Sérgio Alves – Rubens Lemos

Faltava-lhe somente a trilha sonora primorosa do mais antigo, o tifosi, Leone. Ele era o matador infalível da Frasqueira. Sua pistola, o oportunismo, seu faro, a primazia sobre os mortais, seu rosto, a dureza mordaz dos matadores. Sérgio Alves incorporava aos espetáculos ensolarados, a figura impiedosa e mítica do herói sem gracejos de Clint Eastwood na trilogia do faroeste espaguete do diretor Sérgio Leone.

Ao invadir a grande área, partindo em passadas de tigre no rumo da vítima em recuo de medo instintivo, Sérgio Alves carregava a autoconfiança dos vencedores de duelo de curral de cinema. Da chuteira, sacava o tiro mais rápido e fulminava o goleiro em queda de decepção conformada.

Ídolo preferido da torcida do Ceará, Sérgio Alves abrigou em seu coldre a munição alvinegra também no Rio Grande do Norte. Nasceu em Pernambuco, seu coração é alencarino, mas há lugar para o povo humilde que sacudiu em catarse coletiva nas reviravoltas dos clássicos vencidos ao minuto final do sem pulo, da cabeçada ou do corte seco para o chute no ângulo superior do pobre zelador de traves.

Não, não, jamais foi uma simpatia pessoal o artilheiro maior dos últimos 20 anos do ABC. Sérgio Alves chegou em 1998, antes, durante ou depois da passagem gloriosa de outros atacantes respeitáveis: Cláudio José, Claudinho, Robgol, Júnior Amorim, Reinaldo Aleluia, Leonardo, Joãozinho Tarugo, Barata, o menino Wallyson do show nos 5×2 sobre o América em 2007, marcando sua escalada nacional e o gigante Leandrão do título da Série C.

A todos, sobrou competência, cada um a seu estilo, cada qual a seu tempo, ao seu modo de destruir o oponente. Sérgio Alves escreveu a superioridade da onipresença. Nas derrotas, o seu nome gritado esgotando de desespero os pulmões castigados por derrotas consumadas pela limitação dos eventuais em seu lugar. No Fluminense, na Suíça, no CRB, no Ceará, Sérgio Alves jamais deixou de estar na ordem do dia do ABC.

Sua figura impunha a diferença emocional e imperativa dos jogos mais importantes e decisivos. O corriqueiro nasceu para a pelada, o diferenciado cresce quanto maior o desafio. O covarde se esconde diante do gigantimo do clássico, o guerreiro pinta alma com a tinta do sangue pátrio e clubístico para sobressair.

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Assim era Sérgio Alves. Fosse como um hábil meia-atacante, camisa 10 trazendo a bola a partir da intermediária e jogando-a no meio das pernas do marcador, ou na plenitude do sumário comandante de área ao finalizar na surpresa dos imprevisíveis.

No espaço esquecido do Machadão que um dia foi, o alucinado de arquibancada encontrará em sua busca saudosista e apaixonada, a gota do suor de Sérgio Alves ao saltar, elástico e desafiando leis físicas, para aplicar uma bicicleta de antologia empatando um jogo perdido contra o América em 2001.

Na retina cansada dos devotos dominicais, ressurge, cristalina, a imagem de Sérgio Alves matando no peito e batendo forte, à meia-altura e com violência, para marcar um dos seus primeiros gols pelo alvinegro contra o América, fortíssimo time de Série A e Campeão da Copa do Nordeste de 1998, ano de sua chegada à velha Vila Olímpica.

Sérgio Alves chegou como esperança derradeira para a conquista do bicampeonato liderando um time mediano e guerreiro contra a elegância clássica de Moura, o mouro, de camisa vermelha.

Compôs com Robgol, uma dupla impiedosa no tricampeonato de 1999, tabelas e tiros certeiros à marca do pênalti, a forca retratada nos filmes de Clint Eastwood fumando e hipnotizando o inimigo com seu olhar glacial de sentença.

