Assessor e encrenca – Rubens Lemos

Quando anunciaram as ordens inquisitórias da Fifa para a Copa do Mundo em Natal, diante de políticos perfilados e obedientes,…

Quando anunciaram as ordens inquisitórias da Fifa para a Copa do Mundo em Natal, diante de políticos perfilados e obedientes, tive a oportunidade ou a obrigação de conhecer – sem cumprimentar – o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva. É parecido com Renato Gaúcho. Uma bossa de lascar.

Contrariado e em carioquês, Rodrigo Paiva, controlava os discursos políticos e mantinha uma reverência de adoração ao então presidente, Ricardo Teixeira. Chamou tanta atenção quanto o projeto em Datashow que nos fazia sentir – ainda que em viagem virtual, numa Dubai cheia de espelhos que (ainda) começa aldeota na Ribeira e hoje ultrapassa Potengis.

Rodrigo Paiva parecia um ator de novela. Comportava-se como um Tony Ramos sem barriga. Namorava ou tinha namorado há pouco tempo a lindíssima Maitê Proença e havia trabalhado para Ronaldo Fenômeno.

Pense num par perfeito. Ronaldo e Rodrigo Paiva. Romperam, segundo Ronaldo, por conta de intromissões de Rodrigo no segundo ou terceiro casamento do atacante, com a agradável modelo Daniella Cicarelli. Agradável como uma dor de dente num sábado de carnaval.

Rodrigo Paiva teria desaconselhado Ronaldo a aceitar, submisso, as ordens de Cicarelli, uma Felipona bonita e muito mais chata. O casório acabou logo. O assessor tinha razão, mas não é papel de assessor se meter na vida pessoal do chefe. O marqueteiro Duda Mendonça ensinou que se pode brigar com qualquer um, menos com marido, mulher ou amante de autoridade. É desgraça. E é verdade.

Então Rodrigo Paiva, naquela interminável tarde, sorriu em relances faciais ao ser tietado por jornalistas – homens e mulheres aqui de Natal. Deu autógrafos, se deixou fotografar e, à época, ilustrou páginas e páginas do Orkut (lembra?) a rede de relacionamento na internet hoje em decadência estabelecida. Fui tomado de ímpetos para me jogar na piscina do Hotel da Via Costeira, envergonhado pela chaleiragem de certos e nem tão corretas coleguinhas.

Agora, cinco anos após 2009, quando estive no perímetro em que ele desfilava, vejo que Rodrigo Paiva está vetado para o jogo contra a Colômbia. Tudo bem. Ruim todo mundo sabe que o time é.

Ignorante, cheguei a cogitar que Rodrigo Paiva pudesse entrar em campo sexta-feira, quem sabe no meio-campo, para ofuscar o brilhante James Rodríguez. Não, não era verdade.

Ele foi punido por ter trocado tapas com Pinilla, um perna de pau chileno reserva do Vasco no primeiro rebaixamento. Pinilla, segundo na hierarquia do doidão Valdiram, chegado a umas gorobas a mais e concentrações em delegacias de polícia.

Pinilla, registre-se, aos esbarrões, ameaçou seriamente a retaguarda nacional no épico duelo dos pênaltis, prantos e preces . Rodrigo Paiva brigando é grotesco. Nem o assessor de imprensa consegue jogar direito nessa seleção.

É gago

Descobriram que James Rodriguez, o colombiano craque da Copa do Mundo é gago. Eis um problema que ele está solenemente ignorando. Com a bola na canhota envenenada e fértil, James Rodriguez fala com fluência o idioma da bola. Sem atropelos. Ele tinha que ter um defeito. Senão, seria perfeito.

Insistência inútil

O técnico Felipão, um cara obstinado desde quando foi companheiro do centroavante Dentinho, ex-ABC, nos tempos de CSA (AL), nunca irá escalar um volante marcador e outro que saiba dizer oi para a bola.

Cães ferozes

Serão dois marcadores. Posso estar enganado, mas James Rodriguez, que não é nenhum fanfarrão tipo Valderrama, será marcado com a ajuda de três atiradores de elite. Se deixar ele cortar para a esquerda e chutar, colete à prova de bala não segura.

Irritante

Depois de 10 Copas do Mundo (11 com a atual), ainda é complicado entender a racionalidade alemã. Chega a ser irritante. São pedras de gelo raciocinando. Mesmo nos piores momentos do jogo contra a Argélia, a frieza manteve-se abaixo de zero.

Tanto faz

Vencer a Argélia por 2×1 não incomoda o alemão, obcecado pelo pragmatismo do resultado. A diferença em 2014 é o time com qualidade e individualidades que não poderiam voltar tão cedo. Argélia foi o goleiro e a valentia libertária de uma colônia que virou país.

Coincidência

Em 1974, o Brasil empatou duas partidas. Contra Iugoslávia e Escócia. Em 0x0 para Zagallo não deixar dúvidas. Qualquer semelhança é reincidência. Terminou em quarto, vencendo três e perdendo outras duas.

Reincidência

Em 1994, no Tetra, o Brasil empatou duas. Na primeira fase contra a Suécia(1×1), já classificada e na decisão contra a Itália, ganha nos pênaltis. Qualquer semelhança é (parca) coincidência.

França

É justo a França seguir na Copa do Mundo. É muito mais time do que a Nigéria e oferece um jogo articulado e técnico no meio-campo. O goleiro africano, que falhou no segundo gol, fez defesas incríveis no segundo tempo e o baixinho Valbuena desmonta a verdade dos orangotangos. O talento sempre prevalecerá. O talento sem tamanho não é documento.

Atenção belga

A Bélgica – econômica – chegou a 100% de aproveitamento na primeira fase. Veio com cartaz de favorita pelo que fez nas Eliminatórias. Até agora, básico do básico. Imprevisível confronto contra a os Estados Unidos. Os norte-americanos estão de namoro firme com o soccer e ostentam Klinsman de técnico , alemão de artilharia pesada.

Rodrigo Silva

Três gols no do ABC contra o Atlético Potengi. Jogando com Dênis Marques, o que é estranho numa primeira visada. São dois iguais de estilo. Rodrigo Silva chegou na hora e é ótima sombra. Parece ter sangue em preto e branco.

Drible de Morais

Estanca diante do marcador. Cola a bola no calcanhar, dá o bote e uma caneta. Foge fagueiro e impune. É o drible Danos Morais, criado pelo novo meia do América. Morais surgiu como promessa de craque e tenta repor massa cinzenta ao time que está órfão desde as jogadas estaduais de Arthur Maia.

Zizinho show

Ídolo de Pelé, Zizinho estreava na Copa do Mundo de 1950 na terceira partida, dia 1o de julho contra a Iugoslávia. Foi 2×0 Brasil gols de Ademir Menezes e Zizinho, que deu show. Público de 142.429 pagantes no Ex-Maracanã.

Times

Brasil: Barbosa; Augusto, Juvenal, Bauer e Bigode; Danilo Alvim, Zizinho e Jair Rosa Pinto; Maneca, Ademir Menezes e Chico. Iugoslávia: Mrkusic; Horvat, Stankovic, Zkatko Cajkowski e Jovanovic; Djajic, Vukas e Mitic; Tomasevic, Bobek e Zelijko Cajkowski.

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