Lucas e uma suspeita – Rubens Lemos

Dos três garotos vendidos pelo Cruzeiro para esfarelar seu time razoável no  país dos  curupiras, Lucas Silva viajou para o destino cobiçado pela garotada do berçário à última das categorias de base: O Real Madrid.

É um bom volante, toca a bola com jeito, sai na base da habilidade e está longe da clonagem  do ladrão de carro de chuteiras. É o cara que faz ligação direta e esquece o passe, por ignorância ou má orientação.

Na chegada, notou-se  Lucas Silva tímido(observe foto), principiante entrando no estúdio de Hollywood dos tempos de Robert de Niro, Pacino e Marlon Brando. Os dois primeiros despontando e o último, casta nobre, ensinando sem medo de concorrência. Lucas Silva olhava com receios para os galácticos.Os melhores jogadores, futebolisticamente falando, chamam-se Toni Kross,  monstro alemão que joga na de Lucas ou um pouco avançado e o colombiano James Rodríguez.

Cristiano Ronaldo é  notável atacante, levando a vantagem do marketing massacrante em torno de suas formas e de sua vaidade a adornar o protótipo do atleta e androide.

É esperar para saber se, além do bom controle de bola, sem truculências e da visão qualificada de armador, Lucas Silva nasceu com personalidade. Com ela, poderá se ajustar ao ninho de cobras – nos dois sentidos, do talento e da malícia -, do clube mais desejado do planeta e instigar no torcedor a autoestima de ter alguém além de Neymar brilhando nos campeonatos fortes.

O Cruzeiro ainda não falou sobre quem será seu substituto, mas corre atrás da reposição dos meias Everton Ribeiro, que foi sumir no deserto árabe e ficar milionário, é um direito dele e Ricardo Goulart, banalizado no futebol chinês.China, Arábia Saudita, Emirados, Uzbequistão, Cazaquistão, Rússia, são nossas portas consentidas a fornecer Hulks e Willians a cada convocação. Sem esquecer Roberto Firmino.

Agora, surge outro desconhecido. Felipe Gedoz é um rapaz levado menino do Brasil para clubes desconhecidos de linhagem duvidosa e hoje se esconde no Brugge, time belga, que está pedindo 7 milhões de euros para liberá-lo. Ele substituiria Everton Ribeiro. O Cruzeiro vendeu o certo para implorar  o duvidoso mais caro.

Felipe Gedoz, Felipe Gedoz, Google nele. Nasceu em Muçum, cidade pequena no Rio Grande do Sul, jogou no Juventude, no Carazinho, derrapou em seleções de base, pelas quais ganhou um torneiozinho na China e foi empurrado aos gringos pelos empresários de lábia imbatível. O Cruzeiro está desistindo pelo preço que Felipe Gedoz seguramente não vale. Se valesse, não estaria no Brugge e sim no Bayern de Munique.

O Cruzeiro, tão forte agora quanto o Boa Esporte, procura o meia Jádson. Baixinho, enganou no São Paulo, no Corinthians, depois de ter voltado da Rússia. Jádson é uma piada sem graça. Desconfio, a turma da Lava Jato  se meteu com venda de jogador para Europa. Vigarice sintomática.

Pardal

Comemora-se a volta de Adriano Pardal ao América. É para se festejar. Os elencos estão pobres e Pardal será o substituto de Rodrigo Pimpão. Nenhuma diferença entre o futebol de um e de outro. Pimpão está no Botafogo que acaba de contratar Pimentinha, canhoto driblador do Sampaio Corrêa, onde jogará Dida, ex-goleiro do América. Uma salada. Azeda, mas real.

O Casca

Compenetrado estava o Cascata, o Casca de longas navegações e rebolados, em entrevista à Rádio Cabugi(Globo). Emocionante ouvir o Casca destacar o espírito de grupo e a união dos jogadores do América. Casca poderia jogar com uma perna só. Seria coerente e ainda uma atração capaz de render pauta no Fantástico.

Nota 10

Para o novo material esportivo do ABC. É padrão de Champions League. Muito bonito. De para ver nas fotografias da apresentação dos 30 e tantos jogadores e dos mais de 10 integrantes da comissão técnica. Um time com população de vila. Uma comunidade. Que seja íntima da bola.

Contrato

Antes tarde do que jamais. O ABC tem que jogar é na sua casa, no Frasqueirão. O contrato com a Arena das Dunas se justificou apenas pela necessidade de o clube por as mãos em 1 milhão de reais para escapar do rebaixamento de 2013, contratando um time quase inteiro.

Despesas  injustificáveis

Despesas na Arena das Dunas não se explicam se o ABC conta com um estádio próprio, em ótimas condições reformado, testado e aprovado pela Fifa.  Menos a Fifa e mais o estilista italiano Pirlo, que só põe aqueles pés compositores em palcos adequados.

Arturzinho

Enquanto rolar uma bola de futebol de salão no Rio Grande do Norte, no mais distante ginásio do elefante, ela gritará apaixonada o nome de Arturzinho, sua cara-metade magra e alucinada. Arturzinho é o jogador, o técnico, o dirigente, o torcedor e a paixão.

Nas veias e na herança

É o América pulsando nas veias e transmitido aos seus filhos, em especial a Wendell e Renno, ex-atletas.  Artur está comemorando 74 anos e tem todo o meu respeito. De cada desportista com o mínimo de sensibilidade.

Alecrim na Série B

O Alecrim em 1983 era bem diferente. Forte, participava da Série B do Campeonato Brasileiro, chamada de Taça de Prata, pelo vice-campeonato estadual no ano anterior e, há exatos 32 anos, empatava em casa com o Campinense(PB) em 2×2. Compareceram ao Estádio Castelo Branco(depois Machadão), 1.952 pagantes. Romildo e Djalma fizeram os gols do Verdão. Gabriel e Rubens marcaram para os paraibanos.

Times

Treinado pelo gaúcho Ivo Hoffmann, o Alecrim jogou com Sérgio Maria; Dão, Moisés, Cláudio Oliveira e Gilton; Edmo Sinedino, Odilon e Romildo(Marcelo); Haroldo(Brás), Nego Chico e Djalma. Campinense: Carlinhos; Zé Carlos(Marcão), Givaldo(ex-América), Timbó e Sales; Dão, Tito e Neto Maradona(ex-ABC e Baraúnas), substituído por Zé Carlos Silva; Gabriel, Rubens e Hélio Sururu. Técnico Pedro Rodrigues, com passagem pelos principais clubes de Natal.

Na Série A

Na luta desigual para reencontrar suas tradições, o Alecrim participaria da Série A, com 44 clubes, em 1986, por ter sido campeão potiguar de 1985 após 17 anos de espera. O Alecrim, bicampeão estadual em 1986, ficou fora da nata de 1987 por causa da Copa União, que reuniu os 20 principais clubes do pais e foi vencida pelo Flamengo. É outro Alecrim, o de hoje.

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    Alberi, 70 anos – Rubens Lemos

    Ventos irão soprar fortes e uivantes,  vultos cruzarão os  portões ancestrais do Estádio Juvenal Lamartine e os céus sobre a paisagem morta do antigo Castelão(Machadão). Em festa, soarão trombetas, tocarão clarins, hastearão bandeiras em ode ao Rei vivo, a Alberi José Ferreira Matos, 70 anos amanhã, quarta-feira.

    O sobrenatural tratará de cumprir o ritual que os humanos naturalmente não farão dentro da liturgia adequada. Há, nos bares decadentes, na aposentadoria e  nos cemitérios, uma legião de gratos a Alberi pelos recitais de gênio negro esguio e solista, dono de corações que se unem na loucura superando limites lógicos, científicos, acadêmicos e teóricos. Alberi subvertia-os na intuição sanguínea.

    Alberi faz 70 anos e corresponde, em Natal, aos 70 anos de Ademir da Guia, seu contemporâneo de Palmeiras, aos 60 anos de Zico no Flamengo, de Roberto Dinamite(jogador e não cartola), no Vasco e de Rivelino no Fluminense e no Corintians. Riva será septuagenário no próximo ano.

    O tempo passa e Alberi ficará para sempre. O maior dividindo polêmicas com o respeitável  colégio eleitoral dos fãs de Jorginho, o Professor, versão natalense do corintiano Luisinho, o Pequeno Polegar, que driblava e sentava na bola para humilhar o adversário. Tenho um amigo, o contabilista Eduardo Mulatinho, que não tem dúvidas.