Sérgio Alves ia e voltava. Deus no Ceará. Mas sempre acabava vestido de ABC. Aos 35 anos, lá estava atalhando caminhos, armando emboscadas, subindo ao ataque como se penetrasse desfiladeiros. Outros gols, decisivos, sutis e serpentários, novo título.

Sérgio Alves encarava um jogo com a paixão dos que partem para a guerra, para a batalha onde a vida está na ponta da chuteira ou no duelo de cabeça. Um chapéu de cowboy comporia bem o seu figurino real, jamais de personagem, porque brincar de futebol nunca fez parte do seu vocabulário.

Com Sérgio Alves, a explosão da massa em transe, era a síntese cinematográfica dos faroestes imortais na primeira pessoa do título da película: Matar ou Morrer, Matar o Facínora, Ser o Homem Só e o Destino (do gol). Sem delírios de simpatia, ele era bom, letal e artilheiro. O Clint Eastwood fatal que a Frasqueira revê a cada lembrança do velho estádio emocional e insubstituível.

Alex Fabiano

É este o homem que manda no ABC. É ele quem domina as redes sociais em comentários irônicos e desesperados de torcedores aflitos com a possibilidade de queda para a Série B. Alex Fabiano, antes figura de bastidores, agora ganhou status de manda-chuva de uma instituição popular.

Sentimento zero

Alex Fabiano tem todo o direito de ser empresário de futebol. Nada contra a pessoa. Alex Fabiano, empresário, não deve nem pode ter sentimento ou coração de torcedor. Ele visa o lucro. O ABC virou o seu laboratório. Está pagando caro. Passe Livre oferece a Alex Fabiano o espaço que ele quiser dentro dos limites da coluna para se apresentar. A Frasqueira precisa saber quem ele é. E porque ele é.

Rogerinho

Sacanagens à parte, é menos ridículo ter Rogerinho, que quando quer, produz algo palatável, do que manter o ex-jogador Gil no ABC. Rogerinho desmoralizou o clube, hoje engessado pela escassez de talento e joga até de costas onde Mendes e Xuxa trombam.

Fernando Henrique

Foi bom para o América e para Fernando Henrique o fim da relação. O goleiro não estava em condições de jogo por causa de uma contusão e não manteve regularidade. Andrey é bem superior. Fernando Henrique merece ser feliz. Longe do América.

Vermelho de Paixão

Está cada vez melhor o site Vermelho de Paixão, do grande Sérgio Fraiman. É, de longe, o mais informativo canal de comunicação do América. Leve, bem interativo, sereno nos comentários, aceso o tempo inteiro. Um exemplo de que o amor não cega. Aproxima.

Roberto Firmino

Quando ouvi o nome, pensei em um médico, advogado ou jornalista. É o novo atacante do Brasil. Oremos todos. É o que resta fazer.

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    Cigano e milagreiro – Rubens Lemos

    Rodar o sertão fazendo reportagem sempre é uma delícia. O contato direto com o povo, a simplicidade do boteco, a cerveja gelada ao fim da missão, o pastel banhado em óleo e a certeza de que somente se chama de profissional aquele apresentado à vida do jeito que ela é, sem maquiagem.

    No interior, cansei de encontrar com cigano em beira de estrada. Tenho o hábito de comprar bugiganga e arte interiorana, talha, imagem de santo para presentear carolas familiares, frutas, feijão verde, queijo, ah! O queijo de manteiga derretendo ao sol inclemente das secas que transportei para velhas páginas dormidas em arquivos.

    Cigano é assim. Você tem que respeitar sem temer. Se ele sentir qualquer sinal de medo, monta em cima da moral alheia. Toma o dinheiro do otário. Começava a abordagem quando saía do bar para olhar a movimentação na praça, a circulação dos vendedores ambulantes, dos sacoleiros, dos personagens simbólicos de cada lugar.

    “Filho de Deus já sofreu muito por causa de uma mulher”, dizia o sujeito de olhos revirados e sacolejos ensaiados para assustar. Ora, quem não ficou triste na vida por um namoro acabado na adolescência, um fora levado no colégio da menina desejada?

