios referentes o mês de abril, iniciado na última quinta-feira dia 24 e que serão pagos até o dia 8 de maio. No Estado será transferido para os 526 mil beneficiários, o montante de R$ 389 milhões. No RN, a maioria dos 167 municípios sobrevive dos benefícios pagos pelo INSS, e são os aposentados e pensionistas que mantém a economia dessas cidades.

RECONHECIMENTO

O deputado Antonio Jácome é o novo cidadão equadorense. Ele recebeu o título outorgado pela população de Equador, proposto pelo vereador José Dirceu. Jácome foi o deputado estadual mais votado no último pleito com 54743 votos, e na próxima eleição disputará vaga na Câmara Federal. Eleito, será o primeiro representante evangélico do RN naquela casa legislativa.

SUCESSÃO

Além de tentar um mandato na Câmara dos Deputados, Antonio Jácome tentará eleger o seu filho, o vereador Jacó Jácome, para a Assembleia Legislativa. O objetivo é manter os votos que conquistou em 2010 também para um representante evangélico. Outro nome do grupo na disputa é o do presidente da Câmara Municipal, Albert Dickson, também pré-candidato a deputado estadual.

CULTURA

O poeta Marciano Medeiros convida a todos para o lançamento do cordel “Recordações de Ismael, o Bandeirante da Fé”. Será neste domingo (27), a partir das 16h15 na sede da Federação Espírita do RN, no Tirol. A obra é uma homenagem a Ismael, que completou 84 anos no dia 13 de abril.

MERCADO

O empresário Flávio Rocha, presidente das Lojas Riachuelo e vice-presidente do grupo Guararapes, está nas páginas da Tribuna do Norte deste sábado (26). Em uma longa entrevista, Flávio enfatiza a importância do Pró-Sertão e lamenta o fato do programa ainda não ter atingido o número esperado de novas facções, embora mantenha sua aposta no projeto. O empresário também revela que a Riachuelo abrirá mais duas lojas no RN nos próximos meses.

GIRA MUNDO

O jornalista Rodrigo Mattos é quem conta. “Se não bastassem os diversos descontos de despesas no Maracanã, o Flamengo tem destinado desde o início do ano 35% da sua renda líquida em jogos no estádio para a empresa gestora do local, cujo acionista principal é a Odebrecht. Motivo: pagar um empréstimo de R$ 18 milhões feito pelo clube em janeiro. O time rubro-negro já costuma ficar com a menor parte do total arrecadado em partidas no Maracanã por conta das altas despesas operacionais do estádio, além de mordidas da Ffferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), entre outros.

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