Arquiteto da Semurb condena estrutura do Hotel Reis Magos

O prédio, construído em 1965, comprado pelo Grupo de Hotéis Pernambuco, estava arrendado e abandonado há 18 anos

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Marcelo Hollanda

hollandajornalista@gmail.com

O mais antigo arquiteto dos quadros da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), Eudes Galvão, disse hoje que a estrutura do Hotel dos Reis Magos, na Praia do Meio, objeto de um pedido de tombamento provisório da Fundação José Augusto, está com a sua estrutura totalmente comprometida. Ou seja, sem qualquer possibilidade de reforma.

Segundo Galvão, isso não é novidade, já que ele mesmo realizou uma vistoria na estrutura no hotel ainda durante a última gestão do prefeito Carlos Eduardo, quando era examinada a possibilidade de uma reforma que preservasse a fachada do prédio.

“Mesmo na ocasião, dadas as condições precárias da construção sem qualquer manutenção por muitos anos, chegou-se a conclusão que o prédio não tinha jeito”, afirmou.

Depois da decisão em primeiro grau do juiz Airton Primeiro, da 1ª Vara da Fazenda Pública, rejeitando a ação movida pelo Ministério Público para impedir a demolição, e da decisão no mesmo sentido dada em segundo grau pelo desembargador Ibanez Monteiro, a informação oferecida agora pelo arquiteto da Semurb, Eudes Galvão, deixa o Reis Magos cada dia mais perto da implosão.

O prédio, construído em 1965, comprado pelo Grupo de Hotéis Pernambuco, estava arrendado e abandonado há 18 anos, sem que seus arrendatários pagassem suas obrigações nem com os donos e nem com a prefeitura. Enquanto esteve jogado às traças, nenhum grupo ambientalista se movimentou para que o hotel recebesse a devida atenção.

Depois de tentar acordos internacionais para injetar dinheiro no imóvel sem resultado, no ano passado o grupo pernambucano apareceu com a idéia de demolir o hotel e construir na área uma grande praça e um centro comercial.

Foi quando entrou em cena o Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural e da Cidadania (IAPHACC), tentando a todo custo impedir a demolição do imóvel. Nessa missão, o próprio Eudes Galvão está entre os profissionais escalados para dar um parecer a respeito.

Em janeiro do ano passado, ao assumir a prefeitura, Carlos Eduardo deu declarações que não toleraria os “escombros” do hotel dos Reis Magos, numa tentativa de pressionar os proprietários a tomar uma posição a respeito. Por enquanto, o assunto era indiferente aos ambientalistas de plantão. Eles só começaram a se interessar pelo assunto quando a idéia da demolição voltou a ganhar corpo.

O empresário José Pedroza Filho, herdeiro do imóvel, cirurgião plástico de renome em Recife, apareceu com uma idéia que a princípio não corria qualquer risco de rejeição. Demolir o hotel e abrir uma grande praça para a circulação pública, onde seria implantado um projeto modular de um centro comercial horizontal. O tempo e as mudanças do Plano Diretor de Natal determinariam as futuras expansões do projeto.

“Era um plano perfeito, pois entraria na cidade pedindo licença, respeitando a população no entorno e a beneficiando com uma área de compra e lazer”, declarou na ocasião o secretário de Turismo, Fernando Bezerril.

O problema é que o fundador da rede de Hotéis Pernambuco, José Pedroza, aos 88 anos, não queria nem mais ouvir em hotel dos Reis Magos. Afinal, durante mais de uma década, esse nome para ele foi associado a prejuízo e dor de cabeça.

No começo do ano, numa operação ousada, o secretário de Turismo, Fernando Bezerril, acompanhado de um grupo de técnicos da prefeitura, conseguiu que o velho empresário – conhecido pela robustez dos negócios e por não dever dinheiro a ninguém – voltasse atrás e aderisse à idéia do filho.

“Foi um alívio para nós saber que uma área daquelas, abandonada há tantos anos, finalmente teria um destino produtivo e bom para a população da Praia do Meio”, comemorou Bezerril. Hoje, apesar de confiança, ele admite que o impasse com os ambientalistas não foi nada bom para a cidade.

“Não é todo o empresário que aguenta ser maltratado quando a única coisa que deseja é investir seu dinheiro na cidade”, comentou hoje.

Finalmente, na semana passada, foi a vez do presidente do Sindicado da Indústria da Construção Covil (Sinduscon-RN), Arnaldo Gaspar Júnior, chamar de “absurda” a tentativa de impedir a demolição do hotel dos Reis Magos. “Todo mundo sabe que o prédio não tem valor histórico nenhum, especialmente nas condições em que se encontra”, afirmou.

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