Andrey, androide – Rubens Lemos

Andrey fez uma, fez duas, fez três, fez quatro defesas para se gravar e se debater durante os próximos dez…

Andrey fez uma, fez duas, fez três, fez quatro defesas para se gravar e se debater durante os próximos dez anos. Andrey, o androide humano com seu capacete protetor, silenciou milhares de rubronegros paranaenses e segurou nas suas luvas a vaga do América na Copa do Brasil.

Baé, o torcedor e símbolo vermelho, está liberado para se ajoelhar sobre caroços de milho até a próxima geração rubra. Tudo por Andrey, um goleiro elástico e incorporado à galeria dos ídolos americanos desde que saiu do ABC para vestir o blusão rival com a técnica indiscutível aliada ao equilíbrio emocional que muitas vezes lhe faltou.

Uma defesa aos 48 minutos do segundo tempo, à queima-roupa como um tiro mortal e irremediável, consolidou os fortes do Rio Grande do Norte nas quartas, para ira inútil da mídia sulista. O América segurou seu 2×0 em dramaticidade de invejar suspense de telona. Graças a Andrey, androide.

Depoimento de Agnelo

Recebo, honrado, mensagem do jornalista Agnelo Alves, coragem solidária a abrigar o meu pai e a nós, seus familiares, durante a covardia da Ditadura. Agnelo agradece – ele não precisa -, o livro Poemas Guardados, lançado por minha irmã Yasmine Lemos com versos inéditos do nosso pai. Agnelo é padrinho do meu irmão Camilo Lemos. Grato digo eu. O livro marca o lançamento do selo 8 Editora, tocado por Yasmine.

A mensagem: “Natal, 02 de setembro de 2014. Rubinho, Grato pelo livro do nosso inesquecível Rubão, de quem guardo teimosas lembranças de uma amizade que atravessou o tempo com suas circunstâncias. Rubão foi uma criatura humana que cuidou de tudo e de todos. Menos dele próprio. Sofrido, maltratado, perseguido, torturado. Uma vida que gerou outras vidas a quem ele dedicou a própria vida. Sou testemunha dos sacrifícios, das dedicações de toda uma vida. Grato, Rubinho.Com cordial abraço, Agnelo Alves.”

O livro é uma edição limitada e gratuita e – por culpa minha – outros amigos fraternos e gratos não receberam (ainda) seu exemplar. Aqueles que já foram lembrados e não fizeram qualquer menção em seus espaços, também sabem que Rubão não se preocupava com lapsos de desdém. Ou de esquecimento mesmo. Ele foi um lírico, um fraternal cometa. E perdoava.

Lateral-direito

Enquanto traçava um sanduíche – light – com gosto de isopor, conversava com o torcedor alvinegro de gargalhada franca pela pancada no Vasco. Ele levantou assunto interessante e logo formou-se a patota. Há tempos o ABC não tem uma safra de laterais-direitos tão bons. Renato, Patrick e Madson, o Madson arrebatador na Copa do Brasil.

Sem tradição

Farto de craques em todas as posições, o ABC teve apenas um lateral-direito acima das médias: Alexandre Cearense, do título de 1983. Sabará, escolhido para a Seleção do Século passado, entrou mais pela presença no timaço do Tetra (1973) do que de brilho. Era raçudo. Do tempo do Juvenal Lamartine, cita-se Biró, Gaspar, Preta e Batista, pai do jornalista Alan Oliveira, hoje expert em marketing esportivo.

Rogerinho

No dia em que Rogerinho resolver jogar o que demonstrou nos parcos minutos em campo, o ABC não precisará mais de camisa 10. A questão é Rogerinho querer. É com notável raridade que ele demonstra vontade de mostrar futebol.

Dunga é felipista

O técnico Dunga aproveitará oito titulares da equipe que disputou (um fiasco) a última Copa do Mundo da FIFA para iniciar a sua segunda passagem pela Seleção Brasileira amanhã contra a Colômbia. No primeiro treinamento com bola comandado pelo sucessor (físico) de Felipão, desde que conta com o grupo nos Estados Unidos, apenas três jogadores que não estavam no Mundial foram utilizados como titulares.

Titulares e reservas

Em cerca de 50 minutos de atividade, a Seleção Brasileira foi a campo com Jefferson; Maicon, Miranda, David Luiz e Filipe Luís; Luiz Gustavo, Ramires, Willian e Oscar; Neymar e Diego Tardelli. Os reservas, com um atleta a menos, foram: Rafael Cabral; Danilo, Marquinhos, Gil e Marcelo; Elias, Philippe Coutinho e Éverton Ribeiro; Robinho e Ricardo Goulart.

Ganso e Robinho

Paulo Henrique Ganso, na forma atual e usando apenas a perna direita, a de pisar no acelerador do seu carro, é titular indiscutível do meio-campo. Cá pra nós – e só pra nós, nem o mascaradão Robinho pode ser reserva numa seleção com Ramires e Willian. Robinho, o ciscador, sabe ao menos conduzir e bater com respeito na bola.

MST

O seu direito termina quando começa o meu. A invasão do MST a uma agência bancária em Natal é o cúmulo da insensatez orquestrada. O que um velho aposentado ou um cliente desesperado para pagar conta têm com a sanha de radicais? Nada. Por isso que surgem, de vez em quando, cassandras aduladoras pregando Ditadura. Juntando os dois lados, dá material de sobra para exame de fezes.

Jogão na memória

O América venceu o Sport (2×1) numa quarta-feira e recebeu o Goiás no dia 4 de setembro de 1975, domingo de Castelão (Machadão) com 11.698 pagantes pelo Campeonato Brasileiro. Jogaço e empate em 3×3. Gols do América: Ivanildo Arara e Pedrada (2). Rinaldo e Píter (2), marcaram para o Goiás. Em 1979, Píter foi campeão paulista pelo Corinhians.

Times

O América jogou com Valdir Appel; Ivã Silva, Oscar, Odélio e Cosme; Zeca, Washington (Humberto Ramos) e Hélcio Jacaré; Sérgio Davi (Pedrada), Santa Cruz e Ivanildo Arara. Goiás: Vandeir; Triel, Macalé, Alexandre e Gílson; Matinha, Frasão (Zé Maria) e Lúcio; Píter (Tuíra), Lincoln e Rinaldo.

Campeonato

O Campeonato de 1975 teve 42 participantes. Era o auge da praticidade do slogan “Onde a Arena vai mal, um time no Nacional”. A Arena era a sigla oficial da Ditadura. O MDB, corajoso agrupamento de resistentes de todas as tendências contrárias ao arbítrio. De liberais a comunistas albaneses, espécie extinta faz tempo, menos para dinossauros remanescentes.

Loteria

O América foi o terceiro colocado em seu grupo na primeira fase, atrás de Flamengo e Grêmio e superando oito concorrentes. Na etapa seguinte, derrotou o Vasco em São Januário por 1×0, gol de Washington, resultado que fez ganhador único da Loteria Esportiva o goiano Miron Vieira.

Colocação

O América terminou o campeonato em 24o lugar, à frente do Santos, naquele período sofrendo na plenitude carpideira, a viuvez da despedida de Pelé. Totonho era seu substituto. Sem mais.

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