Arena das dúvidas

Todas as vezes que este cronista põe dúvidas na viabilidade da Arena das Dunas e, pior, estranha os critérios do…

Todas as vezes que este cronista põe dúvidas na viabilidade da Arena das Dunas e, pior, estranha os critérios do contrato de vinte anos de exclusividade de um grupo privado especializado na exploração de espaços públicos para realização de eventos, há sempre um contestador de plantão. Armado de fartos e técnicos argumentos, pleno de exemplos e convicto de êxitos. Para não falar na crença dos governistas de toda espécie que apostam no colosso das dunas como a grande redenção do Governo Rosalba Cialini.

Os governos também são feitos das grandezas e misérias humanas. Quando mal avaliados, ficam sensíveis às crenças. Esquecidos de que o escapismo não escapou à psicologia, apesar desse jeito meio desajeitado de dizer. Volta-se ao passado, Senhor Redator, para fugir da realidade posta nos olhos ou, tanto mais, para remeter ao futuro o que se imagina. Racionalizam ou ainda pior, inventam monstros com visões perturbadas e diluidoras, como tramas diabólicas, complôs fantasmagóricos e forças ocultas.

Na verdade, é a forma patética da racionalização a que rouba do governante o senso crítico e lhe expõe ao ridículo, quando não lhe denuncia a maldade que tenta esconder. Como no caso do presidente Jânio Quadros ao alegar a existência de forças ocultas que o obrigavam a renunciar, quando na verdade ele dissimulava um golpe político para tentar voltar inteiramente livre dos políticos. E pronto – isto sim – para exercer uma ditadura histriônica que já ensaiava ao proibir biquíni, jogo do bicho e briga de galo.

Não é certo que nos próximos vinte anos faremos da Arena das Dunas o paraíso que esperamos. Na edição da semana passada o jornal Valor reuniu em seis páginas as projeções do que pode acontecer depois da Copa. A matéria de capa deixa claro, citando o exemplo do Rio de Janeiro, um dos maiores destinos turísticos do mundo: 78 mil pessoas estarão no Maracanã dia 13 de julho, assistindo ao final da Copa, mas porcas se arriscariam a prever como será o futuro das arenas depois das 64 partidas previstas.

No texto assinado por Guilherme Meireles ele afirma, baseado em pesquisa realizada pela ‘BDO Brazil’, que o desafio, ao contrário da certeza alegre e esfuziante de nossas autoridades, ‘aponta para um quatro preocupante com relação à viabilidade econômica das novas arenas, sob a perspectiva de baixo crescimento econômico e alto custo na construção dos palcos esportivos’. Pelos cálculos, o custo médio no Brasil, por assento, ficou em R$ 13 mil, acima da Alemanha e África do Sul com R$ 7 e R$ 8 mil.

O desafio, afirma Guilherme Meirelles, dependerá de cada estado, de um ‘rigoroso planejamento estratégico’. E mais: ‘dentro de um modelo de gestão ainda hoje não colocado em prática pela maioria esmagadora dos clubes e governos estaduais responsáveis pelas arenas’. A solução é a Parceria Público Privada, aponta Meirelles. Mas, adverte: ‘Ela só se torna viável se houver um plano de estratégia que garanta o retorno do investimento em forma de lucro’. Sinceramente, nossa tradição de governo é essa?

Isto é ser contra a Arena das Dunas? Não. É exercer o direito de questionar investimentos feitos com o dinheiro público e, muitas vezes, construindo utopias. O mais perverso na nossa feérica retórica desenvolvimentista que remete ao futuro milagroso todas as soluções que não construímos corretamente e de fato, é o engodo a que são levadas as pessoas mais simples, essas que hoje apresentam os primeiros sintomas do seu cansaço e pedem hospitais, policias e escolas maravilhosas como as arenas de futebol.

Nós destruímos o Machadão em nome do futuro, e onde havíamos feito uma reforma que nos levou R$ 17 milhões como se fosse natural numa cidade suja, de trânsito caótico, de ruas esburacadas, postos de saúde fechados e escolas precárias. Que líderes são os nossos que não sabem interpretar o sentimento popular com um mínimo de respeito público? Ou ainda não deu para notar que a nossa classe política está nas mais contundentes sentenças judiciais e nas manchetes negativas de revistas e jornais?

 

AVISO – I
Há, dentro e fora do PMDB, quem defenda o nome de Agnelo Alves para vice do candidato do partido para o governo. O que iria garantir, argumentam, o forte empenho do prefeito Carlos Eduardo, seu filho.

PRAZO – II
É possível que até final de janeiro, em pleno verão e antes do carnaval, os pemedebistas definam o nome do candidato. Hoje o candidato preferencial é o ex-senador Fernando Bezerra. E agora só depende dele.

GOLPE – III
É consenso: mais que a condenação do filho, feriu gravemente a imagem da ex-governadora Wilma de Faria a frase contundente do juiz federal Mário Jambo: ‘Residência oficial era o epicentro da corrupção’.

ALIÁS – IV
O petardo pode afasta Wilma da aliança com PMDB, sem afastá-la necessariamente de uma candidatura ao governo – como retira as suas boas chances de assumir a Prefeitura. O prefeito já não pode renunciar.

EFEITO – V
O episódio deu alma nova à deputada Fátima Bezerra que agora passa a ser o nome natural do partido de Dilma Rousseff para ocupar a vaga de senador na chapa majoritária. A Aliança PT-PMDB está na pauta.

NOME
Quem sabe perceber muito de perto, e discretamente, o que pensa o senador Garibaldi Filho afirma que o nome de sua preferência pessoal para disputar o governo é seu primo e prefeito Carlos Eduardo Alves.

PRESENTE – I
A frieza dos tributaristas é algo espantoso: carnês do IPTU e taxa de lixo do exercício de 2014 chegaram à casa dos natalenses na véspera de Natal. Não faria diferença alguma se chegasse só alguns dias depois.

DA… – II
Mesma maneira que os garis não precisariam trabalhar no dia de Natal, como muitos deles trabalharam. Ninguém tem o direito de cobrar a presença deles. É preciso não perder o que nos resta de cristandade.

NATAL
A editora Paulinas reuniu num pequeno volume as ‘Crônicas de Natal’, de Austregésilo de Athayde com ilustrações de Odilon Moraes, seleção de Laura Sandroni, a sua filha. Uma edição muito bem cuidada.

PAPA-FIGO
É o novo livro infantil de Mario Bag que também ilustra as 14 lendas. Detalhe: Câmara Cascudo figura com quatro títulos na bibliografia, ele que é o maior anotador e estudioso das lendas infantis brasileiras.

 

Compartilhar: