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Ausências de Garibaldi, Walter, Betinho e deputados expõem fragilidade de aliança

Data: 22 março 2013 - Hora: 18:24 - Por: Alex Viana

Maior liderança política do Rio Grande do Norte, o ministro da Previdência, Garibaldi Filho (PMDB), e o seu filho, o líder do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado Walter Alves, ignoraram a solenidade de posse dos novos secretários de Agricultura, Saúde e Recursos Hídricos do governo do Estado. Garibaldi e Walter faltaram à festa da posse, ontem, na Escola de Governo, cada qual com uma “desculpa” diferente.

Garibaldi agendou sua chegada ao Estado apenas para a madrugada de hoje. Já o deputado Walter Alves não foi por, segundo ele, estar representado pelo presidente da Assembleia, Ricardo Motta. Hoje de manhã, Walter brincou com o fato, ao ser abordado pela reportagem de O Jornal de Hoje. “Não fui porque eu sou do baixo clero”, disse ao repórter Ciro Marques hoje em solenidade do PMDB na Câmara Municipal.

O fato é que este é o segundo encontro da base governista que Walter deixa de ir. E o primeiro que Garibaldi evita participar. Ontem, em seu pronunciamento, o presidente do PMDB potiguar, Henrique Alves, pregou a união e disse, em dado momento, que falava em nome dele e de Garibaldi. Em conversas reservadas, é o próprio ministro que diz que não comporta mais o PMDB ficar dividido no RN, como ocorreu nas eleições de 2010.

Na verdade, Garibaldi e Walter abriram mão de participar das novas indicações ao governo. A única indicação garibaldista na gestão Rosalba, atualmente, é a do secretário de Trabalho, Habitação e Assistência Social (SETHAS), Luiz Eduardo Carneiro Costa. A dupla havia endossado a nomeação do antigo secretário de Turismo, Ramzi Elali. Mas, após Ramzi pedir para sair após o episódio da sua exclusão de uma viagem internacional, o PMDB não indicou o seu substituto, com o espaço vindo a ser ocupado pelo PR, que indicou o atual secretário, Renato Fernandes.

Em entrevista recente, Luiz Eduardo disse que Garibaldi não fazia questão de cargos no governo Rosalba Ciarlini. Na reunião do sábado passado, foi a vez de Walter Alves deixar de ir ao encontro do conselho político. Além da distância entre o chamado PMDB do G do governo Rosalba, outro destaque foi a ausência do deputado federal Betinho Rosado, ontem, na posse dos novos secretários.

Betinho perdeu as indicações que tinha na Secretaria de Agricultura e perderá, provavelmente, a indicação da Emater, órgão que administra o Programa do Leite, de R$ 72 milhões por ano. Irmão de Carlos Augusto Rosado, o deputado do DEM vem sendo cotado para ser indicado pelo governo para o Tribunal de Contas do Estado, como espécie de premio de consolação, na vaga que está aberta e que cabe à governadora indicar. Contudo, é o parlamentar que não tem demonstrado interesse em assumir.

Além das falhas na base, outro destaque do evento de ontem se deveu à baixa presença de deputados estaduais, o que confirma a insatisfação da base política do governo com a condução política da governadora Rosalba Ciarlini. Apenas o presidente da Assembleia, Ricardo Motta, o líder do governo, Getúlio Rego (DEM), e os deputados Raimundo Fernandes (PMN), Hermano Morais (PMDB), George Soares (PR), Gilson Moura (PV) e Antonio Jácome (PMN) compareceram.

 

Motta: “Novos secretários darão alavancagem na administração”

Presidente do Poder Legislativo Estadual e integrante do Conselho Político o governo do Estado, o deputado estadual Ricardo Motta (PMN) afirmou nesta quinta-feira que a partir das novas nomeações as expectativas do estado são bastante promissoras. Ricardo defendeu maior atenção ao problema da estiagem, uma vez que atinge a economia do estado como um todo. “Nós conhecemos os novos secretários. São pessoas experimentadas na administração pública, têm sensibilidade política e tiveram o aval dos partidos que dão sustentação ao governo na Assembleia. A Assembleia Legislativa está sempre bastante otimista no sentido de que esses novos secretários possam dar uma alavancagem na administração como todos nós queremos e o RN deseja”, afirmou.

Ricardo Motta disse que o problema da estiagem é o tema crucial, uma vez que os nordestinos devem aprender a conviver com a seca. “Da mesma forma na saúde, que é um problema emergencial que todos nós sabemos. Então estamos vendo com bastante otimismo a investidura desses novos secretários”, afirmou.

Ainda sobre os novos titulares da Saúde, Agricultura e Recursos Hídricos, Ricardo Motta afirmou que o governo deverá dar mais abertura e descentralização. “Esperamos que essa abertura e descentralização com certeza haja desenvolvimento ainda maior no que diz respeito às essas pastas, que têm sido alvo de críticas por deixarem a desejar ainda ao nosso Estado”.

