Voz da menina morta – Rubens Lemos

Corrupção petrolífera, ABC e América na bacia das almas da Série B e especulações sobre futuros governos secundarizaram a condenação de um dos assassinos da menina Maria Luíza Fernandes Bezerra, de 15 anos, uma linda cabocla violada em seus sonhos e mutilada depois de morta por dois monstros, um deles ainda à espera de sentença.

Fui repórter policial, editor de polícia, cobri inúmeros julgamentos comoventes, vi cenas dantescas de mães e viúvas, filhos em pranto rasgado à porta do Instituto de Medicina Legal aguardando cadáveres manchados do sangue tinto da barbárie urbana ainda serpenteando na casca do ovo.

A morte de Maria Luiza, cinco anos atrás, me chocou acima do profissionalismo e me abateu a partir de sua fotografia. Uma expressão de quem está esperando o parque de diversões abrir para correr, solta e liberta, inocente, tranquila, sem ninguém para persegui-la. Faltou o Estado protegê-la. Maria Luíza podia ser minha filha, que terá, em janeiro, a idade que ela tinha quando foi massacrada.

Ainda preservo, pode ser defeito, a capacidade de me indignar e de exigir justiça, de não considerar ser humano quem viola e despedaça o corpo de uma criança indefesa, que saíra de casa para usar o computador de uma lan house no bairro humilde da Cidade da Esperança, em Natal.

Escrevi dois textos sobre Maria Luiza, dois textos sem isenção alguma. Dane-se a isenção quando profana-se a vida pela pura perversidade, quando se tira dos pais o seu maior patrimônio pela maldade injustificável.

Não há caos ou injustiça social, tese de humanista babaca que explique a psicopatia de dois anormais que atacam uma menor de idade e a transformam num objeto de ritual macabro e imperdoável.

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Acompanhei pela internet o desenrolar do julgamento e fiquei tranquilo quando soube quem estava enfrentando o primeiro matador de Maria Luiza, agora manso e pacato, sem o menor sinal de valentia diante dos dois PMs do Batalhão de Choque a lhe fazer escolta. Bandido é escroque, não enfrenta homem de frente, que dirá homem do Choque.

Jamais chamei o promotor Augusto Azevedo de Augustão, seu apelido, embora nossa relação sempre tenha sido amistosa, fraterna. Ele é amigo de vários amigos meus: Fernando Vasconcelos, Claudinho Emerenciano, gordo Cláudio Porpino, primo querido Norman Lemos, doce presepeiro.

Augusto Azevedo é torcedor e conselheiro do ABC, vimos juntos vários jogos, sofremos e vibramos em epopeias alvinegras no templo feito sepulcro do Castelão (Machadão) e também no Frasqueirão sagrado.

Alto, circunspecto e litúrgico natural, Augusto Azevedo é um humanista. Não de fancaria, daqueles de se pendurar em manchete de jornal ou de se aproveitar de pregação ideológica moribunda e extinta pela lógica e pela sensatez.

Um defensor da vida que duela, na técnica, na inteligência e na convicção com as mãos e as mentes produtoras de dor e morte. Como as patas e a peçonha de quem matou Maria Luiza.

Augusto é um orador fluente, discursa fácil, desde a política estudantil. Pediu a pena máxima e conseguiu 26 anos de cadeia para o canalha que já estava preso, graças ao eficiente trabalho da Delegacia de Homicídios ainda em 2012.

A polícia, quando tem condição de atuar, com equipamentos e bons salários, é excelente. Com um Código Penal decente, tipo o dos Estados Unidos, não tenho dúvidas de que os criminosos iriam para a injeção letal ou pegariam perpétua.

Mesmo sem dispor do primordial, a polícia conseguiu botar as mãos nos sicários de Maria Luiza, também pelo clamor que tomou conta da cidade, tão covarde o seu sofrimento, perversamente distribuído em fotografias pela internet por bestas virtuais que prezam a exposição de corpos como se familiares não tivessem. O mundo gira.

O encontro sublimado de Augusto Azevedo e Maria Luíza é rara e notável vitória do bem. É derrota do crime, porque, das sobras do seu corpo, a pequena mártir de olhar em paz vai florescer. Os criminosos, podem apodrecer. Augusto Azevedo foi, em nome de todos nós, o defensor e a voz da memória da pobre menina morta, repousando sob ciprestes.

Baixando a poeira

ABC fez cinco no manguanguá do Vila. Foi 5×3. Ficou. América jogou muito, ganhou do Náutico. Vai depender do ABC contra o Bragantino. E vencer Paraná. América fica.

No dos outros

ABC e América receberiam reforço de tapetão. O apoio viria do América-MG que, auxiliado por Ceará e Avaí-SC, apresentará a informação de que o time do Boa Esporte-MG estaria atuando com irregularidades em seu elenco. STJD disse não.

Transferências

No texto, a informação que consta afirma que “cada clube poderá receber até cinco atletas transferidos de outros clubes do Campeonato da Série B; de um mesmo clube da Série B somente poderá receber até três atletas.”

Thomaz Bastos

Brilhante jurista, dos maiores da história brasileira, Márcio Thomaz Bastos agora é pranteado de forma suprapartidária. Cumprindo sua missão de advogado ao defender mensaleiros, teve sua honra atacada. É a vida? Não. É a morte com seus venenos hipócritas.

Natal

Thomaz Bastos adorava Natal. Discreto, como sempre foi, costumava frequentar a Praia de Jacumã, sem que a grã-finagem desvairada desconfiasse. Disse uma vez à então governadora Wilma de Faria e a mim, que a acompanhava como secretário de Comunicação Social em audiência no Ministério da Justiça.

Há 33 anos

O América vencia o Baraúnas por 1×0 e disparava rumo ao seu primeiro tricampeonato potiguar. Gol do centroavante Miltão, que morreu em dezembro de 2003 de cirrose hepática. Público de 10.992 pagantes no Castelão (Machadão) e arbitragem de Arnaldo César Coelho, que apitaria, em julho do ano seguinte, a final da Copa do Mundo Itália 3×1 Alemanha Ocidental (era assim no tempo do Muro de Berlim).

Times

América, do técnico Erandy Montenegro: César; Ivã Silva, Lúcio Sábia, Otávio Souto e Vassil Mendes; Baltasar, Norival (Mário) e Gilson Lopes; Sandoval (Beca), Miltão e Severinho. Baraúnas: Vilberto; Vildomar, Dão, Joel Copacabana e Vevé; Carlos Alberto, Pedro Rodrigues(Hélio) e Normamndo (Berré); Haroldo, Nego Chico e Romildo. Técnico: Antônio Martins.

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    Sócrates, drible do além – Rubens Lemos

    Do alto (ou seria do rasteiro?) da sua insistência capaz de causar coceira, o chato provocava, mediocridade proverbial: “No futebol de hoje não cabe um Sócrates. Jogador sem garra, sem coragem de marcar um adversário, de voltar para proteger o espaço de um zagueiro, o futebol de hoje não reserva mais espaço para um irresponsável igual a Sócrates”.

    O chato jamais é interpelado. O chato puxa assunto quando a hora é de silêncio batendo seus bumbos de suavidade sobre os agoniados profissionais. Mantive-me na fila, impávido, calado, enquanto o chato insistia em caluniar Sócrates, o Brasileiro, o Beatles do Calcanhar, o Magrão. A palavra irresponsável, ele mugiu com tom especialmente grave. Deve ter intuído (intuição não é o forte de um chato de placenta) que prefiro o habilidoso entediado ao aplicado sem qualidade.

    O chato fazia de propósito. O chato não jazia, infelizmente. Eu ostentava, feliz até ele – o chato abrir a matraca – meu exemplar da biografia do jornalista Tom Cardoso sobre o meia-armador da seleção encantadora e derrotada, como fomos todos nós, de uma geração cheia de craques para aplaudir e órfã de taças para festejar.

    Sócrates regeu o timaço de 1982 e o mundo não caiu para ele depois da derrota para a Itália no Sarriá por 3×2, o jogo que nos tirou da Copa da Espanha. Ao contrário, um nobre de irritante liturgia guerreira, Sócrates cumprimentou o primeiro vitorioso trajando azul que encontrou, segundos após o apito final do árbitro israelense Abrahan Klein.

    Sócrates abria as cortinas de um jogo de futebol olhando para o horizonte feito de luz e sereno. Alargava o campo, ditava as normas de um combate sem o rabisco medieval do corpo a corpo, da disputa carnal pela bola. Desviava do oponente no átimo do drible seco e na fluência anárquica do calcanhar produzindo artilheiros suaves e grossos.

