Aplicativo Secret é considerado um dos maiores causadores do cyberbullying

"É quase impossível coibir ações de cyberbullying, mas a Justiça funciona e pode levar à prisão."

Foto; Divulgação
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Quem convive com crianças e jovens sabe como eles são capazes de praticar pequenas e grandes perversões. Debocham uns dos outros, criam os apelidos mais estranhos, reparam nas mínimas “imperfeições” e não perdoam nada. Na escola, é bastante comum encontrar alunos com esse perfil: implicância, discriminação e agressões verbais e físicas são muito mais frequentes do que o desejado.

Há alguns anos essas provocações passaram a ser vistas como uma forma de violência e ganharam nome: bullying (palavra do inglês que pode ser traduzida como “intimidar” ou “amedrontar”). Mais recentemente, a tecnologia deu nova cara ao problema. E-mails ameaçadores, mensagens negativas em sites de relacionamento e torpedos com fotos e textos constrangedores foram batizados de cyberbullying. No Brasil, vem aumentando rapidamente o número de casos de violência desse tipo.

No último dia 19 de agosto, a Justiça Federal do Espírito Santo determinou, em decisão liminar, a retirada do aplicativo Secret das lojas de aplicativos do Google e da Apple, e do Cryptix, programa de funcionamento similar, da loja da Microsoft. A Justiça acolhe o pedido do Ministério Público do Espírito Santo, que protocolou uma ação civil pública no último dia 15.

No aplicativo Secret, que permite a postagem e o compartilhamento de mensagens de forma anônima, as pessoas sem nome e sem foto vão deixando mensagens que são lidas por quem acessa o aplicativo. Surgiu como um espaço de desabafo e brincadeiras inocentes, mas acabou se tornando uma rede de intrigas. “As publicações vão desde comentários banais, até crimes contra a honra e crimes como cyberbullying e pedofilia”, afirmou Rodrigo Jorge, especialista em segurança da informação.

Após a decisão da Justiça Federal o aplicativo Secret e similares não conseguem ser baixados para os celulares/smartfones da App Store. Já os aparelhos celulares com plataforma Android, do Google, ainda podem conseguir fazer download. Entretanto, além de determinar a suspensão do aplicativo, a Justiça decidiu ainda que as empresas devem também remover remotamente os aplicativos dos smartphones das pessoas que já os instalaram. A Justiça fixou multa de R$ 20 mil para cada dia de descumprimento.

“Aplicativos como o Secret podem causar um problema social para qualquer pessoa. Uma vantagem para a nós, brasileiros, é que a partir de agora esses aplicativos anônimos, que podem causar difamação e bullying na internet, não poderão mais funcionar em nosso país”, disse Rodrigo.

Entretanto, o especialista em segurança da informação alerta para a importância dos pais estarem sempre acompanhando a atividade dos filhos na internet e redes sociais. “É quase impossível coibir ações de cyberbullying, mas a Justiça funciona e pode levar à prisão. O Marco Civil da Internet, recentemente sancionado, garante que as informações de pessoas anônimas na internet possam ser entregues à Justiça. Se alguém desconfiar de algo, pode procurar os seus direitos e denunciar as práticas de cyberbullying”, destacou.

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