AO MESTRE CUM CARÍIN…

João Faustino Ferreira Neto! Aqui, não me refiro ao homem público; apesar de ter um orgulho muito grande dele; bem…

João Faustino Ferreira Neto!
Aqui, não me refiro ao homem público; apesar de ter um orgulho muito grande dele; bem como de ter o privilégio e a felicidade de privar de sua amizade; enquanto esteve fisicamente no nosso convívio. O meu orgulho maior; é o de ter sido seu aluno no Colégio Marista de Natal, na década de sessenta… Foi ele, dos primeiros professores que não eram irmãos maristas, a lecionar no referido estabelecimento de ensino… E coitado dele! Digo coitado, pois apesar de saber muito da sua matéria, a matemática, eterno bicho papão de qualquer aluno relapso que se prezasse com esse adjetivo; o pobre foi jogado literalmente às feras… Sua turma de alunos; parece ter sido escolhida a dedo; pois era o que se podia chamar com toda razão, de “mundiça”;  e eu estava no meio dessa mundiça maravilhosa, da qual morro de saudade. Mundiça que até hoje ninguém sabe quem foi qui cagô dentro da gaveta do birô de Irmão Francisco… Também não se sabe até hoje, quem foi que espremeu entre a parede e o armário da sala de aula, o gato de Irmão Graciano… Mundiça que quando você certa feita, estava explicando uma equação, uma das vacas da vacaria dos irmãos, mugiu; e o peste do César Eduardo Janhsen, filho do Comandante Janhsen, da Base Naval de Natal, emendou com o mugido, a exclamação:
– Presente!…
Lembro que a sala de aula só faltou ir abaixo e que você, amado mestre; parando de escrever no velho e ultrapassado quadro negro, falou quase implorando:
– Vocês me ajudem; deixem eu dar minha aula em paz…
E aí era que a patota sorria abertamente… O colégio ainda não era mixto; era só macho; e aqui acolá; um “SUNÉ” para descontrair o ambiente…  Mais isso, meu fíi; era num iscundirijo mais disinfiliz dêsse mundão de Meu Deuso… Hoje in dia, sê SUNÉ “dá inté status”!… E quando as meninas do Colégio das Neves, do Pe. Miguelinho; do Imaculada Conceição; vinham nos convidar para qualquer evento ? Era uma verdadeira festa; saía toda qualidade de munganga… E você, Mestre João Faustino; na sua timidez ou “pseudo timidez”; muntas vêiz ficava da cô de um tumate; vrêimêi qui só fruita de cardêro puro lado de dento; cum ais munganga da rapaziada e dais minina mais afôita qui se aventurava prá riba de tua pinta de galã de cinema… E a mundiça; ôxe; era cada gaitada daquela qui cego vê o mundo… Me perdoe, querido mestre; cumecei falando na linguage erudita; mais matuto qui se preza num se acustuma dizendo ais palavra duis mestre da literatura não sinhô; tem qui sê no vôte, ôxente e danô-se mêrmo… E é cum meu vôte, ôxente e danô-se, qui eu choro a irreparáve perda do mestre querido e amado qui você foi. Quando  se acordá aí no hospitá isprituá e cumeçá a se acustumá c’á sua nova vida; p’rú favô percure aí Irmão André Parisotto, Irmão Júlio, Irmão Aníbal, Professo Amadeu Araújo, Armandinho, o nêgo Maninho Barbosa, Prêntice,um duis gêmeos (num me alembro dereito se foi Manoel Lúcio ô Marques Neto qui já se foi…) e diga a eles tudíin, qui nóis num s’isquece de ninhum deles e munto menos dais munganga qui nóis aprontemo junto… Quanto a você, querido, sodoso e amadíssimo mestre; só me resta lhe dizê uma única frase qui resume essa ruma de bestêra qui iscrivinhei hoje no Cantinho do Zé Povo: OBRIGADO POR TUUUUUUUDDDDDDO!…

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