Aumento da gasolina aliado a trânsito lento revoltam os natalenses

Possibilidade de novo aumento do combustível também gera críticas, já que o consumo aumentou nos congestionamentos

Feriado de pascoa saida do paulistano para o interior do estado , transito na marginal tiete na capital paulista , saida para rodovia Castelo Branco .

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

Apesar de ainda não ser oficial, a possibilidade de mais um aumento no preço do litro da gasolina começa a assustar os motoristas. Em Natal, de dezembro até o presente mês de março diversos postos de gasolina apresentaram dois reajustes nas bombas sem razões plausíveis, situação que gerou indignação da população e até multas por parte do Procon-RN, órgão de proteção e defesa do consumidor.

Dessa vez, conforme divulgado pela mídia nacional, Governo Federal e Petrobras prevêem antecipação de um aumento da gasolina e do diesel negociado para o próximo mês de junho. O possível aumento é resultado de uma reunião do Conselho de Administração da Petrobras, em dezembro do ano passado. Se concretizado, o preço da gasolina deverá aumentar em torno de 4% e do diesel aos 8%. Boatos dão conta de que esse reajuste poderá ser antecipado – provavelmente para o início de abril – de modo a evitar crise na estatal.

A reportagem d’O Jornal de Hoje buscou confirmar o aumento com o Sindicato do Comércio Varejista dos Derivados de Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos/RN), através da assessoria de imprensa, mas eles não se pronunciaram até o fechamento desta edição.

Nas ruas, a decepção por parte da população é visível. Se o preço do litro da gasolina já está sendo considerado inviável, hoje, as diversas obras de mobilidade pela capital potiguar o tornam impraticável.

“Cada vez mais o carro vem se tornando um objeto de necessidade, de utilidade. Em função disso, ficamos obrigados a consumir o combustível e pagar o preço que eles querem. Não há outra solução”, disse o comerciante Victor Dirceu, 26. “O pior disso tudo é que o preço do combustível se torna ainda mais caro porque o nosso trânsito está mais lento. As obras de mobilidade pela cidade estão gerando muitos congestionamentos. Trânsito parado é sinal de consumo alto”, afirmou.

A funcionária pública Larissa Marchiote, 26, gasta uma média de R$ 400,00 por mês apenas com combustível e avalia que esse custo não é acompanhado pelo salário. “Os gastos em todos os setores aumentam, mas nosso salário não consegue acompanhar. Acho péssimo esse novo aumento na gasolina. A gente só vê o dinheiro saindo de nosso bolso para cobrir imposto e crise de governo. Em troca disso, o brasileiro recebe um aumento anual de R$ 30 a R$ 40 reais”, comentou.

Quem vai abastecer o veículo em Natal chega a encontrar gasolina comum por R$ 3,069 e gasolina aditivada por R$ 3,16.

Diego Carlos da Silva, 24, que trabalha com moto-entrega, disse que também sente o prejuízo no bolso. “Moto é bem mais em conta que carro, todo mundo sabe. Mas cada pessoa vive de acordo com um orçamento planejado. Hoje eu gasto uma média de R$ 90 por mês de combustível e, para mim, é um valor alto”, destacou.

O advogado Marcos Delli, 34, também criticou a quantidade de aumento no preço de combustível, destacando possíveis atuações de cartéis no estado do Rio Grande do Norte. “É aumento por cima de aumento. A gente quer acreditar que esses aumentos se dão pela carga tributária, mas eles também estão atrelados aos gastos capitais. Os empresários estão sempre querendo ganhar em cima dos clientes. Além disso, ainda há as formações de cartéis. Nós sabemos que eles agem por trás disso tudo”, avaliou.

A jovem Juliana França, 27, também disse gastar uma média de R$ 400 de gasolina por mês, “preço pelo estresse diário no trânsito”. “Acho um absurdo a gente pagar caro desse jeito. Tudo bem que as obras irão melhorar a mobilidade, mas cada vez que o trânsito fica mais lento, mais rápido o combustível vai embora e mais dinheiro a gente gasta”, afirmou.

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