No meio de nós – Rubens Lemos Filho

Ninguém endurece contra o racismo. Ninguém falará em mais 15 dias na humilhação do goleiro Aranha do Santos, chamado de “macaco” por uma pústula sentada na luxuosa arena gremista em Porto Alegre. O racismo dói na alma, não sangra na carne nem carece de esparadrapo.

Aranha reagiu numa dignidade guerreira. Exigiu postura do árbitro. Berrou de revolta, bateu forte no peito, desnudou do razoável jogador o caráter extraordinário do macho verdadeiro, do homem sem medo na atitude, sem vestígio da brabeza de fancaria.

Aranha, registre-se nos cartórios da verdade, é negro. Afrodescendente é invenção militante e tão preconceituosa quanto a víbora travestida de torcedora. Imploro que ela não seja mãe, pelos filhos, candidatos a segregadores, campeões da maldade em primeiro turno.

A agressora exibe a fúria perniciosa de Hannibal Lecter, o personagem calculista e canibal do cinema, na expressão gratuita do ódio. A Ira é pecado legítimo quando usada na preservação da vida. Na covardia, é bastarda. Bastardos são inglórios, ensina outro filme.

O caso vai sobreviver na mídia enquanto gerar audiência. O racismo é crônico igual alergia fascista. É um baile de máscaras hipócritas.Gritar com garçom, humilhar porteiro, dividir ser humano por elevador social e de serviço. Achincalhar o macaco, animal de travessura, de gargalhada.

Racismo é o substantivo de tudo. Está, sorrateiro ou pútrido como na agressora do goleiro Aranha, todo dia, a cada hora, no meio de nós.

 

Decadência italiana

Rogério Tadeu Romano

Procurador da República

 

Foi justa a homenagem prestada a Altafini Mazzola, durante as comemorações dos 100 anos do clube esmeraldino.Altafini Mazzola foi craque, um excelente atacante. Vendido pelo Palmeiras ao Milan, já no final da década dos cinquenta.

Mazzola, juntamente, com Dino Sani (que veio do Boca Junior, após jogar no São Paulo), Germano (que jogou no Flamengo e fez sucesso no ano de 1961 e início de 1962) e finalmente Amarildo, brilharam no futebol italiano, defendendo o Milan, que foi campeão da Europa, na temporada de 1962/1963, vencendo ao Benfica. A eles se somavam craques como Trapatoni, Maldini, Rivera, que era chamado o menino de ouro.

Prosseguia o futebol brasileiro a revelar para o futebol italiano, no pós-guerra, craques, que se notabilizaram por sua técnica, como Dino da Costa, Vinícius, e tantos outros, já na década dos cinquenta e que se somavam aos craques uruguaios, da Celeste Olímpica, que fulminaram a seleção brasileira, na Copa de 1950, estrelas argentinas como Omar Sivori.

Posteriormente, a Inter de Milan, à época de Sandro Mazola, e tantos outros, tinha, na ponta direita, Jair, reserva de Garrincha, na Copa de 1962. Com um time bem armado defensivamente, e com um técnico especialista em ganhar títulos, foi campeão italiano e ganhador da Copa de Clubes Campeões.

Mazzola e tantos outros são exemplares do chamado período de ouro do futebol italiano.

Com o fracasso da Itália, na Copa de 1966, ficaram suspensas as contratações, apenas reabertas, no final da década dos 70 e, principalmente, em 1980, quando Falcão (foto) foi contratado pela Roma ao Internazionale.

Abria-se, na Itália, um verdadeiro Eldorado, que levou para lá, verdadeiros craques como: Zico, Júnior, Toninho Cerezo, além de Casagrande, Muller, e tantos outros. A eles se somavam estrelas holandesas de primeira grandeza (Gullit, Van Basten), que levaram o Milan ao patamar de melhor do mundo no final dos anos 1980, após a Juventus, com Platini, Boniek, pontificar no calcio e no Velho Continente.

A Seleção Italiana tinha, por sua vez, Paolo Rossi, de triste memória para o nosso futebol, e a turma que ganhou aquela Copa de 1982, que tinha muitos jogadores integrando a equipe de Turim.

Na década dos 90 e no inicio do século, eram emocionantes as partidas pelo campeonato local, com a participação de jogadores brasileiros que, na Roma (Cafu, Antônio Carlos, Aldair e outros), no Milan (Dida, Serginho, Leonardo, tantos outros), na Inter (Ronaldo Fenômeno) se somavam a alemães, ingleses, que levaram a Liga Italiana ao destaque no continente europeu.

Tal década foi iniciada pelo sucesso da Napoli, um dos melhores elencos da época no continente europeu, que foi impulsionado pelo fenômeno Maradona, que levou o seu time, que ainda contava com Careca (um excelente ponta de lança, que jogou no Guarani, São Paulo e Seleção Brasileira, nas Copas de 1986 e 1990), ao titulo peninsular na temporada 1989/1990.

A Inter de Milan, com José Mourinho, num time que tinha Lúcio, Júlio Cesar, Etto, foi o último time a conquistar vitória importante. De lá para cá, a Itália perdeu postos, na Europa, para a Alemanha e hoje para Portugal.

Tem, hoje, a Itália, dois times classificados diretamente para a Champions League, ao invés de três, no passado.

Após a conquista do Mundial em 2006, jogando um futebol de resultados, vê a Itália o Milan, não classificado para qualquer competição europeia, observa apenas a Juventus, que foi eliminada pelo Benfica, na semifinal da Liga Europa, como seu melhor time. Estrelas como o Super Mario estão tendo seus passes negociados para outros países, como é o caso da Inglaterra, que tem uma liga de futebol forte ao contrário de sua seleção.

A decadência do futebol italiano parece espelhar a de sua economia, que vive, como todo o continente, seria crime econômica, que hoje a leva a deflação, com desemprego e outras consequências.

Pelo menos lá, diante da fraca campanha apresentada na Copa do Mundo do Brasil, o técnico pediu para sair. A experiência de recuperação do futebol italiano, que deve ser pautada em soluções empresariais, pode ser um exemplo para o futebol brasileiro, que vive a maior crise de sua história.

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    Está explicado – Rubens Lemos Filho

    Nos últimos anos, o Palmeiras e o Vasco disputam um revezamento de falta de amor próprio. Caem um ano para a Série B, sobem no outro e padecem no seguinte. Dois clubes de torcidas apaixonadas e tradição internacional. O Palmeiras é o primeiro no ranking de títulos nacionais. Está fazendo 100 anos enquanto derrapa, a cada rodada, nas curvas da Zona do Rebaixamento.

    Na Série B está o Vasco, pela segunda vez em cinco anos, na tormentosa gestão de Roberto Dinamite, o maior ídolo do clube prestes a perder a honraria depois do desastre como administrador. Roberto Dinamite cumpre um mandato tão ruim que até eu chego a admitir a volta do assombroso Eurico Miranda ao poder do desmoralizado heroico português.

    Vasco da Gama, o original navegante, manda boletins diários do além ameaçando entrar com processo judicial surrealista para que seu nome seja afastado de tão fracassada agremiação nos tempos de hoje. O Vasco não tem mais menino torcendo por ele, salvo em casos de filhos de fanáticos, que obrigam e cortam mesada. Menino gosta de time vencedor.

    O centenário do Palmeiras coincide com a péssima campanha no Brasileirão que sequencia horroroso período sob o comando do ex-técnico Luiz Felipe Scolari, o Dunga Velho. O Dunga Velho levou o Palmeiras à Série B e, como prêmio, recebeu de volta o comando da seleção brasileira até conduzi-la à vergonhosa campanha na Copa do Mundo dos 7×1.

    Com muito bom gosto, primor editorial pode-se dizer, a Revista Placar lançou uma edição de colecionador sobre o momento que deveria ser festivo para o Palmeiras. É uma obra para se guardar. Bem escrita, caprichosa nas artes gráficas, detalhista nas estatísticas, ideal para apaixonados e saudosistas no requinte da escolha das fotografias de velhos ídolos e vitórias de epopeia.

    Belo trabalho, jornalismo de primeira qualidade lembrando os idos da Placar gigante e feita pelos craques das máquinas datilográficas dos anos 1970. Primor. Juca Kfoury, Carlos Maranhão, José Maria de Aquino, Celso Kinjô e Teixeira Heuzer assinariam o material com orgulho.

