Assassinato de Juscelino

A lógica da conspiração na morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek em 22 de agosto de 1976 é tratada em proporção…

A lógica da conspiração na morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek em 22 de agosto de 1976 é tratada em proporção semelhante à retórica das teorias sobre o fim de John Kennedy em Dallas, Estados Unidos, novembro de 1983.

JFK, a humanidade sabe que morreu baleado. O filme de Oliver Stone, de 1990, foi a investigação tendenciosa e mais próxima do complô formado por setores do governo, incluído de forma subliminar o vice Lyndon Baines Johnson.

No bolo, o fermento da CIA, da área militar interessada na Guerra do Vietnã e refratária a acenos a Cuba, dos opositores sedentos de Fidel Castro e de representantes da Cosa Nostra, a Máfia, a quem o pai do presidente morto se associara e recorrera na campanha eleitoral e com quem descumprira acertos de Omertà, o código de compromissos do crime organizado.

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JFK e JK simbolizavam charme, desenvolvimento, idolatria, estadismo, vaidade, otimismo. Despertavam orgulho e inveja e seus opositores, quando não espertos, destilavam conspiração ou mediocridade.

O tiro em JFK foi atribuído a Lee Oswald. Com um fuzil calibre 22, ele conseguiu atingir a cabeça do presidente, seu braço, um segurança, o governador do Texas, o carro, como se a sua bala fosse capaz de ir e voltar como carrossel macabro. Daí a expressão “A bala que matou Kennedy” definir quem se acha o máximo em importância e prepotência.

A autópsia de Kennedy estava sendo feita por uma equipe médica civil, substituída no hospital de urgência de Dallas por profissionais militares que ocuparam a sala de cirurgia e trataram o cenário não como espaço de salvação, mas de “limpeza” de vestígios de crime.

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O novo presidente tomou posse diante do caixão do morto e o relatório da Comissão Warren, composta por integrantes da Suprema Corte e congressistas, concluiu que Lee Oswald agiu sozinho contra evidências cristalinas. Lee Oswald, fuzilaram antes do seu depoimento. Defunto caro é prenúncio de silenciado, é lei velha no submundo.

JK morreu dez dias antes de morrer. Estava um peixe vivo quando anunciaram numa rádio que havia falecido em acidente. A caminho da casa de um grande amor que conservava fora do casamento. JK apareceu e deu risadas, atribuindo o caso a um mal entendido.

Ninguém agia por engano naquele tempo. Prepararam o espírito. Soltaram a versão para explodir a verdade numa curva da Avenida Presidente Dutra, em Resende (RJ).

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JK seguia em seu Opala ao lado do motorista Geraldo Ribeiro e, pela versão sem contraditório, teria sido trancado por um ônibus da Viação Cometa. O motorista do ex-presidente, então, perdeu o controle do veículo que se chocou com uma carreta. Morreram os dois. Para ninguém deixar de entender.

O jornalista e cronista Carlos Heitor Cony jamais acreditou na versão cretina e apurou por conta própria, publicando em livro algumas coincidências que desmascaram a conclusão da Ditadura, de que a culpa fora do motorista do ônibus.

Cony descobriu que encontraram um objeto metálico na cabeça do motorista de JK, “muito parecido com uma bala”. A peça desapareceu do Instituto Médico Legal. Os corpos de JK e Geraldo Aparecido foram enterrados fechados.

Há uma tese menos lúcida: No mausoléu de JK em Brasília pode estar o corpo de Geraldo Aparecido e familiares de Geraldo Aparecido chegaram a dizer em jornais da época que acharam o caixão dele grande demais. Ou seja, o ex-presidente poderia ter sido enterrado como o motorista no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

É uma história policial sem grandes esforços detetivescos. É muita pista fácil. JK morreu no auge da Operação Condor, associação das repressões do Cone Sul que tinha permissão para incursionar em área estrangeira e matar seus inimigos comuns.

Em 1976, também morreu em circunstâncias cabulosas, a aplicação de um remédio letal, o ex-presidente João Goulart, trazido do Uruguai às pressas para ser enterrado sob vigilância de agentes secretos em São Borja (RS). Um agente uruguaio confessou o crime no documentário Dossiê Jango. Em 1977, foi a vez do ex-governador Carlos Lacerda. De “infarto do miocárdio”.

JK, Jango e Lacerda, os dois primeiros mais próximos e o terceiro em ferrenha oposição, formaram no exílio político uma visionária Frente Ampla. Na morte em sequência de cartas de baralho caindo, deixaram de ser as ameaças populares ao regime começando a definhar.

Estamparam o noticiário duas declarações recentes: do motorista do ônibus envolvido no caso que matou JK. E o da carreta que assistiu tudo e em cujos braços JK morreu. O piloto do ônibus disse que dois homens lhe ofereceram dinheiro para assumir a culpa sob ameaças de espancamento.

Os dois motoristas, atormentados pelo medo e o remorso, poderiam ter falado antes. Nem todos os brasileiros daquele tempo tiveram a coragem de entregar o corpo à tortura e à morte para combater tiranos. São dois arrependidos calados diante de uma farsa. Juscelino, o JK, estadista brasileiro sem similar, foi assassinado.

 

Coice na queda
O STJD deu um senhor coice no Vasco após a queda, negando-lhe nova partida contra o Atlético (PR). O Vasco perdeu o futebol e a vergonha. Tem que disputar a Série B e cuidar para não cair.

Reforços do América
O atacante Rafinha parece o mais promissor dos reforços anunciados pelo América. Desejado pelo Ceará, onde atuou. O volante Dener é da Escolinha do São Paulo. Tem nome de gênio. Dener do Vasco, morto em 1994 no esplendor do talento nivelado a um Messi.

Ataque
Mantido o ataque com Gilmar e Rodrigo Silva, falta ao ABC o homem que abastecerá os dois. O criativo de meio-campo. O substituto de Giovanni Augusto. Júnior Timbó, operado, só no Brasileiro.

Laionel
Laionel, ao deixar o ABC pelo Volta Redonda (RJ), deu um drible. Nele próprio. O ABC é perspectiva o ano inteiro. O Volta Redonda é segundo escalão do futebol carioca de nível suburbano. Se jogar como pensa, deve ser um perna-de-pau.

Wallyson
Onde está Wallyson? Termina mais um ano e a estrela do menino que surgiu reluzente em 2007, brilhou no Atlético (PR) e Cruzeiro (MG), está perdendo a luminosidade. Wallyson dá sinais de que se acomodou.

Reconhecimento
Ao ex-presidente do América, Alex Padang, pelo respeito e atenção com que sempre tratou Passe Livre.

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