Após mandar beijo para atriz morta, apresentadora volta à TV

Apresentadora volta à TV após dois anos e relembra momentos difíceis, como a acusação de roubar o lugar de Cátia Fonseca

Claudete Troiano está de volta à televisão. A apresentadora comanda há um mês o 'Santa Receita', na TV Aparecida. Foto: Divulgação
Claudete Troiano está de volta à televisão. A apresentadora comanda há um mês o ‘Santa Receita’, na TV Aparecida. Foto: Divulgação

Nos corredores da emissora, o bom dia é distribuído com sorrisos, mas basta entrar no estúdio que surgem um semblante mais sério e atento e algumas ordens. Claudete Troiano dispara “alguém me chama o entrevistado”, “vamos passar esse texto melhor” e ainda “diretor, isso não é notícia, não vou falar” nos primeiros cinco minutos no palco do programa “Santa Receita”, da TV Aparecida, atração que marca sua volta à televisão após dois anos fora do ar.

“Estava sentindo muita falta dessa correria. Faço televisão desde os sete anos e já estava cheia de não fazer nada”, disse a apresentadora, que acompanhou a gravação da atração em Aparecida (SP).

Atualmente, ela se divide entre São Paulo, onde mora com a família, e a cidade a 180 km de distância, onde apresenta diariamente a atração. “Fiquei tanto tempo em casa, que até meu marido e minha filha estão gostando e me apoiando nessa vida dividida. Está sendo muito bom ter um tempo sozinha. Estou até aprendendo a mexer nas mídias sociais, em tecnologia, que nunca consegui. Estou com tempo para focar no meu trabalho e em mim”, conta sobre o momento profissional.

A concentração, admite Claudete, é um exercício na tentativa de evitar gafes, principalmente após virar piada na internet ao mandar um beijo para Leila Lopes, sem saber que a atriz já havia morrido. “Esse foi o maior furo de toda a minha carreira. Até hoje aguento gozação. Sempre que alguém morre, recebo um milhão de e-mails me avisando. E até minha família fez um caderninho fúnebre com os nomes dos mortos mais famosos para eu não me confundir”, revela.

“Depois, encontrei o Rodrigo Faro, que me disse que foi a coisa mais legal que aconteceu e ninguém soube aproveitar. Hoje posso até criar um ‘Beijinhos pro Defunto’”, diverte-se ela, que fala ainda sobre ter sido acusada de roubar o lugar de Cátia Fonseca no programa “Note e Anote”, em 2000, na Record, e sobre a prisão de sua filha. Confira o bate-papo:

Como está sendo a volta para a televisão após dois anos longe?
Claudete Troiano: Estava sentindo muita falta dessa correria. Faço televisão desde os sete anos, e teve época em quem tive três empregos, então escrevia para jornal, narrava futebol e fazia programa infantil. No começo, vim para fazer um projeto que unisse culinária com histórias das pessoas que depositaram sua fé em Nossa Senhora Aparecida. Eram 14 programas gravados. Porém, quando foram anunciar o lançamento, teve uma repercussão tão grande, que engavetaram os 14 episódios e eu comecei ao vivo, diariamente, em 20 dias.

Como você foi parar em Aparecida?
Claudete Troiano: O convite foi o seguinte: um amigo, daqueles que você só descobre que é realmente amigo quando está em baixa, me pediu permissão para mandar projetos para algumas emissoras. Não achei que ele faria isso, mas de repente tocou meu telefone e era o pessoal da TV Aparecida me convidando para uma conversa.

E como estava sua vida até então?
Claudete Troiano: Eu já estava cheia de não fazer nada. Quando você trabalha, e muito, como sempre trabalhei, você aprende a ser rápida. De repente, com uma vida toda estruturada, me ver sem aquela agitação foi difícil. A primeira coisa que fiz foi demitir uma das minhas três empregadas e colocar em prática tudo que aprendi apresentando programas de culinária.

A aposentadoria então está fora dos seus planos?
Claudete Troiano: Foi engraçado esse tempo longe porque um pouco antes de sair do ar, pensei que já estava na hora de começar a parar. Porém, percebi que não é tão fácil. Percebi que as críticas de que a Hebe (Camargo) já estava rica e não precisava mais ficar trabalhando não faziam mais sentido. Não é tão fácil assim você abrir mão do que fez a vida inteira. Pensei em abrir uma loja, um comércio, qualquer coisa, mas não adiantava, não conseguia achar graça em nada.

