Após cursos e investimentos, Bope está pronto para Copa do Mundo em Natal

Batalhão foi um dos mais beneficiados com a realização do Mundial na capital potiguar

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Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

Foto: José Aldenir

Utilizado para situações de grande risco, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), foi uma das corporações policiais que mais se beneficiou com a realização da Copa do Mundo no Brasil. Cursos foram realizados e novos equipamentos adquiridos para que o Bope possa atender a demanda durante o Mundial.

“Foram realizados diversos cursos, principalmente nos últimos dois anos. No início de 2014 terminamos o curso Técnico de Explosivistas Policial. Tivemos o curso antibombas e também o curso de proteção para autoridades. Tudo foi feito para fortalecer ainda mais o Bope, que já era uma corporação que tinha um nível de exigência um pouco maior, já que é utilizada para situações mais graves que estejam acontecendo”, destacou o tenente Luiz Barros, Relações Públicas do Bope do Rio Grande do Norte.

Um dos principais benefícios no que diz respeito a equipamento foi a chegada de um robô antibombas, que custou cerca de R$ 2,5 milhões e foi adquirido por meio de um convênio entre o Governo do Estado e a Secretaria Nacional de Grandes Eventos, e ficará na corporação após o Mundial. Além disso, os policiais que passaram pelos cursos também ficarão com o “legado”. “Todo o batalhão estará disponível no Mundial. Esses policiais já eram qualificados e foram ainda mais capacitados. Isso é um grande benefício para a cidade”.

Nesse domingo (8), o Bope, juntamente com cerca de 200 homens da Polícia Federal, Exército, Marinha e Força Nacional, estiveram no estádio Arena das Dunas, em Natal, para realizar o lockdown, uma vistoria conjunta de segurança antibomba e contra ameaça química, biológica, radiológica e nuclear em todas as dependências do estádio como: arquibancadas, vestiários, banheiros, elevadores, área de mídia, camarotes, etc.

Esta foi a última grande vistoria realizada no perímetro interno da arena antes do primeiro jogo da Copa do Mundo que acontece na próxima sexta-feira, entre México e Camarões. Concluída esta etapa de segurança, o estádio passa a funcionar de agora em diante com um controle bem mais rígido em seu acesso.

Mesmo após o lockdown, a Polícia Federal e os outros órgãos de segurança e de defesa ainda irão realizar vistorias de menor porte antes dos quatro jogos do Mundial que serão realizados na capital potiguar e, também, sempre que as seleções necessitem fazer algum treino de reconhecimento do gramado do Arena das Dunas.

Em caso de uma ameaça de bomba no Arena durante algum jogo, o estádio pode até mesmo ser esvaziado. “É uma decisão técnica. Se tiver a ameaça, primeiro vamos procurar identificar o artefato. Em caso positivo, se realmente for uma bomba, vamos analisar o raio que esse artefato pode alcançar para saber se teremos ou não que esvaziar o estádio. Pois pode ser um artefato que podemos desarmar de uma maneira mais simples, sem precisar causar qualquer tipo de perigo para os torcedores”, explicou o tenente Barros.

Na última sexta-feira (6) o palco da Copa do Mundo em Natal também passou por uma simulação de ameaça causada por uma bomba química. A ação, que contou com Integrantes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Marinha do Brasil, Corpo de Bombeiros, Força Nacional e Exército, teve como objetivo integrar profissionais da segurança e Samu numa operação de salvamento simulado, para testar os serviços de assistência médica caso haja alguma ameaça desse tipo durante a Copa do Mundo FIFA 2014.

“Cada instituição realizou seu próprio treinamento e aqui nós estamos integrando as equipes para realizar o resgate no tempo mais aproximado do real possível”, explicou o comandante do Batalhão de Engenharia da Marinha, Alexandre Peres.

O treinamento em ameaças QBRN (químicas, biológicas, radiológicas e nucleares) foi organizado pela Marinha do Brasil, que montou um posto de descontaminação capaz de receber um total de até 120 pessoas por hora. A simulação foi feita com 120 voluntários, alunos da área de saúde da Universidade Potiguar, que atuaram como vítimas.

Os profissionais do Samu usaram viaturas especiais e equipamentos de proteção como a roupa Tyrek, para evitar a contaminação por radiação e o medidor de radiação. Para uso durante a Copa do Mundo, a Marinha do Brasil trouxe a Natal, ainda, um laboratório móvel de risco 3 para análise de agentes químicos e biológicos, serviço que não existia em Natal. A Marinha do Brasil tem dois desses laboratórios. O outro está na cidade do Rio de Janeiro.

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