Anúncio do novo Porto deve ser feito somente na próxima semana por Rosalba

Projeto será divulgado antes da saída de Rogério Marinho, da Sedec

Governadora Rosalba Ciarlini apresentará todos os detalhes do novo porto. Foto: Divulgação
Governadora Rosalba Ciarlini apresentará todos os detalhes do novo porto. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

A governadora Rosalba Ciarlini deve anunciar na próxima semana o escopo do projeto de um novo porto para o Rio Grande do Norte. Será uma das últimas ações do secretário de Desenvolvimento Econômico, Rogério Marinho, à frente da pasta, já que ele tem planos para se desligar entre o fim deste mês e o começo do próximo para se candidatar a deputado federal nas eleições de outubro.

Embora o prazo legal para desincompatibilizações seja abril, Marinho prefere sair antes. Seu adjunto Silvio Torquato foi convidado duas vezes para ocupar pela segunda vez o comando da Sedec.  A primeira foi quando o baiano Benito Gama deixou a Secretaria, em fins de 2012.

Na semana passada, Torquato recebeu o primeiro convite do chefe do Gabinete Civil, Carlos Augusto Rosado, e o segundo da própria Rosalba durante uma visita da governadora a Caicó, onde há planos para se construir o Centro Industrial num terreno localizado às margens da rodovia estadual RN 118, no sentido Jucurutu.  Em ambas as ocasiões ele aceitou.

Sobre o novo porto, ouvido hoje, Rogério Marinho pediu paciência. “A governadora vai anunciar tudo na semana que vem”, limitou-se a declarar. “Ela dará todas as informações sobre o assunto”, acrescentou. Mas, sabe-se que há um ano ele trabalha nesse projeto com a participação direta do deputado Henrique Eduardo, o homem que abre as portas dos ministérios em Brasília.

Os detalhes do projeto, inclusive o desenho da licitação a ser lançada, já estão definidos, mas também serão conhecidos a partir das palavras de Rosalba. Rogério limitou-se a afirmar apenas o que já vem repetindo nos últimos anos: o Rio Grande do Norte padece de problemas crônicos de infraestrutura que o condenaram a viver eternamente numa posição subalterna em relação aos vizinhos Pernambuco e Ceará e, pior, perdendo espaço até para a Paraíba.

A construção de um novo porto para o Rio Grande do Norte não é propriamente uma novidade. O problema é conseguir levar a cabo o sonho que já está incorporado ao imaginário. Durante o governo Wilma de Faria, que conseguiu emplacar quase oito anos, esse projeto manteve entretida muita gente que frequentava o gabinete do então secretário de Planejamento, Wagner Araújo.

A diferença de agora é que naquela ocasião, à custa de milhões em consultorias especializadas, foi produzido um estudo mais ambicioso (isso não quer dizer efetivo) de viabilidade técnica e econômica para a implantação de um sistema ferroviário que agisse complementarmente com um novo porto. Um seria a base do outro.

Esse estudo foi apresentado em meados de 2006 e mostrou alternativas para as ligações ferroviárias desde a capital até alguns dos maiores centros produtivos como Mossoró, Macau e Guamaré, para ficar só nesses casos.

Nessa época o aeroporto de São Gonçalo era apenas um sonho distante, mas já existia. O debate sobre a construção do novo porto começou como opção para o Porto-ilha em Areia Branca, tendo como alternativa B uma estrutura com uma correia transportadora de alguns quilômetros mar adentro em Porto do Mangue para escoar o minério que viria por trem. Custo em dezembro de 2005: U$ 60 milhões, uma nota preta na época e hoje um troco.

Não se imagina ainda o que a governadora pretende anunciar para o projeto do novo porto. A diferença agora, em relação ao passado, é que o aeroporto de São Gonçalo será inaugurado em abril e Henrique Eduardo é finalmente o presidente da Câmara dos Deputados, o que faz toda a diferença até quando se sonha. Menos, nesse caso, para Rosalba e o governador de plantão, Carlos Augusto.

Henrique chegou a tocar no assunto do novo porto por ocasião do seminário promovido por uma de suas empresas. A governadora não teria gostado. Quer ela mesma mostrar que seu governo não é feito apenas de obras emergenciais contra a seca e projetos descontinuados que mostram todo o descompasso com uma equipe desanimada com o futuro da administração.

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