Como era assistir TV no período em que estava afastada?
Claudete Troiano: Sempre passava nervoso porque às vezes ligava e ficava falando: ‘Que ódio, esse médico fui eu quem descobriu’, ou ‘olha lá, esse quadro é meu, que cara de pau’. O ‘Caçador de Bactéria’, do Rogério Figueiredo, por exemplo, é projeto meu, nome meu e hoje está no ‘Fantástico’. O ‘Dr. Pet’ também. Descobri ele depois que comprei um cachorro e hoje ele é um sucesso.

Como fica sua vida morando três dias por semana longe da família?
Claudete Troiano: Olha, posso te dizer que os cachorros estão sentindo muita falta de mim (risos). Falo brincando, mas é verdade, fiquei tanto tempo em casa, que até meu marido e minha filha estão gostando e me apoiando nessa vida dividida. Está sendo muito bom ficar um tempo sozinha. Estou até aprendendo a mexer nas mídias sociais, em tecnologia, que nunca consegui. Estou com tempo para focar no meu trabalho e em mim.

Onde você quer chegar na televisão? Quais seus projetos?
Claudete Troiano: Sou jornalista, repórter por excelência. Ainda quero ter um programa semanal de reportagem, de matérias externas, coisa que adoro fazer. Bem no estilo do ‘Globo Repórter’. É um sonho meu.

Você tem mágoas de alguém, de alguma emissora pela qual passou e que hoje não te ajudam?
Claudete Troiano: Brinco que quando estava fora do ar, meu telefone tocava duas vezes: uma era engano e a outra alguma operadora de serviço. Mas televisão é assim, não dá para cobrar nada. Fiquei muito triste, mas nada que me consumisse, que me revoltasse. Do nada você está fora, do nada você foi substituída e nunca descobre o motivo.

Depois de tanto tempo, você não descobriu por que foi demitida da Band?
Claudete Troiano: Tenho minhas desconfianças, mas nada confirmado. Não deu para entender, porque tinha mais de 20 anunciantes, o programa ia bem e do nada estava fora. Acho que tive um começo de depressão, principalmente porque aquele sentimento de que você luta, luta, luta e ninguém te reconhece me dominou. Foi a primeira demissão na minha vida. Te revolta essa situação e acaba causando um mal estar no público, porque como é do nada, as pessoas acham que a próxima apresentadora puxou o seu tapete, o que não é verdade. Sou profissional e tenho plena certeza de que se eu sair daqui amanhã, alguém precisa entrar e ocupar o meu lugar.

Foi isso que aconteceu quando você assumiu o lugar da Cátia Fonseca na Record, em 2000, e você foi acusada de roubar o lugar dela?
Claudete Troiano: Quando a Record me convidou, era para uma substituição imediata, sem tempo para nada. Eu não podia sair sem dar alguns dias para a Gazeta, que foi o que eu fiz. Porém, a Gazeta tentou melar minha negociação com a Record, colocando todas as vezes que eu entrava no ar, dizeres e frases bem violentas contra a igreja, o que revoltou a Record e me obrigou a mudar do dia para noite. Não tive culpa de ter sido a escolhida para substituí-la.

Mas ela ficou sabendo do troca-troca no palco do Teleton, não foi isso?
Claudete Troiano: Olha, como já dizia aquele velho ditado, ‘a avó não sobe no telhado sem que ninguém desconfie’. Então, ela já sabia que alguma coisa estava errada. Quanto teve o Teleton, pobre de mim, deveria ter ido. Foi lá que tudo aconteceu e não pude me defender. Me atrapalhou muito essa história. Se não tivesse uma estrutura familiar e profissional sólida, esse ocorrido poderia ter acabado com a minha carreira. Mas fiquei muito feliz ao ler em uma entrevista (da Cátia) que depois de tanto tempo ela percebeu que não tive culpa de nada.

Hoje está tudo em pratos limpos, mas na época ela chegou a declarar que você teria aceitado ocupar o lugar com um salário menor. Você foi ganhar menos do que ela?
Claudete Troiano: Muito pelo contrário. A Gazeta chegou a cobrir a oferta, mas esta já era a terceira vez que a Record me chamava. Como via que todo mundo estava dando certo por lá, não quis perder mais uma oportunidade. Das outras vezes, me arrependi de não ter ido.