    Há uma longa entrevista com o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre. É um fanático, um torcedor que coleciona porquinhos. O porco entrou na vida palmeirense pela contramão. Foi o apelido posto pelos rivais corintianos em 1969, quando morreram o lateral Lidu e o ponta-esquerda Eduardo, em acidente automobilístico às margens do Rio Tietê.

    O Corinthians liderava o Campeonato Paulista, contava com o esplendor de Rivelino jogando o tudo que encantava o pibe argentino Diego Maradona, a astúcia do ponta Paulo Borges e a euforia da massa esperançosa em quebrar o tabu, aquela altura no singular 15o ano.

    Sem Lidu e Eduardo, o Timão propôs inscrever dois novos jogadores e os adversários aceitaram. Menos o Palmeiras, transformado em suíno a cada confronto no Parque Antártica, Pacaembu, Morumbi ou vilarejo onde fosse jogar. Nos anos 1980, numa sacada de marketing, adotou o porco de mascote oficial e as provocações acabaram.

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    Paulo Nobre guarda porquinhos de brinquedo e desenhou um deles no fundo de sua piscina gigante. Na Placar comemorativa, há uma foto de Paulo Nobre à beira da piscina sorridente, orgulhoso como um Montgomery triunfal na Segunda Guerra abatendo nazistas.

    Perguntado sobre a crise, Paulo Nobre começa a apresentar suas credenciais e atributos, diretamente ligados ao futebol modesto do time. Aparenta forte depressão pela perda do atacante Alan Kardec para o São Paulo.

    Alan Kardec é um Jô vestido de tricolor. Jô, lembra? Aquele zagueiro disfarçado de centroavante que evitava gols do Brasil no Mundial do quarto lugar com pinta de quadragésimo.

    O endeusado Alan Kardec é o mesmo que começou no Vasco – olha outra coincidência – e cometia sistemáticos homicídios contra bolas a ele entregues no ex-Maracanã, em São Januário ou no Machadão, onde jogou contra o América pela Série A em 2007.

    O presidente Paulo Nobre sofre por Alan Kardec. Mas não é a primeira pista do crime. Qualquer detetive de subúrbio descobriria o porquê do sofrimento do Palmeiras. Na revista, elege-se o time dos 100 anos. Uma máquina: Marcos; Djalma Santos, Luís Pereira,Waldemar Fiúme e Roberto Carlos; Dudu e Ademir da Guia; Julinho Botelho, Rivaldo, Edmundo e Evair. Técnico: Osvaldo Brandão. Só artista.

    O colégio eleitoral, composto por torcedores ilustres, entre os quais o atual presidente, teve grandes dificuldades para formar o esquadrão. Dos 35 consultados, 34 apontaram o óbvio e votaram no gênio Ademir da Guia, reitor da Academia encantadora dos anos 1960 e do remake da década seguinte.

    Ademir da Guia representa para o Palmeiras a unanimidade de Garrincha no Botafogo, de Zico no Flamengo, de Rivelino no Fluminense, de Tostão no Cruzeiro, de Reinaldo no Atlético Mineiro, de Falcão no Internacional. Pelé no Santos nem precisa mencionar. Ademir da Guia flutuava em campo ao som de um invisível violino.

    Quem não votou em Ademir da Guia? O presidente Paulo Nobre. Está explicado o Palmeiras de hoje. Imagine um palestino chutando pôster de Yasser Arafat, judeu blasfemando Golda Meir ou inglês destronando o mito Winston Churchill. Paulo Nobre despreza um milagre em carne e osso e chora por Alan Kardec, perna de pau de luxo. Nem corintiano seria tão cruel.

    Zé Teodoro

    Tem tudo nas mãos para classificar o ABC. O jogo contra o Vasco pede o esquema que ele usa contra o Macapá do Mereto. Prudência total. É ser coerente.

    Oliveira Canindé

    Boa declaração quando compara o exemplo do América na Copa do Brasil ao do Fluminense, derrotado, humilhado e desclassificado pelo próprio América. Sem salto alto na volta.

    Diferença

    Algum cientista – que não seja boçal – precisa explicar o porquê de ABC e América jogando bem na Copa do Brasil e tão diferente na Série B. Prêmio, bicho, dinheiro. Não, de jeito nenhum passa o caso por cifrão.

    Paulo Baier

    Triste do futebol de um país em que Paulo Baier, 39 anos, usa a camisa 10 de um time de Primeira Divisão e faz um gol de calcanhar, ainda que anulado. O veterano do Criciúma um dia foi Paulo César, lateral-direito dispensado por Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo.

    Segurança

    Treinos da seleção de Dunga terão mais seguranças. Certo. O povo merece proteção de futebol feio.

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      Ado, o príncipe e o plebeu – Rubens Lemos Filho

      O futebol brasileiro teve um Ado galã. Goleiro do Corinthians, chegou a colecionar sete namoradas. Ficava com uma a cada dia da semana. Loiro, madeixas sobre os ombros, protótipo masculino desejado pelo mulherio nos anos 1970.

      Ado aparecia em revistas de moda, foi convidado a participar de telenovelas, um dia foi titular da seleção brasileira numa derrota por 2×0 para a Argentina, auge do complô que derrubou o jornalista João Saldanha do comando do time que seria tricampeão com Zagallo de técnico e Ado de reserva imediato de Félix, o mais humilhado pentacampeão de todos os tempos.

      De recursos limitados, Félix, já falecido, chorava quando algum locutor dizia: “O Brasil foi tricampeão, apesar do Félix”. Félix falhou em alguns jogos, mas fez defesas cruciais contra a Inglaterra e na decisão contra a Itália, quando o placar marcava 0×0 até o triunfal 4×1. Ado estava na reserva de Félix.

      O Ado goleiro, bonito como um príncipe de passarela de roupas extravagantes, virou sapo. Sucumbiu ao Corinthians amaldiçoado e sem títulos e perambulou por times pequenos, até encerrar a carreira mantendo nos velhos álbuns de figurinha e nas revistas mofadas o charme do movimento das luvas desatando a cabeleira.

      Depois dele, a versão nem tão formosa. Ado, o ponta-esquerda fulminado por um chute imperdoável. O pênalti é a sentença em que o carrasco algumas vezes acaba vítima. Fiquei comovido, sério, ao ver um belo programa exibido pela ESPN Brasil sobre o Bangu, que foi de Castor de Andrade e hoje patina em decadência. O clímax da produção foi uma entrevista com Ado, um dos titulares do time vice-campeão brasileiro de 1985.

      Quase trinta anos atrás, o Bangu sorvia a glória do lucro do Jogo do Bicho. Tinha um bom time e um craque trágico, Marinho, um sambista ponta-direita, mestre-sala dos dribles e da irreverência. Marinho ganhou fama em 85, conduzindo os companheiros a uma campanha consagradora.

      Antes de contar o final do drama dos 11 que entraram em campo contra o Coritiba, é dever informar que Marinho foi convocado para a seleção brasileira, vendido caro ao Botafogo. Lá estava quando o filho pequeno, de 3 anos, morreu afogado na piscina da mansão onde morava. Abandonado pela mulher, foi morar dentro do carro importado que tinha, tomando banho de perfume.

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      Tempos passados, transitando a pé, Marinho treinava o time juvenil do Bangu, com o rosto desgastado pela falta de razão de viver. Voltemos ao conto de fadas. O Bangu atropelou os grandes beneficiado pela forma esdrúxula do campeonato de 85. Figurou na Série B, de onde saiu na segunda fase para enfrentar o que restava da elite brasileira, cuja seleção era treinada por Evaristo de Macedo e era o sonho de consumo do atacante Jacozinho, do CSA, caricata figura criada pelo repórter alagoano Márcio Canuto.

      O Bangu, que foi campeão carioca em 1933 e 1966, achava que não seria preciso aguardar 1999 (que terminou sem que nada também fosse ganho). Chegou à final superlotando o Maracanã. Mais de 120 mil flamenguistas, vascaínos, tricolores e botafoguenses se coligavam à milícia de Moça Bonita, torcendo pelo vermelho e branco do subúrbio.

      Marinho, logo no início, fez de cabeça o 1×0 que prenunciava a festa. No segundo tempo, numa falta despretensiosa, Índio, um centroavante que depois andaria pelo ABC e pelo América, empatou o jogo. O drama, lento como as agonias que se prezam, foram os pênaltis. Um a um, os jogadores de cada time batiam e marcavam: 4×4.

