Audiência na Câmara busca soluções para o combate à violência em Natal‏

Natal foi apontada por uma pesquisa internacional como uma das 16 cidades brasileiras mais violentas do mundo, e a quarta cidade do país, com taxa de 57,62 homicídios por 100 mil habitantes

Foto: Marcelo Barroso
Foto: Marcelo Barroso

“O papel do poder público municipal no combate à violência na capital potiguar”. Este foi o tema de uma audiência pública realizada nesta terça-feira (20) pela Câmara Municipal de Natal. O debate, proposto pelo vereador Felipe Alves (PMDB), contou com a participação de representantes das Polícias Civil e Militar, da Guarda Municipal, e das Secretárias de Educação (SME) e de Trabalho e Assistência Social (Semtas).

Natal foi apontada por uma pesquisa internacional como uma das 16 cidades brasileiras mais violentas do mundo, e a quarta cidade do país, com taxa de 57,62 homicídios por 100 mil habitantes. O Brasil tem o maior número de cidades entre as 50 listadas pela pesquisa. O levantamento foi divulgado em janeiro deste ano pela ONG (organização não governamental) Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal, do México. O órgão realizou o estudo utilizando índices de população e de homicídios e de estatísticas oficiais dos governos locais, para classificá-las como mais ou menos violentas do mundo.

De acordo com o vereador Felipe Alves, existem situações de vulnerabilidade social que agravam a crise da segurança pública. “Refiro-me ao processo de exclusão ou enfraquecimento de indivíduos ou grupos, provocado por fatores, tais como pobreza, nível educacional deficiente, localização geográfica precária, dentre outros, que gera fragilidade dos atores no meio social”, explicou. Para ele, não adianta falar sobre prevenção e enfrentamento da violência sem levar em consideração a elaboração de programas educacionais e de políticas de valorização dos servidores públicos.

“A Polícia Militar possui abrangência estadual com ações preventivas, repressivas e de socorrimento em todos os municípios do Estado do Rio Grande do Norte”, destacou o major Eduardo Franco, do Comando Geral da PM. “Existem problemas orçamentários que dificultam a realização do nosso trabalho. Porém, no meio das dificuldades do dia a dia tentamos encontrar soluções”. “Temos como meta prestar serviços de qualidade a sociedade. Acredito que um bom policial deve exercer o papel de mediador de conflitos”, completou.

João Girderlan, comandante da Guarda Municipal, disse que o papel do Município na questão da segurança pública é, efetivamente, de prevenção e que a instituição desenvolve projetos em parceria com outros órgãos competentes com vistas a resgatar jovens de comunidades carentes por meio da educação, esporte e sensibilização ambiental. Já o delegado Matias Laurentino, da Delegacia Geral de Polícia Civil, falou que “não é possível oferecer respostas simples para a violência urbana, pois constitui um desafio histórico, um termômetro social e um indicador de qualidade de vida”.

Segundo a secretária municipal de Educação, Justina Iva, além da desigualdade social e concentração de renda, também há impunidade, banalização da violência através dos veículos de comunicação e aspectos culturais como machismo. “Para construir uma cultura de paz é necessário substituir autoritarismo por tolerância. Impor limite com carinho e diálogo. Porque as crianças aprendem mais com atitudes do que com palavras. Família e escola têm que cultivar juntas valores éticos e morais. Para isso, incentivamos ações de integração escola e comunidade”, ponderou Justina, que defendeu concurso público para aumentar o efetivo da Guarda Municipal.

 

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