Após demissão, Fernandes afirma: ‘Teria que ser campeão para ficar’
A demissão do pernambucano Roberto Fernandes no América pegou todos de surpresa, inclusive o próprio treinador. Desde março do ano passado em Natal, no comando do time rubro, o técnico deixou o clube após a desclassificação da equipe ainda na primeira fase da Copa do Nordeste. A saída, contudo, teria sido apenas antecipada, já que segundo Roberto, sua permanência estaria indiretamente condicionada ao título da competição regional.
Segundo o agora ex-treinador rubro, os resultados não influenciaram em nada na sua saída e que a decisão foi exclusivamente administrativa. O projeto rubro, inclusive, ia de encontro à linha de trabalho pretendida pelo treinador para o processor de reorganização da casa americana que esperava o crescimento da equipe a partir da entrada do Itamar na equipe, bem como a recondicionamento físico do atacante Renan e as contratações de mais um atacante e um zagueiro.
“Ao invés de reforçar como imaginávamos, o clube iria passar por uma redução o elenco. Não era justo que eu permanecesse enquanto meus atletas iam embora do clube por questão financeira, sendo que o maior salário do elenco americano era o meu. Posso dizer com certeza que o resultado não influenciou em absolutamente nada. Cada jogo seria uma provação diferente e se a gente não fosse campeão, iria acontecer em algum momento. A desclassificação apenas trouxe à tona o momento financeiro difícil do América”
A reunião que resultou na liberação do treinador ocorreu ontem à tarde na sede social do clube. Em meio a turbulência pela desclassificação, o presidente Alex Padang se reuniu com o vice-presidente de futebol, Paulinho Freire, e o vice-presidente de futebol, Eduardo Pagnocelli, na qual Fernandes teria sido informado dos motivos de sua saída do clube. A decisão do presidente, segundo fontes ligadas ao clube, é de que os outros dois participantes do encontro não teria aprovado a decisão do mandatário e teriam tentado convencê-lo do contrário, no entanto, sem sucesso, a dupla deixou a sede americana insatisfeita com a demissão do então comandante rubro.
Roberto Fernandes, por outro lado, demonstrou serenidade em relação ao fato e disse compreender as razões que motivaram a decisão do presidente Alex Padang. De acordo com o ex-americano, as receitas do clube estavam próximas de R$ 150 mil, enquanto o orçamento ultrapassava a faixa dos R$ 400 mil.
“A surpresa de forma geral, existiu, tanto que outros da diretoria eram contra. No momento em que ele expor a situação do clube para todos vocês, acredito que vão entender. É na pele dele (Alex Padang) que as coisas vão estourar. As contas não batem e entendo perfeitamente a decisão dele. A amizade permanece, mas tem situações em que é preciso tomar uma decisão, ele foi corajoso e fez o que estava ao seu alcance”, afirmou.
Ao contrário do entendimento geral sobre a qualidade do elenco americano, Fernandes afirmou que o grupo não poderia ser colocado no patamar de outras equipes prontas para brigar pelas primeiras colocações. A análise do treinador aponta especialmente para a carência da equipe em relação ao ataque que marcou apenas seis gols em toda a competição, sendo quatro deles de apenas um jogador, o atacante Rico.
“Se fizer uma análise criteriosa, como o elenco pode ser forte, aonde o time conta em seis jogos com apenas dois atacantes e uma atleta da base. O Renan jogou no sacrifício, fiz quatro jogos com apenas dois atacantes, já que tive o Rico e Gláucio. Enfrentamos problemas grandes. O Itamar, que chegou, não tinha condições, o Renan está muito longe da forma física e o Tatu se machucou. Por outro lado, perdemos Lúcio, Isac Wanderson, Cleber, jogadores que fizeram falta e que, aqueles que estavam aqui, não tinham conseguido pelo pouco tempo chegar a melhor condição de jogo”, justificou.
“Não me apego ao passado”, garante Fernandes
O ex-treinador americano garante não guardar qualquer mágoa da direção rubra, apesar de ele ter declinado os convites de Guarani e São Caetano para a disputa do Campeonato Paulista, há pouco mais de uma semana. “Eu não me apego a coisas do passado, infelizmente são coisas que acontecem e não podemos prever. Não deixaria o América na véspera de uma decisão. Se tivesse uma semana ao menos, era tempo suficiente para o clube encontrar um novo treinador, mas recebi uma proposta no domingo, e jogaria novamente na quarta e depois no sábado. O prejuízo financeiro que estou tendo é muito grande, mas é antes o prejuízo individual do que o coletivo”, afirmou Fernandes.
Sobre sua passagem pelo América, o treinador fala com orgulho do desempenho à frente da equipe e cita especialmente o fim do jejum de oito anos sem título estadual e de vitórias sobre o rival que dura mais de dois anos, além do fato de ter conquistado objetivos menores como o melhor ataque e melhor defesa do Potiguar, ano passado. “Na Série B conquistamos algo incrível. Com o terceiro menor orçamento da competição, nunca caímos do grupo dos 10 primeiros e passamos 15 rodadas no G4 da competição nacional, uma das mais difíceis do país”, observou.
Segundo ele, o trabalho para este ano ainda estava em formação, já que com a perda dos atacantes Lúcio e Isac, além do lateral Wanderson e o zagueiro Cleber, o grupo ainda buscava o equilíbrio para chegar ao mesmo patamar técnico. “A passagem pelo América, de forma geral, foi extremamente positiva. Quem deve estar ressentido neste momento é o Bahia que tem um jogador com salário de R$ 300 mil e que paga a folha do América inteira, mas ficou de fora.”
Ainda sem destino definido, o treinador afirma que deverá esperar até o final dos festejos de momo para decidir sobre qual equipe deverá comandar a partir de então. Fernandes, contudo, não perdeu a oportunidade de demonstrar seu bom humor e brincou com a situação do “desemprego” inesperado às vésperas do Carnaval. “Vou pular carnaval no bloco dos desempregados da bola”, finalizou.
Notícias Relacionadas