      Antes que Gomes do Coritiba cobrasse o último, o ponta Ado nem olhou para a massa assustadora que se comprimia no estádio. Bateu como sempre. De canhota e rasteiro. Um tapa do vento ou do destino, desenhou uma curva na bola que saiu pela linha de fundo. Gomes, fez o dele e o Coritiba ganhou a Taça.

      Revendo o lance, 29 anos mais velho, sinto que a ruína do Bangu começou ali. Ado põe as mãos na cabeça, impotente como o banhista que vê, desesperado e sem coragem, o náufrago se debatendo até desaparecer no mar. Meses depois, o Bangu seria a corja da espécie futebolística, mutilando Zico num pontapé do lateral Márcio Rossini.

      Na década seguinte, sem o guarda-chuva de Castor de Andrade, morto, virou uma imagem turva do passado. Hoje, se debate, cadáver implorando ajuda. O depoimento do ex-ponta-esquerda, que depois só perambulou em vários clubes, é de um humanismo arrepiante. “Tenho vergonha da minha mulher, dos meus filhos”. Ado fala chorando, câmera em close. Como se fosse um criminoso arrependido, refém de um pecado que nem o tempo conseguiu apagar.”

       

      Emoção

      Dois momentos foram emocionantes e deram um toque humano à surra aplicada pelo América no Atlético (PR). A imagem da massa em catarse, transformando uma casa insípida numa Arena Vermelha pulsando, coração batendo de alegria num carnaval antecipado.

      Pimpão

      O outro instante mágico veio primeiro. No golaço de Rodrigo Pimpão, toque macio, malicioso, fatal, sem força, com jeito, matando o goleiro do Atlético. Rodrigo Pimpão está jogando um futebol alucinante. Completou uma jogada que consagra a simplicidade boleira. O toque de pé em pé até o gol.

      Pênalti

      Pênalti duvidoso também abençoa os valentes ABC e América.

      Jogar certo

      O ABC empatou com o Vasco também porque jogou certo na ocasião apropriada. Soube esperar o adversário, mesmo recuando cedo, mas usou o contra-ataque e aproveitou o meio-campo aberto do adversário. O ABC poderia ser mais coerente e agir sempre assim.

      O camisa 10

      Nem que venha da Eslováquia, mas desde que seja bom, o camisa 10 é indispensável ao alvinegro.

      Há 40 anos, clássico

      O América conquistou seu primeiro título estadual no saudoso Castelão (Machadão) em 1974 e um dos momentos marcantes foi a vitória sobre o ABC, que hoje completa 40 anos. Placar de 3×1 com 18.209 pagantes no estádio. Gols: Santa Cruz e Jangada (2) para o América e Edson para o ABC.

      Times

      América: Otávio; Ivan Silva, Mário Braga, Djalma e Sousa; Edinho, Garcia e Hélcio Jacaré (Bagadão); Jangada, Santa Cruz (Reinaldo) e Gilson Porto. ABC: Renato 74; Sabará, Edson, Aldeci e Anchieta; Maranhão, Danilo Menezes e Alberi; Libânio (Valmir), Jorge Demolidor e Morais.

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        Ele sabia seu lugar – Rubens Lemos Filho

        Neivaldo Pinto de Carvalho morreu em 2006, vítima de infarto depois de viver em paz. Neivaldo sempre foi um cidadão sereno, de bom astral e consciente dos seus limites. Neivaldo, mineiro de Venda Nova, jogava futebol e (sempre) estará longe das antologias reunidas sobre virtuosos.

        Acontece que a maior das qualidades de Neivaldo era saber até onde podia chegar. Neivaldo significava reconhecer seus defeitos, não avançar o sinal, enxergar o óbvio, se contentar com o permitido, nunca exercitar a inveja.

        Neivaldo está fora de um time cada vez mais lotado. Numa hipotética pelada entre seus integrantes vorazes, cada perna de pau teria direito a jogar apenas cinco minutos. Neivaldo nunca atuou no time dos invejosos.

        Repare bem no invejoso ou no rancoroso. Ou no invejoso rancoroso. Ou melhor, observe e depois dê-lhe o melhor dos destinos: o lixo do desprezo. O paupérrimo de caráter e humanidade, de calor na personalidade, é insípido, arrogante, frio e torce menos por ele e mais pelo fracasso dos outros.

        Acenda o seu perigômetro sempre que ouvir ou ler alguém desclassificando os outros de graça, sem razões que não a própria razão dele existir: nenhuma. O gosto da frustração é de vinagre, dizem alguns, mas não cometerei injustiças porque jamais provei dessa bebida de fórmula asquerosa.

        É o que não consegue honestamente o objetivo e torce pelo insucesso de quem alcança algum reconhecimento. É aquele ou aquela que despreza e torce contra quando o alvo da sua peçonha segue sua vida lutando. Ele a se contaminar da própria saliva com sabor de Novalgina, remédio dos mais terríveis.

        Um tipo de gente bem diferente do falecido Neivaldo. Um cara que só fez amigos, jamais foi ambicioso, presunçoso ou achou, algum minuto, que pudesse ser o que não era. Neivaldo foi reserva dez anos de Mané Garrincha. O primeiro que socorria o gênio quando algum marcador covarde atingia as pernas tortas simétricas ao seu destino.

        Neivaldo, com boa vontade, jogava cinco minutos a cada seis meses, fazia parte das delegações que excursionavam pelo mundo inteiro apenas pelo bom caráter. Neivaldo aplaudia Mané Garrincha e sequer imitava seus dribles. Neivaldo sabia que era Neivaldo. E pronto.

        Notícia ruim não é piada

        O bizarro é grotesco, nunca engraçado. A notícia surrealista do assalto ao motorista do ônibus da Polícia Militar é o “Segura na Mão de Deus e Vai” da falência na segurança pública. Quando bandidos perdem o respeito a um policial fardado, invadem um veículo identificado e cometem o escárnio da inversão de valores, a sociedade está nua.

        O fato que tomou redes sociais e deixou boquiabertos os cidadãos responsáveis, não é piada. É muito sério. É para que os homens da política reflitam. Especialmente legisladores. Há que se endurecer sem ternura alguma contra o crime que sentou na cadeira soberana da ordem, botou os pés sobre a mesa e debochou solenemente da indignação dos bons.

        Os policiais são preparados, armados e treinados para agir. Mas são tolhidos por leis oportunistas e um Código Penal de Dinamarca. Somente as gerações daqui a quatro milênios verão um país igual, justo e com escola para todos. Hoje, é preciso curar o cancro criado pelos que nada fizeram ao longo do tempo, babando o discurso asqueroso da defesa hipócrita dos marginais.

        Penas duras, cumprimento integral, a depender da gravidade do caso, redução da maioridade penal e o direito de o policial atirar quando se sentir ameaçado de morte para não morrer pensando em segundos se vale a pena viver ou ser execrado pelos sacripantas de entidades protetoras de facínoras, mas que não aceitam criá-los, ou levá-los para a casa dos seus dirigentes.

        Tomara que de jeito nenhum, mas se um dia o Quartel do Comando-Geral da PM for invadido, alguém vai entender que o caos é vivo e venenoso. Por enquanto, a onda de protesto parte de quem é vítima, de quem conhece uma vítima ou de quem teme ser a próxima. Há os avestruzes. Que enterram a cabeça na areia da omissão covarde sem cuidados com a própria retaguarda.

        Arthur Maia

        Arthur Maia quase voltou, mas permanece fora do time do América hoje contra o Atlético (PR). Após longa contusão, o astro do Estadual teria o desafio de mostrar que é bom também contra times de qualidade muito maior.

        Time

        O América deve começar com Andrey, Marcelinho, Cléber, Lázaro e Arthur Henrique; Val, Márcio Passos, Fabinho e Morais; Pimpão e Max. Morais e Pimpão, as esperanças maiores. Fabinho não vem sendo Fabinho.

        Resultado

        O empate com gol fora de casa foi excepcional para o ABC contra o Vasco. Mais ainda como perspectiva de renda para o jogo da volta. O placar que Zé Teodoro gosta é 0×0 e basta o ABC fazer do jeito do chefe que elimina o Vice-Almirante.

        O jogo

        João Paulo finalizou certo e Somália quase fez 2×0 no primeiro tempo. O ABC teria incendiado São Januário. Recuou e Kléber empatou em falha defensiva. Times iguais, técnicos clonados.