Qual o momento que você tem mais saudades da sua carreira?
Claudete Troiano:
 Do ‘Note e Anote’. Quando cheguei na Record, eles me pediram para fazer um trabalho que amei fazer, que era unir todas as redes e afiliadas da Record pelo Brasil. Na Record fui muito feliz, conheci o mundo inteiro, ganhei muito dinheiro e dei muito dinheiro para a emissora. Cheguei a ser o segundo maior faturamento, só perdendo para o ‘Jornal da Record’. Mas sinto também muitas saudades do ‘Mulheres’, que foi quando o programa feminino ganhou força, onde o merchandising começou a ser respeitado. Aliás, me lembro da Sônia Abrão dando nota zero para a Ione Borges e para mim na coluna dela do jornal, e hoje ela está ai, fazendo um merchan atrás do outro.

E o pior momento?
Claudete Troiano: Foi esse da Cátia Fonseca. Na época, a Record não queria que eu falasse nada para não dar mais assunto, mas eu queria muito falar. A Record foi maravilhosa comigo, mas foi uma situação muito difícil para mim.

Chegou a ter amizade com alguma apresentadora?
Claudete Troiano: Não, mas também não sei se isso é comigo porque nunca fui muito sociável. Todo mundo trabalhava demais e nunca fui de ficar saindo. Deixei de conhecer muito as pessoas por isso. Amizade não tive, mas carinho sim, e muito.

Percebi que você é muito focada no palco e nos bastidores. Erros, como a gafe da Leila Lopes, te incomodam ou você os tira de letra?
Claudete Troiano: Nossa! E como incomodam. Me consome durante o programa, depois do programa e por muito tempo. Sou muito profissional e não consigo levar tão na brincadeira um erro. O caso da Leila Lopes foi o maior furo de toda a minha carreira. Em minutos eu já estava na internet, no ‘Pânico’, em todos os lugares. Até hoje aguento gozação. Sempre que alguém morre, recebo um milhão de e-mails me avisando. E até minha família fez um caderninho fúnebre com os nomes dos mortos mais famosos para eu não me confundir. Fiquei seis meses sem entrar na internet, mal mesmo, até que encontrei o Rodrigo Faro, que me disse que foi a coisa mais legal que aconteceu e ninguém soube aproveitar. Hoje posso até criar um ‘Beijinhos pra Defunto’. Sabe o que é o pior? Eu adorava a Leila. Ajudei muito ela, colocava-a pra fazer matérias para mim na Band e do nada dei um fora desse.

É difícil envelhecer na frente das câmeras?
Claudete Troiano: Muito difícil. As pessoas cobram muito. E no Brasil, onde a estampa vale mais que o talento, basta ter bunda e peito que vira apresentadora. A minha sorte é que apresento um programa para donas de casa, que neste caso, respeitam quem é mais velho. Mas confesso que é difícil olhar no espelho e descobrir que até o joelho deu uma caidinha.

Já fez plásticas?
Claudete Troiano: Já sim. Inclusive fiz quando fui trabalhar no SBT. O Silvio (Santos) ficou tão impressionado com o resultado que hoje a gente divide o mesmo cirurgião.

Qual é o segredo para manter um casamento de 30 anos?
Claudete Troiano: Simples. Nunca revirei um bolso, nunca procurei mancha de batom, muito menos mexi nas coisas dele. Cada um tem seu guarda-roupa, que é fundamental. A paixão dura dois anos, e o amor é para sempre. Eu e meu marido somos muito companheiros e respeitamos muito os momentos de cada um.

E quando a sua vida pessoal está no olho do furacão, te incomoda muito?
Claudete Troiano: Um casamento feliz, uma família feliz não vende revista. Talvez, se eu tivesse me separado dez vezes, quebrado o pau com o meu marido, como tantas aí, daí eu acho que seria mais notícia.

Como foi quando sua filha virou notícia acusada de tráfico de drogas?
Claudete Troiano: Não gosto de falar muito sobre isso, mas o que posso te dizer é que a promotoria absolveu ela em todas as instâncias e ninguém noticiou isso. Fiquei muito decepcionada com todos os meus colegas jornalistas que esqueceram o princípio básico do jornalismo, que é acompanhar uma história do começo ao fim. Acusaram minha filha de inúmeras coisas e esqueceram de contar o final da história. Ela foi usada, principalmente por eu ser famosa, e esse foi o momento no qual eu mais me arrependi de ser conhecida. Humilharam minha filha e a minha fama só potencializou.

Fonte: IG

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