    Nunca desembolsei mais do que moeda de cinco centavos, mas vi motorista de equipe de reportagem ajoelhado e chorando, como se o sabido vestisse hábito de santo. “Filho de Deus tenha cuidado, que tem gente de olho gordo na vizinhança. Gente querendo o mal de Filho de Deus, invejando o carro novo que ele comprou!” E lá se foi o babaca tomar satisfação com o vizinho inocente ao chegar a Natal. “Desde que eu troquei meu Corcel pela Belina Dois você não olha direito para mim!”. Crê quem quer.

    Roberto Fonseca, o novo técnico de um ABC cada vez mais caduco de futebol, é um senhor cigano. Rodou por vários times, circulou pelas paragens diversas do país e até em Natal trabalhou sem maiores consequências no América.

    Fosse o treinador Roberto Fonseca o Cigano Belisário, famoso apostador de campanha política dos anos 1960 no Rio Grande do Norte, nenhuma diferença faria. Feitiço de cigano virar verdade somente quando Aluizio Alves (que reverteu ofensa em marketing pessoal), revolucionou o Estado no seu Governo transformador.

    O ABC está longe de ser um time. E é a falta de um time o problema que Roberto Fonseca resolverá se for capaz de fazer milagre. Pela biografia, parece que não faz. Cigano não ensina Xuxa a bater pênalti, nem corrige malandragem de Dênis Marques.

    Roberto Fonseca, Belisário ou Telê Santana redivivo, não poderiam mudar, na hora decisiva, um amontoado em que não se distingue o que é defesa, meio-campo e ataque. Setores que sequer existem. É impossível ler e decifrar a mão do ABC. Os pés são previsíveis. Pífios. De futuro complicado.

     

    Série A

    Alguém lembra quem prometia colocar o ABC na Série A? Com que cara estará este otimista numa hora dessas? Foram as primeiras rodadas ilusórias.

    Pimpão e Roberto Fernandes

    Eis a seleção da última rodada da Série B de acordo com o Portal Futebol do Interior, um dos mais acessados do país: A excelente atuação de Rodrigo Pimpão na vitória sobre o Vasco, rendeu ao atacante a convocação para a seleção da rodada, que tem no comando técnico Roberto Fernandes.

    Os escolhidos

    A seleção ficou assim: Murilo (Paraná), Rodnei (Ponte Preta), Tiago Carvalho (Boa Esporte), Vitor Hugo (América-MG) e Bryan (Ponte Preta); Mauri (Icasa); Edgar Junior (Joinville), Pimentinha (Sampaio Corrêa), Rodrigo Pimpão (América), Cafu (Ponte Preta) e Kayke (Atlético-GO).

    Para Washington do Alecrim

    Washington Fernandes, presidente do Alecrim: estou solidário a você e a seu filho, barrados de forma estúpida, grosseira, inexplicável, do suntuoso templo do futebol pobre do Rio Grande do Norte antes de América 2×0 Vasco. Pai e filho que vestiam a camisa do Alecrim foram impedidos de entrar. Agora, além da subserviência, burrice.

    Topeiras

    Os novos donos do futebol do Rio Grande do Norte entram no rol das idiotices históricas. Jogavam América x Vasco e duas pessoas com a camisa do Alecrim não entram por regras de segurança. É o desconhecimento da própria essência de paz e alegria do Verdão, tão sofrido.

    Imagine

    Mal comparando, o torcedor do Bonsucesso, uniformizado, não será o causador de qualquer tumulto que vier a acontecer num jogo entre Flamengo e Fluminense ou num Vasco x Flamengo. É por aí. É preciso, urgentemente, instituir o Troféu Cangalha. Com Padrão Fifa.

    Livro de Barrote

    Hoje a penumbra da boca da noite se irmana à tentação madrugadora. É o lançamento do livro E se Fosse Nilson…, com histórias deliciosas do ex-atleta e professor Nilson Barrote. Casos verídicos de um personagem com potencial para o escrete do mestre Ariano Suassuna. Nilson é o improviso desconcertante no humor autêntico. Um desligado sensacional.