    Há tempos, esperava pelo livro de Tom Cardoso, relato jornalístico e bem escrito, como se pode perceber nas primeiras passagens, agilizadas, claro, pelo chato que me acompanhava na fila, louco para me chamar para uma polêmica, para um debate.

    O cara, que vestia camiseta bege – foi que me bastou verificar -, desejava um cangerê muito em moda no Brasil depois das eleições. É só entrar em rede social. O tucano esculhamba o PT pelo roubo do dinheiro na Petrobrás e o petista exuma uma reportagem antiga do Governo Fernando Henrique Cardoso destilando corrupção com corrupção, como se um malfeito anulasse o outro.

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    Sem tolerância para entrar em refrega sadia com comparsa de cerveja e de longos anos, imagine com quem não conheço. Hoje, tenho os amigos que me restam e me bastam. De novatos, renuncio para os seus contemporâneos.

    O chato em geral quando abre a boca, aciona um dispositivo invisível que retarda relógios. Havia, juro, apesar da miopia, não mais que três pessoas à minha frente. Três que se multiplicaram por 30 ao imediato tilintar da garganta cujo titular me sucederia.

    O caixa, da minha perspectiva, parecia estar indo embora, enxergava o rapaz lá nas queimadas de Zé da Volta, perto de Assu/Mossoró e rota para o Alto Oeste potiguar, tome 250 quilômetros de distância. “Sócrates bateu muito mal aquele pênalti contra a França. Chutou nas mãos do goleiro, nada profissional”.

    Lá vinha o chato lembrar 21 de junho de 1986, derrota – a primeira de uma série de traulitadas – , para a França na Copa do México. Rezei a oração do Santo Anjo do Senhor, Meu Zeloso Guardador e consegui segurar o espocar da turbulência. O cara – de tão mala -, dignificaria o Troféu Samsonite 2014/2015.

    Lá fui recordar Sócrates, depois de sinfônico empate em 1×1, prorrogação (Zico falhando ao cobrar nos 90 minutos), chutando alto e sem tomar distância, bola junto ao pé direito, defesa fácil do goleiro Batts. No segundo fracasso em Copas, de fitinha na cabeça, o Magrão só tinha Júnior e Careca para dialogar e pouco se lixou para o resultado.

    O caixa, ungido, me convocou na impessoalidade de um Telê Santana rabugento e providencial. O chato resmungou sozinho. No instante em que me deliciava com as histórias de seu Arildo Paris, o motorista do Botafogo de Ribeirão Preto(SP), primeiro clube de Sócrates. Levava o jovem alto e esquelético da faculdade ou dos botecos direto para os jogos do Paulistão.

    O chato perdeu, levou uma finta. Espiritualmente, do livro, de Sócrates. Que não jogaria de jeito nenhum nos dias atuais. Não dá para imaginá-lo esperar um passe bizarro de Fernandinho ou aceitar, passivo, um chute vulgar de Ramires. Ordem de Dunga, Sócrates responderia do bar. Em hectolitros de chope com manteiga. E palavrão.

    Escândalo

    Estaria banido por ofício do futebol o dirigente de Natal que fizesse 10% do escândalo do presidente da Ponte Preta, Márcio Della Volpe, ao invadir o campo e, colérico, ameaçar o árbitro do jogo com o América. Della Volpe por muito pouco não causou uma tragédia incitando uma massa contra um homem só. E que não errou. Foi pênalti, sim senhor.

    Amanhã

    Uma vitória amanhã contra o Náutico salva – por uma semana de mais sofrimento – o América que vem se sustentando pelas forças terrestres e desencarnadas.

    Na última rodada

    A vitória do ABC sobre o Bragantino poderá salvar de vez o América em caso de três pontos contra Náutico e Paraná Clube.

    Reservas

    Boa parte da torcida do ABC defende um time com reservas na última rodada, para facilitar a queda do América. Penso diferente, mas não é anormal a reação. É da rivalidade.

    Cuidado

    A partir do capitão Radamés, o Vila Nova de Goiás, que não entregou o jogo contra o Vasco fora de casa, garante jogar para valer contra o ABC nesta sexta-feira. Cuidado. Mas nem tanto quanto o medo que o alvinegro demonstra ao longo do campeonato.

    Somália

    Tem vaga no time do ABC. Não é nenhum Alberi, mas está longe de ser um Ronaldo Mendes ou Luciano Amaral. Somália faz a vala comum do volantismo e quebra um galho de ipê jogando de lateral.

    Atacantes

    Contando com Dênis Marques, Roberto Fonseca leva 5 atacantes a Goiás.

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      Firmino de Dunga – Rubens Lemos

      A seleção brasileira encerrou a temporada ganhando da Áustria com um golaço de Roberto Firmino. Ele é da safra de jogador com nome de praça, escola pública, avenida ou banheiro coletivo.

      No meu tempo, seria simplesmente Roberto, Beto ou Mino, mas aboliram os apelidos do escrete em nome dos bons costumes. Fifi já seria demais e o machismo retrógrado o lincharia na boca do túnel. Num time do sertão brabo, seria Firmino de Dunga.

      O Brasil venceu de 2×1 e jogo contra a Áustria sempre foi chato. O Brasil de Dunga virou a Tchecoslováquia nos anos 1950 e joga nos contra-ataques, esperando o adversário. Se o rival não vem, ninguém vai e bendito o 0x0. Na pelada vienense, repetiu-se o histórico de partidas fracas, com o detalhe mísero de que a Áustria de amarelo levou a melhor sobre a de vermelho.

      Roberto Firmino, obscuro artilheiro de um time de segundo escalão da Alemanha, interrompeu o cochilo quase tumular marcando um belíssimo gol. Um gol dos velhos pontas-de-lança, os caras habilidosos e ousados que variavam de posição como terceiro homem de meio-campo ou atuando de centroavante fora da área, procurando tabelinhas e triangulações maliciosas.

      Na chatice estatística em que se transformou o futebol, o Canal Sportv informou, sorumbático, que o chute potente e de peito de pé direito de Roberto Firmino foi dado a 24 metros e meio de distância da trave dos donos da casa e numa velocidade de 97 quilômetros horários. Tipo da notícia capaz de mudar o mundo.

      Queria ver alguém medir uma patada atômica de Rivelino, ele sim, um gênio, de drible e chute canhoto e disponível agora apenas em filmes do youtube e raros DVDs de clássicos do tricampeonato no México em 1970, no Corinthians e no Fluminense da Máquina Tricolor de 1975/1976.

      Rivelino costumava levar zagueiros e goleiros ao desmaio imediato nas cobranças de falta abastecidas de efeito incomparável. Não é possível falsificar Rivelino em pirataria humana. Seria até de bom juízo.

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      O Brasil de Dunga venceu seis amistosos em seis disputados e, respeitada a frieza glacial de computador portátil, encerra o ano com aproveitamento de 100%. O Brasil de Dunga é seu espelho. É o que se pode chamar, com boa vontade suprema, de um time competitivo. Sem graça, mas capaz de disputar amistosos cansativos de igual para igual contra qualquer Turquia.

      No Brasil de Dunga, prevalece o moleque Neymar, excluído pelo técnico metido a soba desde 2010 quando preferiu levar Grafite na reserva de Robinho. Neymar é craque, único, exclusivo, de um país que produzia cinco ou seis do seu nível a cada temporada. Hoje é Neymar e o resto.

      Neymar nada fez contra a a Áustria Oficial e até se irritou com a falta de talento dos colegas. Gesticulou jogadinhas de rachão, cobrou toque de bola e saiu entediado para entrar um zagueiro – Marquinhos – escalado para fechar mais ainda a muralha humana também contumaz de Dunga, jogando, uma meia-parede de tão duro e sem tempero.

      O gol de Roberto Firmino – o novo astro dos nomes compostos –, emprestou algum balanço de chorinho ao time aplicado e voraz nas divididas, a ponto de Fernandinho, volante campeão de pancadaria, merecer o aumentativo de Fernandão, tamanha a violência de suas entradas nos gringos ruins de entendimento com a gorducha.

      O Brasil de Dunga disputará no próximo ano a Copa América e as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Ao contrário da farandola de Felipão, demonstra capacidade de disputar uma vaga no bloco intermediário continental. Está bem abaixo de Argentina, que deu baile e perdeu de Portugal, e da Colômbia. Brasil x Equador virou clássico.