        Cancha

        O Atlético (PR) vem a Natal com cancha de favorito. Para a imprensa paranaense. O América, pelo exemplo da eliminação do Fluminense, mostrou que todo mundo é brasileiro (não mais japonês) pelo país inteiro.

        Notícia boa

        Mas é nos Estados Unidos. Após enfrentar um bando de assaltantes e expulsá-los na porrada na loja onde trabalhava, o lutador de MMA Mayura Dissanayake voltou a treinar e a competir. E em sua primeira luta após o incidente, ele mostrou que tem qualidades esportivas e nocauteou seu adversário, Jaime Garcia, em apenas 18 segundos de combate, com um nocaute técnico no chão após aplicar um cruzado de esquerda de encontro.

        Famoso e feliz

        O evento amador, que misturava lutas de MMA e de muay thai, aconteceu no último sábado em Houston. Nascido no Sri Lanka e morando nos EUA há dois anos, Dissanayake iniciou-se nas lutas praticando Sanda, o boxe chinês, e depois passou a treinar MMA.

        Surra

        Mayura Dissanayake ficou famoso após reagir no dia 10 de julho deste ano a um assalto no posto de gasolina aonde trabalhava como atendente da loja de conveniência, espancando os ladrões e os fazendo fugir sem roubar nada.

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          O capacete – Rubens Lemos Filho

          O Figura estava em falta faz quase dois anos. Na última vez que nos vimos, rolou estresse, ele contando vantagem por esconder a sogra fofoqueira e intrometida dentro de uma embalagem de frigobar. Achei maldade. Ele reapareceu do nada, na hora em que eu tentava botar o primeiro garfo da comida de passarinho que os médicos estão me impondo.

          Preocupado o Figura. Com tanto assalto, assassinato e arrastão. Cometeu subliteratura fúnebre: “Que Rio Grande do Norte? Nós vivemos mesmo é no Rio Grande da Morte.” Depois de uma maratona de exames, suspenses e recomendações de mudança total de estilo de vida, tudo o que não quero é escutar desgraça.

          Acontece que a desgraça não pede licença. Entra macabra e cínica,em nossos televisores, rádios, computadores, telefones, ouvidos cansados. A desgraça da violência, do sangue derramado, do cadáver esparramado, da prefeitura que carimba caixão de pobre em Mossoró, terra liberta e que não combina com tamanha aberração.

          Segundo o Figura, que tomou assento sem receber convite, em qualquer roda de bar, um olho no copo e outro na porta com medo de ladrão em bando, é comum patotas derrubando litros de cachaça e apostando sobre quantos morrem a cada fim de semana. Dinheiro bizarro, mas é razoável gastá-lo assim do que entregá-lo aos vagabundos.

          O Figura está com pânico especial. De motoqueiros sinistros circulando à noite. O carona com as mãos no blusão ou perto da cintura. Desce, aterroriza, leva o dinheiro e, se estiver a fim, escolhe alguém para despachar ao cemitério, por perversidade.

          Para o Figura, o ideal seria o Detran, em imitação ao nonsense da pintura de caixões, identificar todos os capacetes. Você já saberia que Severlândio estava na moto e Judileudo na garupa. Tenho, sim, uma atração para gente que gosta de tirar o meu sossego.

          Passei dois minutos imaginando a multidão pintando capacete por Natal inteira. E sendo registrada pela polícia. Resolvi me contrapor à proposta de lei do Figura: “Se o ladrão rouba o capacete de sujeito honesto e mata outro? Câmeras e testemunhas vão acusar um inocente. Tem jeito não Figura, só tem jeito mudando o Código Penal, reduzindo a maioridade de criminoso, e, em alguns casos incuráveis, adotando leis norte-americanas”.

          Passando a mão no peito de frango que (eu) havia guardado para o final, Figura pensou como filósofo ensovacado, que circula com livro debaixo do braço sem jamais ter lido algum: “O jeito é chamar Maurílio Pinto”. Expulsei o Figura. A falta que faz a força do Xerife de Natal dá gastrite cidadã.

           

          Sem expectativas

          O mais indicado para o torcedor do ABC hoje em relação ao jogo contra o Vasco (RJ) pela Copa do Brasil é não esperar nada, assistir como se tudo pudesse acontecer. O ABC – o América também -, ganha quando ninguém espera e comete um fiasco na hora em que a massa está mais animada e esperançosa.

           

          Nada a temer

          O Vasco não merece temor. É um timinho. Bem diferente do painel desenhado em São Januário com os seguintes ídolos: Barbosa, Bellini, Ademir Menezes, Roberto Dinamite, Geovani, Carlos Germano, Edmundo, Romário, Pedrinho, Felipe e Juninho Pernambucano. Esqueceram outros tantos. E depois não me querem dar razão.

          Pendurados

          É um time inteiro de pendurados por cartão amarelo no América. São 11 jogadores num momento de dificuldade. Estão ameaçados Marcelinho, Cléber, Roberto Dias, Paulo Henrique, Wanderson, Márcio Passos, Val, Jeferson, Daniel Costa, Morais e Max.

          Multa

          Existe uma solução mágica para diminuir esse volume inexplicável: multa. Doeu no bolso, todo mundo amansa.

          João Paulo e Gilmar

          João Paulo parece ter feito um curso de pontaria com o contundido Gilmar. Depois de um bom começo, passou a ciscar e a chutar longe, revelando um erro de origem. Faltou alguém na categoria de base para enxergar que João Paulo, um atacante, não sobrevive arrematando tão mal.

          Um camisa 10

          Vinicius, do Náutico, demonstrou um futebol bem satisfatório para um camisa 10 de Série B. Ainda que possa ter sido temporã sua atuação diante do América, exibiu criatividade e ímpeto ofensivo. Bom jogador. Durante quantas rodadas, impossível garantir.

          Ganso

          E por falar em camisa 10, Dunga preferiu convocar Hulk e Willian a dar uma chance a Paulo Henrique Ganso, do São Paulo, o oscilante e genial meia-armador do São Paulo. O golaço de Ganso contra o Santos, batendo com um efeito devastador, lembrou as patadas de Pedro Rocha, o caudilho uruguaio, nos bons idos da década de 1970.

          Cabeção e bocão

          Líder da parte pobre do Bom Senso Futebol Clube, movimento de jogadores – alguns milionários que nunca demonstraram qualquer consciência coletiva – por melhores condições de trabalho, o veterano Ruy Cabeção segue exagerando na dose verbal e, de novo, chamou de desonestos os dirigentes de clube. Que existem, existem, mas é preciso ter cuidado com generalização.

          Aparecer

          Ruy Cabeção pediu cadeia aos caloteiros e voltou a detalhar o caos interno no Alecrim quando comandado pelo inglês que Passe Livre se recusa a digitar o nome por questão de princípio. Ruy Cabeção tem suas razões, mas vive falando demais. Ao site Globo Esporte.com expôs situações constrangedoras, vividas por ex-colegas de time em Natal. Provações que não precisam ser escancaradas. É muito humilhante.

          Preço do Verdão

          O Alecrim, clube querido por todos, sem exceção, está sofrendo uma ressaca incurável por ter se entregue, sem critérios, de forma graciosa, a um desconhecido estrangeiro que chegou ao Rio Grande do Norte contando vantagem e impondo truculência. O Alecrim foi de uma ingenuidade mirim.

          Natal é assim

          Natal é assim, do jeito que agiu o Alecrim. Filho da terra sofre em dobro se quiser ser empreendedor, se disputar uma vaga no mercado de trabalho com forasteiro, para ser valorizado quando tem talento. Marinho Chagas era estrela quando passava da divisa. Aqui, crocodilos lacrimejaram quando Marinho Chagas virou cadáver.

          Série D

          O Baraúnas venceu e o Globo perdeu na Série D, o faroeste caboclo do futebol brasileiro. O desempenho dos representantes potiguares, lutando para não fugir da rabeira, é o retrato daquilo que raras vozes se levantam para dizer quando é tempo de Campeonato Estadual: a bola jogada com carteira profissional, se joga em fundo de quintal.

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            ABC e América, crueldade – Rubens Lemos Filho

            ABC e América estão brincando com suas torcidas. Estão exercendo com crueldade a demagogia futebolística. Não se pode zombar do amor clubístico e os dois rivais da terrinha estão sendo prestigiados pelo público, seja na Arena das Dunas, seja no Frasqueirão.