    Nem Garrincha – segundo o isento Mulato -,  deu o drible aplicado por Jorginho em Bellini num amistoso ABC x Vasco em 1960. Bellini, dois anos após erguer a Jules Rimet no Estádio sueco de Rasunda, não caiu de bunda no acanhado JL porque segurou-se no alambrado.

    Ao passar, reverente, pelo estadinho salvo da especulação imobiliária, calculo Bellini, todo duro, arranhado pelos fios de arame farpado, enquanto Jorginho ria, de mãos na cintura, miniatura de açucareiro. O Vasco venceu de 6×2, mero e insignificante detalhe, segundo Mulato, que estava lá, naquela noite.

    Jorginho, Alberi, Marinho Chagas e Souza. Os quatro maiorais. Os dois últimos,  com estrela internacional, especialmente Marinho, das bocadas do Alecrim para a Copa do Mundo da Alemanha, a fama, a glória e a curva de retorno em calvário.

    Alberi virou adjetivo de futebol no Rio Grande do Norte. O Negão, enjoadíssimo, ingênuo de placenta, driblou e foi fintado em várias renovações de contrato e é o nítido retrato da transição do amadorismo para a profissionalização do futebol na dobra continental.

    Até 1972, Alberi dominava a cena, intocável, vindo de Pernambuco, nascido e criado na Praia do Pina, renegado pelo Santa Cruz que preferia o sergipano Mirobaldo. Sorte nossa. Alberi jogava muito mais e ao chegar a Natal descobriu-a berço e divisa. Aqui ele mandava e, ao sair, não repetia o deslumbre.

    No primeiro Campeonato Brasileiro de Clubes, possível pela inauguração do Estádio de Lagoa Nova no bendito 1972, batizado em homenagem ao primeiro dos ditadores – o Marechal Castelo Branco(por lei municipal passou a João Machado em 1989),  Alberi encontrou o tapete ideal para os seus desfiles.

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    O JL tornara-se pouco para ele, que transformava o campinho numa imensa fazenda latifundiária em lançamentos perfeitos, domínio de bola pelo alto com o bico do pé e chute mortal, para desespero dos pobres goleiros : Eliezer, Franz, Floro e o folclórico Bastos, que sofriam sem desistir.

    Alberi, de coração ferido, viu uma trupe de forasteiros chegando igual tropa de elite. Homens experientes, malandros, com anos de Maracanã e decisões nas costas, poderiam tomar-lhe o posto de chefe supremo. Engano. Só lhe fizeram bem.

    Dois ex-titulares do Vasco, o volante Maranhão e o meia-armador uruguaio Danilo Menezes, permitiram  a Alberi, a liberdade total de atacar e triturar os marcadores famosos da fase fantástica do começo dos anos 1970, da febre do pós-tricampeonato da seleção no México.

    Maranhão, Danilo Menezes e Alberi, escolhidos  para o meio-campo do século passado, enfrentaram  sem temer os grandes do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul e os rivais regionais. A maior exibição individual do Castelão, Alberi, aos 27 anos, fez contra o Flamengo, treinado por Zagallo.

    Ponta de lança autêntico, em caça ao gol, descadeirou os volantes Liminha e Zé Mário em cortes bruscos e freadas inesperadas no gramado. “Marca a esquerda do Negão”, berrava Zagallo. Alberi desferia um torpedo de direita. “Marca a direita desse monstro”, Alberi mandava um canhão de canhota na trave do goleiro Renato, da seleção brasileira.

    Atuação decisiva para  que Alberi ganhasse a Bola de Prata, o Oscar do Futebol Brasileiro, superando nomes  do nível de Jairzinho, Dirceu Lopes e Tostão. Recebeu proposta do Fluminense. Casa com piscina, carro, mas ficou. A raiz afetiva chamava-se Natal e o palco, o Castelão.

    Havia o tetracampeonato para vencer com Maranhão, Danilo, Libânio, Demolidor e Moraes. Havia a excursão para a Europa e África. Alberi encantou romenos e gregos. Todo de branco, o ABC cintilava como pequeno vestígio de um Santos desigual.

    Alberi foi para o América em 1976. Em 1977, lá estava eu vendo-o ajudar o time rubro a conquistar o campeonato. Alberi fez um golaço em Carlos, da Ponte Preta e seleção brasileira, driblando Oscar e Polozi, zaga que estaria na Copa da Argentina em jogo do Brasileirão. Vitória de 1×0.  Rodou por vários clubes.

    Seus companheiros paravam e ele resistia. Foram busca-lo em Juazeiro do Norte(CE) para uma volta emocional ao ABC em 1981. Fez de pênalti, o gol do título do primeiro turno(1×1 com o América).

    Pensava, criava, as companhias caíam de padrão, o fôlego diminuía. Em 1985, numa noite chuvosa e sem glória, deu adeus no túnel esquerdo do castelão, vestindo a camisa 10 do ABC. Aos 70 anos, Alberi é um presente universal concedido ao Rio Grande do Norte.

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      Domingo – Rubens Lemos

      Domingos me assustam pelo seu silêncio e pelo vazio sufocante. Evito sair de casa e recolho-me ao meu mosteiro existencial das leituras e dos filmes. À tarde, então, o domingo é uma angústia de gigantismo e solidão. Deveria existir um hiato entre o domingo e a segunda-feira que nos permitisse abrir a semana sem criar armadilhas  para acelerar o inexorável tempo.

      Quando havia futebol, havia o desejo da chegada ao estádio, que se foi levando minhas alegrias meninas com ele. Na arquibancada, no agrupamento, na chegada, na cerveja, no churrasco de quinta categoria e nos berros de exaltação ou protesto, o sentimento coletivo significava fortaleza diante da imensidão muda exterior.

      São muito chatos os domingos, nem tanto pela perspectiva da segunda. Trabalho desde os 16 anos e não me domina a malandragem. O domingo parece o recado sisudo da natureza  para que todos fiquem longe do seu deserto e ofereçam o corpo e o espírito ao descanso e até a futilidade, sem barulho.

      Algazarras me agoniam. A calma é a rainha das estações. Sem o exagero reflexivo que o domingo impõe. Penso no cara doente no  hospital, no sujeito que tem de estar no posto de gasolina, nos plantonistas policiais, nos repórteres em redação de mausoléu. Não quero estar no lugar de nenhum e a cada um ofereço minha solidariedade absoluta.

      O melhor dia do mundo é o sábado e o seu sorriso invisível, sua alegoria de sol ainda que um temporal desabe sobre nós. Sábados refazem a alma e sopram para agitar o coração. Domingo é convidativo à tristeza, em sua leniência de navio, em seu ritmo lento e cinzento.  É vida que segue, com o domingo para abater. Rebater e prosseguir.

      Sócio e torcedor

      Os clubes, quase todos, estão extinguindo do futebol sua principal razão humana: o torcedor. Agora, é preciso ser sócio para assistir a um simples treino. Quem não tem dinheiro, é assalariado e deseja, mas não pode se associar, é tratado como pária. A discriminação é um dos tentáculos expostos pela surra de 7×1 que desnudou o postiço esporte no Brasil.

      Breitner

      O barbudo e genial alemão Paul Breitner, ótimo na lateral e de meia-armador,  tem toda a razão quando afirma que a goleada da Copa do Mundo não servirá em nada para acordar o Brasil, autossuficiente e amador. “O Brasil ainda está engatinhando nos anos 1980, quando o assunto é futebol e medidas modernas, revolucionárias.”

      Derrota do ABC

      O ABC, que logo mais apresenta seus jogadores, perdeu para o Atlético Potengi, um clube que nem participa de campeonato. É começo de temporada, há desentrosamento, mas uma verdade é sólida : os dois times postos em campo pelo técnico Roberto Fonseca não empolgam. Falta aquele cara que grite “jogue em mim”, a famosa referência que está sem estoque nos supermercados boleiros em geral.

      Tiago Potiguar

      Com fama consolidada no Pará, Tiago Potiguar é meio-campista ousado e está agradando em cheio aos torcedores do América. Quem sabe, possa estar surgindo alguém a quem reverenciar e se tornar motivo para ida aos estádios no Campeonato Estadual.

      Sacode

      Injustificável o sacode de 6×0 levado pelo Alecrim do Botafogo de João Pessoa. Nada, nenhum argumento convencerá. Humilhante é o mínimo.

      O dia mais importante

      Poucos irão lembrar, mas hoje é 26 de janeiro, que é o dia mais importante para o futebol do Rio Grande do Norte. Em 1982, pela primeira, única e última vez, a seleção brasileira atuou em Natal. Times de base e olímpicos não contam, Vale a principal que esteve aqui em preparação para a Copa do Mundo da Espanha.