      No cenário mundial, ainda está sonâmbulo feito eu ao assistir à peleja no meio da tarde. Alemanha e Holanda são bem melhores. Uma sete e a outra três mil vezes mais. Quem sabe, Roberto Firmino – Firmino de Dunga – possa me corrigir.

      Somália e Andrey

      Daqui a 50 anos, o homem experiente dirá, tomado de nostalgia transtornada: “Foi a noite de São Somália, a noite de Santo Andrey, eu tinha 10 anos e vi o duplo milagre”. Somália – reserva pela siderúrgica mediocridade do técnico Roberto Fonseca, salvou o ABC com um bico santo, canudo assassino e redentor. Matador do Ceará e ressuscitador do ABC, três pontos que valeram 30 na luta para não cair.

      Sagrado desespero

      A arrancada do goleiro Andrey rumo à area da Ponte Preta repetia o esforço de aparente inutilidade dos segundos finais de um jogo perdido. Andrey foi seguro, ninguém – nem o mais crédulo dos fiéis – e o árbitro marcou o pênalti. Andrey provou que de brilhante e de louco, todo – excepcional goleiro – tem um pouco.

      Ainda a matemática

      O ABC chegou aos 45 pontos ganhos e deu uma senhora respirada. O Vila Nova está rebaixado e uma vitória em Goiás eliminaria qualquer risco diante de uma Bragantino kamikaze na rodada final.

      Arthur Maia

      Depois do esforço gigantesco de Andrey, o camisa 10 quase estraga o milagre, batendo mal o pênalti. A bola entrou. O jogo com o Náutico será o mais importante dos últimos três anos, desde o acesso da C para a B. A última partida é para se pensar depois. De Bíblia numa mão e calculadora na outra.

      Milésimo

      O dia 19 de novembro de 1969 é sacro. Há 45 anos, Pelé marcava o seu milésimo gol, batendo pênalti a milímetros da mão do goleiro Andrada do Vasco. Jogo no ex-Maracanã que recebeu 65.157 pagantes.

      Gols

      O Vasco abriu o placar aos 17 minutos do primeiro tempo com Benetti. O zagueiro Renê fez gol contra e o Santos empatou aos 10 minutos do segundo tempo. Aos 32, um pênalti duvidoso permitiu a Pelé marcar o Gol 1000 e dedicá-lo “às criancinhas” do Brasil, hoje quarentonas a caminho dos cinquenta.

      Times

      O Vasco, treinado por Célio de Souza: Andrada; Fidélis, Moacir, Renê e Eberval; Renê, Buglê e Danilo Menezes (Silvinho); Acelino (Raimundinho), Benneti e Adilson. O Santos, do técnico Antoninho: Agnaldo; Carlos Alberto Torres, Ramos delgado, Djalma Dias (Joel Camargo) e Rildo; Clodoaldo, Lima e Pelé (Jair Bala); Manoel Maria, Edu e Abel.

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        Jonas e eu – Rubens Lemos

        Maldita segunda-feira às 14h42. Calor das catingueiras em plena ebulição urbana, a impaciência de tantas e tantas chateações acumuladas e Jonas insiste em manter o celular ligado me oferecendo uma promoção – repetiu quatro vezes – “maravilhosa”.

        Para ter direito a um par de ingressos para o show que ele não revelou qual seria, eu teria de lhe dizer o número do meu cartão de crédito, com validade, de minha agência bancaria e da minha conta. Meus neurônios estão sendo assados na fritura das irritações diárias, e vem um sujeito de telemarketing ou sei lá de onde, completar o infortúnio.

        Nada contra Jonas, que discou de um celular de código 019, mas hoje em dia é preciso desconfiar de quem está mais perto de você, segundo me ensinou domingo à noite o agente Nick Fury, cegueta furioso a serviço do bem contra a organização criminosa chefiada pelo charmoso e nada convincente vilão Robert Redford no filme Capitão América – parte 2. Um capitão América muito do frouxo, por sinal.

        Nick Fury conquistou minha simpatia de fim de noite ao ser representado pelo cracaço Samuel L. Jackson, perfeito em seu jeitão Earth, Wind and Fire de de ser, suingue puro fazendo o bem como sargento Hondo, de Swatt, ou o mal como o psicopata policial vizinho do cândido casal de um filme de suspense.

        Pensei logo em Nick Fury, herói tão desconfiado, mas tão descrente na espécie humana, que forja a própria morte e dá seu jeito de espião de enterrar algum infeliz no túmulo falso. O túmulo não é falso, corrijo, falso é o defunto, que pode até ter sido um cara legal em vida, mas passou a presunto útil.

        Pensei em Nick Fury Samuel L. Jackson para me desgarrar do insistente Jonas. Chamar operador de telemarketing de chato é redundância. “Senhor eu trabalho mesmo aqui neste jornal e gostaria de saber seus dados para completar a maravilhosa promoção”.

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        O chapéu de otário que Jonas queria colocar na minha cabeça quente era formatado da seguinte picaretagem. Eu aceitaria o par de ingresso, desde que assinasse um mês do jornal – por experiência – segundo ele.

        Depois, se eu não ligasse cancelando a assinatura, todo mês viria uma bagatela razoável na judiada fatura do cartão. O jornal sobre o qual ele falava em nome, conheço desde os anos 1980 e não preciso que ninguém me diga de sua linha editorial e do estilo engessado de conteúdo tampouco do formato cartesiano, rigorosamente escravo de um manual. Seus repórteres lembram muito o Jonas.

        “Eu sou Jonas, posso garantir ao senhor”, Jonas persistia, ultrapassando limites da tolerância menos zero. “Eu sou Nelson Piquet, campeão de Fórmula 1, você acredita?”, respondi. “Não senhor, o senhor é Rubens, senhor”, numa vassalagem arrepiante.

        Resolvi levar na sacanagem pois o pico de pressão arterial dava os primeiras sinais. “Quem garante que você é Jonas e eu não sou Nelson Piquet? Diga se eu era amigo ou inimigo de Ayrton Senna. Diga, logo!”, ordenei enquanto talheres remexiam sobre a mesa onde tentava trabalhar. “Piquet e Senna sempre foram amigos”, ele respondeu sem meio milímetro de convicção. Eu estava a milhas telefônicas de um tremendo cara de pau.

        “Mentira, Jonas. Eu (Piquet) e Senna fomos inimigos a vida inteira e o seu jornal sempre torceu por ele. Antes que me esqueça, a cobertura sobre nossas disputas sempre foi tendenciosa”, prossegui na defesa piquetista enquanto o atabalhoado rapaz pedia desculpas, lamentava meu desinteresse pela maravilhosa promoção e desligava.

        Desabafei e Jonas – se é que se chama assim -, levou consigo meu estresse que estava fumaçando pelas orelhas, de tanto sufocá-lo. Jonas, ou Epaminondas, é o que menos interessa, pode ter evitado um ataque cardíaco, acentuado pelo sol implacável e a sensação de raiva que me causa.

        Não libero informações desde que começaram essas pegadinhas de dentro de cadeia, bandido fingindo sequestro para o mané depositar dinheiro na conta dele. Nem deve ter sido o caso de Jonas. Qualquer crise mais aguda, o agente caolho Nick Fury me salvaria, com um tiro certeiro, bem na testa dos abusados invasivos sem limites.

        ABC x Ceará

        Qualquer palpite é imprevisível para daqui a pouco (20h50) na Arena das Dunas. O ABC entra tenso e obrigado a vencer. O Ceará chega motivado e com pose de favorito. É nessa pose de favorito que o ABC poderia dar o bote. Mas tem um time muito fraquinho.

        No Tabelão

        Dei uma olhada no Tabelão da Revista Placar, em 1977, dia 16 de outubro, estreia do Campeonato Brasileiro. Ao receber um passe medido de Danilo Menezes, Maranhão Barbudo fez o gol da vitória deslocando o goleiro Sérgio Gomes. Recordo meu olhar espantado lá das cabines de rádio do Castelão (Machadão), assistindo à explosão da massa alvinegra. O filme em câmera lenta ficou no meu arquivo memorial. Tinha sete anos de idade. Meninos ficam marcados por lances belos do futebol.

        Em Campinas

        Vietnam em Natal, Afeganistão em Campinas. O América do técnico Roberto Fernandes encara a Ponte Preta, ainda na briga pelo título da Série B. O América lutando como náufrago em braçadas derradeiras para sair da Zona do Rebaixamento. Três braçadas ajudariam um bocado.