            O torcedor é um ente feito de paixão, sentimento cego de exaltação de comportamento e preferência. Desdenhar de sentimento é esfaquear a alma humana. ABC e América estão tripudiando dos seus seguidores. E isto é crime de lesa-futebol.

            Começaram dando a impressão de que brigariam pelo acesso e hoje oscilam entre o bloco intermediário e a proximidade temerária da Zona de Rebaixamento. O ABC está em 11o lugar e o América em 14o, apenas quatro pontos à frente dos famigerados do descenso hipotético.

            O ABC machucou a Frasqueira entrando em campo com 11 camisas, 11 jogadores e nenhum futebol. Perdeu para o Vila Nova, lanterninha, dentro de casa. E jogou com três cabeças de área, três marcadores no setor vital do meio-campo, que faz(ou deveria fazer), a bola chegar ao ataque.

            Pior para quem saiu de casa e se arriscou na noite do sábado na quarta cidade mais violenta do Brasil. Viu dois bagaços que mancharam a camisa alvinegra festejando a vitória do ex-degolado. O meia Júnior Xuxa e o atacante Jheymi completaram o cenário melancólico.

            O América foi ao Recife enfrentar o Náutico e manteve o padrão do jogo contra a Ponte Preta. Time sem personalidade e ímpeto, componentes decisivos para a gloriosa classificação na Copa doBrasil em cima do Fluminense.

            Igual ou tão abominável quanto o futebol jogado por ABC e América, é o padrão explicativo dos seus técnicos. Dá vontade de ser fanático religioso, vestir camisa de manga comprida até o punho, calça de tergal, olhar o mais rútilo dos olhares e gritar: “Perdoai, eles não sabem o que dizem”.

             

            Lição Global

            O empresário Marcone Barreto – com quem conversei uma vez e não mais que 10 minutos – está cumprindo seu planejamento para o Globo de Ceará-Mirim. Trabalho de base resultou na conquista do campeonato sub-19.

            Lição e constatação

            A conquista do Globo, que recruta seus talentos nos verdes canaviais do Mato Grande , dando espaço a crianças pobres, é uma patada e um atestado de falência do modelo adotado pelos ditos clubes grandes. Nilton Santos ensinou: “Escolinha de futebol hoje é para rico, para quem pode pagar. E desde quando rico joga bola?” O Globo provou que não.

            No América

            América planeja mudanças radicais e vai terceirizar suas categorias de base. Uma espécie de licitação ética. Só um grupo vai tomar conta. Vai servir para desinfetar os abutres que se dizem empresários e não passam de estelionatários sangrando clubes. Nada tenho contra ninguém, mas gostaria de ver o craque Souza tomando conta das bases do América.

            O ídolo

            O ídolo ilumina, estimula, torna-se exemplo a ser alcançado. E o empresário parceiro de Souza (que não conheço e nem sei se é gordo, preto, branco ou magro), não tem histórico de safadeza.

            No ABC

            No ABC, lembro de duas safras que renderam títulos e grana para o clube. A de 1976/77 com Leonel, Gelson, Tinho, Berg, Zezinho Pelé, Beto Bispo e a de 1984, com Alciney, Adalberto, Luís Oliveira (zagueiraço), Tiê, Tião e Coquinha. Coquinha era um meia gordinho das Rocas, de alta criatividade. Preferiu pescar e deixou a redondinha.

            Professores

            Na primeira, Maranhão, ex-volante e Ferdinando Teixeira lapidaram os garotos. Na segunda, a da década de 1980, foi o professor Armando Viana, figura de boa ideologia que saiu do futebol.

            Vice, não

            O Vasco decidiu afugentar a fama de vice. Resolveu deixar o Icasa empatar no último minuto, frangaço de granja do goleiro Martin Silva e agora é o terceiro colocado na Série B. Não deixa de ser uma postura elogiável. Essa pecha de vice já estava cansando. Qualquer coisa, é descer mais na tabela de classificação. Time e técnico não faltam para o caso de ser este o objetivo.

            Dívidas

            O projeto que cria regras para o refinanciamento das dívidas dos clubes de futebol (PL 5201/13) deverá ser votado em outubro, após as eleições gerais. Dias atrás, jogadores de futebol que integram o movimento Bom Senso F.C.(Bom Senso só para milionários) estiveram na Câmara para discutir a proposta com deputados.

             

            Responsabilidade Fiscal

            Jogadores são contra o texto, por considerar insuficientes a fiscalização prevista e a punição para os clubes inadimplentes. Eles apresentaram sugestões de emendas aos parlamentares.A proposta, anteriormente conhecida como Proforte, é chamada de Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte.

            Comissão aprovou

            O texto foi aprovado em comissão especial em maio e está pronto para análise do Plenário. O relator foi o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que participou da reunião de deputados com os jogadores.

            Professor

            Ótimo papo com o professor e ex-candidato a reitor Manoel Lucas Filho, eu e ele testando as coronárias. Boas ideias sobre futebol. O cara conhece um bocado e foi jogador amador.

            Deplorável

            A Fifa produziu material analisando a Copa do Mundo em vários aspectos, entre os quais o comportamento dos times no torneio. E a entidade definiu como “deplorável” o comportamento da seleção brasileira na goleada sofrida por 7 a 1 contra a Alemanha, pelas semifinais, 8 de julho, no Mineirão.

            Sem forças

            O Brasil não teve forças para se reerguer na disputa pelo terceiro lugar, contra a Holanda, acrescentou a Fifa.”Uma atuação deplorável contra a Alemanha encerrou a esperança brasileira de conquistar título em seu país, e o anfitrião tampouco conseguiu se reabilitar para a partida valendo o terceiro lugar [perdeu para a Holanda por 3 a 0]“, informou trecho de relatório da Fifa.

            Sumiço

            “Durante sete minutos, a seleção brasileira sumiu em campo [quando levou quatro gols da Alemanha]“, acrescentou o material.O relatório sobre Copa do Mundo enviado à imprensa tem como intuito convocar profissionais de mídia para conferências relacionadas à Copa do Mundo.

            Time ruim

            Na análise da Fifa, o time comandado por Felipão não apresentou bom futebol na Copa.”Desde o começo da Copa, o Brasil não convenceu por um todo. Seu ataque não funcionou como se esperava e a defesa apresentou certos problemas de coordenação”.

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              Fake, a besta – Rubens Lemos Filho

              Nas tragédias deliciosas de Nelson Rodrigues, havia o bilhete ardiloso e a carta anônima. Irmãs invejosas criavam e denunciavam adultérios de belas e dóceis mulheres a namorados que se jogavam sob trens ou lotações, como eram chamados os ônibus de antigamente. As frustradas triunfavam silenciosas e sua caligrafia sintetizava o fel da perfeição.

              O fantasma- anjo-cruel e genial com uma máquina Olivetti, também escreveu histórias sobre telefonemas misteriosos. Casamentos marcados eram desfeitos quando Ofélia ou Dagmar, dentre tantas personagens, avisava, lenço ao bocal do telefone, que Obdulinho, o noivo, estava de sirigaita nova, mantida com quitinete e Simca Chambord.

              Luíza, a noiva de enxoval pronto, da pureza literária em vários contos de Nelson Rodrigues, tomava Formicida Tatu, encerrando sua dor pranteada pelo caluniado. A autora do telefonema ria, sorrateira.

              O anonimato para o mal é o veneno das serpentes de moral invertebrada. Modernizou-se, como tudo na vida. Se há carros, casas, prédios, aparelhos de som e televisão, nomes diferentes, há novos métodos para os que trouxeram na formação, a deformação de caráter como estampa e figurino.

              O bina telefônico, o identificador de chamadas, amenizou a criatividade das candinhas de catálogo. Hoje, trabalham usando orelhões facilmente detectados por modernos equipamentos policiais. Descobre-se tudo e o trote, que já separou marido de mulher, causou suicídios e infortúnios, deixou de ser um punhal tão perfurante.

              Surgiu o e-mail, que é a carta eletrônica. Rápida e eficiente. Nelson Rodrigues já estava morto há quase duas décadas quando a internet chegou para atiçar egos e democratizar a mediocridade. Começou a onda de e-mails anônimos. O sujeito comprava um carro e o invejoso escrevia para o jornal dizendo que era fruto de roubo. Com nome falso, porque fake quer dizer falso. Em inglês.