      Ajustes

      Telê Santana ajustava as últimas peças para fechar a lista dos seus 22 convocados. Sócrates estava machucado e não veio. O Magrão jogou apenas uma vez em Natal, pelo Botafogo de Ribeirão Preto, vitória sobre o América(3×1) em 1976. Telê tinha dúvidas na lateral-direita para a reserva e na cabeça de área entre Batista, então no Grêmio, e o loiro Rocha, do Botafogo.

      Adílio

      As atuações exuberantes na temporada de 1981, que rendeu todos os títulos possíveis ao Flamengo, valeram a primeira convocação ao meia Adílio, extraclasse em ginga e dribles desconcertantes. Adílio ficou na reserva com o goleiro Paulo Sérgio, o lateral Perivaldo(Botafogo), os zagueiros Juninho(Ponte Preta) e Edinho(Fluminense), o lateral-esquerdo Pedrinho(Vasco) e o centroavante Serginho Chulapa.

      Clamor popular

      O Brasil ficou hospedado no Hotel Ducal, primeiro arranha-céu da cidade, no centro, e uma multidão invadiu a Praça Kennedy, para implorar por autógrafos ou um simples aceno dos craques. Consegui, pelo privilégio de ser filho do comentarista da Rádio Cabugi, as assinaturas de Roberto Dinamite, do zagueiro Oscar e de Rocha.  Todas perdidas nas mudanças constantes.

      Adversário

      O adversário foi a Alemanha Oriental, que estaria fora da Copa e não oferecia o risco da outra, a Ocidental. Havia o Muro de Berlim a separá-las e a Oriental seguia o comunismo. Ficaram no Hotel Luxor, onde hoje funciona uma repartição pública municipal, próximo ao antigo QG do Exército.

      Brasil mal

      Entediado, o Brasil jogou mal e os 48.638 pagantes que chegaram cedo ao Castelão(Machadão) vibravam mesmo assim. Os alemães abriram o placar com Doerner aos 35 minutos e Paulo Isidoro empatou quatro minutos depois.  Renato Pé-Murcho fez um dos seus quatro gols oficiais na seleção e Serginho Chulapa definiu o placar de 3×1 , começando a tomar a posição de Dinamite, apático e isolado entre os beques.

      Times

      O Brasil jogou e venceu com Valdir Peres; Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior; Cerezo, Renato Pé-Murcho e Zico; Paulo Isidoro, Roberto Dinamite(Serginho Chulapa) e Mário Sérgio. A Alemanha Oriental jogou com Rudwaleit; Ulrich(Strozniak), Trielloff, Schnuphase e Baum; Liebers, Hause(Steinhach) e Doerner; Pommerenke, Strech e Trocha(Heum).

      Dona Clara

      Não, não era para ser assim. Reencontrei meus amigos e irmãos de infância Henrique, Alberto, Betinha e Niltinho no velório da mãe deles, Clara Guerra Andrade Pereira, que faleceu de edema pulmonar. Não quis vê-la no caixão. A imagem que vou guardar é a do seu sorriso sempre aberto e da linda comunhão com Dr. Vantuil, dentista e coração gigante. Uma família muito importante para mim, em tempos complicados. A casa deles, era minha, também. Domingos doem.

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        Joca da Frasqueira – Rubens Lemos

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        A fé é a sobrevivência dos humildes. Joca é um deles. Quando surgiu vestido de frade franciscano na decisão do campeonato estadual de 1984, parecia prever tormentas e recitar salmos e versículos em  comovente contrição.

        O ABC jogava pelo empate contra o Baraúnas de Mossoró no Castelão e era fragmento do timaço do ano anterior, com apenas uma estrela, Dedé de Dora, sem Marinho Apolônio e Silva, artilheiros siameses, vendidos ao Bahia e ao Fortaleza.

        Joca, roupeiro,  apareceu e a Frasqueira, localizada na parte frontal do Estádio Castelão,  de súbito como nas ordens divinas, cantou, de cor e salteado, cada estrofe do cancioneiro alvinegro. Vários hinos, em coro, sem palavrões. Joca estava ungido e nós, temerosos.

        Tinha  14 anos, nenhum tostão no bolso, fora moedas para a passagem de ônibus de volta  e aquele time de uniforme branco era meu brinquedo, meu luxo e meu oxigênio de liberdade.

        O Baraúnas, valente como Mossoró e sua história, seu povo e sua memória, abriu 2×0 e passou a envolver jogadores experientes num toque de bola magnético, imposto por alguma entidade estranha ao jogo e as suas circunstâncias habituais.

        O Baraúnas comandava a partida e a festa do bicampeonato, com trio elétrico encostado junto aos táxis na área onde agora há um deserto nomeado de estacionamento na luxuosa Arena das Dunas, caminhava para o adiamento.

        Lembro-me de  haver rezado rezado o Santo Anjo, várias vezes, morto de sede. De título. Refrigerantes gelados passavam à minha frente e o nenhum centavo me alertava para a necessidade de ficar conformado no cimento que para mim sempre foi um sofá de pele russa de zibelina, a mais rara e cara do planeta.

        Dedé de Dora, canhoto, buscava o jogo pela direita, levava a bola até a intermediária e, guerrilheiro, driblava quatro adversários até ser derrubado. O zagueiro Joel estava no auge dos seus chutes potentes. O ABC não tinha a técnica do passado recente. Sobrava-lhe a massa a gemer na basílica popular.

        Escanteio cobrado pelo ponta-direita Curió, do lado esquerdo. Joel cabeceia primeiro, a bola vai sair e Dedé desvia do goleiro. Explode o estádio e no banco, o frade magro e devoto dá cambalhotas. Joca ergue as mãos aos céus.

        São 44 minutos do segundo tempo. Dedé, que parecia 10 dele, é derrubado de novo. Joel dispara um míssil Exocet que explode nas redes quebrando a resistência mossoroense. Lembro de ter voltado a pé, para casa, no meio de uma passeata, dançando, chorando de tanto rir.

        Joca tinha 14 anos quando chegou ao ABC. A idade que eu contava naquele tarde. Joca celebra  45 anos de ABC. Começou  em janeiro de 1970 no time de Alberi e Marinho Chagas para ser o eterno roupeiro, o caprichoso preparador do manto das sacras batalhas.

        Vou fazer 45 anos de idade em agosto. Tenho menos tempo de vida do que Joca de ABC. Ele é muito maior do que eu. É a oração de São Francisco de Assis às segundas-feiras pela manhã, no exato trecho em que é mais importante amar do que ser amado. O amor de Joca ao ABC é a consagração do simples e anônimo frasquerino.

        Está chegando a hora

        Janeiro na reta final e os fanáticos  por futebol começam a se aliviar. A rotina de jogos vai começar e resenhas, críticas e solos de corneta voltarão no decorrer dos jogos. Preparar estoques de tranquilizantes para as peladas do Estadual.

        Leandro Sena

        Vem dando rumo ao leme do Globo. Leandro Sena é um cara que merece todo o êxito pela história herdada do talento do pai, um senhor artilheiro de padrão internacional. Sena, revelado pelo São Cristóvão, jogou no Atlético de Madrid e brilhou mesmo no América(RJ). Leandro segue-lhe a finesse de estilo desde quando armava e finalizava bem de canhota na meia-esquerda.

        Meio do ABC

        A escalação de Zé Mário no meio-campo do ABC dá uma arejada no volantismo como padrão defensivo e sem molho  do time. Zé Mário começou muito bem no Náutico, esteve no Sport, padeceu e tem no alvinegro a responsabilidade de provar que é um camisa 10 de habilidade.

        Roberto sem censura

        Do Portal Vermelho de Paixão, o técnico Roberto Fernandes dá o tom dos seus critérios para escalar o América: Estamos com alguns jogadores ainda em fase de treinamento físico, que não têm condição de atuar num jogo. Eu não vou cair no perigo de escalar um jogador que não tenha condições ideais para jogar. Eu não vou colocar um jogador “meia boca” no time. Os jogadores só serão escalados em condições normais para uma partida.”

        Eliminatórias

        As eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, terão uma nova tabela e os confrontos serão sorteados em junho, informou a Conmebol nesta sexta-feira.Desta forma, a Confederação Sul-Americana de Futebol decidiu acabar com uma ordem fixa de jogos que se repetia há mais de uma década.

        Até 2017

        As eliminatórias começarão este ano e serão disputadas até 2017.”Em 2015 serão disputadas quatro partidas; em 2016, seis partidas, e em 2017, oito partidas”, informou a Conmebol em sua conta no Twitter.