        Nazarenão

        Está certo o América em tentar tirar da Arena das Dunas e botar no Nazarenão o jogo contra o Náutico. A Arena é campo neutro. Nazarenão é a casa do América.

        Fumaças de crise

        Sobem as fumaças de crise no ABC com a articulação do movimento oposicionista. É um repeteco cansativo. Sou a favor de que todo eleito cumpra o seu mandato até o final (salvo em casos extremos). A disputa termina quando é contada a última urna. Quem escolhe deve saber em quem está votando para não se arrepender tarde demais.

        No América

        Também de nada adiantam as queixas contra a atual diretoria. É muito difícil quem lida com o futebol e tem um mínimo de lucidez, voltar depois de experiência desgastante. Por ora, o fundamental é o time responder ficando na B. O ABC do mesmo jeito.

        Machadinho

        Na boca da noite, lançamento do livro do jornalista João Batista Machado, Machadinho, na Academia de Letras, 18 horas. Machadinho e os Bastidores Políticos.

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          Impasse – Rubens Lemos

          Aprendi com um amigo mais velho, mais velho até do que meu velho pai, que o impasse é um dos piores problemas da vida. É melhor decidir a parada, seja para o bem ou para o mal, do que persistir na dúvida e na angústia.

          Quem decide e se dá bem, parabéns, segue em frente e vitorioso. Quem resolve e sofre, sangra por dentro, passa pela provação temporária e caso tenha o mínimo de amor próprio, de autoestima, dá a volta por cima sambando ao som de Noite Ilustrada.

          Há anos, ABC e América submetem suas torcidas a um impasse crucial na reta decisiva da Série B. São ou não são times para jogar a segunda? E se não têm futebol, por que insistem em fazer sofrer tanta gente? Pelo enésimo ano consecutivo – salvo nos dois acessos do América (1996 e 2006), seguidos de quedas desastrosas, torcer será exercício torturante.

          O ABC recebe, acuado, um Ceará enfurecido e com chances concretas de subir para a Série A. O Ceará entrou no G-4 e já mandou avisar pelo técnico PC Gusmão e os seus jogadores, que não vai sair mais. O ABC jogará em casa ou nem tanto assim. Com seu time modesto, seu errático ataque e os nervos em frangalhos. Se bem que a psicologia muitas vezes engole a fatura da incompetência.

          O América venceu o Icasa, ótimo. Ótimo? O América em hipótese alguma poderia admitir estar na Zona de Rebaixamento. Vai encarar a Ponte Preta em Campinas. A Ponte luta para ser campeã da Série B, o que não deixa de ser animador pois em termos de vice-campeonato, a Ponte dá aula ao Vasco da Gama, humilhado sábado pelo Ceará.

          ABC e América poderiam ser honestos com seus torcedores. Tomar uma posição inédita e civilizada. Queremos ficar na Série B. Então montem times de vergonha, planejem, deem a mísera atenção às categorias de base para que de lá saiam quatro ou cinco jogadores de talento, pessoal comprometido e superior aos caminhões de mercenários despejados a cada temporada.

          Ser ou não ser, Shakespeare de arquibancada? ABC e América não sabem o que querem ou o que são. Protagonistas, nunca, coadjuvantes, longe. Figurantes patéticos, gerando súplicas desesperadoras de quem vive e respira futebol.

          A palavra da moda é reinventar. Conceitos, posturas, costuras, brochuras. Os dois clubes de Natal precisam se reinventar. Em nome da tradição que os tornará centenários em 2015. Fazer 100 anos na terceira divisão é abrir espumante em velório.

          Contas, contas

          O ABC pega o Ceará. Depois sai para enfrentar o degolado Vila Nova. A depender dos resultados, pode cumprir duelo de afogados com o Bragantino (SP), com quem está empatado nos 42 pontos.

          América

          Depois da Ponte Preta, o América pega o Náutico em casa e o Paraná encerrando em Curitiba. Dois times que não sobem nem descem.

          Sincero

          Autor de um gol de placa batendo por cobertura e matando o goleiro, Daniel Costa, do América foi sincero. Disse que acertou sem querer. Fosse um mascaradão, estaria curtindo a glória da obra-prima que produziu. Mesmo sem intenção.

          Thiago Silva chateado

          Thiago Silva, o camisa 3 do Brasil na Copa do Mundo está chateado porque perdeu a posição e a faixa de capitão. Miranda é o titular e Neymar é o escolhido por Dunga para liderar o time. Thiago Silva é aquele cara que correu da responsabilidade de cobrar um pênalti contra o Chile e chorava cada vez que tocava o hino nacional.

          Dunga tem razão

          Quando elogio Dunga, tomo um Plasil, mas ele está certo. Miranda é melhor zagueiro do que Thiago Silva e a faixa de capitão é importante para impor a moral de Neymar. Thiago Silva, que ficou de cara feia no banco, deveria pesquisar sobre um cidadão alto e esguio, convidado como auxiliar na goleada sobre os turcos: Oscar.

          Oscar

          Oscar disputou duas Copas do Mundo impecáveis. Em 1978, substituiu uma lenda – Luís Pereira, o Chevrolet, e em 1982, jogou por ele e por Luisinho, muito técnico, pouco chegado a divididas. Em 1986, estava pronto para ser titular e foi barrado na manhã da estreia contra a Espanha. Resignado, respondeu aos jornalistas: “Júlio César merece. Está melhor do que eu.” Thiago Silva não é dono de lugar nenhum.É um inquilino bem duvidoso.

          América no tetra

          O América conquistou pela primeira vez um tetracampeonato em 1982 e invicto. No dia 17 de novembro, empatou em 0x0 com o desorganizado ABC no Castelão (Machadão) com 6.574 pagantes, público de jogo de bairro na época.

          Times

          América: Rafael; Saraiva (Norival), Ivã Silva, Noronha e Wassil; Baltasar, Gilson Lopes e Aílton (Júnior); Curió, Silva e Severinho. ABC: Carlos Augusto; Dão (Gelson), Joel, Otávio Souto e Soares; Draílton, Arié (Alberi) e Jadir; Marinho Apolônio, Neinha e Noé Macunaíma.

          Esdrúxulo

          O craque Marinho, meia-atacante e sucessor de Alberi, escalado na ponta-direita, dá uma pista do que era o ABC, muito parecido com o atual. Marinho, o Apolônio, foi um semideus tanto no ABC e no América, maior artilheiro do estádio fito sepulcro em Lagoa Nova.

          Machadinho

          É dever de quem aprecia a escrita refinada e o trabalho do repórter pleno comparecer ao lançamento do livro Bastidores do Poder, nova contribuição do jornalista João Batista Machado, o Machadinho, às novas gerações e à história do Rio Grande do Norte.

          Guim

          “Guim”, diminutivo de amiguinho, como ele chamava o meu pai, é o mestre dos assessores de imprensa. É uma figura humana ímpar e um texto impecável. Pobres moços empinados, leiam Machadinho e aprendam. Será nesta terça, 18 horas, na Academia de Letras, Rua Mipibu, 443, Petrópolis.

          Crime sem castigo

          Juro que pensei na minha saudosa avó quando vi a notícia. Uma casa de repouso, um abrigo de velhinhos e velhinhas foi assaltado por uma dupla que estabeleceu o terror, atirando para o chão e ameaçando matar os idosos até se entregar à polícia.

          Refletir

          Não é uma notícia policial comum. Perdeu-se o prumo do mínimo respeito. Idoso não oferece risco, luta a vida inteira para terminar morando em grupo, cada um com seu drama pessoal. E quando deveria ter sossego, cai nas mãos dos marginais. Mudanças no Código Penal e regras norte-americanas, urgente. Maldade não tem idade.

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            Futebol mercenário – Rubens Lemos

            Você é professor de colégio particular, recebe seu salário em dia e consegue aprovar sua turma com a melhor média entre todas na escola. Experimente pedir uma gratificação extra pelo desempenho. Pode levar um esporro e até perder o emprego.

            O engenheiro – se este for o seu caso –, antecipa em um mês o prazo de entrega de uma obra, trabalhando feito um leão hercúleo pelas madrugadas e feriados. Ganha suas horas extras previstas em lei. Se pedir um prêmio, o patrão pode, caso tenha amanhecido pensando em enforcar Judas à unha, ordenar a meia-volta ao Departamento de Pessoal para o carimbo da demissão.