              O cabloco arrumava uma namorada bonita e o frustrado, que não descolava ninguém, nem o pior bagulho, a acusava em longas listas de ser prostituta. Tudo escondido. O falso institucionalizado, que utilizava o e-mail já começou a levar bordoadas. A tecnologia, que parece antipatizar os covardes cibernéticos, criou o descobridor de IPs, na linguagem da informática, o DNA do computador de onde saem as podridões.

              A Justiça, se for acionada, pode revelar a máscara dos apócrifos e o agredido, empanturrá-lo de processos. A pena é que deveria ser forte, pois a emboscada contra a honra dói no atingido e em sua família.

              O fake, em sua marcha dionisíaca, descobriu o twitter. A febre que vicia inteligentes e asnos. Mulheres interessantes e pueris. Gente digna e pústulas. São criados perfis falsos que achacam, agridem e insultam quem que não seja simpático a(ao) sociopata capaz de utilizar palavrões e caluniar a vida alheia.

              Observo homens e mulheres, pais e mães de família alvejados pelas costas. Pelas costas sim. Mesmo no twitter, onde todo mundo se vê numa foto apelidada de avatar, joga-se baixo como quem atira por trás, como os lacaios a soldo. Levei bordoada de fake. Não respondi. Dei-lhe um bloqueio, que é uma espécie de bordoada virtual.

              Fake, além de falso, é burro. Seu conteúdo é a maldade do seu rosto que se apresenta em público. No estilo da escrita, na expressão literal do desprezo. Na Inglaterra, um político multiplicava sua face oculta em vários nomes mentirosos, agredindo seus adversários. Foi descoberto. Bateu num inimigo a milhas de distância, na Califórnia, onde o Tribunal irá julgá-lo. Que seja condenado e o exemplo seguido no Brasil.

              O fake é a face pantanosa do subconsciente criminoso. O seu rosto é uma máscara, sua vida é uma farsa, sua infelicidade é um deserto, seu grau de perversidade é o refúgio do seu próprio fracasso. Há pessoas que não podem se olhar no espelho. O fake é o seu clone físico e doentio.

              O ABC

              O ABC está em namoros justos com o lateral-direito Renato. E que jogador ele é. tem que se falar todo dia nele. dane-se que se machuca um bocado. Quando joga, faz todo mundo babar de adoração. Tanto elogio e Renato não me desminta esta noite. Jogo que sacode alvinegros das quintas aos condomínios da Getúlio Vargas. O Frasqueirão é democrático. É do povo.

              O América

              O América tem sofrido com contusões excessivas e banais. O goleiro Andrey foi um exemplo sucedido pelo próprio sucessor, Fernando Henrique. Andrey está retomando o prumo, tem personalidade e, em forma, é um dos melhores goleiros do Brasil. Sim, do Brasil, que não tem ninguém para você chamar de Taffarel, Barbosa, Gilmar dos Santos Neves ou Carlos Castilho, a Leiteria.

              Alarme de consultor

              A Pluri Consultoria, especializada em finanças do esporte, aponta um prejuízo de quase um bilhão de reais naqueles que listou como os 27 maiores clubes brasileiros. Imagine se fosse verificar a situação dos Cururipes e Macapás da vida.

              Depressão

              O futebol está depressão moral pelo vexame na Copa do Mundo e financeiro pelos altos custos, incluam-se salários astronômicos pagos a nulidades, violência nos estádios e entornos e preços segregadores expulsando o torcedor. Sem falar em jogo marcado para dez da noite e o nível “defuntório” das peladas de luxo.

              Choradeira

              O último ano marcou uma piora quase generalizada dos números e indicadores consolidados dos balanços dos 27 clubes de maior faturamento do País. Como é tradição nos clubes brasileiros, um menor volume de receitas não foi empecilho para um aumento das despesas, que subiram 20,2% e atingiram R$ 3,8 bilhões, o que gerou um prejuízo líquido de 445,6 milhões no exercício (contra um lucro de R$ 5,3 milhões em 2012).

              Em queda

              Foi o 2o maior déficit da história do futebol Brasileiro. Nos últimos 8 anos, os clubes já perderam R$ 2,42 bilhões. É isto que precisa ser urgentemente estancado. A principal falha da atual Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (LRFE) é não limitar os prejuízos dos clubes, razão dos elevados endividamentos.

              Contrapartidas

              Concentrar as contrapartidas em pagamentos de salários e tributos não é suficiente para garantir o equilíbrio das contas dos clubes. É preciso limitar a última linha do balanço. É o que pensam os sábios consultores.

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                Alciney e o caminho certo – Rubens Lemos Filho

                Alciney jogava tanta bola, mas tanta bola, que Deus preferiu abrir mão de um pastor. Alciney é evangélico. O Fininho, um dos amigos que quero mais bem na vida, simplesmente flutuava em campo, numa classe de regente austríaco.

                Alciney jogava de volante. Cabeça de área uma ova, cabeça de área é chamar para um duelo de pistola. Alciney tirava a bola do adversário numa simplicidade irritante, sem machucá-lo, jogava de cabeça erguida, passos largos, passes medidos, dribles miúdos trazidos na sacola do futebol de salão, do qual teria sido um dos melhores do país.

                Foi o melhor e mais sensato de um geração brilhante revelada pelo ABC em 1984 quando havia categoria de base voltada ao futebol e não à criação de lutadores ou maratonistas. Alciney é do tempo em que menino gostava de bola tanto quanto de mulher, até pela fase da puberdade ainda não ter explodido.

                Saí muitas vezes a pé e satisfeito, para ver Alciney jogar no Estádio Juvenal Lamartine, a duas quadras da casa onde até hoje vive minha mãe e onde morei minha infância e adolescência, noves fora os intervalos para exílios terríveis. Nunca vou gostar de viajar porque sempre que viajei jovem, viajei obrigado, à força, contrafeito, traumatizado.

                É outro papo. Estou escrevendo é sobre Alciney Wanderley, criança ali perto do cabaré de Maria Boa, filho muito bem criado pela saudosa e alegre dona Zélia, estudante do Colégio Imaculada Conceição, território onde sua geração aprendeu a reverenciá-lo como craque acima do normal.

                Alciney que conheci por um amigo comum, Derocy Fernandes, Deró que na encarnação passada (se é que existe reencarnação, eu acredito) era um time de futebol de botão, seu vício vesperal de sábado há duzentos anos.

                Deró me levou a Alciney e desde os anos 1980 somos três amigos não necessariamente frequentes, mas certamente sólidos e intocáveis. Mexer com um dos dois é virar meu inimigo.

                No tempo do Juvenal Lamartine, Alciney lançava longo para o ataque depois de dominar a bola com fleuma chanceler. O gramado, uma buraqueira e ele lá, parecendo passear pelos salões do Palácio de Buckingham.

                Sempre observei algo de britânico em Alciney. Mesmo quando estava no ônibus lotado que o levava para casa, do treino em Morro Branco, antiga sede do ABC.

                Sempre foi pontual, meticuloso e nunca chamou palavrão, o que era inadmissível para um boca-suja assumido feito eu, que considera o palavrão essencial para a prevenção ao ataque cardíaco.

                ———-

                Quem viu futebol em Natal nos últimos 10 anos, só viu um volante de futebol assemelhado ao de Alciney no ABC. O fabuloso crioulo Ricardo Oliveira. Ambos técnicos, criativos e desmoralizadores de meio-campistas. Jogavam olhando para o horizonte, sem o menor sinal de incômodo com o barulho da torcida.

                Depois que saiu do ABC, Alciney jogou em Minas Gerais, na Ferroviária de Araraquara e plantou sementes firmes em Santa Catarina, ídolo do Joinville e campeão pelo Criciúma. Lá, jogava com a camisa 10. Cheguei a vê-lo por aqui em jogo de Campeonato Brasileiro, marcando, sem pancadas, o esplendoroso Geovani, que passou breve temporada no ABC.

                Alciney, durante certo período, jogava futebol profissional, estudava(formou-se em Educação Física) e trabalhava à noite num banco, no setor de compensaçãoo de cheques.

                Voltava do antigo Machadão ou do interior, direto para a agência, situada na Avenida Rio Branco, centro de Natal e depois para um colchonete. De manhã, treino. À tarde, mais treino e aula na universidade.

