As Figurinhas Weston
Setenta e nove por cento daquilo que eu falo e escrevo sobre futebol são advindos da junção da minha memória e de um acervo considerável que mantenho em casa, sempre à disposição para consulta. Há coisas que guardei da adolescência e outras resgatadas.
Sou um frequentador compulsivo dos sites que disponibilizam raridades, como o Mercado Livre, a Livraria Pontes, em Campinas, e o e-Bay da Argentina. Também já tive um livreiro em São Paulo, Sergio Porini, por sinal o mesmo do Milton Neves.
Ao longo das décadas, muitas das revistas esportivas que o tempo comeu por causa da ausência de cuidados na minha infância, eu consegui reencontrar quase tudo. São incontáveis as edições da Gazeta Ilustrada, Revista do Esporte, El Gráfico e Placar.
Quando pesquiso sobre um craque, uma equipe, um episódio qualquer do universo da bola, me acerco das velharias que se espalham pela casa e que já não cabem nas estantes. São livros, revistas, jornais, álbuns de figurinhas e, agora também, CDs.
De tudo eu já juntei com meu vício ludopédico, até mesmo velhos ingressos de jogos decisivos, como o da final na Copa de 1970 entre Brasil e Itália, e fotografias originais de um extinto jornal gaúcho quando da cobertura das copas na Inglaterra e México.
Só uma coleção de figurinhas de futebol eu jamais cheguei nem perto de conseguir: as estampas dos jogadores da seleção brasileira, ABC, Alecrim e América, ali na fronteira dos anos 60 e 70 quando o país já entrara no clima da nona edição da Copa do Mundo.
Entre 1968 e 1970, enquanto o mundo vivia os sacolejos estudantis a partir de Paris e as mudanças comportamentais impostas pelo rock ‘n’ roll e o movimento hippie, eu curtia a lúdica atividade dos álbuns que ocupavam a vida e o horário do recreio escolar.
Na onda do tricampeonato brasileiro em campos mexicanos, a indústria de massas Weston, que dividia o mercado natalense de biscoitos com a CIAL do empresário Osmundo Faria, lançou as figurinhas dos três times locais e da seleção do Brasil.
A insuficiência tecnológica de um ainda incipiente parque gráfico em Natal obrigou uma simplória impressão monocromática nas imagens, sobre um fundo branco. O ABC todo no preto, o América no vermelho, o Alecrimo no verde e o Brasil em amarelo.
Nunca se viu tantas crianças e adolescentes reivindicarem dos pais os produtos Weston inseridos na feira semanal ou nas compras diárias. Foi o período em que eu mais consumi macarrão, biscoitos doces e bolachas salgadas, tudo por causa das figurinhas.
Na mercearia do casal Waldomiro e Vera era sempre uma confusão quando os donos percebiam rasgos nos pacotes de massas. A única solução, quase nunca eficiente, era mudar os produtos de local, acomodando-os nas prateleiras mais altas e em vigilância.
A formação dos onze jogadores dava prêmios, bastando trocar por bolas e outros souvenires disponíveis nas padarias preestabelecidas. Havia algumas figurinhas difíceis; Esquerdinha do ABC, Icário do Alecrim, Evaldo do América e Gerson do Brasil.
Desde 1999, quando iniciei a organização da coletânea “Todos Juntos, Vamos”, lançada na Copa 2002, vivo em busca de localizar quem por acaso tenha alguma das figurinhas Weston, talvez o único material daqueles anos ainda indisponível no meu acervo.
Já pesquisei de todas as maneiras, conversei com pessoas ligadas aos empresários da época que comandavam a indústria, indaguei de colecionadores, busquei na Internet e nem mesmo o Google consegue identificar qualquer vestígio daquela saudosa coleção.
Tenho uma gaveta repleta de álbuns que colecionei entre 9 e 12 anos, o raríssimo “Perdidos no Espaço”, três versões de “Ídolos da TV” e um “Ídolos da Jovem Guarda”, um álbum Olé de 1970 e alguns cards referentes ao “Homem na Lua”, de 1969.
É lá, na dita gaveta, que espero um dia colocar as figurinhas perdidas da Weston, senão todas pelo menos algumas. Será a porção local mais rica das minhas velharias sentimentais. Elas trarão na lembrança do jogo de bafo, onde as perdi, toda a memória de um tempo feliz. (AM)
Com que roupa?
O conhecido e tradicional alfaiate italiano Vincenzo Severo, o preferido de José Sarney e de outros políticos de alto coturno, foi o escolhido pelo deputado federal Henrique Alves (PMDB) para costurar o terno da posse na presidência da Câmara Federal.
Apagão
Quem diria? No governo da mulher que gerenciou o setor energético do governo Lula, quando o PT batia em FHC por causa de algumas pequenas quedas de energia, vive-se agora o temor de enormes apagões. Quem não comprar lanternas e velas ficará no breu.
Insatisfação
O governo Rosalba Ciarlini faz de conta que não percebe os resmungos que começam a surgir no meio das tropas das polícias civil e militar, devido à falha nos compromissos assumidos anteriormente. Os salários vão defasando e a tropa vai esmorecendo.
Erriene
Alguém responsável por discursos oficiais e posturas de palanque, avise à governadora que RN é apenas uma sigla, uma marca publicitária ou uma estrada estadual. Quando referir-se ao nosso estado, oralmente, que fale com todas as letras Rio Grande do Norte.
Siglas
Ou será que os assessores da governadora já ouviram alguma vez um governador paulista dizer “vamos desenvolver o SP”, ou um cearense declarar “nosso CE vai avançar”, ou um líder gaúcho afirmar “é preciso trabalhar pelo povo do RS”?
Salários
Mais uma vez, e não foi a primeira nem a quarta, eu ouvi da boca de um promotor público a opinião reconhecendo que não é exagero um salário de R$ 20 mil para um prefeito de uma grande ou média cidade. Ouvi e de novo concordei com o declarante.
De luneta
O advogado Paulo de Tarso Fernandes está desde 15 de dezembro curtindo a varanda da sua casa em Caraúbas, de olho na amplidão do Atlântico com o Cabo de São Roque à direita. O que não o impede de estar atento a tudo que ocorre nas águas políticas.
De Rogério Gentile
“A fim de divulgar sua causa, a “bancada da corrupção” poderia emprestar, ou melhor, se apropriar de um grito de guerra difundido na redemocratização. Com uma pequena alteração, evidentemente: – Mensaleiro unido jamais será vencido”. (Na Folha)
Sebastianismo
“A Venezuela oficial, Justiça incluída, decretou que o país tem que esperar indefinidamente o retorno do “rei” Chávez, desaparecido nas brumas de um país, Cuba, fechado ao escrutínio de quem quer que seja”. (Clovis Rossi, na Folha de hoje)
Neymar 2012
Fracassou nas Olimpíadas, na Libertadores e no Brasileirão, ficou atrás de Fred e de Ronaldinho Gaúcho em todas as escolhas para craque do ano no Brasil, e quando enfrentou Messi pela segunda vez, foi outra humilhação. Sobrou um prêmio no Uruguai.