        Dificuldades

        Mantenho intacto meu ponto de vista de que o Brasil terá que suar sangue para conquistar uma vaga na Rússia. A geração atual é muito ruim e a mais nova é pior. Neymar vai terminar as Eliminatórias com 28 quilos, coitado, de tanto correr e receber passes errados de Fernandinho e Luiz Gustavo.

        Na mira

        Dunga não é bobo. Observou, observou e viu que o técnico das categorias de base, Gallo, sua imitação piorada, estava criando asas e está querendo decepá-lo. Seria uma boa para o futebol.

        Masters de espetáculo

        No dia 24 de janeiro de 1989, Copa Pelé de Futebol Masters, Brasil 2×0 Alemanha na Vila Belmiro com gols de Cláudio Adão e Nunes para 9.242 pagantes.

        Times

        Treinado pelo saudoso narrador Luciano do Valle, da Band, o Brasil venceu com Paulo Victor; Eurico(Zenon); Luís Pereira, Jaime e Wladimir; Rocha, Batista e Rivelino(Lola); Cafuringa(Edu), Nunes e Mário Sérgio(Cláudio Adão). Alemanha: Kleff; Bonhof; Wasab(Glowacz), Muller e Herzog; Paul Breitner, Franz Beckenbauer e Foster; Sidka, Honzenbeien(Willenfeldt) e Toppemuller.

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          Submundo – Rubens Lemos

          Engano seu. Não perco meu tempo vendo  Big Brother Brasil . Sei, óbvio, dos seus detalhes sórdidos e da sua vocação cafajeste pelos depoimentos excitados que ouço em elevadores, nos restaurantes, nas filas de banco, nos velórios, onde houver confinamento formal e isento do mau-caratismo ostensivo e professoral.

          Tomo conhecimento das patifarias, sobretudo pela necessidade profissional de acessar os principais veículos de comunicação social do país, hoje especialmente na internet, onde jorram a cada segundo, detalhes das personalidades deformadas e segregadas para se estripar até uma sobreviver recebendo  prêmio milionário.

          As notícias sobre tal lixo televisivo, antes restritas a festivas e inúteis editorias , ocupam manchetes de portais importantes. O Uol(Universo On Line), no Brasil administrado pelo Grupo Folha, dedicava durante boa parte do seu conteúdo na tarde de ontem às narrativas dos participantes da 15a edição, comandada pelo jornalista Pedro Bial, o homem que emborracha sua biografia com mundanismo.

          São 15 anos de exibicionismos e conspirações. Transmitidos em horário nobre na Rede Globo  e, se o masoquista assim desejar, em canal exclusivo na SKY e na NET, 24 horas por dia, por alguns reais que são bilhões em função do que se trata.

          Uma década e meia. O BBB pode, o Sítio do Picapau Amarelo, baseado em literatura, esgotou. O Programa do Jô com entrevistas inteligentes, é exclusividade dos insones. Entra no dia seguinte para emendar com o posterior. É na hora do terceiro, quarto ronco do sono engatado. Chico Anysio, professor de humorismo verdadeiro, morreu sem espaço, doente e amargurado.

          O BBB existe porque rende  audiência.  É igual a traficante de cocaína . Só tem para vender droga em pó a preço alto e matar policial por conta  dos consumidores intocáveis de classe nobre de bolso.  O BBB é a borra digital sedutora de quem dá tudo por dinheiro,  acusação que a Globo fazia ao apresentador Silvio Santos, longos tempos atrás.

          Audiência é gente assistindo. Gente que reclama das falcatruas políticas, dos escândalos, mas se arrepia de tesão de espera pelas fofocas e traições da inutilidade copiosa. “Leva umas cervejas para gente ver o Big Brother”, berrava na padaria, ao celular, o sujeito  com par de óculos de aros finos, utensílio de esquerdista festivo nos primórdios do Pasquim.

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          Moralista, nunca fui.  Sou pecador, meu  senhor. De nenhum mal que seja capaz de tirar sangue dos outros ou afrontar minha honra.  Ou a de ninguém. Tampouco sou chicote da vida alheia.  Justiceiro de atitude vizinha. Vi várias gostosas do BBB nuas na Playboy, claro. Na revista,  elas aparecem em qualidade sumária: despidas de tudo. E em silêncio de última geração.

          Enquanto espremia-se o torniquete do escândalo na Petrobrás, com acordos, delações, más intenções e falências de empresas envolvidas, abria-se espaço cibernético a duas subcelebridades encaixotadas na mansão do Projac.

          Uma delas gabava-se de ter traído todos os seus ex-companheiros, exceto, segundo a própria, o atual marido, com o qual corneou o último dos driblados. “Fui uma escrota”, sinalizava  o título da reportagem do Uol sobre a criatura, funcionaria pública encarregada de conciliações criminais.

          Não me preocupa o tempo do verbo dos chifres, mas o senso de justiça de uma mulher assim. Capacidade de mediação, ainda que invertebrada, ela demonstra. “Íamos para o motel, cada um em um carro no horário da faculdade. Depois chegava em casa linda e bela. Eu era muito escrota”, é a frase literal copiada pelo Uol e por mim, também.  Um petardo  nos limites  da  integridade  atingindo  casas de adolescentes em processo de aproximação com os labirintos da vida.

          Minutos depois de incensar a árdua defensora das tradições casamenteiras, o site disparou uma sensível menção à tristeza do atacante André, ex-companheiro de ataque de Neymar, amante da noite e apaixonado por outra artilheira do time dos brothers.

          André está sofrendo. A loira – siliconada, claro, deixou-o um ano e meio após namoro e promessa de eterna uniao enquanto durassem os  seus dólares. Os dele, André.  Está triste e lacrimoso, monossilábico e evasivo. Soube, também pelo BBB, que sua (ex) baby girl admitira romance com cantor sertanejo e que nunca dá um tempo após relação afetiva. “Os homens me impedem”.

          Nelson Rodrigues odiaria a mediocridade do BBB. Um texto, de meia lauda, seria o máximo que o fantasma genial produziria em tédio ululante.  O submundo se banalizou em tiros e cadáveres suburbanos. Pior: O submundo está no ar. Pela 15a vez.

          Camaro

          Imagine Roger Moore, em sua  Lotus Esprit S1, leiloada por 166 mil dólares, irrompendo as águas cansadas da Praia de  Cotovelo, adjutório imponente de Pirangi do Norte.  Roger Moore era 007 na cena imortal de O Espião que Me Amava. Requinte. O caso do Camaro que quase acabou tragado pelas ondas prova: ostentação é mar em rebelião.

          Frasqueirão

          Vida eterna  ao Frasqueirão, que está completando 9 anos. É o orgulho de cada torcedor do ABC. Sopra uma brisa aconchegante sobre o Frasqueirão. Era o que sentia, quando frequentava o estádio. Uma sensação boa. De paz.

          Edson

          O volante revelado pelo ABC, nascido em Touros, está sentindo que os quietinhos sobram na carnificina do futebol. Berrou por valorização no Fluminense e o Corinthians o espera. Edson joga mais do que todos os cabeças de area do Timão.

          Estreia

          O América estreia contra o Serrano(BA) em Vitória da Conquista no dia 5 de fevereiro. Às 19 horas. A data foi remarcada(seria dia 4) por conveniência do Canal Esporte Interativo, que transmite a Copa Nordeste.

          Time

          Pelos últimos treinos técnicos, o time de Roberto Fernandes está tomando forma: Bussato, Wálber, Flávio Boaventura, Zé Antônio Potiguar e Arthur Henrique; Judson, Zé Antônio, Maguinho e Cascata; Max e Alfredo.

          Tostão

          Escrevendo, é a suavidade do compasso em campo. “Continuamos grandes exportadores, mas são raríssimos os jogadores excepcionais, que se tornam destaques no futebol mundial. Isso é incompreensível em um país tão grande, com milhares de meninos formados nas categorias de base.”

          Tostão de novo

          “O técnico Gallo adora alardear títulos conquistados –esquece fracassos– e dizer que  clubes precisam formar atletas comprometidos com o coletivo. Estamos produzindo um grande número de atletas iguais, bons, mas nem tanto. É necessário respeitar, incentivar e formar  diferentes.”

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            Erro jurídico – Rubens Lemos

            O Judiciário parece  mais aberto do que no meu tempo. Hoje, decisões ganham as ruas. Antigamente, a toga e o martelo impunham solenidade e medo desde os filmes da TV Tupi em julgamentos londrinos até debates acirrados e decididos na corte criminal espremida numa saleta perto da Parada Metropolitana, com transmissão pelas emissoras de rádio. AM.