            Na iniciativa privada, empregado trabalhar com eficiência não significa nada além do que cumprir obrigação. O país paradisíaco de ficção petista esteve prestes a ser redesenhado pelas urnas com a possível vitória de Aécio Neves e o novo choque de realidade. Passou, ele perdeu, Dilma ganhou, ela que governe.

            No país real, nenhum cidadão ganha a mais por produtividade. Ninguém – trabalhador comum, de CLT, tem salário reajustado dignamente há décadas. Gente boa passa décadas na dedicação acadêmica, fazendo mestrado, doutorado, pós-doutorado para engordar contracheques bem magrelinhos.

            É nesse povo todo que penso com a consolidação do mercenarismo no futebol. Ninguém é ingênuo para esperar o fim do bicho, instrumento de chantagem que asfixia os clubes e torna os cartolas reféns de jogadores indecentes.

            No ano passado, o ABC conseguiu uma épica arrancada para continuar na Série B. Foi uma sequência de campeão. O que precisava ser feito, o milagre prático, aconteceu para delírio da massa num dos momentos gloriosos do clube.

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            Tudo muito lindo. Os dirigentes contam se quiserem, mas precisaram de R$ 1 milhão da empreiteira responsável pela Arena das Dunas e aguentaram espinha de peixe o tempo inteiro na goela para suportar chantagem do time.

            Os bichos foram altos e os salários também. Neguinho razoável com vencimento acima de R$ 30 mil, paga que jamais passou perto da conta bancaria ou da meia de poupança do maior jogador que desfilou por esta terra curvada ao continente: Alberi José Ferreira Mattos.

            Há seis anos o América estava lá atrás na Série B, a pique do rebaixamento. Seus cartolas reuniram a rapaziada e propuseram gordo percentual sobre as rendas líquidas para distribuir entre eles. O América lançou-se numa arrancada heroica e continuou na Segunda Divisão. Foi profissionalismo? Não. Foi o bicho.

            Patinando na Série B, ABC e América chegaram longe na Copa do Brasil, competição disputada simultaneamente. Perdiam numa e ganhavam noutra por azar? Não. É que na Copa do Brasil a renda era alta e com o bicho acertado antes. Premeditado e que não pode voltar atrás. Onze derrubam um e afundam um time. Basta dar vontade e ter pretexto.

            Na famigerada Copa de 1990, o Mundial do Lazarento Lazaroni, o Brasil caiu nas oitavas após Maradona enfileirar o pelotão de zagueiros e volantes escalados para criar uma barreira bruta e burra. O time fez partidas pífias e peitou os chefões e bajuladores da CBF, exigindo premiação alta. Poucos lembram, mas houve uma cabulosa derrota de 1×0 para um Combinado da Umbria, formado pelos trabalhadores da cidade italiana. Um gol de falta.

            Chefiados pelo atacante Careca e o zagueiro Mozer, os brazucas sossegaram quando foi acertada uma grana extra de mais de 100 mil dólares em caso de tetracampeonato, adiado quatro anos e conquistado pela genialidade de Romário. O time de 1990, com Lazaroni, Dunga, Alemão, Bismarck e Tita, entre outros, poderia ter ficado pelas Eliminatórias. Fraco, mascarado e dinheirista.

            O Movimento do Bom Senso Futebol Clube, integrado pelos tidos sábios e alternativos boleiros, capazes de fazer cobranças diretas à presidenta da República, nunca falou em acabar com o bicho, peste inventada no início do século passado pelos bigodudos e otários dirigentes de clubes para forçar amadores a correr e vencer.

            Ninguém vai acabar com o famigerado bicho. A instituição do mercenarismo. Jogador de futebol reclama um bocado. Sofre também com gente sem escrúpulos como um estrangeiro que tentou assassinar por asfixia o Alecrim Futebol Clube.

            Quem achar exagero, experimente lidar com futebol nos seus labirintos. Só sabe quem passa. Sei o que o corpo cobra pela queima diária de massa cinzenta. Ganho salário. Nada de bicho, não. E nem é para ter. Longe de mim o mercenarismo.

            Leandro Campos

            O bigodudo campeão brasileiro da Série C esteve em Pipa a passeio. Soube pelo blog do amigo Marcos Lopes. Caso seja o técnico do ABC no próximo ano, é esperar que Leandro Campos assuma com o time ainda na Segundona e sem o trauma de recomeçar tudo outra vez.

            Cinco reais

            Socorro, Frasqueira! A necessidade faz a promoção. Para o jogo quente de terça-feira contra o Ceará, o ABC faz promoção com ingresso a partir de cinco reais. Subúrbios em festa. O bafo legítimo do povão é inimitável. É a sua força titânica e histórica que sempre moveu o Time do Povo.

            Todo mundo é Vasco

            O Ceará aposta todas as suas fichas no jogo com o Vasco na Arena Castelão, última cartada na luta para ficar entre os quatro que subirão para a Série A. Se não vencer, estará fora do G-4 e cumprirá tabela na faixa intermediária. Todo torcedor do ABC deve orar pelo péssimo time cruzmaltino operar um milagre e ajudar o alvinegro, que enfrentaria um Ceará desmotivado na terça-feira.

            Retrospecto

            O jogo do América amanhã contra o Icasa será o 40º no Estádio Nazarenão sob o comando do técnico Roberto Fernandes. Nas 39 partidas até agora realizadas, o time conquistou 24 vitórias, 08 empates e sofreu apenas 07 derrotas. Marcou 70 gols e sofreu 45.

            Na decisão

            Retrospecto nada vale. O América faz um jogo de matar ou morrer, de duelo de faroeste e não pode errar a pontaria nem perder o controle do jogo em momento algum. O técnico Roberto Fernandes queima neurônios para acertar o meio-campo, que não está rendendo e, sem funcionar, apaga a luz da criação.

            Neymar

            Em pleno processo de afirmação de craque. Antes, confete e mídia. Agora, expectativa confirmada de espetáculo de habilidade e gols. Neymar demonstra personalidade para as Eliminatórias.

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              Poder, fumo grosso – Rubens Lemos

              Desvio o caminho do pedantismo dos que se dizem absolutos ou catedráticos em qualquer assunto. “Estás vendo ali? Lá vai o sábio, nem discuta, ele conhece tudo”, aponta o simples ao pernóstico em largas passadas. Gosto do curioso, que ao não se sentir dono da verdade, vai pesquisando, querendo aprender sempre e nunca dá a conversa por encerrada. Descobre novas perspectivas, aborda ângulos imperceptíveis.

              Sou chegado a filmes de Máfia. Entre os meus favoritos, a Trilogia de O Poderoso Chefão, Segredos da Cosa Nostra, Os Intocáveis, Cassino, Os Sicilianos, Era Uma Vez na América, Donnie Brasco, Scarface e outros nem tão famosos mas de enredo instigante.

              O mais recente trata da vida de Salvatore “Sammy” Gravano, delator que derrubou toda a família Gambino, chefiada pelo padrinho pop star John Gotti, morto cumprindo prisão perpétua em 2002. Gravano era o lugar-tenente e matador de Gotti e, preso, descobre a armadilha do chefe para transformá-lo em bode expiatório.

              Faz um acordo com o FBI, conta detalhes sanguinolentos e até hoje vive com outra identidade pelos Estados Unidos, caçado pelos remanescentes. Sua cabeça, em bandeja dourada, vale 350 mil dólares.

              Gotti e Gravano tramaram o assassinato de Big Paul Castellano, chefe dos chefes, no Natal de 1985. Big Paul estaria iludindo os comparsas. Uma infâmia, coitadinho. A Máfia é um pano de jogadas espertas e de chumbo e navalha estabelecendo sucessões.

              Pesquiso de Capone a Joe Maranzano, fuzilado a mando do famigerado Lucky Luciano, cuja violência inspirou o FBI a adotar novas táticas e a usar artilharia pesada contra os criminosos. Os bandidos atacavam de metralhadora e a polícia os perseguia com revólveres calibre 38, com tambor de cinco tiros.

              O Omertà, código de honra dos “iniciados” em qualquer família prevê a morte em caso de traição. O corte no dedo de maior habilidade para o tiro e o fogo sobre a cicatriz, é um ritual que o dinheiro, as drogas, o tráfico de armas quebra à sutil das tentações. Mas, em regra geral, a morte define o substituto obedecendo à cobiça.

