Três em cada 10 crianças com má formação conseguem tratamento no RN

Diagnóstico pode ser feito ainda na gestação ou logo após o parto

Amico-JA

Somente 30% das crianças diagnosticadas com cardiopatia congênita no Norte e Nordeste brasileiro têm o tratamento adequado. Esse dado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV) é um dos principais motivadores para que instituições não governamentais destaquem o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, comemorado neste último dia 12 de junho.

É o que faz a Associação Amigos do Coração da Criança (Amico). De acordo com integrante da entidade, Mariana Alievi Mari, uma em cada cem crianças nascidas vivas apresenta algum tipo de deformidade no coração. “A cardiopatia congênita é uma má formação na estrutura do coração que vai trazer prejuízo ao funcionamento do coração”, explicou.

O fato de 70% das crianças diagnosticadas com este tipo de cardiopatia não possuírem tratamento adequado se deve as precariedades do Sistema Único de Saúde (SUS). “Existe um déficit de profissionais especializados nessa área. As pessoas também têm dificuldade de acesso aos centros de tratamento”, ressaltou Mariana. Na capital, por exemplo, há apenas uma equipe no Incor Natal realizando cirurgias do tipo.

Conforme a integrante da Amico, o diagnóstico precoce e o tratamento mais rápido possível também podem evitar complicações da criança ao longo da vida. “A partir de 28 semanas de gestão pode ser feito o ecocardiograma ou logo depois do parto quando há suspeita do médico”, acrescentou.

As razões para o surgimento de cardiopatias congênitas podem ser diversas. “A mãe que pode ter tido alguma infecção durante a gestação; ter usado drogas; alguma síndrome que a criança tenha, como Síndrome de Down ou algum familiar já ter tido a cardiopatia congênita”, disse Mariana. Entretanto, nem sempre as crianças têm todos esses fatores associados.

Para a maioria dos pacientes o tratamento é cirúrgico. “Como é uma alteração na anatomia do coração, em 80% dos casos, ele [o paciente] precisa ser cirurgiado”, ressaltou a integrante da Amico.

Como qualquer doença, o diagnóstico e tratamentos rápidos são decisivos para a cura. De acordo com Mariana, logo quando a Amico começou as atividades em 2004, o descaso do poder público deixava que muito mais crianças corressem risco de vida. “No início, a gente via crianças com sete, oito anos com a cardiopatia tão avançada que nem podiam fazer a cirurgia pelo alto risco”, contou. Atualmente, segundo ela, o tempo de espera é bem menor e as crianças tanto com o problema.

A Associação Amigos do Coração da Criança (Amico) tem a função, segundo a Alievi, de encurtar o caminho entre as crianças e o atendimento no sistema de saúde pública. Além disso, a entidade oferece serviços de saúde complementares, como atendimento odontológico. Os pacientes também recebem atenção no pré e pós-operatório dentro da sede da associação. Depois que as crianças vão para casa, o acompanhamento continua até mesmo com ações assistenciais para famílias com pacientes carentes. “O nosso objetivo é ir além do tratamento cardíaco”, classificou. Para auxiliar a instituição que não recebe dinheiro governamental, basta entrar em contato pelo telefone: (84) 3206-1641.

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