            Na rua onde morava, morava um juiz. Taciturno, cumprimentava a todos com movimento moderado de cabeça. Nossos pais nem precisavam ordenar. Nós sequer nos aproximávamos da casa dele para apitar sua campainha, jogar um traque junino(que hoje odeio) ou chamar palavrão.

            O homem para cabeças infantis e de malandragem forjada em pé de morro, representava a suprema ordem, a certeza de que ele – apenas ele -, poderia nos deter, punir, chamar cabriolés, carruagens misteriosas para nos levar para sempre dentre os mistérios da floresta do Parque das Dunas.

            Os tempos são outros e o homem – atualmente aposentado, sempre foi um cidadão comum, jamais usurpou de suas atribuições. Seus filhos – se errar, bato na trave, são avôs e logo se enturmavam, sem frescuras.

            Nos anos de molecagem, jamais ousaria escrever contra uma sentença como a da 4a Vara do Trabalho de Santos, que condenou o atacante Leandro Damião por má-fé. O citado  anexou  uma declaração de pobreza ao processo trabalhista que move contra o clube onde jogaram Coutinho, Toninho Guerreiro, Pagão e Cláudio Adão, tabeleiros de Pelé. É,ele é funcionário do Santos.

            A Justiça entendeu que Leandro Damião não é pobre. Insisto que ele é miserável mesmo com 650 mil reais no contracheque, todo mês, quantia suficiente para pagar dois esquadrões bicampeões mundiais em 1962 e 1963, incluído Pelé.

            Leandro Damião é indigente, ao contrário do que decidiu o juiz Ítalo Menezes de Castro. Falta-lhe o básico em atributos futebolísticos. Não sabe driblar, chutar, cabecear ou fazer um gol de tornozelo, sem querer.

            É um perna de pau de luxo inventado pelo fictício técnico Mano Menezes que, por injustiça premeditada, chegou à seleção brasileira após ter ganho um título de Série B.

            Leandro Damião recebe um salario nababo num país de apagão e gente agonizando de sede no sertão seco. Punido deveria ser o Santos, real culpado. E o salario, corrigido, na dosagem do futebol invisível oferecido ao povo: 6 reais e 50 centavos. Semestrais.

            Novo time

            O ABC apresenta seu time com festa na segunda-feira. Serão os novos jogadores e uma populosa comissão técnica, cujo superintendente Rodrigo Pastana, revelou  ao amigo Marcos Lopes, na TV Ponta Negra, sua preocupação com a qualidade dos gramados locais.

            Quem joga

            É uma questão lógica, sensata . Menos do que o olhar sobre o gabarito daqueles que irão pisar os gramados ou poeirões espalhados por Natal e interior. Pastana  é experiente, passou por Figueirense e Bahia.

            Referência

            Alguns alvinegros reclamam da falta de uma referência no time. Hoje no Brasil não há ninguém com esse perfil em qualquer equipe. O país hoje sofre para ganhar da Venezuela no campeonato sub-20 e a imprensa bate palma achando que correr e dar trombada corresponde à natureza histórica de um futebol gigante por talento.

            Amora intocável

            Sem nenhuma malícia, pode-se notar a força do volante(segundo, terceiro, quarto, quinto, ou sexto, a decisão é sua), Daniel Amora. Ele resiste a qualquer técnico, a qualquer cartola, a qualquer vaia, a qualquer crítica. Segura seu lugar entre os onze como um intocável tosco, futebol ali no aceitável.

            Treino

            O América treina amanhã contra o CSP de João Pessoa na Arena das Dunas com acesso para sócio pelo Portal J. Será às 15h30. Um bom teste para o velho Cascata, sempre malandro e refinado e Júnior Timbó, meia que oscilou no ABC e quer recomeçar no adversário.

            Dida

            Marcado injustamente pelo gol que tomou na decisão de 2013 contra o Potiguar de Mossoró, o goleiro Dida, ex-América, tem tudo para ser titular no Sampaio Corrêa. Dida será treinado pelo educado e nada enérgico Oliveira Canindé. É um goleiro bom e sem o estilo espetaculoso de Fernando Henrique. Muito menos cobrado.

            Aposentadoria

            A aposentadoria dos jogadores entrará na pauta da discussão sobre as contrapartidas necessárias para aprovar o refinanciamento dos clubes de futebol. O PRB, do novo ministro do Esporte, George Hilton, apresentou proposta ao presidente eleito da CBF, Marco Polo Del Nero, que amplia direito de atletas aposentados. O tema foi a maneira que o PRB encontrou de entrar na discussão após críticas de que não é do ramo esportivo.

            Grupo de trabalho

            É por esse motivo que o Ministério da Previdência Social participará do grupo de trabalho interministerial que vai formular o texto de uma nova Medida Provisória. A ideia é que atletas tenham garantia de renda para o resto da vida mesmo contribuindo por menos tempo com a Previdência do que um trabalhador normal. O perigo é o tal grupo de trabalho. Quer embromar e não resolver qualquer um assunto, trate de criar um.

            Não existe

            O Vasco merece a Série E. Simplesmente, não existe. O time que perdeu ontem para o Flamengo(rotina), sofreria no Matutão do jornalista Everaldo Lopes.

            Demolidor na história

            Artilheiro revelado pelo São Cristovão(RJ) e indicado pelo meia uruguaio Danilo Menezes, o centroavante Jorge Demolidor chegou ao ABC em 1973 formando  dupla de ataque com Alberi no tetracampeonato estadual. Na Paraíba, também fez sucesso.

            Gol e expulsão

            No dia 22 de janeiro de 1977, o América em preparativos para a Taça Cidade do Natal, que antecedia ao Campeonato Potiguar, fez amistoso com o Botafogo(PB) no Castelão(Machadão) e empatou por 1×1. Jorge Demolidor abriu o placar aos 20 minutos do primeiro tempo e 10 minutos depois seria expulso ao reclamar do falecido árbitro Wyllo Mar    ques. O América empatou com Ivanildo Arara. O público foi de 2.928 pagantes.

            Times

            O América jogou com Cícero; Ivã Silva, Joel Santana, Joel Copacabana e Olímpio; Juca Show(Hélcio Jacaré), Garcia e Alberi; Jangada(Ronaldinho), Santa Cruz e Ivanildo Arara. Botafogo(PB): Galdino; Mendes, João Carlos, Cidão(Celso) e Fantick; Nelson, Benício e Carlinhos; Dadá, Jorge Demolidor e Erasmo.

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              Portuguesa e humilhação – Rubens Lemos

              Rebaixamentos e cambalachos humilham a história da Portuguesa de Desportos(SP), celeiro de craques retumbantes. Djalma Santos, lateral-direito do Século passado, Ipojucan, indolente meia-armador famoso no Vasco(RJ), Enéas, atacante hábil e igualmente sonolento, Denner, o poetinha morto por um cinto de segurança, o gênio que brotava quando partiu, Julinho Botelho, vice-rei de Garrinchana ponta-direita, Leivinha,atacante.

              Tantos astros reluzentes que começaram no grená hoje pálido por gestões ridículas que bateram na alma de admiradores mais velhos e um pouco menos. A Lusa é uma casa portuguesa com mais fãs do que torcedores.

              Há em qualquer coração admirador da beleza nos gramados, o sentimento de tristeza e de desejo de penalidades aos que transformaram um clube charmoso e fértil, num rebaixado técnico e – mais doloroso -, num destroçado moral. O texto abaixo é um passeio pela verdadeira Portuguesa:

              Rogério Tadeu Romano

              Procurador da República

              A Portuguesa de Desportos vive hoje um doloso momento. Após  ter sido infelicitada por fatos cujas consequências ainda não foram, de todo, investigadas, caiu para a série B do futebol brasileiro.

              Na temporada que foi recém-encerrada caiu para a terceira divisão. Sua história e sua glória podem ser contadas por alguns dos maiores craques que passaram pelo futebol brasileiro.

              Daí porque homenageamos a Lusa do Canindé, lembrando, em um momento triste, atletas como: Félix, Djalma Santos, Ditão, Amaro, Nair,  Zé Roberto(o imortal, que brilha aos quarenta anos de idade, em plena atividade), Brandãozinho, Denner, Julinho Botelho, Enéas, Leivinha, Servílio, Pinga, Enéas, Ivair, além de grandes treinadores que por lá passaram como Aymoré Moreira, Oto Glória.

              Félix Mielli Venerando, grande goleiro, tricampeão mundial, que ser firmou na posição após a saída de Cabeção, que foi jogar no Corinthians. Chegou a disputar a posição com Orlando. Em 1969, teve seu passe negociado para o Fluminense onde brilhou.