                Hoje, aos 48 anos e careca, Alciney está pelos Emirados Árabes, vive em Dubai, onde moram os bacanas lá dos tapetes mágicos. Virou auxiliar-técnico e estudioso sobre futebol.

                Quando conversamos, pela internet ou em suas raras visitas a Natal, concordamos muito, discordamos pouco. Ele apenas ri quando reclamo do excesso de computador e planilha e da falta de dribles e gols.

                O trabalho de Alciney é com o treinador Paulo Bonamigo, um grande amigo de Alciney, quase irmão. Eles se conheceram no tempo do Joinville, Bonamigo no comando, Alciney de capitão. Depois, formaram uma dobradinha eficiente que passou por Palmeiras, Botafogo, Portuguesa, Paraná Clube e seguiu para milhas distantes do Brasil.

                Recebi, por WhatsApp (maracatu chique é outra coisa), uma remessa de fotografias de Alciney. Ele no Bayern de Munique, campeão mundial, base da Alemanha dona do futebol e treinado pelo inalcançável Pep Guardiola.

                Alciney aparece com Rummenigge (quem não lembra do monstro alemão dos anos 1980?) e outras feras. Bom sujeito, se deixou fotografar com os zagueiros Dante, aquele cabeludo do fracasso de Felipão e Breno, o que incendiou a própria casa, foi solto e está para voltar ao São Paulo. Alciney tem sangue de barata, às vezes.

                O time de Alciney mandou-o com Bonamigo para um estágio onde se joga o melhor futebol do planeta. Para aprender com os superiores. Imagina se Dunga teria essa humildade. Alciney está evoluindo que não é bobo. Na foto, ele aparece com um certo Muller, aquele, da Copa. Uns 20 anos atrás, o Bayern seguraria Alciney por lá. Para jogar.

                 

                Náutico desfalcado

                O Náutico recebe o América em Recife sem três jogadores importantes: os zagueiros William Alves e Renato Chaves e o atacante Crislan. No meio-campo, a briga pela camisa 10 é entre o argentino Canete e Vinicius.

                Fernando Henrique

                Passe Livre na torcida para que o goleiro Fernando Henrique, do América, se recupere de sua lesão abdominal. Fernando Henrique transmite bom caráter. Impressão passada pelo ídolo alvinegro Danilo Menezes, que o conheceu. E merece todo o crédito.

                Morais

                Ainda não é certo que comece o jogo. Misericórdia.

                No Frasqueirão

                Todos os caminhos, prognósticos, palpites de fantasmas apontam para uma invasão ao Frasqueirão para o jogo contra o Vila Nova. O time não pode deixar de fazer da vitória sobre o Ceará, a epopeia de Renato, o recomeço da boa fase. O Vila Nova ganhou do Vasco, mas não quer dizer nada. Vasco é o Olaria com a Cruz de Malta.

                Ingressos

                Ainda há tempo: o torcedor poderá adquirir o ingresso antecipado de arquibancada por R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia), e para cadeiras R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia), na ABC Store e nos pontos de venda.

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                  Vice-aniversário – Rubens Lemos Filho

                  Vascaíno de verdade é masoquista ortodoxo. É vice-torcedor. Ora, o Vasco continua vice. E da Série B, depois de perder para o lanterninha, o Vila Nova de Goiás. No dia em que podia assumir o primeiro lugar, apanhou para um time que tem de ídolo, Júnior Xuxa, autor do gol da vitória de 2×1. Júnior Xuxa, refugo do ABC, é das masmorras das subcelebridades boleiras.

                  Vascaíno de verdade admira grandes nomes da imediata reserva. Jango, de vice, tornou-se Presidente da República até ser apeado pela Ditadura Militar. Jango era vice e era Vasco. Monsenhor Walfredo Gurgel, lá dos Caicós de Santana, foi vice. De Aluízio Alves que o lançou governador.

                  Monsenhor Walfredo Gurgel era vice. E era Vasco. Seu vice, Clóvis Motta, presidiu a Assembleia Legislativa e iria muito mais longe na política, não tivesse morrido tão jovem, aos 50 anos de idade. Clóvis Motta era Alecrim, muitas vezes vice nos anos 1960. Bicampeão com ele na presidência.

                  Vice de Getúlio Vargas, o natalense Café Filho foi goleiro. Do Alecrim. Um vice que a história mostrou dúbio. É que antigamente você votava no Presidente e no Vice. O titular poderia ter o imediato da chapa contrária.

                  Getúlio desprezava Café Filho e ele então juntou-se aos seus inimigos, Carlos Lacerda, o jornalista e víbora brilhante, à frente. Café Filho assumiu o Governo após o suicídio do caudilho e ainda quis impedir a posse do maior estadista brasileiro Juscelino Kubitscheck. Café foi um presidente sem atributos de grandeza e êxitos no cargo. JK foi um presidente tão bom que tinha de vice o depois defenestrado Jango, encarregado dos contatos nas áreas sindicais e trabalhistas.

                  Jango e JK hoje batem papo com alguém que um dia seria eles, Eduardo Campos, o pernambucano torcedor do Náutico, Hexa quando ele era criança e eterno vice em sua adolescência.

                  O Vasco da Gama é inspirado no navegante português. Vice-Rei da Índia. É carma secular. Vasco da Gama cruzou mares, comandou expedições descobriu terras, povos, costumes, sempre com aquela cara de marola do time de 2008, um dos piores de todos os tempos, farandola do primeiro rebaixamento.

                  Não é de hoje que o Vasco paga a prenda de vice. De 1978 a 1981, foi quatro vezes o segundo colocado, perdendo para Flamengo e uma vez para o Fluminense em 1980. Mesmo assim, o Flamengo é o maior vice brasileiro, embora seus torcedores arrogantes o coloquem como o Barcelona com Messi na reserva do adotado croata Eduardo da Silva.

                  Lembremos dos bons tempos. O Vasco foi grande forte, vitorioso e destemido, no Expresso da Vitória, dos anos 1940 até o início da década seguinte, quando conquistou o Sul-Americano, sua primeira Libertadores.

                  Uma jornada memorável com o maravilhoso goleiro Barbosa pegando pênalti na final contra o estupendo River Plate, La Máquina, de Di Stéfano, o argentino que sempre quis ser maior do que Pelé e sequer conseguiu dissipar a dúvida tríplice com Maradona e Messi na preferencia dos seus humildes compatriotas.

                  ——–

                  Quando deixava minha vice-maioridade, o Vasco me deu presentes preciosos de 18 anos de idade. É aquele time o time que me faz ver o Vasco com os olhos da alegria distante e escassa.

                  O Vasco de 1988 não tinha nada de segundo lugar, esnobava ginga com os dois melhores jogadores brasileiros da época – Geovani e Romário – e sapecou cinco vitórias consecutivas sobre o desesperado Flamengo de Bebeto, Renato Gaúcho, Leandro, Andrade, Jorginho, Zinho e Leonardo.

                  Há um jogo especial para mim. A segunda das cipoadas da Quina, como a imprensa apelidou a série de surras naquele tempo. O Vasco havia dado um show no domingo anterior, vencendo de 3×1, dois gols de Sorato, um de Vivinho. Não fez mais por piedade.

                  O Vasco venceu de virada e o melhor do jogo, maravilhoso, aconteceu antes. Elegante, espigado, de paletó e gravata de linho italiano, mocassim, Valdir Pereira, o Didi, patriarca dos meio-campistas brasileiros e bicampeão mundial pela seleção brasileira em 1958/62, ocupava a Tribuna de Honra do Ex-Maracanã.

                  Repórteres deixavam o gramado, abandonavam os boleiros tensos antes da partida e procuravam o Mestre, incomodado com o assédio que ultrapassara as glórias dos lançamentos, dribles e chutes de curva.

                  Perguntaram a Didi quem, daqueles 22, jogaria no seu tempo. Monossilábico, não demorou centésimos: “Só Geovani, Geovani do Vasco, que é craque e joga bonito”. Nenhuma dissertação teórica valerá mais do que a verdade do gênio.

                  Geovani não ouviu mas retribuiu. O Flamengo fez 1×0. Bebeto saiu para provocar a torcida do Vasco. Soltando beijinhos. No segundo tempo, Geovani, mago esquecido, fintou Andrade, puxou em elástico a bola do pé direito ao esquerdo e lançou de 40 metros para o jovem Bismarck.

