Angyone Costa – Vicente Serejo

Não queria, Senhor Redator, que os sessenta anos da morte de Angyone Costa passassem como vão passar, sem festa e…

Não queria, Senhor Redator, que os sessenta anos da morte de Angyone Costa passassem como vão passar, sem festa e sem foguete, como no samba de Noel. Mas devo a mim mesmo e sei que este pedaço de jornal não consagra nem desconsagra ninguém. É que há anos sigo seu brilho esquecido. O rastro de luz dos seus livros guardados aqui, e também dos livros do seu filho, o médico e escritor Dante Costa, autor de histórias e de um belo livro de viagem a Paris com edição para colecionadores.

Mas, só com vagar, sem essa agonia de horas vividas com pressa, seria possível afastar de vez a dúvida de onde nasceu, se em Natal, Vila Flor ou Macaíba, depois da infância no Pará e, de lá, para o Rio, onde se consagrou como antropólogo, arqueólogo, etnógrafo e escritor. Um Pioneiro no estudo sobre o que chamou de ‘Indiologia’, certamente o primeiro a lançar um olhar erudito para erguer uma ‘Introdução À Arqueologia Brasileira’ tão consagrada nas edições da célebre ‘Coleção Brasiliana’.

Na edição do dia 12 maio do ano passado Woden Madruga transcreveu na coluna uma carta do poeta José Bezerra Gomes a Aluizio Alves dando conta que Angyone nasceu em Natal, na ‘Rua dos Tocos’, hoje Princesa Isabel. Não há registro de dados biográficos no longo prefácio que seu filho, o médico e escritor Dante Costa, escreveu na quarta edição, póstuma, da sua ‘Introdução à Arqueologia Brasileira’. Angyone nasceu em 1888 e faleceu em 1954, no Rio, onde viveu e escreveu seus livros.

Professor de Arqueologia do Museu Histórico Nacional, até hoje uma das maiores instituições de formação nas áreas de antropologia e arqueologia com cursos de mestrado e doutorado e por isso uma referência conhecida dentro e fora do Brasil, Angyone não teve na sua formação original título de antropólogo ou arqueólogo, mas era dono de uma cultura preciosa. Foi o primeiro a ministrar um curso de arqueologia, sistematizando um estudo específico que no Brasil praticamente ninguém dominava.

O estudo sobre o índio brasileiro tem no seu livro ‘Indiologia’ – Gráfica Laemmert, Rio, 1943 – aquela marca do antes e do depois, assim como seus estudos sobre a Ilha da Páscoa, a viagem ao Chile e seus olhares em ‘Espírito e Nervo do Mundo Latino’, este lançado em 1954, ano de sua morte, como título de lançamento da Coleção Rex, da editora Simões. Sem contar as contribuições informais como articulista e ensaísta nas principais revistas culturais da época, como a famosa Ilustração Brasileira.

Na província submersa e desatenciosa, ontem como hoje, Câmara Cascudo foi a chama forte a alumiar a figura de Angyone. Em 1937, no volume seis, número 12, do Boletim Ariel, escreveu um artigo sobre a importância dos seus livros elogiando sua capacidade de ‘sistematização e clareza’, além de sua simplicidade didática ‘desconhecida, até então, para nós’. Três anos depois, a 11 de janeiro de 1940, publica uma Acta Diurna para elogiar seu estilo que ‘enfrentava a sonolência dos cartapácios’.

Mais dezenove anos, em 16 de dezembro de 1959 – Angyone estava morto desde 1954 – Cascudo revisita a obra do conterrâneo ilustre e escreve outra Acta Diurna sobre as edições póstumas dos ‘Ensaios de Arqueologia’ e ‘Migrações e Cultura Indígena’, pela Coleção Brasiliana. Para Cascudo era um pioneiro no estudo da presença do homem no continente americano. Um intelectual que, a seu tempo, foi ‘relacionado, consultado e citado’ pelos especialistas consagrados no mundo.

É emocionado que o médico e escritor Dante Costa, seu filho, recebe a notícia de que a Câmara Municipal aprovara o nome de Angyone Costa para uma rua do Rio de Janeiro. A crônica está no seu livro ‘Os Olhos nas Mãos’ – José Olympio, Rio, 1956. Para Dante, naquele decreto nascia uma rua para bem cumprir o destino de lembrar um homem risonho e afável, de olhar luminoso, feito para o prazer da convivência humana. Angyone é patrono da Academia de Letras de Macaíba, escolha do professor Nássaro Nasser, macaibense e doutor em antropologia pela Universidade da Flórida, EUA.

SINAIS – I

Até os petistas daqui já sentem sinais de impaciência da classe média temendo uma volta da inflação. A exaustão pode gerar uma grande votação de Wilma e a eleição de Henrique logo no primeiro turno.

GRITO – II

Aumentam em Natal os plásticos em letras brancas sobre fundo negro, na traseira dos carros de porte médio e novos, gritando: ‘Fora Dilma e leve o PT’. O que antes praticamente não existia e tão assíduo.

REAÇÃO – III

Tem candidato do PT com números nas mãos – números colhidos por gente de confiança do partido – com perdas de substância do partido nos dois bairros natalenses mais tradicionais: Tirol e Petrópolis.

MAIS – IV

O PT, informa a mesma fonte, já não mantém a tradicional hegemonia em bairros como Ponta Negra e Candelária, fato que pode ser constatado pela grande ausência de plásticos com os candidatos petistas.

MAS – V

Brasília sabe que Dilma Rousseff terá no Nordeste um dos maiores e mais fiéis mananciais de voto do Partido dos Trabalhadores, mas mesmo assim vai enfrentar nesta eleição um segundo turno dramático.

CRISE – I

O próximo governador, seja quem for, segundo cálculos de fonte íntima dos números rosalbistas, terá que tomar duas decisões impopulares no primeiro ano, sob pena de atrasos graves na folha de pessoal.

QUAIS – II

Reduzir número de secretarias, cargos comissionados e gratificações, cortando na própria carne; e pactuar com os outros poderes a redução temporária dos seus repasses, mesmo sendo constitucionais.

FUTURO – III

O governo está fechando negociações salariais com parcelas previstas para 1915 e 1916 argumentando com o exemplo do Governo Wilma que deixou dez planos de cargos, carreiras e salários aprovados.

SERÁ?

Dizia uma voz com sotaque levemente petista na mesa de um discreto restaurante da cidade depois de mais um gole de caipirosca: o prefeito Carlos Eduardo Alves não poderia ter se afastado tanto do PT.

HOJE

Início da noite, no primeiro brilho da Estrela d’Alva, a Papa-ceia, lançamento dos dois volumes de ‘A Terra do Açúcar’, o romance histórico do médico Pedro Cavalcanti Filho. Uma edição Novos Escribas.

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