              Dejalma Santos(Djalma Santos) foi um dos maiores laterais do País. Destacava-se pelo seu domínio de bola, força atlética, bom batedor de pênaltis, além de fazer ótimos levantamentos de lateral. Foi bicampeão mundial e participou de três Copas do Mundo. Foi campeão do Rio-São Paulo, em 1952 e 1955. Em 1959, teve seu passe negociado como o Palmeiras.

              Geraldo Freitas do Nascimento, Ditão, ótimo zagueiro, duro na marcação, que jogou na Portuguesa, no período de 1968 a 1966, foi posteriormente negociado como Corinthians. Era irmão de outro Ditão, que se destacou no Flamengo.

              José Roberto da Silva Júnior, o Zé Roberto, jogou na Portuguesa, no período de 1994 a 1997. Brilhou no futebol alemão, no Santos, no Grêmio, e por onde passou, Foi um dos poucos que se salvaram do fiasco da Copa de 2006.

              Brandãozinho, foi considerado um dos maiores volantes do futebol brasileiro. Jogou na Portuguesa, no período de 1949 a 1957. Em 1952, foi campão pan-americano pela seleção brasileira, disputando a copa do mundo de 1954, como titular absoluto na posição. Basta lembrar que formou a melhor linha média da Lusa  com Djalma Santos e Ceci.

              Nair José da Silva, Nair, jogou com Roberto Rivelino(um craque por excelência), quando ele iniciava a carreira no Corinthians.

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              Amaro Viana Barbosa, Amaro, foi um grande volante, que se destacou no América do Rio de Janeiro, campeão estadual de 1960, no Corinthians, para onde foi jogar na Portuguesa de Desportos, no período de 1965 a 1967.

              Denner Augusto da Silva, Denner, foi um dos maiores jogadores que vi jogar. Era um craque por excelência. Fez gol de placa, foi elogiado por Maradona, jogando o fino da bola, na Argentina. Era habilidoso, rápido, driblador, surgindo, após a copa São Paulo de Júniors em 1991. Sua carreira meteórica foi encerrada num acidente automobilístico, em 1994, quando jogava pelo Vasco da Gama, onde foi campeão carioca naquele ano, após ter sido campeão pelo Grêmio, em 1993.

              Julio Botelho, Julinho, só não foi maior que Mané Garrincha. Brilhou na Portuguesa, na Fiorentina(onde foi ídolo), no Palmeiras. Foi reverenciado, no Maracanã, em jogo histórico, contra a Inglaterra, em 1959, quando deu um espetáculo, encantando a todos. Na Portuguesa formou um ataque infernal com Renato, Nininho, Pinga e Simão. Foi titular na copa de 1954 e foi selecionado em 1962 quando, por conta de contusão, não pode atuar. Participou da primeira academia, chegando a ser convocado em 1964 para disputar um torneio internacional pela seleção.

              Servílio de Jesus Filho, Servílio, foi um dos maiores goleadores que vi jogar. Tinha exata noção da posição, sendo um dos maiores companheiros de ataque de Pelé, quando dos preparativos para a copa da Inglaterra, que não participou por motivo de contusão. Seguiu como artilheiro nato no Palmeiras, para onde foi jogar em 1963, na primeira academia.

              João Leiva Campos Filho, Leivinha foi outro grande goleador, participando,no Palmeiras, da chamada segunda academia, campeã brasileira de 1972 e 1973. Como um dos maiores atacantes da época, foi convocado para seleção de 1974, quando sofreu contusão. Brilhou ainda no Atlético de Madri, para onde foi com passe negociado, em 1975.

              Enéas de Camargo foi camisa 9 da lusa de 1971 a 1981,marcando a impressionante marca de 167 gols. Jogava com dribles curtos, exibindo um enorme talento. Lembro-me de uma partida, contra o Corinthians, quando decidiu o jogo. Após teve seu passe negociado com o Bologna, da Itália.

              José Lázaro Robles, Pinga, foi o maior goleador da Portuguesa de Desportos. Era meia-esquerda, jogador decisivo, campeão pan-americano de 1952. Na Lusa, ganhou em 1951 a Copa San Izidro e a Fita Azul e ainda, em 1952, o Torneio Rio-São Paulo. Teve seu passe, em 1954, negociado com o Vasco da Gama, onde foi campeão estadual, em 1956 e 1958 e ainda do Rio-São Paulo, em 1958, no super-super, com Botafogo e Flamengo, algo sensacional.

              Ivair Ferreira, o Príncipe, um craque, que aliava habilidade, movimentação, conclusão, criatividade. O vi jogar ainda no Corinthians, onde exibiu seu belo futebol e ao final no Fluminense, onde vi, no Maracanã, realizar jogadas de raro brilho técnico.

              Citaria ainda dentre os grandes craques que vi jogar na Portuguesa, jogadores como Henrique Frade e Dida(grande goleador, que, no Flamengo, só foi superado por Zico), Capitão(jogou como volante e zagueiro), Badeco(bom volante que lembrava  Brandãozinho), Marinho Perez(bom  zagueiro), Zé Maria.

               

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                Canhoteirismo – Rubens Lemos

                Há uma leal legião de nostálgicos que juram sem fazer figa: Canhoteiro, ponta-esquerda do São Paulo na década de 50, foi o Garrincha da canhota. A biografia dele é um espetáculo de tão bem feita pelo escritor e jornalista Renato Pompeu. Canhoteiro disputava com Pepe em talento e os dois perdiam em sorte para Zagallo.

                Chico Buarque, dono do time de peladas Politheama, já havia homenageado o ídolo rebelde na música Futebol, escalando uma linha de ataque sensacional, ritmada pela magia dos seus versos: “Para Mané, para Didi,para Pagão, para Pelé e Canhoteiro. Pagão é o maior ídolo de Chico. Até hoje é o artilheiro do seu time de futebol de botão, matador na proporção do dueto com Pelé ainda menino.

                Mas Canhoteiro é a graça nunca alcançada. O toque de melancolia naqueles que voltam no tempo e o enxergam  de novo costurando defesas pela extrema esquerda. Virou sinônimo de injustiça, de jogador que deveria ter ido mas não foi a uma Copa do Mundo. Jogava aberto, ofensivamente, driblando, driblando e driblando.

                Perdeu para Zagallo e o estilo que recuaria o ponta para o meio, onde seria muito mais marcador do que pesadelo dos laterais. Muitos choram sua ausência em 1958 e em 1962. Com Garrincha de um lado e ele do outro, a Suécia teria tomado uns 10, e não os 5×2 da final no Estádio Rasunda. A Tchecoslováquia levaria 6×1 e o Ferro cortaria sua cortina espiã.

                Canhoteiro também tinha uma queda pela boemia. E pânico de andar de avião. Anjo caído, morreu cedo, em 1974, de problemas cardíacos. Contava 42 anos. Passou a lenda. Arredio, mal se deixava fotografar. É luta encontrá-lo em arquivos. Gostava de humilhar o raçudo corintiano Idário e depois fazia as pazes seduzindo-o com cervejas. Idário tentava atingi-lo e Canhoteiro pulava de Pererê Tricolor.

                Todos temos um Canhoteiro no coração. O meu é Geovani, do Vasco da Gama. Melhor do Mundo no Mundial de Juniores de 1983, disparou como âncora de uma geração brilhante. Não foi a Copa de 1986 e Lazaroni o barrou quatro anos depois. Não dá para aceitar até hoje Bismarck ter ido e Geovani, não. Futebol acadêmico, requintado, era acusado de lento. Perdeu a vontade de jogar e perambulou por uma penca de times, entre os quais o ABC.

                A geração que me antecedeu sofre por dois Canhoteiros: Dirceu Lopes, parceiro de Tostão, driblador elétrico do Cruzeiro dos anos 1960, que para eles era nome certo na Copa de 1970. Ficou aqui e Dadá Maravilha é um dos tricampeões mundiais. Reclames e lamentos também por Ademir da Guia, o Divino, que é um Canhoteiro mesmo tendo ido à Copa da Alemanha passear.

                Jogou 45 minutos contra a Polônia, na decisão do terceiro lugar, Brasil já longe da briga pelo título. Noutra vertente do canhoteirismo, Zico foi a três Copas e jamais comemorou no fim. Copa tem mau gosto.

                Paulo Sérgio, Baldochi, Viola e Belleti são Campeões do Mundo. Alex, Djalminha, Pita e Adílio, fantásticos artistas, limitam-se a pôsteres clubísticos, destino de Paulo Henrique Ganso, único e último. O futebol – capengando – é o que é pela atmosfera de paixão e de saudade. Que comovem. Aos eternos Canhoteiros, o brinde amargo e amante.

