Arrastado sob carro por mais de 800 metros deve receber alta após 90 dias

Maristela Stringhini deve receber alta do hospital em até uma semana. Após quase 3 meses do acidente, ela tenta não julgar o responsável.

Maristela Stringhini se prepara para deixar o hospital. Foto: Divulgação
Maristela Stringhini se prepara para deixar o hospital. Foto: Divulgação

A mulher arrastada por cerca de 800 metros em Rio do Sul, no Vale do Itajaí, está prestes a receber alta e continuar o tratamento em casa. Quase três meses depois de sofrer o acidente que a deixou com parte do corpo mutilada, a moradora de Lages, na Serra catarinense, demonstra otimismo e uma grande força de vontade. “Hoje, eu estou bem. Se der para fazer uma retrospectiva de tudo o que já passei, eu estou bem, animada, cada dia querendo viver e vendo a vida com outros olhos”, afirma em entrevista ao Estúdio Santa Catarina de domingo (6).

No dia 13 de abril de 2014, Maristela Stringhini, de 40 anos, estava em Rio do Sul participando de um encontro de motociclistas na cidade junto com o noivo. Na madrugada, quando passavam pela área central do município, um carro bateu na moto em que estavam. Com o impacto, a mulher caiu e foi arrastada por cerca de 800 metros.

As versões dos envolvidos são contraditórias, mas, segundo a polícia, a ocorrência teria sido registrada após um desentendimento e o capacete da mulher ficou preso ao eixo do automóvel. Câmeras de segurança flagraram parte do trajeto feito pelo carro. Quando a mulher foi solta, ela sentou em uma escada próxima e aguardou ajuda.

Maristela resume o que passou da seguinte forma: “É triste? É, mas eu consigo enfrentar. O que todos estão fazendo por mim, eu acho que não vou ter como ter um jeito melhor do que voltar a sorrir”.

Acidente

Maristela Stringhini se recorda de trechos do que aconteceu naquela madrugada. “Lembro-me de que eu estava na moto com meu noivo. Estávamos quase parados na sinaleira. Vieram, bateram atrás. Na hora eu gritei e caí da moto. E depois eu só me lembro de estar sendo arrastada. Só me lembro de gritar e pedir pra Deus que não me deixasse morrer porque eu tenho uma filha”, conta.

“Na hora quando eu saí, eu olhei para o lado e estava tudo escuro. Eu não via ninguém e eu não sabia o que tinha acontecido. Daí, era dor que eu sentia [...] Aí eu sentei na escada e pedi para Deus: ‘se for pra eu morrer aqui, me mate agora, porque não aguento mais de dor'”, Maristela continua.

Ela afirma que “não fazia ideia do jeito que tinha ficado”. Maristela perdeu os dois seios por causa da fricção com o assalto, em várias partes do corpo apresentou queimaduras graves e sofreu fratura exposta nos joelhos, um dos braços e, em outras partes, teve dilaceração da pele. Foram cerca de 10 procedimentos cirúrgicos realizados até agora. “Faz pouco tempo que eu consegui olhar para o meu corpo. Não adianta eu dizer que estou perfeita, porque não estou ainda. Não sei se vou ficar”, enfatiza Maristela.

Acusado

O motorista do carro que arrastou Maristela afirmou não saber que ela estava embaixo do veículo e, se soubesse, teria parado imediatamente, conforme depoimento prestado à Justiça em 17 de junho. Julio Cesar Leandro, de 21 anos, afirmou que teria parado o carro se soubesse que Maristela Stringhini estava presa ao veículo.

Doze testemunhas, entre taxistas, pessoas que trabalhavam com o acusado e o marido de Maristela, foram ouvidas na audiência sobre o caso. O acusado está detido no Presídio Regional de Rio do Sul. Ele chorou durante o depoimento, afirmou que não havia ingerido bebida alcoólica e negou que soubesse que a mulher estava embaixo do automóvel que dirigia. Ele declarou que se sentiu ameaçado pelo motociclista, que ficou apavorado, e, por isso, saiu em disparada com o carro.

Maristela diz que tenta não julgar o jovem. Ela considera que ele e a família também estão sofrendo. “Eu sou mãe, me pus no lugar da mãe dele e eu não posso julgar. Ele é um menino de 21 anos e está começando a viver. O certo e o errado que ele fez não sou eu quem vou julgar. Assim como eu fiquei com marcas, ele também vai ficar. Assim como eu estou sofrendo, a família dele está sofrendo também”, conclui.

Fonte: Globo.com

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