                  Bismarck cortou, de uma vez, o zagueiro Edinho e Bebeto e bateu para empatar. Depois, o fabuloso Leandro perdeu a bola para Romário que aplicou um balão no goleiro Zé Carlos e tocou de cabeça, virando a partida.

                  Foi mais importante que o jogo final, o do gol de Cocada. Último título sobre o Flamengo. Há 11 anos, só fracassos. Ser vascaíno é ser esperança e naufrágio. É saber que amor e vice têm quatro letras. Uma a mais que dor. Vasco, 116 anos hoje, 21 de agosto.

                   

                  Meia

                  O ABC procura um lateral-esquerdo. Deveria correr atrás de um camisa 10. Na Série C.

                  Timbó

                  Quando Timbó foi contratado para arrebentar no ano passado, estava jogando pelo Águia de Marabá, na Série C. Não é possível que exista um melhor que os atuais.

                  Andrey

                  Voltou ao gol do América antes da hora. Estava sem ritmo e falhou não por incompetência, mas pelas circunstâncias. E FH vinha com moral.

                  Morais

                  Contra o Náutico, Oliveira Canindé não deve ser maluco de deixar Morais no banco. Um jogador tão habilidoso, irrequieto e perigoso tem que começar o jogo.

                  Versátil

                  É como os medalhões da mídia estão chamando a seleção de Dunga. Podem ter razão. É a ruindade de um Luiz Gustavo com a nulidade de Hulk.

                  Programas eleitorais

                  Alguns programas eleitorais superam o ridículo dos vesperais de Sônia Abrão. Outros, reforçam diferenças conceituais. Outros, o humorismo lamentável de quem pede o voto sem condições de ser nem candidato.

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                    Presentes e ausentes – Rubens Lemos Filho

                    Nada que me é desejo é matéria luxuosa. É humanismo puro. O que quero, completados desde meia-noite meus 44 anos de vida é um neto. Sonho e planejamento de passagem de bastão. Não quero dinheiro além da conta , nem status, nem ostentação, um neto que me venha saudável e amigo, porque neto é perpetuação. No caso do meu, que venha melhor.

                    Quero um neto homem que seja um pouco o neto que fui do avô que conheci aos 10 anos de idade e depois sumiu, voltou a São Paulo onde morreu e fiquei sabendo quando estava aos 20, prestes a me casar. Quero um neto que saiba amar do jeito que amei a minha avó, a figura que mais me ensinou, me enternece e entristece. Meus avós paternos estavam mortos quando nasci.

                    Amarei meu neto da forma que ele for, mas quero um neto homem para contar sobre minhas peladas de rua e ensinar a ele exatamente como não se deve tratar uma bola. O clichê da chegada será o kit com a camisa dos meus times de coração – ABC e Vasco e a esperança de que ele viva um mundo melhor do que o meu.

                    Desejo nesta curva para desvios arriscados na saúde, que meu neto me dê tempo para contá-lo a vida do bisavô, para que possa mostra-lo, ainda novinho, as revistas, filmes e velhos livros sobre futebol que é a arte compartilhada se o destino me for amigo e camarada.

                    Não tenho pressa. Os meus filhos, muito menos. Que vivam e amadureçam. Sejam livres e maduros, antes da maior missão humana.

                    Tenho é vontade de sentir uma sensação diferente, a renovação de um sentimento de afeto e a perspectiva de que um dia, alguém diga, lá do longe dos tempos, que teve um avô chato, rabugento e coruja. O tempo cuidará da missão para mim. Enquanto ainda há tempo.

                     

                    Convocação de Dunga

                    A presença virtuosa do menino ex-vascaíno Philippe Coutinho dá uma ensolarada no marasmo sombrio da convocação feita pelo técnico da CBF, Dunga. O Dunga que desrespeitou um timaço de estrelas ao rosnar que craque é apenas quem foi campeão do mundo.

                    Dunga então é craque. Falcão, que jogou na dele, não. Cerezo também não. Andrade do Flamengo, necas. Dequinha de Mossoró e da Copa de 1954, nunca. Danilo Alvim, tão nobre que chamado Príncipe, nem se fala.

                    Então craques foram companheiros obtusos do tetracampeonato erguido por Dunga em 1994 e conquistado, de fato, por um craque, um supercraque. O beque Ronaldão, Padrão Rúgbi, o atacante Paulo Sérgio, reserva do reserva do reserva de João Galego do ABC nos idos do Juvenal Lamartine, um ano antes de eu nascer, eram craques como craque foi Viola na Filosofia Dunguista.

                    Os mencionados obtusos são, na caolha referência, superiores a Oscar e Luís Pereira, só para citar dois zagueiros modelares dos meus cada vez mais distantes anos 1970, que desejo, a cada amanhecer, ter ficado por lá mesmo. Oscar e Luís Pereira, sem citar o chato Edinho, jogavam por 500 Ronaldões de Dunga.

                    Ontem já falei de outros que a Copa menosprezou para próprio arrependimento: Zico,Messi, Zizinho, Alex, Platini, Riquelme, Cruijff, Di Stéfano,Falcão, Puskas, Ademir da Guia, Dirceu Lopes, Kopa, Piantoni.

                    Me inspiro e acrescento, em homenagem a Paulo Sérgio, Van Basten e Kluivert da Holanda, Just Fontaine da França e Careca, Careconi do Brasil em 1986. Para Viola eu deixo apenas o retrato autografado por Neeskens, do Carrossel Holandês de 1974.

                    A lista de Dunga mantém alguns vexatórios do Mineirão. David Luiz se aguenta. Neymar é, hoje, unanimidade em terra de cego. Faltou Ganso, que do jeito que está, sobra.

                    Faltou Pato, melhor do que o viking Hulk. Pato, o pálido. Robinho não pedalou, reclamou. Entre ele e William, sei não, é duelo de banguelos de chuteiras.

                    Pior é a insistência com o limitado volante Luiz Gustavo, com Fernandinho, diminutivo no nome e no futebolzinho, com Ramires, o maratonista e Oscar, o clone de Zinho, a Enceradeira que ajudava Dunga a combater habilidosos na Copa Romário 1994.

                    Dunga, na nominata, mesclou, mas, no conjunto da obra, Felipou. Eles não admitem, mas compõem a suave silhueta do rinoceronte desagradável e assombroso dividido por dois.

                     

                    Renato

                    O ABC de jeito nenhum. Quem merece os aplausos pela vitória histórica sobre o Ceará é o monstruoso jogador Renato, seguramente, dos melhores laterais que já passaram pelo clube. Marcou os dois gols, ocupou espaços, descobriu clarões pela sua própria visão de lince. Renato é diferente de todos os outros. Já havia mostrado. Ontem, carimbou.

                    Sábado

                    A vitória sobre o outrora invencível Ceará motiva a torcida para sábado, no Frasqueirão. E aí? O ABC vai continuar dependendo do talento de Renato ou se encontrará como um time, com 11 e um esquema tático de confiança? A Frasqueira merece estar segura.

                    Na pequena área

                    Está o defeito do goleiro Gilvan. No gol de empate do Ceará, que foi contra, de Marlon, quem errou mesmo foi Gilvan, ao sair com mãos moles, mãos de abanador, deixando a bola escapar. Marlon completou a presepada e empurrou para dentro.

                    Papelão

                    Do América ao desencantar uma torcida maravilhada por duas belas vitórias fora de casa. Uma delas, épica, eliminando o Fluminense na Copa do Brasil em pleno Ex-Maracanã. Depois, passeio no Icasa. Então, a Ponte escureceu o sorriso rubro.

                    Morais

                    Há certas decisões de técnicos que merecem Julgamento pelo antigo Tribunal de Nuremberg. Oliveira Canindé deixar Morais por 15 segundos que sejam fora do time quando ele tem condições parece pirraça do amigável técnico do América. Morais entrou e o América mudou. Tarde.

                    Jogo duro

                    O América passa a ser o que o ABC era. Um time buscando recuperação. E pega o Náutico no calor climático e ainda emocional que toma conta de Recife desde a tragédia que matou seu maior líder popular.

                    Eduardo em paz

                    Emocionantes, dolorosas, verdadeiras. Foram as imagens de desmoronar de Eduardo Campos no início do horário eleitoral. Bela homenagem a ele e aos companheiros mortos. Agora é deixá-los em paz. Em repouso. A biografia de Eduardo não merece servir de mote eleitoral para ninguém. Quem fizer, é abutre.

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