                Fase

                Bursite, tendinite, tipoia, injeção de corticoide no músculo da bunda (dor menor que a vergonha da enfermeira). Mas não desisto. Escrevo com o dedo solitário lutando para acompanhar o raciocínio, lento pela irritação. Fase que passa.

                Luzes

                Os meus protetores são muito mais fortes. São bons. Daqui a pouco, estarei com eles em preces. Grato ao médico e sacerdote Edmar Medeiros que parou seu descanso para me atender.

                Nada por acaso

                E não por acaso, encontrei, sereno e sossegado, o médico Genibaldo Barros, ex-vice-governador, ex-reitor, simplicidade cativante, conversando com um, com outro,  batendo papo com servidores do hospital que dirige. Relembrando delícias de histórias. Uma aula ambulante aos soberbos da cidade. Aos emergentes, esses paupérrimos semeadores da intriga e do mal.

                João Paulo

                Com a declaração de falência do seu clube na Ásia, é possível que o atacante João Paulo possa continuar no ABC. Desde que seu futebol evolua em relação ao campeonato brasileiro. JP pode mostrar(muito) mais do que apresentou na Série B.

                Emprestado liberado

                Do site Vermelho de Paixão; Um clube que emprestar jogador a outro não poderá mais colocar cláusula no contrato proibindo o atleta de enfrentá-lo caso os times se encontrem. A proibição está no artigo 33 do regulamento de registro e transferência da CBF. Contratos anteriores à criação da regra que tenham a cláusula continuam valendo.

                Multa

                No ano passado, o volante Val, emprestado pelo Flamengo ao América, não atuou nas duas partidas das quartas de final da Copa do Brasil diante do clube carioca. O contrato continha cláusula que vedava a participação do jogador, a não ser mediante o pagamento de uma multa altíssima.  A Fifa já orientava os filiados a tentar evitar esses contratos por considerá-los antiéticos e prejudiciais aos atletas.

                Seleções estaduais

                No dia 20 de janeiro de 1979, o Rio Grande do Norte vencia a Paraíba por 1×0 no Estádio Almeidão em João Pessoa por 1×0, gol de Marrom, para 553 testemunhas assistindo. Era o Brasileiro de seleções Sub-20.  Na época, chamado de junior.

                Times

                O Rio Grande do Norte ganhou com Sérgio Maria; Gilton, Joel Celestino, Arié e Rosemiro; Hélio(Beto), Toinho e Luisinho; Marrom, Maia Tubarão e Gilmar. Paraíba; Jonas; Lúcio, Levi, Benício e Toinho; Ademir, Ito e Naldo; Clóvis, Ailton (Chocolate) e Nildo.

                Pau de selfie

                Proibiram pau de selfie, aquele monstrengo que segura o celular ou câmera para fotografar  maracatus, no torneio do Amazonas, que terá Vasco, Flamengo, São Paulo e Nacional de Manaus. Bom mesmo seria vetar a presença de quem usa pau de selfie, uma das idiotices mais bizarras dos últimos séculos. É confissão escatológica de egolatria.

                Seu Frias

                Onde estiver, o velho Otávio Frias Filho desejou voltar e quebrar a sede da Folha de S. Paulo ao saber da notícia, publicada ontem com destaque: “Equipe de Xuxa pede para que a apresentadora fique na Globo”. Uma informação dessas é para mobilizar o Conselho da ONU. Dói o braço.

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                  Dor – Rubens Lemos

                  Peço desculpas a você que me honra com a leitura de Passe Livre. Quem me acompanha deve ter percebido minha franqueza. Apanho muito por conta dela, mas não dissimulo. Nunca. Tenho defeitos normais de um ser humano. Jamais pecarei por sonso. Sou previsível demais nos gestos e pensamentos. Tomo partido até em briga de muriçoca e me prejudico mais do que posso calcular.

                  Portanto, devo desculpas a você pelo baixo nível do texto de hoje. Que estou digitando exatamente às quatro e dezoito da tarde do domingo. Bons espíritos me ajudam agora. Só eles para me fazer cumprir a obrigação de entregar minhas mal traçadas lutando contra uma terrível crise de bursite.

                  É. A coluna está ruim por conta da outra. Coluna, porque outra mesmo eu não tenho. Dá certo não. Encrenca. Descrever dor é humilhante. O velho e saudoso Mussoline Fernandes, com quem trabalhei na Tribuna do Norte, ele bem velhinho e espirituoso, certa vez perguntou a sua empregada que havia botado um filho do mundo, se parto normal era mesmo terrível para a mulher. Perguntou e quem se mete a perguntar não deve reclamar de resposta.

                  A cabocla de couro grosso lhe foi de uma sinceridade diplomática: “O senhor quer saber mesmo se dói, seu Mussoline? Pois imagine o senhor cagando um coco. Parto normal é assim. Dói muito”. O querido Mussoline, que está em boa esfera, caiu na gargalhada e conosco compartilhou o episódio.

                  Meus tendões dos pulsos são esmigalhados de tanto bater em máquina e dedilhar em computador. Certa vez, precisei tomar infiltração de corticoide para amenizar o sofrimento. E foi em Brasília, terra em que poucos são amigos. É cada um na sua ou puxando o tapete do outro. Quando o médico meteu a agulha, tive a impressão de ir e voltar a Saturno ou Netuno, perguntar aos marcianos se lá também tinha mensalão.

                  Desde sexta-feira à tarde que meu braço esquerdo está em pandarecos. Dor de coluna não deixa ninguém quieto. Rolo na cama, ando de um lado a outro e sinto um espeto de churrasco me dilacerando.

                  Meu médico é um amigo. Só tenho médico amigo. Companheiro de cerveja, de preferência. Nessa parte do motor quase batido é o ortopedista Edmar Medeiros, um bigodudo de coração maior que o Seridó, seu chão.

                  Consegui falar com  Edmar. Por essas horas da segunda, já devo ter estado com ele.. Edmar  anda pela praia acompanhado pela família e o  sossego que é seu sinônimo. Não vou a outro por medo de injeção. E não vou ser fracote na frente de estranho. Diante de Edmar, posso fazer careta e chamar o palavrão que der na telha. Ele ri e ainda me conta um causo de política dos seus tempos de prefeito de Jardim do Seridó.

                  Vontade verdadeira, estou de cortar o braço. Sem anestesia. Vontade não é coragem. Vai passar. Gelol e Cataflam não servem para nada. Estou lendo um livro de Carlos Heitor Cony. É um analgésico poderoso. Obrigado e tchau que não dá mais. Por hoje.

                  Alerta

                  A derrota do Brasil no Sul-Americano sub-20 para o Uruguai por 2×0 é para ser muito bem avaliada. É uma lição e um alerta. Destruíram a essência brasileira. O goleiro foi o melhor da pífia seleção. A Celeste não goleou porque não quis.

                  Trogloditas

                  Nossas categorias de base estão entregues a trogloditas. O técnico brasileiro é Alexandre Gallo, da pior escola dunguista e felipiniana. Um ex-volante medíocre, que só  dava pancada e carrinho, atropelava a bola. Gallo detesta o drible. O toque de efeito, a caneta. Por nunca ter sabido fazer qualquer coisa além do básico feio.

                  Time bisonho

                  Está certo que o Brasil está classificado para as Olimpíadas de 2016 por ser a sede, uma sorte medonha. Time para ganhar a vaga em campo, não tem. É preciso intervenção estatal na CBF.

                  Fora de Copas

                  O Brasil corre risco de não participar das próximas Copas pela mendicância técnica e caduquice tática. Meu braço dó muito, mas peguei o embalo da indignação. Enquanto houver treinador que corrompe matéria-prima impondo o medo como sistema de jogo e vigarista apelidado de empresário, o Brasil estará perdido.

                  Estupidez

                  Pior que Gallo é de uma estupidez siderúrgica. Quer criar uma categoria sub-12 para transformar criança em robô. Aos 12 anos, o menino precisa estar liberto de qualquer amarra, deve brincar de futebol para que sua vocação não seja violentada.

                  Benditos foram

                  A história do Brasil no Sub-20 é rica. Desde 1983, foram revelados grandes nomes . Geovani, Bebeto, Mauricinho, Jorginho, Gilmar Popoca, o prório Dunga, que não era péssimo, Silas, Muller, Romário. Dá até vontade de quebrar o teclado quando lembro desses monstros e comparo com os lamentáveis de agora.

