Após medidas, 1º dia no atendimento de urgências no Walfredo Gurgel é tranquilo

Sesap aumentou de dois para quatro, o número de ortopedistas transferidos do Hospital Deoclécio Marques

Michael Arthur quebrou a perna após sofrer acidente de moto e lamenta falta de investimento na saúde. Foto: Wellington Rocha
Michael Arthur quebrou a perna após sofrer acidente de moto e lamenta falta de investimento na saúde. Foto: Wellington Rocha

Fernanda Souza
fernandasouzajh@gmail.com

No primeiro dia de atendimento de demandas ortopédicas no Hospital Walfredo Gurgel, após o anúncio pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) de medidas emergenciais para evitar ao comprometimento do atendimento na área, o movimento no início da manhã desta sexta-feira (17) foi considerado tranquilo. Um total de 40 pacientes já haviam recebido laudos para cirurgias e aguardavam na enfermaria, no Hospital João Machado, no Hospital da Polícia Militar e em casa. A média de atendimentos em ortopedia no Walfredo Gurgel é de 50 casos diários, sendo em sua maioria de média e breve complexidade.
Entre as medidas emergenciais anunciadas ontem pela Sesap está a transferência de 50% da escala de ortopedistas do Deoclécio Marques para o Walfredo Gurgel, o que implicaria na ida de dois dos quatro profissionais que atuam no hospital em Parnamirim. Entretanto, na manhã de hoje, quatro ortopedistas cooperados se revezavam no atendimento.

De acordo com a assessoria de comunicação da Sesap, a medida foi tomada após os próprios ortopedistas cooperados terem procurado o secretário de Saúde Luiz Roberto, na tarde de ontem, para explicar que a concentração de ortopedistas no Walfredo Gurgel dará uma maior resolutividade. Desta forma, serão quatro ortopedistas por turno no Walfredo Gurgel para o atendimento de casos de alta complexidade e um no Deoclécio Marques, que será responsável pela estabilização do paciente e transferência para o Walfredo.

Ainda segundo a Sesap, a concentração de ortopedistas no maior hospital do Estado vai durar até o dia 31 de janeiro, data em que os servidores estatutários lotados no hospital iniciam o cumprimento da carga horária referente ao mês de fevereiro, com dois plantonistas por período, e os profissionais contratados pela Cooperativa voltam a cumprir os plantões no Deoclécio Marques.

A diretora geral do Walfredo Gurgel, Fátima Pinheiro, apoia as medidas anunciadas. “Não é o ideal porque os dois hospitais têm que funcionar bem, mas são medidas emergenciais para cobrir a escala até o fim do mês e está sendo viabilizado um contrato definitivo com os ortopedistas.

Os quatro ortopedistas do Deoclécio chegaram bem cedo, dentro da hora acordada. Lá os atendimentos são de menor complexidade e aqui são os traumas graves, múltiplas farturas. De um ano para cá temos menos 17 ortopedistas devido a pedidos de exonerações, aposentadoria e adoecimento. Atualmente temos 21 ortopedistas de 40 horas e um de 20 horas, número que ainda é insuficiente para a demanda. O ideal seria quatro por turno, como agora, porque se um sair de férias ficam outros três”.

Rogério Santos, um dos ortopedistas cooperados que realizam o atendimento na manhã de hoje, considerou acertada a transferência dos especialistas. “É uma medida para resolver e não deixar a população desassistida, pois os doentes do SUS ficariam à deriva. O Deoclécio é porta aberta e só para você ter uma ideia, no ano de 2013 foram 27.970 atendimentos em ortopedia e uma média de 260 cirurgias mensais. Aqui são urgências mais graves, fraturas expostas e temos equipes de cirurgiões vasculares. Infelizmente, o grande volume de atendimentos no Deoclécio é por causa da falta de assistência básica das Prefeituras. Se cada município com mais de 20 mil habitantes tivesse um ortopedista só pela manhã, cairia pela metade os atendimentos no Deoclécio. Chegam em média umas 20 ambulâncias por dia”, disse.

Em relação ao valor pago pela Sesap de R$ 1,9 mil pelo plantão de 12 horas, o ortopedista considera de acordo com os valores das principais capitais do Nordeste. “Este valor é bem pago, dentro do que se cobra no mercado e não tenho o que reclamar”, enfatizou.

A dona de casa Rafaela da Rocha estava acompanhando a filha de dois anos, que há 11 dias sofre um acidente na pena direita. “A moto caiu em cima da perna dela e fraturou a tíbia. Ela foi bem atendida, mas acredito que o atendimento de quem depende do SUS poderia melhorar. Na última vez que vim aqui pedir o laudo do acidente não tinha nem médico para assinar”.

Já o universitário Michael Arthur, vítima de acidente de moto, lamentou a falta de investimento na saúde pública. “O SUS está falido. Os gestores estão preparados, tem até médica no Governo, mas se esquecem da sociedade e nos tratam como invisíveis. Como cidadão, não vejo nenhuma perspectiva de melhorias”.

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