Atletas paralímpicos dão show de superação de limites na capital potiguar

Com o projeto 'Experimentando Diferenças', pessoas sem deficiência podem vivenciar rotina de paratletas

 O potiguar Edmundo Felipe, 15,  uma das promessas da Bocha  no RN, realizou o sonho de conhecer e jogar ao lado do ídolo, o bicampeão mundial no esporte, Dirceu Pinto. Foto: Wellington Rocha

O potiguar Edmundo Felipe, 15,
uma das promessas da Bocha
no RN, realizou o sonho de conhecer
e jogar ao lado do ídolo, o bicampeão
mundial no esporte, Dirceu Pinto. Foto: Wellington Rocha

Fernanda Souza

fernandasouzajh@gmail.com

Conhecer de perto a rotina de treinos de atletas paralímpicos e poder vivenciar, pelo menos por alguns momentos, as dificuldades diárias enfrentadas por verdadeiros lutadores. Esta é uma das principais propostas do ‘Experimentando Diferenças’, projeto da Caixa Econômica Federal que já percorreu nove capitais do país e encerra a temporada em Natal, na Praça de Eventos do Natal Shopping, onde permanece até o fim do mês.

De acordo com Ana Cláudia Albuquerque, gerente de comunicação e marketing da Caixa Econômica Federal, o projeto visa tanto levar o público a experimentar como o deficiente pratica esporte, como estimular as pessoas sem deficiência para a prática de atividades esportivas. “Para isso estamos disponibilizando aos visitantes do evento, cadeiras de rodas, bolas de futebol e basquete, vendas, e hoje está sendo realizada uma clínica de bocha, com campeões da modalidade e praticantes. Estamos muito felizes com a receptividade do público e tanto a direção do Comitê Paralímpico como a direção nacional da Caixa elogiaram bastante esta edição em Natal”, disse.

A bocha é um esporte exclusivamente criado para o deficiente, sendo a única modalidade que não é adaptada. O jogo consiste em um conjunto de seis bolas azuis, seis bolas vermelhas e uma bola branca (bola alvo), no qual os jogadores têm como objetivo encostar o maior número de bolas na bola alvo. O Brasil é uma das referências neste esporte e conta com o bicampeão de bocha nas Paralimpíadas de Londres, Dirceu Pinto, também presente no evento em Natal.

A Clínica de Bocha realizada nesta terça-feira (18) contou com a presença de atletas da Associação Paradesportiva do Rio Grande do Norte (Aparn), que deram um brilho a mais ao evento, com suas histórias de superação e luta. De acordo com Matheus Dantas, presidente da Aparn e integrante da equipe técnica da seleção brasileira de Bocha, o Rio Grande do Norte e o Brasil continuam apostando forte na preparação dos paratletas. “Hoje temos um investimento e a Caixa é uma grande parceira também para formar expectadores para as Paralimpíadas em 2016. Só que a questão da deficiência tem várias vertentes e inclusive Natal será pioneira no país em oferecer cursos para professores do município sobre educação física adaptada, com aulas já no próximo mês, e também iremos promover jogos escolares. Através da nossa parceria com a Caixa vamos fomentar a bocha, o futebol para deficientes com paralisia cerebral, atletismo para cegos e Goalbol (bola com guizo para deficientes visuais) em parceria com o Instituto de Cegos do RN”.

O potiguar Edmundo Felipe, de 15 anos, que sofre de distrofia muscular duchenna, doença genética que causa fraqueza muscular, é uma das promessas da Bocha e contou sobre a emoção de estar lado a lado com o bicampeão mundial Dirceu Pinto e ainda poder jogar com o ídolo. “Tinha doze anos quando fui descoberto pela esposa do meu técnico. Eu estava numa clínica de fisioterapia. Dirceu é um grande exemplo para mim e através do Bocha eu supero meus limites”.

Dirceu Pinto nasceu com distrofia muscular na cintura e após fazer natação optou pelo Bocha, esporte que pratica há dez anos e o transformou num dos melhores do mundo. “Não estaria mais vivo se não tivesse o esporte em minha vida. O esporte tira os deficientes de casa e melhora a expectativa de vida deles. Eventos com este trazem um impacto para o público, que sai da sua zona de conforto e tem a possibilidade de ver que nós procuramos ter uma vida normal, mesmo com as nossas limitações. É um trabalho muito importante. Também temos um projeto de divulgação dos esportes paralímpicos em shoppings pelo Brasil”, destacou.

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