CONSELHO

Quanto ao Conselho Político, Ricardo Motta afirmou que a ideia é que se reúna com regularidade para acompanhar de perto as decisões e a evolução do comportamento das diversas secretarias. “E que se corrijam eventuais distorções, mas todos nós estamos torcendo pelo desenvolvimento do nosso Estado. Pelo desenvolvimento do interior, da capital, na segurança, na saúde, na agricultura e em todos os segmentos da nossa sociedade”.

 

Rosalba: “Teremos mais agilidade e o apoio de todos os partidos”

A governadora Rosalba Ciarlini (DEM) disse que os novos secretários darão maior agilidade ao governo, especialmente nos setores de atuação. Ela também se mostrou otimista em relação ao apoio dos partidos políticos. “Com certeza nós vamos ter mais agilidade, inclusive vamos ter o apoio de todos os partidos que somam para que a gente possa resolver os graves problemas do Rio Grande do Norte”. Sobre o Conselho Político, Rosalba declarou: “Quando eu preciso eu converso com eles. É um conselho amigo”.

Ao se referir ao governo do Estado, o presidente do DEM, José Agripino, disse que o estado precisa ser “salvo”. “Esse é o momento em que a classe política está empenhada em reunir todos os trunfos para salvar o Estado”, afirmou.

O presidente do PR, deputado federal João Maia, disse que o Estado vive um novo momento. “Acho que nós temos um novo momento político. Mudou conjuntura política. A governadora teve a percepção de que existe forma diferente de trabalhar. Porque não é que os secretários que saíram não fossem comprometidos e não fossem sérios. Acho que eles não contavam com essa união, soma de esforços, principalmente, com essa concepção de que: olhe, você vai ser secretário, monte sua equipe, apresente resultados. É isso que nós queremos”, afirmou.

 

Getúlio prega união entre partidos da base aliada: “Não temos direito de desperdiçar este momento”

Nada de divisão política na base aliada do Governo do Estado. PMDB, PR, PMN, por exemplo, vão continuar aliados ao DEM na gestão estadual. Pelo menos, foi isso que pediu o deputado estadual Getúlio Rêgo, líder democrata na Assembleia Legislativa do Estado. Durante o discurso na posse dos novos secretários na Escola do Governo, Centro Administrativo, o parlamentar defendeu a união administrativa e cobrou ao novo gestor da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), Luiz Roberto Fonseca, um projeto para dar mais autonomia aos diretores de hospitais estaduais.

Segundo Getúlio Rêgo, que discursou em nome da Assembleia Legislativa durante a posse, ressaltou que “tivemos nos últimos meses comentários a cerca de divisões políticas”, com relação às notícias recentes que o PMDB poderia deixar a base aliada do Governo por falta de uma participação mais efetiva na gestão. “Não temos o direito de desperdiçar as forças políticas convergentes de hoje no cenário nacional”, afirmou Getúlio Rêgo.

O discurso do democrata confirmou a importância que os peemedebistas têm para o Governo do DEM, pelo fato de ter o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho, e o presidente da Câmara Federal, o deputado federal Henrique Eduardo Alves, para conseguir recursos em Brasília e amenizar a situação de dificuldade do Estado. “se perdemos essa possibilidade agora, a próxima geração não terá essa oportunidade”, ressaltou.

Além de ressaltar a importância do PMDB – e dos demais partidos da base aliada – Getúlio Rêgo também confirmou que recebeu o convite para assumir a Secretaria de Saúde Pública (Sesap) no lugar de Isaú Gerino, contudo, mesmo sendo médico por formação, preferiu declinar o convite. “Até fui convidado, mas acho que a Secretaria de Saúde não deve ser comandada por um político”, ressaltou.

não foi só: apesar de não ser o secretário, Getúlio cobrou do novo gestor da pasta, Luiz Roberto Fonseca, um projeto para dar mais autonomia aos diretores dos hospitais estaduais. E para ressaltar a importância do projeto, ele tocou em um assunto grave para a gestão estadual, que foi o episódio da falta de fio de aço para suturar um paciente que havia passado por uma cirurgia grave no Hospital Estadual Walfredo Gurgel.

“Nosso Estado foi manchete negativa por causa de um fio que custa 10 reais”, relembrou Getúlio Rêgo, acrescentando que os “gestores não têm autonomia para comprar um fio que custa 10 reais”. Segundo o deputado do DEM, é preciso fazer um projeto semelhante ao que existe hoje para os diretores de escola pública estadual, que podem fazer “pequenas aquisições” para manter a unidade escolar.
“Vamos sentar com o Ministério Público e o Tribunal de Justiça para dar a cada diretor de hospital a autorização para comprar um objeto que ele sabe por meio de licitação o preço que tem”, ressaltou.

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