Após a queda, a aflição

Já não há mistério sobre a origem dos ventos que atingiram a palhoça onde se abrigava o projeto eleitoral de…

Já não há mistério sobre a origem dos ventos que atingiram a palhoça onde se abrigava o projeto eleitoral de Alexandre Padilha. Lançado por Lula da Silva ao governo de São Paulo, apesar da resistência de personagens estrelados do PT – e outros nem tanto –, o estreante nas urnas foi atingido por avalanche ética que, fora o improvável milagre, soterrou sua ambiciosa pretensão.

O ex-ministro da Saúde era um caminhante trôpego rumo ao Palácio dos Bandeirantes. Mal avaliado nas pesquisas de intenção de voto, o seu desempenho prenunciava que não seria no pleito de outubro de 2014 a chegada do petismo ao Executivo estadual. Nem Lula, que conquistou a Presidência da República, ganhou o ‘trono’ paulista.

Agora, com o aspirante à governadoria citado em investigação da Polícia Federal, o Partido dos Trabalhadores perde espaço no campo da luta pelo poder estadual. Como ‘possível parceiro’ ou ‘inocente útil’ do doleiro Alberto Youssef, Padilha arruinou estratégia e tática do petismo. No primeiro caso, seria instrumento do (ainda) deputado André Vargas, paranaense fanfarrão e corrupto; no segundo, homem público despreparado para escapar das armadilhas do mundo cão da política.

Diante da improbabilidade do ex-presidente se arriscar de novo, como candidato, na disputa estadual, o quadro à disposição da legenda é fraco. Dois nomes possíveis – Marta Suplicy e Aloízio Mercadante, ambos ministros – estão fora. São inelegíveis porque perderam o prazo de desincompatibilização, como determina a lei.

Pós-escrito: o governador Geraldo Alckmin (PSDB) mantém-se em posição razoável na capital e boa no interior, para renovar o mandato. Há, porém, movimento plural que incentiva o empresário Paulo Skaf (PMDB), sobretudo se, de repente, receber a ajuda dos petistas, cuja meta é derrotar o tucanato, há 20 anos na liderança da política regional. Gilberto Kassab (PSD) poderia ser uma hipótese, mas a dubiedade dele sinaliza distância.

Vez do herdeiro

Sucessão do governador Teotônio Vilela, filho (PSDB).

Renan Calheiros, filho, (foto), do PMDB, lidera as sondagens de opinião assinados por institutos regionais.

Em 1990, o pai do deputado, atual presidente do Senado, tentou. Foi derrotado, porém, pelo inexpressivo Geraldo Bulhões.

O senador Benedito de Lira (PP) é o principal adversário do peemedebista.

– Líder do governo no Congresso, José Pimentel (PT-CE) está no páreo para relator da CPI da Petrobras a ser instalada no Senado. Humberto Costa, petista de Pernambuco é o principal concorrente do cearense.

– Divididos nas bases, PP e PR preocupam o estado-maior da campanha de reeleição de Dilma Rousseff. Se permanecer o impasse, a Presidente não poderá ocupar o horário (preciosidade) das duas siglas na propaganda eleitoral.

– O PSD nacional anuncia visita a Mossoró, amanhã, do presidente Gilberto Kassab. Comparece a reunião pública com o prefeito (recandidato) José Júnior.

– Nesta terça-feira, Solidariedade fala ao Brasil em rede de rádio (20h às 20h10) e tevê (20h30 às 20h40). Registrado em 2013, o partido é presidido pelo deputado paulista Paulo Pereira da Silva – o Paulinho da Força.

– Vem aí novela da jornalista Míriam Leitão. ‘Tempos extremos’ é o título do livro com enredo focado num grupo familiar em posições divergentes na ditadura militar (1964-1985). Lançamento em maio.

– Hoje, em Salvador, homenagem à ex-ministra Eliana Calmon. Ela integrou o Superior Tribunal de Justiça. Aposentada e filiada ao PSB, ela pode ser candidata ao Senado ou à Câmara dos Deputados.

– Em cenário confuso – comum em Tocantins -, a Assembleia Legislativa elege, neste domingo, o governador do estado. Assim ocorre porque o titular (tucano Siqueira Campos) e seu vice (democrata João Oliveira) renunciaram para concorrer a mandato parlamentar em outubro.

-Quinta-feira, em São Paulo, a senhora Rousseff participa de Encontro Nacional do PT. Pauta: programa de governo da Presidente em campanha de reeleição.

– “Volta, Lula” é uma invenção de parlamentares do PT. Agora, conta também com vozes do PR. No Rio Grande do Norte, o chefe da sigla é o deputado João Maia.

– Para refletir: “Um homem é um gênio quando está sonhando” (Akira Kurosawa, cineasta japonês).

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