Ator da Globo doou R$ 1 mil para ajudar ex-ministro a pagar multa do mensalão

José de Abreu criticou o presidente do STF, Joaquim Barbosa: ‘fez tudo sozinho, atropelou colegas’

No ar com a novela das seis “Jóia Rara”, da TV Globo, o ator José de Abreu está na lista de doadores do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado no processo do mensalão. Abreu contribui com R$ 1 mil para ajudar a pagar a multa de R$ 971.128,92 determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em apenas quatro dias, a campanha na internet a favor de Dirceu arrecadou R$ 334.070,97. Para o ator, a iniciativa dos petistas é “legítima”. Os dois são amigos desde 1967, quando se conheceram na faculdade de Direito, em São Paulo.

– (Doei) para dividir a pena com ele (Dirceu). Não concordo com esse julgamento (do mensalão). Foi um ponto fora da curva. Totalmente político – afirma o ator, em entrevista ao GLOBO.

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José de Abreu faz críticas ao presidente do STF, Joaquim Barbosa:

– O Joaquim foi tudo: acusador, juiz. Fez tudo sozinho. Discutiu, atropelou colegas, muitas vezes o (ministro Ricardo) Lewandowski. Ele agora está aí: não prende o (ex-deputado Roberto) Jefferson. Sem dúvidas foi um julgamento extremamente midiático.

Processado duas vezes pelo ministro Gilmar Mendes por comentários polêmicos nas redes sociais, um deles por chamá-lo de “corrupto” (o ator se retratou depois), Abreu, no entanto, ainda não visitou Dirceu na prisão.

– Eu gravo todos os dias – justificou.

O ator é filiado ao PT desde o ano passado, quando pretendia disputar as eleições para deputado federal. A ideia, porém, foi reprovada de cara pela família. Além de “Joia Rara”, José de Abreu está escalado para a próxima novela “O Rebu”, das 23h, e para outras duas até 2016. Ele diz ter voltado a se envolver com política por conta do mensalão, cujo desfecho até agora o faz disparar contra “elite que domina o país há 500 anos”.

– É difícil aceitar um presidente da República nordestino, pobre, operário, sem dedo. É difícil. Em todas as épocas da História do Brasil, cada vez que tinha um presidente mais próximo de resolver o problema da fome, da miséria, se tenta tirar. É uma coisa que vai e volta – afirmou.

No site de apoio a Dirceu, José de Abreu deixou a seguinte mensagem:

“Dirceu guerreiro, Do povo brasileiro! Assim é recebido nosso querido Zé Dirceu pelos brasileiros que reconhecem nele um grande lutador: pela Democracia durante a ditadura militar: pela melhor distribuição de renda, pelo fim da fome e da miséria na Democracia. Por isso pagou, INJUSTAMENTE, como hoje paga, com a privação de sua liberdade. Esta colaboração no pagamento da multa-pena diz que juntos estamos com Zé na boa luta, seja na Liberdade seja na privação dela”.

 

Leia abaixo um trecho da entrevista:

Você doou dinheiro para pagar a multa do José Dirceu?

Sim.

Quanto você deu?

R$ 1 mil.

Por que você decidiu doar?

Para dividir a pena com ele (Dirceu). Não concordo com esse julgamento (do mensalão). Foi um ponto fora da curva. Totalmente político. Já foi discutido isso por vários juristas, por gente que não é do PT. Existem muitos juristas que não concordam com isso (julgamento), o cálculo da pena.

Como você avalia a atuação do presidente do STF, Joaquim Barbosa, no julgamento?

O Joaquim foi tudo: acusador, juíz. Fez tudo sozinho. Discutiu, atropelou colegas, muitas vezes o (ministro Ricardo) Lewandowski. Ele agora está aí: não prende o (ex-deputado Roberto) Jefferson. Sem dúvidas foi um julgamento extremamente midiático.

Como vocês dois se conheceram?

Foi na faculdade, em 1967. A gente fazia Direito em São Paulo. Organizamos (em 1968) o (30º) congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), em Ibiúna (local onde estudantes que lutavam contra o regime militar foram presos).

Você já visitou o José Dirceu na penitenciária da Papuda?

Eu gravo todos os dias, de segunda-feira a sábado.

Você pretende visitá-lo?

Não sei. Não sei como vai ficar. Tenho a impressão que, em breve, vão ter que cumprir a lei e deixá-lo trabalhar. Ele está preso há três meses. Ele deveria estar no regime semiaberto. Isso é outra ilegalidade.

Quem mais doou dinheiro para o Dirceu?

Talvez o Barretão (cineasta Luiz Carlos Barreto). O escritor de biografias Fernando Moraes também. Só no primeiro dia foram mais de 800 pessoas. No site (de arrecadação do dinheiro), tem umas pessoas que escreveram para o José Dirceu. Tenho impressão que essas pessoas, se não doaram, vão doar.

Em três dias, o José Dirceu conseguiu arrecadar mais de R$ 300 mil. Você acha legítimo fazer campanha na internet para pagar a multa de um condenado do mensalão?

Claro que é legítimo.

Por quê?

Porque é uma multa. Isso ainda será revertido. É um julgamento que não se sustenta. Muita coisa virá à tona. Esse julgamento não acabou não.

Você também doou dinheiro para os outros petistas?

Não precisou. Deixei para última hora. Acabou que não precisou. Com o Zé (Dirceu), quando eu estava escrevendo uma cartinha para pôr no site (de apoio ao ex-ministro), acompanhei mais de perto e doei logo.

Como você está vendo essa polêmica entre o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o ministro do STF, Gilmar Mendes?

Não acompanhei de perto. Já fui processado duas vezes pelo Gilmar Mendes. Não posso falar sobre ele.

 

 

 

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