              Faz tempo que o futebol usa métodos de Cosa Nostra. Sob o pretexto pusilânime de uma profissionalização que se moderniza com a lavagem comum de dinheiro usando bancos e grandes redes de lojas – pelos mafiosos e times de fachada – pelos cartolas, Capos se proliferam em cafés, edifícios suntuosos e arenas.

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              No futebol, a vitória esmagadora de Eurico Miranda para Presidente do Vasco quebra a lógica das organizações de cinema e velhas barbearias. Não precisou derramamento de sangue nem ratatatá de HK-MP 5 para o Don voltar, bafejando seu charuto, despejando sua grosseria nata ou irrompendo cheio de súditos, olhar arregalado de ódio, vinditta e truculência.

              Não. Eurico não voltou por ele. Voltou pela incompetência de quem o sucedeu. Renegado, rebaixado a soldado raso sem poder decisório e condenado na teoria a cuidar dos netos, resmungar rabugento e lembrar dos times e conspirações que armou, foi ungido pela atroz leniência do seu sucessor, maior artilheiro do clube, Roberto Dinamite, que deixa a presidência como um Carlos Roberto anônimo e indesejável.

              Eurico Miranda não precisou usar de métodos de Gambinos e Lucheses. Nem matou os chefes das cinco famílias numa só tarde, como agiu no filme Michael Corleone, o improvável e frio sucessor de Vito de O Poderoso Chefão. Michael eliminou todos os que atravessaram seu caminho, inclua-se o irmão Fredo e o cunhado Carlo. Sem que um fio de remorso lhe corroesse o peito inflado de presunção.

              Nos Bons Companheiros, Henry, o caçula do trio de gângsteres, escapa da fúria do ex-amigo Paullie apelando para o programa de Proteção a Testemunhas, como faria depois Gravano de Gotti na vida real. Paullie, o líder, de aspectos euriquistas, mantém as juras carcamanas, entra para não sair da cadeia e morre. Mas não perde a pose.

              Eis uma das vertentes de Eurico, o Retorno. Ele nunca perdeu a capa de manda-chuva. De chefe sem a chave do cofre. Do medo imposto pelos suspensórios. Nem de chapéu Borsalino precisou.Na oposição, parecia o comandante e o bovino Roberto, o subalterno silente e cúmplice da terra arrasada que recebeu. E jogou – mais suja – para o carpete da bela sala da presidência, camarote frontal ao gramado de São Januário.

              Don Eurico Miranda provou uma lição imortal : todo poder começa, todo poder termina. O importante é saber começar, sem erros nem maus conselheiros, para não acabar no ostracismo, residência existencial de Carlos Roberto, o Dinamite que um dia foi. Quanto a Eurico, dá licença, ele precisa fumar seu charuto. Depois outro. E outro. Ele precisa se deliciar dos seus inimigos. Sem compaixão. Capisce(ou Capische)? Pois trate de entender e engolir a fumaça.

              O técnico desesperador

              O ABC tem um técnico para aumentar seu desespero. Além do time fraco e do suspense, Roberto Fonseca é adepto da retranca e parece querer impor à torcida e aos jornalistas ser capaz de enxergar a verdade vazia. O ABC joga mal, perde ou perde e joga mal e ele brinca com a paciência alheia, elogiando o desempenho do seu pífio conjunto.

              Três e nenhum

              Dos três técnicos da Série B, o ABC contou, até certo momento, com Zé Teodoro. Na reta final, as duas nulidades seriam bem substituídas por alguém de casa. Preconceito e bairrismo são tenebrosos.

              Chegadas e partidas

              Max volta ao time e é um artilheiro e um amuleto para o América contra o Icasa. Saem quatro dispensados. De todos, somente o meia Jéferson demonstrou alguma qualidade. Foi útil, mas não o camisa 10 efetivo.

              Roberto Nascimento

              Volante clássico, cabeça erguida, passes de régua, foi dos melhores da história do ABC. Campeão em 1990, ostentava um brilho que o faria milionário na escassez atual. Pois Roberto Nascimento, tão talentoso, hoje vive num bairro sem água encanada. Faz bicos de motorista em Alagoinhas (BA).

              Uns e outros

              Lembro Roberto Nascimento, que parecia um bailarino ao confrontar sua situação com a dos enganadores que acertam contrato com o ABC sabendo das condições e – instruídos por interesses meramente gananciosos – sugam o clube em questões trabalhistas. Sem jogar 1% do camisa 5 que flutuava na relva do Machadão.

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                Finalistas – Rubens Lemos

                A admiração dos mineiros pela música é proporcional ao entusiasmo dos mineiros pelo futebol. E como eles jogavam bonito, quase a arte plena e barroca de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, artista colonial de mistérios próprios dos silêncios que entornam o padrão mineiro de se viver. No máximo, o coral de meninos de igreja cantando Galo e Raposa.

                Cruzeiro x Atlético começam a decidir a Copa do Brasil nesta quarta-feira, nove da noite em Natal. Esqueçam meus acessos de realismo – não de má vontade com a bola exibida nos quadrantes nacionais de hoje. Cruzeiro e Atlético chegam à decisão por mérito e – bem mais – pelos defeitos cavalares dos adversários que estabelecem a isonomia medíocre da bola. Ou o “todo mundo é japonês “do passado.

                Time por time, ninguém é craque. O ritmo dos dois rivais está mais para o bom rock do Skank do que para o barroco criativo do Clube da Esquina, de Milton Nascimento, de Beto Guedes, do 14-Bis, de Lô Borges, da bobagem divertida do grupo Roupa Nova. O ritmo de jogo é o da dança frenética, do balançar descompassado do corpo. Há pancada, a melodia foi esquecido em algum vitrolão perdido perto do Mineirão dos 120 mil, não dos 40 mil sem tempero.

                Claro que vou assistir ao jogo pela rivalidade. Espero técnica pobre, ou quase nenhuma técnica, haverá jogos laterais, cruzamentos sobre a área e zagueiro rebatendo zagueiro. O Cruzeiro – para não ser um injusto implacável – até sabe tocar a bola por jogar no esquema consagrado no Brasil de glórias e vitórias. Os atores nem são principais, mas o esquema é ofensivo. Pelo fato de haver dois meias centralizados, o meia-direita e o meia-esquerda, ou o meia-armador e o ponta-de-lança, tão antigos, tão eficientes quando retirados do arquivo morto pelos técnicos teóricos.

                Mas os 22 de amanhã e do segundo jogo não seriam, necessariamente, 22 hipotéticos e geniais que, unidos a cada tempo, construíram a história de Minas Gerais, incluindo o pão de queijo no protagonismo restrito ao Rio de Janeiro e a São Paulo. Depois veio o Rio Grande do Sul impondo-se com o Internacional de Falcão, Carpegiani, Jair, Renato Gaúcho, Sérgio Lopes e Alcindo.

                Uma decisão de sonhos entre Cruzeiro e Atlético teria, no desejo recheado de arte sacra em chuteiras, Raul; Nelinho, Perfumo, Sorín e Nonato; Zé Carlos, Dirceu Lopes e Alex; Palhinha, Tostão e Joãozinho; Tostão. Contra Taffarel; Getúlio; Osmar, Luisinho e Cincunegui; Cerezo, Paulo Isidoro e Humberto Ramos; Sérgio Araújo, Reinaldo e Éder.

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                A cadência do futebol do Cruzeiro, do volante Zé Carlos, estilista e sofisticado, hábil, cabeleira Black Power num jeito ritmado e delicioso de domar a bola. Do Cruzeiro do meia-atacante Palhinha, combinação perfeita, como que composição e interpretação, de valentia e técnica. E os dribles esculturais do ponta-esquerda Joãozinho, um dos melhores que este país produziu e por ser de Minas,para mais longe de lá não foi.

                A alegria do Atlético Mineiro jogando, com Reinaldo, o baby-craque, verso da pena mágica de Roberto Drummond, que o fez versão masculina de Hilda Furacão, a insaciável. Reinaldo menino e gênio, estoico e destruído por chuteiras de travas feitas de ódio. Tostão e Reinaldo pairam acima da correria, impondo o som da viola e da poesia das multidões em imagens amareladas.

                Reinaldo o melhor atacante do Brasil nos anos 1970, o tempo do meu tempo, o tempo da minha rua sem clube. Reinaldo tabelando, driblando, enfeitando, silenciando estádios lotados, em companhia de Cerezo, Marcelo, Paulo Isidoro e Ziza, ponta-esquerda tão bom quanto o pai, o atacante Pinga, das antiguidades do Ex-Maracanã.

