Apesar da greve dos professores, escolas de Natal mantêm funcionamento

Na Escola Ulisses de Góis, em Nova Descoberta, os professores grevistas não atuam em salas de aula convencionais

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A paralisação dos professores da rede municipal de ensino entrou no segundo dia nesta terça-feira (8). Mas apesar dos dados do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Rio Grande do Norte (Sinte/RN), que apontam para uma adesão de 80% dos profissionais efetivos – cerca de 3.760 – esse número não é suficiente para prejudicar a normalidade de algumas escolas.

Exemplo disso é a Escola Municipal Ulisses de Góis, no bairro de Nova Descoberta. Segundo a diretora da instituição, Norma Suely Chacon, 13 profissionais (sendo três pela manhã, cinco à tarde e mais cinco à noite) estão em greve, mas boa parte deles são professores que não estão na sala de aula convencional. Eles atuam em biblioteca, coordenação, sala de vídeo e de informática, por exemplo.

O motivo para que esses professores entrassem no movimento grevista deste ano foi o terço de horas, contou a diretora. Segundo a lei 11.738/2008, que estabelece o piso nacional dos professores, eles deveriam ter 33,33% da sua jornada de trabalho dedicada ao planejamento das aulas, ou seja, fora da sala de aula.

O ajuste ao que determina a lei naturalmente exigiria que novos professores fossem contratados. Mas por enquanto, de acordo com Norma Suely, a saída têm sido pagar horas extras para os profissionais da rede. Entretanto, esse pagamento não abrange os professores que não estão na sala de aula convencional, como em bibliotecas e salas de informática. Essa decisão gerou uma divisão entre a classe dos professores municipais. “É considerado que esses professores não têm contato direto com o aluno. Isso pode acontecer em outras escolas, mas na nossa não”, disse a diretora, elencando uma série de atividades interdisciplinares com a utilização dos recursos como biblioteca, sala de vídeo e informática.

Em defesa de todos da classe, a gestora ainda acrescenta que os professores têm a mesma formação e passaram pelo mesmo concurso público, embora estejam sendo discriminação por sua função.

A Escola Municipal Ulisses de Góis funciona os três turnos com Educação de Jovens e Adultos (EJA) à noite. São 668 alunos no total. Hoje pela manhã, a instituição de ensino parecia funcionar normalmente.

A dona de casa Leila Kelly Macêdo tem um dos filhos matriculados no 3º ano do ensino fundamental. “Em relação à greve não tenho o que reclamar, graças a Deus”. Apesar de trazer dificuldades para o processo de ensino-aprendizagem, a mãe diz também entende os trabalhadores da educação. “É muito ruim porque prejudica as crianças, mas também a gente tem que se colocar no lugar deles. Se você estiver trabalhando e não receber, você para de trabalhar. Eu também vejo o lado deles e apoio”, opinou.

O terço de horas é apenas um dos pontos de pauta dos professores da rede municipal de Natal. Conforme a coordenadora-geral do Sinte/RN, Fátima Cardoso, a jornada de trabalho dos educadores infantis também está em questão. Segundo a dirigente, esses profissionais trabalham das 7h da manhã ao meio-dia sem intervalos (5 horas). No entanto, lei municipal determina que a jornada diária seja de 4h30 com um intervalo de 30 minutos. “Isso é um abuso se constitui inclusive como hora extra”, classificou a sindicalista.

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