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Audiência discutirá criação da Universidade do Seridó

Data: 13 março 2013 - Hora: 18:59 - Por: Portal JH

Lideranças políticas, religiosas e empresariais estão unidas para pleitear, junto ao Ministério da Educação (MEC), a criação da Universidade Federal do Seridó. Na próxima sexta-feira (15), será realizada uma audiência pública na Assembleia Legislativa, às 10h, para discutir a proposta e convocar o restante da classe política potiguar para a implantação de cursos acadêmicos em uma instituição autônoma que atente para as características da região – a de melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Estado.

Na manhã desta quarta-feira (13), uma comissão formada pelo prefeito de Caicó, Roberto Germano, pelo ex-diretor do campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e atual assessor da Faculdade Dom Heitor Sales, padre João Medeiros Filho e pelo procurador do Estado e presidente da Associação Seridoense de Criadores (ASSERC), Nivaldo Brum, estiveram na sede d’O Jornal de Hoje para divulgar a audiência pública e expor meandros do projeto.

“Temos o apoio da bancada federal, da Igreja, através da Arquidiocese e de Dom Jaime Vieira, que foi bispo de Caicó. Agora queremos sensibilizar toda a classe política para atingirmos um novo estágio em nosso nível cultural”, disse padre João Medeiros. Com unidades da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRN) e o Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres), o Seridó tem 23 municípios e quase 200 mil habitantes.

“O problema é que o MEC, quando vai investigar a necessidade da criação de uma universidade, não olha para as características da região. No Seridó, por exemplo, temos uma gastronomia própria. Fomos os primeiros a produzir queijo no Brasil, ao contrário do que pensa muita gente, achando que foi em Minas Gerais. Já em 1692 tínhamos essa herança dos holandeses”, prossegue padre João Medeiros Filho. Espaço geográfico de cultura e demografia própria, a chegada de um centro federal independente seria para “qualificar gente para ficar lá, não para sair do Seridó”.

Tanto a prefeitura de Caicó, quanto o Governo do Estado estariam dispostos a ceder terrenos para a construção da estrutura física. A governadora Rosalba Ciarlini, inclusive, teria sinalizado dentro de seu apoio já declarado, com a criação de um grupo de trabalho para discutir e definir projeto a ser levado ao MEC – o projeto precisa ser formalizado através de uma lei, para depois ser aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Executivo. “Queremos a união de todos”, diz o prefeito Roberto Germano.

Reduto de holandeses fugitivos da Batalha dos Guararapes, que expulsou conterrâneos do pintor Van Gogh de Pernambuco entre os anos de 1648 e 1649, o Seridó, segundo o padre João Medeiros, tem perdido a primazia em elementos emblemáticos de sua cultura, como os bordados, para estados vizinhos. “O Ceará vende uma cópia do que foi introduzido aqui por holandeses. O bordado tem tipos, como o Richelier, que são frutos de uma herança flamenca [povo que vive na Holanda e na Bélgica]. Da mesma forma, poucas pessoas, hoje em dia, conhecem a bebida Aluá, que é feita do abacaxi. Vejo a hora de um estrangeiro vir aqui e patentear a carne de sol”.

É para evitar a fuga de valores culturais, estimular a economia da região (rica em minérios, mas à base de extração sem valor agregado) e engrandecer o lado humanístico que a comissão conclama todos os setores produtivos e intelectuais do Estado para a audiência pública da próxima sexta-feira. “Insisto na realidade seridoense por conhecer a importância da universidade para uma região em que a Igreja foi pioneira na educação do Seridó. Foi ela que criou o primeiro colégio, o Santa Terezinha, em Caicó. Por isso fazemos parte dessa luta”, conclui o padre João Medeiros.

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