Após falhas em injeção letal, EUA planejam retomar cadeira elétrica e fuzilamento

Alguns Estados do país estão com dificuldades para comprar barbitúricos

Na Virginia, uso da cadeira elétrica já foi aprovado na câmara baixa. Foto:Divulgação
Na Virginia, uso da cadeira elétrica já foi aprovado na câmara baixa. Foto:Divulgação

Alguns estados dos Estados Unidos, afetados pela falta do medicamento utilizado para aplicar a pena capital, planejam resgatar antigos métodos que, em alguns casos, deixaram de ser usados por sua brutalidade, como a cadeira elétrica e o fuzilamento.

Há propostas em Virgínia, Wyoming e Missouri de retorno a métodos de execução há muito tempo abandonados, para horror daqueles que querem o fim de qualquer tipo de pena capital.

Desde 1982, as injeções letais têm se tornado gradualmente o principal método de pena de morte nos 23 Estados que permitem a prática.

Mas, quando fábricas europeias pararam de vender drogas para os Estados Unidos por rejeitar que elas fossem usadas na execução de pessoas, o governo passou a procurar outras fontes, muitas vezes recorrendo a farmácias não regulamentadas.

Isso levou a um aumento nos processos que alegam que o novo coquetel é uma “punição cruel e incomum”, configurando uma violação à Constituição do país.

Em janeiro, um homem condenado à morte por estupro e assassinato agonizou durante 20 minutos antes de morrer, durante sua execução em Ohio, após o Estado utilizar uma nova combinação de drogas. No fim do mês passado, a Justiça do Missouri autorizou a execução de outro acusado, apesar de utilizar drogas de fabricantes não informados.

Já em Oklahoma, em 9 de janeiro, o detento Michael Lee Wilson reclamou que podia sentir o corpo “ardendo” quando a injeção era administrada.

Deborah Denno, professora de Direito na Universidade Fordham, acredita que um retorno aos antigos métodos seria difícil.

“A própria razão pela qual eles passaram a usar injeções foi que as cadeiras elétricas e o gás não estavam funcionando”.

Cadeira elétrica aprovada

Mas os Estados que querem a mudança estão determinados. Na Virgínia, um projeto de lei foi aprovado na Câmara autorizando o uso de cadeiras elétricas se os componentes das injeções letais não estivessem disponíveis, mas ainda precisa passar pelo Senado do Estado para virar uma lei.

No Missouri, onde a origem das substâncias usadas nas injeções foi questionada, o procurador-geral defendeu o uso da câmara de gás, enquanto um deputado propôs o retorno dos pelotões de fuzilamento. A mesma proposta foi apresentada por um deputado no Wyoming.

Analistas, no entanto, acreditam que a busca por métodos alternativos pode resultar em um tiro pela culatra para os políticos envolvidos.

“Muitos políticos estão perdendo a credibilidade”, alerta Denno.

“Quantas vezes você pode ficar trocando os métodos de execução sem prestar atenção para o fato de que nós simplesmente não sabemos o que estamos fazendo?”

Além disso, os advogados contrários à pena capital acreditam que a adoção dessas alternativas pode aumentar os pedidos pelo seu fim.

“Se esses métodos antigos passarem a ser usados regularmente, nós teremos histórias horríveis”, disse Richard Drier, diretor-executivo do Centro de Informação sobre a Pena de Morte, prevendo grande resposta popular e judicial.

Fonte:Bol

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