Apreensão de drogas pela Polícia Federal cai 74% em três anos no RN

Agentes da PF realizaram um novo protesto em frente a sede do órgão e cobraram mais condições de trabalho

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Agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Federal realizam hoje e amanhã, em todo o Brasil, uma paralisação de 70% de suas atividades. As categorias querem mostrar a população e às autoridades que, no período que compreende os anos de 2010 a 2013, houve uma diminuição de 40% no número de apreensões de drogas em todo o país, entre outras denúncias.

No Rio Grande do Norte o número chega a ser ainda mais alarmante, com a diminuição de 74%. As paralisações não afetaram o setor de atendimento ao público e o aeroporto. Policiais Federais realizaram protestos em frente à sede do órgão, na manhã de hoje. Uma mula ficou exposta para representar a queda no número de apreensões dos chefes das organizações de tráfico de entorpecentes em todo o Brasil. Para quem não sabe, o nome do animal é o apelido dado as pessoas que são presas transportando drogas.

Para o presidente do Sindicato dos Servidores do Departamento de Polícia Federal (Sinpef), José Antônio Aquino, esse fato se dá pela diminuição do número de investigações realizadas pelas categorias em protesto. “Há cinco anos prendíamos chefes de tráfico. Hoje o que a PF prende são mulas. Uma diferença que está associada a essa queda nas investigações, a população não pode ficar sem saber desse fato”, disse.

De acordo com o estudo realizado pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos, 77% do número de homicídios que acontecem em todo o estado, estão relacionados com o envolvimento com drogas. Para o sindicalista, a PF tem a sua parcela de culpa. “Nós entendemos que se as investigações e ações de combate ao tráfico, por parte da Polícia Federal, estivessem trabalhando como acontecia anos atrás, esse número seria bem menor”, disse o presidente do Sinpef.

Agentes, escrivães e papiloscopistas buscam com essa série de paralisações, o reconhecimento de suas funções. Essa problemática tem gerado queda na produtividade da PF, também pela desmotivação dos profissionais. Os agentes, que antigamente estavam a frente das investigações, hoje realizam apenas as atribuições que estão descritas por lei e isso comprometeu a organização. “Há sete anos sofremos com o congelamento salarial e nunca conseguimos o reconhecimento legal de nossas atribuições”, finalizou o presidente do Sinpef.

Esta é a segunda paralisação da categoria. No início do mês, os agentes se reuniram na frente da PF para realizar um algemaço, quando todos os servidores penduraram suas algemas em uma tela em sinal de protesto. Os protestos devem se repetir nos próximos dias.

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