Artilheiros do infortúnio

Fazer gols é a missão número um de qualquer time ou seleção de futebol. É a máxima do ataque ser…

Fazer gols é a missão número um de qualquer time ou seleção de futebol. É a máxima do ataque ser a melhor defesa, sempre, mesmo quando a defesa, no caso aqui, tenha buracos. O Santos de Pelé quando tomava três gols, a turma da frente fazia cinco.

A história das copas tem capítulos esquecidos pelos torcedores, exatamente porque os gols marcados não significaram vitórias, nem sequer pessoais. Fazer três gols ou mais num jogo de Copa do Mundo é feito glorioso, mas desde que haja a glória coletiva.

Em toda a trajetória do evento da FIFA, desde quando Jules Rimet escolheu Montevidéu para sediar o primeiro torneio mundial, apenas por três vezes houve jogadores marcando três gols e ao mesmo tempo experimentando a derrota do seu time.

Nos dois primeiros casos, lá nas copas de 1938 e de 1954, a ausência de uma memória contemplativa me impede de contar em detalhes os ocorridos. Sigo os registros para informar os nomes dos coitados: o polaco Ernest Wilimowski e o suíço Josef Huegi.

O primeiro balançou três vezes as redes do goleiro do Brasil, Batatais, que jogava no Fluminense, mas o seu goleiro também tomou três do craque Leônidas (Flamengo), que fez um descalço, e mais dois de Perácio (Botafogo) e um de Romeu (Fluminense).

O segundo fez três nas quartas de final contra a Áustria, mas viu o hat-trick do atacante adversário Theodor Wagner e outros quatro gols selando a vitória austríaca por 7 x 5. A mesma Áustria tomaria de 6 x 1 da Alemanha, que seria campeã contra a Hungria.

O terceiro azar eu fui testemunha ocular televisiva, pois aconteceu na Copa do Mundo de 1986, no México, aquela vencida pela Argentina na dobradinha do pé esquerdo de Maradona e a mão direita de deus. O infeliz foi o russo Igor Belanov, nas oitavas.

A seleção ainda soviética (o império comunista seria dissolvido em 1991, dois anos após a queda do muro de Berlim) enfrentou a Bélgica, e Belanov superou três vezes o grande goleiro Jean-Marie Pfaff. Os belgas, no entanto, fizeram 4 x 3 na prorrogação.

Após o jogo, era visível o semblante de decepção e estupefação dos jogadores russos, principalmente do artilheiro, que saíram de campo buscando uma explicação para tão doloroso fim de uma seleção que encantou a todos com passes rápidos e precisos.

Igor Belanov havia sido eleito o melhor jogador da Europa em 1986 e seu colega Alexandr Zavarov o tinha superado na disputa interna do campeonato russo, consagrado como o melhor daquele mesmo ano. O time ainda um craque veterano: Oleg Blokhin.

Treinada por Valeriy Lobanovskyi, que havia substituído há pouco tempo Eduard Malofeey e alterado tudo no sistema tático, a União Soviética só não surpreendeu mais naquela Copa como fez a Dinamarca, que de tão poderosa foi chamada Dinamáquina.

No primeiro jogo, os russos atropelaram a Hungria, que apesar da crise momentânea era uma escola respeitada na Europa, por sua história. Um 6 x 0 espetacular. Depois surpreenderam a seleção campeã da Eurocopa 1984, a França, num empate por 1 x 1.

Classificada como primeira do seu grupo, a União Soviética encontrou os diabos vermelhos belgas nas oitavas de final, que só conseguiram avançar graças ao critério que ajudava os melhores terceiros lugares, após uma única vitória contra o Iraque.

Nos onze titulares russos, sete vinham do Dínamo de Kiev, um timaço que acabara de conquistar a Recopa europeia. Mas, a superioridade russa e a velha lógica não contavam com Pfaff em dia de mágico e com um moleque de 20 anos, Enzo Scifo, inspirado.

O jogo foi decidido aos 110 minutos, numa nervosa prorrogação decidida pelo jovem atacante belga e que escondeu nas gavetas da história o hat-trick sem efeito de Belanov, um colega de infortúnio do polonês Wilimowski (1939) e do suíço Huegi (1954).

Resgato os três únicos acontecimentos das copas porque vejo as atuais seleções da Rússia e da Bélgica com boas chances de superar a primeira fase do torneio no Brasil. E ambas se enfrentarão no Grupo H, quem sabe com uma revanche cheia de gols. (AM)

 

Delação

Um elfo sertanejo informa que aquela mãe indignada, que está exigindo do filho investigado que faça delação premiada para não cair sozinho, estabeleceu uma trégua no fim de semana, para não atrapalhar o clima de congraçamento político do momento.

Negócio

Em se confirmando o nome de quem vendeu o terreno do estacionamento do MP à instituição, reforça-se mais ainda o bordão “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Pode ser que o vendedor seja alguém investigado e preso pelos nossos promotores.

O vice

A militância do PR e os amigos do deputado João Maia dão o tom festivo do sábado chuvoso num grande evento de lançamento da pré-candidatura do parlamentar a vice-governador de Henrique Alves (PMDB). Lançamento de vice é ineditismo por aqui.

Lamaçal

A capa da revista Veja que chegou hoje às bancas está perfeita. Exibe uma estrela enegrecida pelo petróleo, ou pela lama, da Petrobras em seu inferno astral empresarial imposto pelo governo Dilma Rousseff, mas iniciado no tempo de Luiz Inácio.

Indecentes

O deputado petista André Vargas, vice-presidente da Câmara e amigo de criminosos doleiros, tem o estereotipo peculiar da nova esquerda jeca: gente sem escrúpulo que descobriu o socialismo como alternativa eleitoreira após a guinada burguesa de Lula.

Perfil

Do cantor Lobão sobre o petralha que passa o dia na internet atacando a oposição e cuspindo velhas teses: “discutir com ele é como jogar xadrez com um pombo. Vai cagar no tabuleiro, derrubar as peças e sairá de peito estufado achando que ganhou”.

Novo livro

O consultor de empresas Rogério Almeida concluiu o livro “Homo Sapiens – da Guerra ao Esporte”, que terá lançamento durante a terceira edição do seminário Esporte, Atividade Física e Saúde, promovido pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

Palestras

O seminário ocorrerá entre 17 e 20 de junho, dentro da agenda legislativa paulista voltada para a Copa do Mundo. Rogério fará uma palestra, autografará o livro e participará de debates sobre o tema deste ano Esporte, Atividade Física e Saúde.

Clássico

Enfim, um ABC x América na Arena das Dunas valendo alguma coisa. Vamos ver quantos torcedores as duas equipes atraem neste domingo, já que a mídia esportiva aponta uma certa igualdade de condições no futebol de ambas nos últimos dias.

Figurinhas

As páginas 2 e 3 do álbum oficial da Copa do Mundo trazem espaços para as figurinhas dos estádios e arenas das 12 sedes. Há uma divisão exata na nomenclatura da editora Panini, com 6 definidos com estádios e 6 como arenas. O nosso é Estádio das Dunas.

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