                  Apito inimigo

                  Até os jornalistas de João Pessoa reconheceram que o empate seria o resultado justo no jogo do América contra o Botafogo no Almeidão. Os donos da casa fizeram um golaço de falta e foram amplamente dominados pelos rubros, que tiveram um gol anulado grosseiramente por Sua Senhoria, pra lá de amiga do time local.

                  Kayke

                  O novo centroavante do ABC é rompedor e quando jogou em outros clubes, destacava-se pelo oportunismo e o senso de colocação na área. Bom seria Gilmar em forma e com vontade de jogar para formar dupla com ele.

                  Messi

                  Não é deste mundo o Pleonasmo. Messi não precisa de troféu. Brindou o mundo com três gols e provou que não há semelhante a ele nos dias atuais. Aliás, nem nas gerações passadas de Maradona, Puskas e Cruiff. Pelé não conta pois Pelé é uma força da natureza, uma invenção de Deus para alegrar o mundo.

                  Memórias pisoteadas

                  Culparam o piloto pelo acidente que matou o mais brilhante político da nova geração, o candidato a presidente e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Perdi figuras queridas. Ele e o jornalista Carlinhos Percol, seu assessor de imprensa.

                  Família exemplar

                  A família Campos foi exemplar. Não se pronunciou. O piloto, morto, não pode se defender. E se não deveria comandar o jatinho, por que tinha permissão? Eduardo Campos morre sempre que se toca nessa tragédia. Covardes o acusaram sem provas e aproveitando-se do atrevimento de sua ausência.

                   

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                    Mata-mata, sim – Rubens Lemos

                    A fórmula dos pontos corridos foi defendida com bons argumentos pelas cabeças sensatas do esporte no tempo do Campeonato Brasileiro com 80 clubes.  Nos idos, do onde a Arena vai mal, um time no Nacional “. A Arena era a sigla confusa do regime de exceção até 1980, quando o arremedo de pluripartidarismo abrigou os remanescentes da caduca Ditadura no PDS.

                    Pregava-se a separação( o discurso tinha  dose considerável de conotação preconceituosa)  em divisão e a  preservação da qualidade. Fazia sentido. Havia, nos anos 1970, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Cruzeiro de Dirceu Lopes, o Vasco de Tostão e Silva, o Flamengo de Doval e o Atlético Mineiro de Dadá Maravilha acabou conquistando o primeiro título da chamada nova fase em 1971, superando o São Paulo de Gerson e o Botafogo de Jairzinho.

                    Depois, na segunda metade dos anos 1970, o Internacional de Figueroa, Falcão, Jair, Carpegiani, Lula e depois Mário Sérgio, impôs um novo conceito tático baseado na ocupação de espaços sem abolição da virtude e sagrou-se tricampeão brasileiro, tendo que enfrentar Leônicos e Ceubs.

                    Foi assim com o Flamengo de Zico, campeão em 1980, 1982 e 1983, batendo nos grandes e apanhando dos pequenos não no placar, mas nas canelas, em jogos de público cheio e consequências inúteis.

                    Cobrava-se um campeonato com Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Internacional, Grêmio, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Bahia, o campeão pernambucano, Goiás e Coritiba. Turno e returno sem decisão, a taça indo para as mãos de quem somasse mais pontos.

                    Naquela época, fazia sentido. O Corinthians de Sócrates e Zenon, certa vez, enfiou 10×1 no Tiradentes do Piauí e fora o recorde mantido pelo século passado inteiro, o resultado em nada acrescentou. O Timão ficou pela segunda fase, numa chave quadrangular com o Campo Grande do Rio de Janeiro, hoje extinto de competições medianas.

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                    Os pontos corridos seriam lógicos para beneficiar bons times e grandes craques. Zico, Rivelino, Falcão,  Reinaldo, Careca, Sócrates, Cerezo, Pintinho, Andrade, Júnior, Leandro, Pita, Geovani, Mário Sérgio, Nelinho, Marinho Chagas, Paulo César Caju, Zé Sérgio, Joãozinho do Cruzeiro, Jair Prates, Jorge Mendonça, Carpegiani. Só filé. Gente que nunca disputou um Brasileirão decente, de clássicos tensos o tempo inteiro.

                    Esse pessoal de nível superior passou anos e anos disputando campeonatos que passavam a ter graça a partir das quartas ou das semifinais. Os mais velhos lembram da “grande final”de 1975, do jogaço entre Internacional x Cruzeiro no Beira-Rio, do gol iluminado de sol de Figueroa de cabeça no canto de Raul, decretando uma vitória segura pelas defesas impossíveis de Manga nos chutes de efeito do lateral Nelinho.

                    Do campeonato de 75, do grosso, pouco a recordar. O gol de Washington, do América de Natal, na vitória sobre o Vasco em São Januário, 1×0, é histórico, sem dúvida, bem mais pelo feito de tornar milionário da Loteria Esportiva o goiano Miron Vieira. O jogo, sábado à noite, foi visto por menos de 10 mil pessoas.

                    O Grêmio está defendendo a volta do mata-mata no Campeonato Brasileiro. É uma ideia lógica. De uns anos para cá, com raras exceções, um time dispara e os outros brigam pelas vagas na Libertadores. Em 2014, com a folga do Cruzeiro, favorecido pela ruindade ululante dos demais, boa parcela dos fanáticos dedicou-se a apostar sobre quem caia ou não para a Série B.

                    O mata-mata consagra o nivelamento por baixo e garante emoção ao campeonato. Já não se cobrará técnica, espetáculo, jornadas épicas. Os oito primeiros decidiriam como já decidiram até o ano 2000 por aí.

                    O primeiro da primeira fase contra o oitavo jogando pelo empate. O segundo contra o sétimo, o terceiro contra o sexto e o quarto contra o quinto, sempre o melhor pontuado no período anterior, contando com a vantagem do empate e de jogar a segunda em casa. O campeonato teria razão de ser visto da primeira até a última rodada, mesmo que ainda como exercício masoquista, tão ruim é o padrão dos jogadores atuais.

                    Sou favorável à volta do matga-mata. O ciclo  dos pontos corridos, criados na Europa que costumamos, como viciada colônia a imitar,  voltaria num quimérico ressurgir de jogadores talentosos. A ordem agora é outra, alguma semelhança com o tempo ditatorial. Sem a ordem tirana, a tirada sacana: “Quando o futebol vai mal, mata-mata no Nacional.”. Em todas as divisões.

                    Anna

                    Anna Maria Cascudo, falecida ontem,  merece meu respeito não por ter sido filha de quem foi, mas pela atenção que um tempo teve com meus pais, isolados dos amigos, meados dos anos 1970, ele reagrupando ambientes e se readaptando à cidade.

                    Roda que gira

                    Anna Maria acolhia Rubens e Isolda em encontros casuais e em notas estimuladoras, quando um dia foi colunista social. Sim, um dia Anna Maria ditou as regras do soçaite de Natal. E nunca foi criticada.

                    Cascata no ataque

                    Recebo e-mails por escrever demais sobre Cascata. Escrevo sobre o que há de bom. Cascata jogando maisn à frente, no ataque do América, seria desperdício tempos atrás, quando partia do meio, defesa adversária aberta. Hoje, recebe, toca, passa, dribla, finaliza. E ainda ri. Ainda ri, o Casca.

                    Zebra no Castelão

                    O Riachuelo, clube da Marinha, deveria voltar ao Campeonato Estadual. Sempre tem fuzileiro bom de  bola.  Amanhã, 17 de janeiro, é dia de zebra no futebol do Rio Grande do Norte. O Riachuelo venceu o ABC por 1×0 pela Taça Cidade do Natal de 1977.

                    Rodada dupla

                    Na preliminar, dois eternos sacos de pancada de enfrentaram e o Força e Luz goleou o Ferroviário de 4×0. Três gols de Elson campeão de 1968 pelo Alecrim e outro de Bebé. Naquele tempo, a gente chegava cedo para ver preliminar.

                    O desastre

                    O ABC, que trouxe o desastrado técnico Neca, dos juvenis do Botafogo, imediatamente demitido após o vexame, jogou com Hélio Show; Orlando, Joel Copacabana, Vágner e Vuca; Toninho, Raimundinho(Danilo Menezes) e Zé Carlos Olímpico; Noé Silva, Jorge Demolidor(Amauri)  e Paim. Riachuelo: Floriano; Policarpo, Manuel, Carlos e Elias;  William, Francisquinho e Marinho; Zé Bozó, Vadinho e Juritinga.

                    O gol

                    Foi de William, o volante, que marcou o primeiro tento do Castelão(machadão). William, o Motorzinho.

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