Ano novo, lixo antigo: Problemas na zona Leste permanecem

Prefeitura contrata nova empresa para realizar o serviço de coleta de lixo na área mais crítica de Natal. Foto: Wellington Rocha
Passadas as comemorações de ano novo, a limpeza nas praias começaram a ser feitas. Entretanto, as ruas da cidade permanecem em meio ao lixo. Na zona Leste, principal área da cidade com problemas na coleta, o amontoado de sacos e restos depositados pela população ainda se destacam. O entrave entre a Prefeitura de Natal e a empresa Líder, responsável pelos serviços de limpeza nesta zona, ainda reflete o caos compartilhado pela população.
Desde a semana passada que a empresa paralisou os serviços de coleta de lixo por falta de pagamento dos seus funcionários. A paralisação deveria ter sido impedida depois da aprovação do repasse de R$ 820 mil reais da conta da Prefeitura para a Líder, dinheiro que cobre parte da dívida que o município tem com a terceirizada. Entretanto, a empresa alega que ainda não recebeu o dinheiro.
O diretor-presidente da Urbana, João Bastos, garantiu a O JORNAL DE HOJE que o dinheiro foi repassado desde quinta-feira (27). Entretanto, a Líder rebate, afirmando que o extrato da conta bancária, criada especialmente para a realização desse repasse, não apresenta nenhum depósito desse valor. A Urbana e a Líder ficaram de apresentar o comprovante do pagamento e da conta bancária ao Sindicato dos Empregados de Limpeza (Sindlimp). Segundo Wilson Fonseca, presidente do Sindicato, apenas a Líder entregou o extrato da conta.
“Ainda estou esperando que a Urbana envie o comprovante do repasse desse dinheiro, que servirá para pagar os empregados da Líder. Eu já verifiquei se a conta realmente existe e confirmei. Foi uma conta criada a partir de acordo judicial entre o Sindicato, a Líder, a Urbana e a Prefeitura de Natal. Ela é especialmente para a realização desse repasse. Já entrei em contato com o gerente financeiro da Urbana, que ficou de me entregar o comprovante do pagamento”, disse Wilson Fonseca.
Nesta quarta-feira, em contato com João Bastos, a reportagem apurou que o repasse foi realizado, segundo disse o próprio dirigente da Urbana. “Estive no Banco do Brasil e confirmei a realização do repasse. O dinheiro já está na conta Líder. Não sei informar quando o dinheiro caiu na conta deles, mas a ordem de pagamento foi emitida na quinta-feira e, após todo o procedimento bancário, verifiquei que o dinheiro já estava lá”, disse João Bastos.
De acordo com informações passadas por Wilson, a Prefeitura realizou um contrato emergencial com a empresa Vital Engenharia para suprir a necessidade da limpeza urbana na zona Leste. “Como não houve renovação de contrato com a Líder, realizaram um contrato emergencial com a Vital, que ficará responsável pelo serviço de coleta, varrição, entulho e poda na área, até a realização de uma licitação”, disse. João Bastos confirmou a contração, afirmando que essa foi uma “determinação da nova gestão administrativa de Natal”.
Ricardo Maia, advogado da Líder, disse que a empresa deverá entrar com um processo judicial contra a Prefeitura, pretendendo, inicialmente, reaver a dívida que gira em torno de R$ 5 milhões. “Ainda iremos nos reunir para saber quais as medidas que serão tomadas. Já sabemos dessa nova empresa, mas como não existe segurança jurídica, não há exigência de renovação de contrato, não temos muito que fazer”, afirmou.
Para Wilson, a Prefeitura deveria fazer uma campanha de reeducação da população. “Por não ter certeza se haverá coleta ou não, as pessoas contribuem com o amontoado do lixo, dispersando os restos em qualquer lugar. Do jeito que vai, não adianta a Prefeitura limpar um local, pois logo depois as pessoas voltam a sujar aquela área. Se limpam pela manhã, à tarde a sujeira volta a estar do mesmo jeito”, enfatizou o presidente do Sindlimp.
Diante do cenário catastrófico, moradores de Natal e turistas são obrigados a transitar entre os lixos na cidade. Diversas ruas das quatro zonas da cidade chegam a estar irreconhecíveis com centenas de sacos de lixo amontoados por todas as esquinas. No início da avenida 25 de Dezembro, no bairro Praia do Meio, os carros desviam do meio fio da rua para não dar de cara com o lixo acumulado há mais de uma semana. Essa mesma situação é vista na avenida Floriano Peixoto com a rua do Areal, nas Rocas. O lixo está ocupando a lateral do terreno de uma distribuidora de água.
A população que passa pelo local tem que andar no meio da rua, entre os carros, porque o lixo tomou conta da calçada. Na avenida do Contorno, em Cidade Alta, localizada por trás da Casa do Estudante, a população depositou o lixo em uma das vias, inviabilizando a normalidade do tráfego. Os veículos que seguem na faixa chegam a passar em cima do lixo.
Praia do Meio acumula lixo de ano novo
Os garis da Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana) começaram a trabalhar na limpeza das praias nas primeiras horas desta quarta-feira. Como era de se esperar, o pós-réveillon em Natal deixou um cenário ainda mais concentrado em lixo. Na Praia do Meio, apesar da orla estar visivelmente sem muito acúmulo de material, a areia da praia foi invadida por restos da comemoração. Cocos, garrafas de cerveja, espumante, refrigerante, sacos plásticos e pedaços de papelão dividiram à área com os banhistas que foram à praia no segundo dia do ano.
Ao todo, cerca de 120 homens estarão trabalhando na limpeza das praias. Na Praia do Meio, 35 pessoas estarão revezando turno para garantir a organização da orla. Alguns ambulantes também recolhiam o lixo de seus pontos na areia da praia. Alguns deles se prepararam para voltar para casa porque já haviam vendido toda a mercadoria durante a festa do Ano Novo. Outros nem descansaram e permanecem no ponto recebendo as pessoas que procuram às praias nesta manhã.
Para Robson Fernando, funcionário de uma barraca fixa na Praia do Meio, o lucro da festa é muito bom, “pena que o fica de consequência para a praia é o lixo”. “Trabalho nesse mesmo ponto há uns cinco anos e sempre vi os garis limpando a área em mutirão. É tanta sujeira e material jogado na área que a limpeza tem que ser feita o mais rápido possível para não prejudicar a população. Já vi que o pessoal chegou para limpar, mas diante dessa crise de gestão passada e da paralisação dos terceirizados, pode ser que a gente ainda veja essa sujeira por mais tempo”, disse.
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