Aos pés de Fred

A fábrica natural de atacantes no Brasil produzia em quantidade continental. Sobravam goleadores para todas as Copas do Mundo e…

A fábrica natural de atacantes no Brasil produzia em quantidade continental. Sobravam goleadores para todas as Copas do Mundo e muita gente boa ouviu pelo rádio ou comeu pipoca assistindo pela televisão. Hoje, há um clamor nacional na dependência pelo artilheiro Fred, do Fluminense, único homem de área considerado pela CBF e capaz de enfrentar os beques no Mundial patropi.

A atuação de Fred na Copa das Confederações deu-lhe a condição de intocável. Ele esteve bem como o time brasileiro parecia ungido por uma força invisível a dominar todos os adversários.

Há que se desconfiar da Copa das Confederações, insistente argumento de confiança para transformar jogadores comuns em craques. Foi um instante que já passou e continua sendo usado de combustível de esperança pelos fanáticos.

Até o mediano volante Luiz Gustavo conseguiu anular o armador espanhol Iniesta. Em condições normais, Iniesta ganharia nove em dez duelos. O estilo berrante de Felipão o impede de passar, às ordens de um sargento, a borracha lúcida sobre o resultado contra a Espanha. O êxtase poderá custar caro com a fatura salgada sendo apresentada um ano depois. Se for um estilo, por mais feio, será consagrado a partir da estreia contra os croatas.

De orgulhoso exportador de refinados meio-campistas e centroavantes técnicos ou rompedores, o Brasil virou grife em colher zagueiros de suas bases. Seu jogador mais badalado, fora Neymar, é Thiago Silva, eleito para a seleção dos melhores do mundo no ano passado.

Técnicos e jogadores de todo o planeta, em votação, não incluíram um brasileiro no grupo seleto dos criadores e Neymar terminou em quinto entre as celebridades. Thiago Silva, seu companheiro titular, David Luiz e Dante, do Bayern de Munique, são nomes certos e passaportes carimbados na lista de Luiz Felipe Scolari. Restam Dedé do Cruzeiro, Réver do Atlético(MG) e Henrique, deixando o Palmeiras para jogar no Nápoli(Itália) na briga pela quarta vaga.

A discussão sobre zagueiro em boteco ou reunião de apaixonados por rende a partir da quinta ou da sexta cerveja.. Nunca vi, jamais, alguém se derreter em elogios ao correto Zózimo, quarto-zagueiro bicampeão do mundo em 1962 e apelidado de Boneco da Esso por Mané Garrincha. Pobre e quase incógnito Zózimo, morto em 1977. Há muitos craques na galeria e no pôster para se idolatrar.

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Certa vez, em Natal, dois amigos de longa data quase vão às tapas discutindo e apostando em shopping center quem fora o reserva de Djalma Santos em 1962. Um deles, o mais convicto, bradava: De Sordi, o titular de 1958 e ausente da decisão contra a Suécia.

Dúvidas resolvidas pela memória bem conservada do oponente: o reserva era Jair Marinho, do Fluminense. E aí, você sabia que Jair Marinho é um bicampeão? Ou que Baldochi, do Palmeiras, Fontana, do Cruzeiro, e Joel Camargo, do Santos, estavam entre os 22 tricampeões em 1970? E que Alfredo Mostarda, discreto defensor do Palmeiras compunha o banco na mediocridade de 1974?

Brasileiro sempre foi acostumado com a transposição moleque dos rachas de rua para os gramados, onde os ruins ficavam na defensiva e os privilegiados eram disputados para jogar com a 8, a 9 ou a camisa 10, verbete de melhor do time.

A recuperação de Fred é tratada nesses meses que antecedem à estreia contra a Croácia em proporção quase igual à tensa prece coletiva por Pelé contundido em 1962. Fred tem que jogar, recitam adeptos do catolicismo, protestantismo, espiritismo, pessoal da umbanda e do candomblé e até a turma do ateísmo. Em 10, 15 minutos de tentativa, não se encontra um substituto.

Leandro Damião surgiu e submergiu da promessa que ainda é. Luis Fabiano é incapaz de segurar a alcunha de Fabuloso inventada por Galvão Bueno. O nível de Jô é a extensão de sua pronúncia. Jô é a grandiloquência de uma sílaba em camisa, calção, meiões e chuteiras.

Hulk é um gladiador corporal contra armários estrangeiros e Alexandre Pato não está querendo mais nada com o script pelo motivo de estar milionário e haver transformado sua profissão em tarefa, em exercício de tédio.

Todos juntos, vamos, para Fred, Brasil, Brasil, salve a seleção. Um centroavante. Um camisa 9. Um cara mais puxado a Nunes, Mirandinha e Serginho Chulapa do que a nobre escola: Leônidas da Silva, Heleno de Freitas, Ademir Menezes, Mazzola, Vavá, Coutinho, Tostão(que brilhava onde estivesse), Reinaldo, Dinamite que fez ótima Copa em 1978, Careca, Ronaldo e o incomparável Romário. O Baixinho usava a 11. Afinal, jogava por 11.

 

Sorte

O América teve sorte ao empatar com o Confiança fora de casa nos descontos. Um time de vermelho, outro de azul e a impressão em certos momentos era a de que se assistia a um América x Riachuelo, antigo time mantido pela Marinha e de campanhas medíocres , exceto em 1967, quando foi vice.

Time sem vontade

Tire o gol de empate e faça uma retrospectiva: em nenhum momento, o América levou perigo ao adversário, cujo craque, o meia Geraldo, é do tempo em que existia TV Excelsior.

É aquele

É o mesmo Geraldo do Sport, Náutico, Bahia e Ceará. Pesquisando, está em alguma súmula contra Danilo Menezes e Noé Macunaíma.

Alfredo

A falta do atacante Alfredo foi notada e o técnico leandro sena poderia ter começado com Isac, um atacante de presença na área. Rubinho, meu xará, decepcionou e Pardal voou bem baixo.

ABC na Arena

O ABC, daqui a pouco, volta para a Arena das Dunas tendo o Palmeira de Goianinha de adversário. Pela Copa RN. Pode dar um público razoável formado por curiosos em conhecer o novo estádio num dia de menos movimento. O jogo propriamente dito atrai sono.

Lista e problemas

Contratações arriscadas terminam em enrascada. O ABC só dispensou cinco da trupe de contratados no início do ano e será difícil mandar mais gente embora pois os empresários ou procuradores querem tempo para encaixar seus “clientes”noutra praça. Alguns deveriam mudar de ramo pela bola demonstrada.

Haddad

Se popularidade fosse time de futebol, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, seria goleiro. Pesquisa Vox Populi mostra que apenas 1% da população considera ótimo seu trabalho. O levantamento foi divulgado pela Rede Band.

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