                E na Paisagem da Janela, o melhor de todos os poemas cantados , concretos, abstratos, de todas as crônicas, líricas ou adjetivas, por pior que seja a subliteratura, tudo é nobre para homenagear Tostão, semblante de sábia ternura, aquele que não pôde suceder Pelé.

                Inventou calado o termo jogar sem bola”, usando o posicionamento perfeito e a antevisão do lance fatal como fundamentos de um atacante patenteado. Doutor Eduardo Gonçalves, irmão de dor de Reinaldo, ambos pararam cedo por contusões absurdas, Tostão é fantástico sempre .

                Tostão comentando na TV no ritmo de suas toadas no Estádio Azteca. Escrevendo com a sutileza serena de um Carlos Heitor Cony especialista em futebol. Fui uma vez a Minas Gerais. Expostos estão os motivos para gostar de lá. Mesmo longe de sair daqui. Da minha esquina.

                João Paulo

                Aumentou a agonia do abecedista. Recebeu lançamento primoroso de Daniel Amora e bateu torto, mal, com a perna esquerda que não é a boa. Finalizar. faltou alguém ensinar a João Paulo o quanto é básico para um atacante bater bem a gol. O jogo contra a Lusa seria ganho ali.

                Três pontos

                O ABC pode terminar a rodada na perigosa margem de erro da Zona do rebaixamento. São três pontos que o separam dos atuais degolados. A vantagem alvinegra é o número de vitórias.

                Amora

                Por insistência e fragilidade do elenco, Daniel Amora acabou sendo a referência de meio-campo no alvinegro. Seu passe para João Paulo, de três-dedos, foi lindo. E raro. Talvez a única jogada bonita em todo o tempo no ABC.

                Bom para o América

                O empate do ABC foi bom para o América e transformou o duelo contra o Icasa em confronto dos sofredores. Uma vitória e o América parte para as rodadas finais disparando como franco-atirador diante do pelotão aterrorizado.

                Impulsão de CR7

                O meia Roberto Firmino, aposta de Dunga, tem impulsão de Cristiano Ronaldo, disseram jornalistas da Globo. Subiu e cabeceou à altura do travessão. Se não dá para ter o futebol do CR7, o saltitante pode terminar no basquete norte-americano.

                4o turno

                No Campeonato de 1980, inventaram o quarto turno para confundir mais a torcida e no dia 12 de novembro, ABC 3×0 Alecrim no Castelão (Machadão), público pagante de 6.842 torcedores. Gols de Juarez (2) e Berg.

                Times

                ABC: Luís Neto; Vuca, Tito, Cláudio Oliveira e Albérico; Gelson, Noé Macunaíma e Zezinho Pelé (Cabral); Juarez, Jonas (Luís Rosa) e Ber. Técnico Waldemar Carabina. Alecrim: Índio; Ivã Montenegro, Ticão, Noronha e Jacó (Marinho); Elói, Betinho e Alberi; Tiquinho (Oliveira Piauí), Gilson Lopes e Djalma. Técnico: Pedrinho Teixeira.

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                  El burrito – Rubens Lemos

                  Ortega vem aí. Ele é um dos astros anunciados para o amistoso entre Brasil x Argentina na Arena das Dunas, dia 23 de novembro. Só veterano, só fera. Estão falando na vinda de Emerson, o Sheik, mas tenho fé de que não passa de boato. Ele destoa e será útil apenas na brincadeira da roda de bobo no aquecimento. Ele, de bobo, claro.

                  Depois de Maradona sair da Copa do Mundo de 1994 por doping, o mundo conheceu um jovem moreno, de sobrancelhas grossas e finesse na perna de direita. O meia-atacante legítimo, da nobre escola por onde passaram os principais do mundo em todos os tempos, de Pelé a Zizinho, de Zico a Dieguito.

                  Ortega driblava de calcanhar e sentava o adversário. Dotado da pompa do tango, balançava o corpo no samba digno de Partido Alto. Gostava de meter a bola entre as canetas do marcador, exagerava na firula improdutiva, batia forte e balançava as redes, proporcionando aquilo que está adormecido em caixão de vidro à espera de novos príncipes bons de beijo e de bola. Ortega oferecia – em seus toques desconcertantes – beleza sensual a uma partida de futebol.

                  Fruto do River Plate e tema pronto para a rivalidade com o Boca Júniors, Ortega é o argentino redundante. O passional. Abusado de criatividade e inspiração, também não ganhou Copa do Mundo ou Olimpíada. É do escrete dos sem-taça e futebol reluzente.

                  A cerveja tornou-se amante perseguidora e o almanaque de desenhos delirantes nos campos floridos de Buenos Aires, da Espanha, Itália, Turquia e dos Emirados Árabes perdia a fotografia da velocidade. O corpo não obedecia o cancioneiro cerebral.

                  Aos 40 anos, El burrito Ortega é a fantasia de um tempo em que a pronúncia clássico se fazia forte e imperativa, verdadeira e sem apelos pirotécnicos de mídia. Brasil x Argentina era desfile de malícia, dribles e êxtase na torcida. Ortega em Natal será a certeza de que alguns homens nasceram para crescer e florescer como crianças. Pela opção por  brincar de futebol.

                  Dívidas trabalhistas

                  Todo mundo sabe que todo mundo sabe que ABC e América sofrem com dívidas trabalhistas. Nada do que é humano me é estranho, diria o filósofo Terêncio, ao ler nas redes sociais a overdose de veneno sobre o tema justamente na hora do desespero dos maiores rivais.

                  Sindicalismo de opção

                  Não se vê, de forma alguma, a vitalidade jurídica do Sindicato dos Atletas na defesa de colegas de times menores. A voracidade é toda para cima do ABC e do América. Opção estranha porque o sindicalismo foi feito para os mais humildes.

                  Somália e o perigo

                  O meia Somália está certo quando insiste nos cuidados que o time do ABC deve ter hoje quando a vitória sobre a Lusa será um alívio. O risco de rebaixamento existe. A derrota será terrível pela pressão na reta final.

                  Camilo

                  Menos pela expulsão de Gilvan, o goleiro Camilo não merecia a reserva do ABC. O problema de Camilo é a serenidade confundida com conformismo. Gilvan começou bem. Veio caindo de produção, sobretudo na saída de gol em bolas cruzadas.

                  América

                  Três pontos ou nada feito. Três pontos ou agonia. Três pontos para a torcida ter o direito a um naco de alegria. Três pontos para a luta prosseguir, sofrida e com valentia vermelha, a firmeza de uma tradição sólida e esquecida.

                  Icasa sem dois

                  Para o jogo decisivo contra o América, o Icasa não contará com o volante Rodrigo Vitor e com o atacante Lucas Gomes. Os dois jogadores estavam “pendurados” e acabaram recebendo o terceiro cartão amarelo contra o América/MG. Lucas Gomes foi o autor do gol de empate contra os mineiros.

                  PF em campo

                  Amanhã, seguem os jogos da Polícia Federal. Às 17h45, confronto entre PF e Polícia Militar. O segundo jogo é Polícia Rodoviária Federal x Tribunal Regional do Trabalho. Encerrando a rodada, Corpo de Bombeiros x Tribunal de Justiça.

                  Gols literários

                  Nas gôndolas de Natal – algumas boas dicas literárias. O divertido a.z – d.z. O Flamengo e o Mundo antes e depois de Zico, de Aldízio Barbosa e Marcelo Rosenthal. A biografia de Zico entrecortada por importantes fatos políticos, mudança de comportamentos e épocas e a genialidade do Galo.

                  Montalbano

                  A literatura policial pede licença com dois craques. Andrea Camilleri e Luiz Alfredo Garcia-Roza. Camilleri reapresenta o detetive Salvo Montalbano enfrentando mistério religioso em A Caça ao Tesouro.  Garcia-Roza traz o delegado Espinoza em nova aventura pelo Rio de Janeiro de lirismo resistente. Um Lugar perigoso é o título simples e apropriado.

                  Pepe dos Santos

                  Pepe dos Santos foi o maior repórter policial do Rio Grande do Norte. Não trabalhei com Pepe. Fui seu concorrente, ele no Diário de Natal, eu começando na Tribuna do Norte. Figura magrinha e alegórica, me deu vários olés. Pepe não tinha texto, tinha faro. Muitas vezes pensei que Pepe chegava primeiro que o próprio crime.

                  Sem sucessor

                  Pepe é outro que morre sem deixar vestígios de sucessor. Era a antítese do repórter padronizado. Cheirava a notícia, esbanjava percepção. A morte lhe era corriqueira, a morte para ele era a notícia. Nada pessoal.

                  Detetive

                  Pepe foi detetivesco. Subindo e descendo a ladeira da Rio Branco e percorrendo o Itep, delegacias infectas e a Secretaria de Segurança, hoje prédio histórico e arruinado como tudo o que é velho é desprezado em Natal.

                  Não dormia

                  Pepe simplesmente não dormia sem que a notícia estivesse rabiscada para o redator tornar legível. E seguia rastreando pistas até descobrir – várias vezes antes da polícia – que nem sempre o culpado era o mordomo.

                  América na boa

                  Era o Campeonato Brasileiro de 1973 e no dia 11 de novembro, o América enfiava 3×0 no CRB em pleno Estádio Rei Pelé, gols de Osvaldão (2) e Gilson Porto. Eram tempos de vitórias e altivez. Eram tempos da conquista da Taça Almir, como a melhor campanha do Norte e do Nordeste.

                  Times

                  CRB: Nei Vermelho; Tadeu, Bibiu, Major e Altair; Roberto Menezes, Gilmar e Orlandinho (Mica); Roberval (Mano), Silva e Sarão. América: Ubirajara, Ivã Silva, Scala, Mário Braga e Emídio; Paúra, Careca e Hélcio Jacaré; Almir (Gilberto), Santa Cruz (Osvaldão) e Gilson Porto.

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                    ABC perdeu para o ABC – Rubens Lemos

                    Bateu sincera irritação depois da derrota do ABC para o Vasco no ex-Maracanã. O ABC perdeu para o ABC, tão ruim é o time destruído por Roberto Dinamite. O ABC teve a chance histórica de sapecar uns 3×0 no adversário fraco, dependente quase químico do meia Douglas, autor do gol de pênalti.

                    E que pênalti ridículo! Começou pela burrada do lateral Madson perdendo uma bola que tinha sob pleno domínio. Depois, o zagueiro Diego Jussani, numa mediocridade cavalar, bateu de pé mole, de biquinho. O goleiro Gilvan saiu atrasado e derrubou o atacante.

                    No finalzinho do primeiro tempo e depois de o ABC perder duas chances claras de gol, uma delas, óbvia, cristalina, com Rodrigo Silva chutando para fora no miolo da grande área. O ABC estava bem postado dentro de suas limitações enormes. Tocava a bola e enervava a caricatura do que um dia era chamado de Clube de Regatas Vasco da Gama.

                    Juro que senti saudades sinceras da brutalidade caneluda do carniceiro Pradera, de 1976/77, do mastodonte Domício Camburão, da dupla de fidalgos Arimatéia e Toté, campeões de 1990 que, quando não matavam, aleijavam. Faltou alguém para ser macho e mandar a bola que originou o pênalti para as luxuosas cadeiras da arena com uma bomba, um chute de beque de roça, de sujeito-homem que sabe das suas limitações e rebate para evitar desastre.

                    Diego Jussani parecia abduzido por uma nave invisível. Até os marcianos iriam se chatear com seu papelão. Todo torto, todo morno, sem personalidade, demonstrando um medo que não combina com time de massa. Deu uma amarelada, tenho fortes suspeitas. Diego Jussani entregou uma vitória que se desenhava sem atropelos.

                    O Vasco apenas cercava o ABC e não ocupava o ataque. Seu meio-campo é incapaz de criar uma confusão, que dirá armar um ataque. Douglas é sua reserva criativa, canhoto das melhores castas, hábil e inteligente. Solitário Douglas. O tal do Kleber é centroavante de beira de praia, fica rodando sem destino e fazendo gracinha, peitando árbitro. É preciso encontrar o irresponsável que um dia disse a Kléber que ele era craque.

                    O ABC perdeu para si mesmo. Perdeu para a sua apatia e pela tríplice incompetência de Madson, do goleiro Gilvan e, lambança das lambanças, do obtuso Diego Jussani. Zagueiro que se preza não ganha Belfort Duarte, dizia o falecido xerife Moisés. O Troféu Belfort Duarte era concedido ao jogador bonzinho que passava 10 anos sem receber punição. O ABC não merece Diego Jussani nem a agonia inerte que suas pernas provocam.

                    Incrível

                    O técnico Roberto Fonseca ainda elogiou o desempenho do time. Incrível. Deveria afastar os responsáveis pela derrota mais imbecil dos últimos anos no ABC. O jogo contra a Lusa é final.

                    Confusão

                    O atacante Isac chamou de confusão a enrascada que o América se meteu na Série B, perdendo, com incompetência copiada pelo ABC, em casa, para o Boa Esporte. Também foi de irritar.

                    Pimpão

                    Na ânsia de ser artilheiro e pensando nele acima do coletivo, Rodrigo Pimpão poderia ter dexado o pênalti que perdeu de forma bizarra e bisonha, para alguém mais apto. OAmérica teria largado com 1×0, feito dois e administraria o resultado.

                    Passividade

                    Há que se pesquisar a passividade do América quando leva um gol. Foram três e o aperto aumentando na reta final. O jogo com o Icasa é decisão. Não ganhou, acho que não dá mais.

                    Série C

                    Cheguei a ver uma das semifinais na Série C, com transmissão da Rede Brasil. Foi Macaé e CRB. Uma pelada. Uma decadência. Aguentei meia hora e exijo insalubridade. É para esta divisão terrível que tanto ABC quanto América podem cair. Todo ano o mesmo roteiro e ninguém aprende.

                    Bolsa-atleta

                    Apresentada na Assembleia Legislativa, uma proposta que cria o Bolsa-Atleta em nível Estadual. O projeto é da deputada estadual Márcia Maia (PSB). É uma boa se for encampado pelo futuro governo.

                    Garantia

                    A iniciativa, proposta de campanha da parlamentar, prevê a garantia de apoio financeiro em valor a ser estipulado pelo governo – e previsto em orçamento – aos atletas praticantes do desporto de base e de alto rendimento, filiados à Federação Estadual, Confederação Nacional ou pelos Comitês Olímpico e Paraolímpico Brasileiro. A bolsa terá valores diferentes em relação ao nível de disputa das competições as quais o atleta participou e participará.

                    Percentual

                    No caso de atletas que recebam outros patrocínios de pessoas jurídicas, públicas ou privadas, o pagamento da bolsa seria de 80% do valor estipulado para a respectiva bolsa de sua categoria. Além da tramitação nas comissões da Casa e a conseguinte aprovação na Assembleia, o projeto ainda passará pela regulamentação do Poder Executivo para ser posto em prática.

                    Valor

                    Segundo o texto do Projeto de Lei, o valor recebido pelo atleta beneficiado somente poderá ser utilizado para cobrir gastos com educação, alimentação, saúde, inscrições para competições, passagens para eventos esportivos, transporte urbano e aquisição de material esportivo, exigindo inclusive, a prestação de contas dos recursos advindos do benefício.

                    Duração de um ano

                    O projeto apresentado prevê que cada bolsa concedida terá duração de 12 meses para cada beneficiário, com possibilidade de renovação. O atleta beneficiado que conquistar medalha em Jogos Olímpicos e Paraolímpicos ou Pan-americanos será indicado, automaticamente para renovação da bolsa.

                    Campeonato Potiguar

                    O Campeonato local passou a ser estadual em 1974 com a entrada do Potiguar de Mossoró. Antes, eram os clubes tradicionais de Natal – ABC, América e Alecrim, mais alguns sacos de pancada: Riachuelo, Força e Luz, Atlético, Ferroviário, Racing das Rocas e até o Estrela do Mar.

                    Bom time

                    Com um bom estádio, Mossoró veio com o Potiguar que formou um time forte e fez ótima campanha. Há exatos 40 anos, por exemplo, empatou em 1×1 com o ABC pelo triangular final do segundo turno. Jogo disputado no Castelão (Machadão) para 8.535 pagantes. Alberi, de pênalti, marcou para o ABC e Aélio, que depois jogaria no alvinegro, empatou aos 32 do segundo tempo.

                    Times

                    ABC: Floriano; Sabará, Edson Capitão, Robertão e Roberto; Maranhão, Danilo Menezes e Zé Roberto (Telino); Libânio (Valmir), Alberi e Jorge Demolidor. Potiguar: Batista; Berico, Jotabê. Nivaldo e Altevir; Elói, Ananias e Ribeiro; Aélio, Valdemar e Toinho (Sessenta).

                     

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