    Fábio e a iniciativa

    Coube ao professor Fábio Lisboa, da velha ETFRN, contemporâneo de Nilson, reunir durante anos, episódios de puro nonsense, que o desconhecido não pode desacreditar pela legitimidade de quem conta, com detalhes e qualidade de escrita. Fábio Lisboa é bom de Educação Física e bom de escrita.

    O lançamento

    O lançamento começa às 18h30 na AABB, convidativa a cerveja gelada, ao tira-gosto, ao papo e ao reencontro de gerações de alunos e fãs do Nilson Barrote professor e magistral goleiro de futebol de salão. Li o livro e ri muito. Pelas histórias incríveis e a alegria que a homenagem proporciona ao meu professor de sorriso gigante do tamanho do coração.

    Longe dos longes

    Nilson Barrote nem lembra, mas foi ele quem primeiro fascinou o redator de Passe Livre, menino de 11 anos, com suas defesas impossíveis e arremessos perfeitos para o pivô, artilheiro estiloso e implacável Clóvis em 1981, ano do tricampeonato do ABC.

    O primeiro time

    Palácio dos Esportes lotado para ver: Nilson Barrote; Beto Coronado, Leonel, Clóvis e Cabral. O versátil Juca iniciando a carreira brilhante. Técnico: Jucivaldo Félix. E eu, emocionado, inscrito para sempre no mundo de um esporte maravilhoso, que me encantaria ainda mais ma magia canhota do driblador Dennis Lisboa, irmão de Fábio, autor do livro. Todos na AABB às 18h30 que Barrote merece.

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      Corre, Pimpão – Rubens Lemos

      Lá vai Pimpão cortando caminhos, alargando horizontes, criando alamedas, desenhando avenidas, cruzando faixas, atravessando o trânsito, ultrapassando os zagueiros, cruzando a reta de chegada e matando o goleiro Martin Silva, do Vasco e da seleção uruguaia.

      Lá vai Pimpão, puxando em sua corrida liberta, as angústias acumuladas da torcida rubra, arrastando esperanças vermelhas pelo campo da reconstrução na Série B.

      Lá vai Pimpão em arrancada moleque e inalcançável, caçado e incansável, indomável artilheiro fulminando o Vasco e reacendendo a chama rubra na Arena das Dunas sem tempero popular mas pulsando pelo coração americano multiplicado em cada um dos presentes e alucinados pela vitória.

      Lá vai Pimpão, o goleador que parte para a desforra e agride sem bola o zagueiro do Vasco. É Pimpão em forma de fúria, de briga e de gana, de suor, de lama e de grama. É Pimpão marcando um gol sonhado pela irmandade geral do torcedor, do potentado ao remediado, ambos socorrendo o pobre com o naco de cédula para completar o ingresso: o gol que estufa a rede, que explode o coração, que lava a alma, que consagra o ídolo.

      Roberto Fernandes

      De forma alguma é coincidência a participação de Roberto Fernandes na vitória do América sobre o Vasco, fundamental para a permanência na briga para fugir do rebaixamento. O jogo de ontem teve a cara dos desafios de Roberto Fernandes: aparentemente desiguais e estimulantes. Jogos para quem é bom de beira de campo e guerreiro de vestiário.

      Andrey

      Com seu indefectível capacete, o goleiro Andrey não teve maiores dificuldades para conter o ataque do Vasco. Quando foi chamado a intervir, Andrey esteve seguro, mostrando que é um dos melhores goleiros do Nordeste. Basta estar com a cabeça tranquila.

      Recreio

      Nos anos 1960, de tanto o Santos ganhar dos quatro grandes do Rio de Janeiro, o Maracanã passou a ser chamado de Recreio dos Bandeirantes. O Recreio do Terror do Vasco é a Arena das Dunas. Nela, apanhou do ABC e foi eliminado da Copa do Brasil. Tomou vareio do América e saiu de perto da liderança da Série B.

      Desespero

      O ABC perdeu com justiça do Joinville, entra na faixa do desespero na aproximação da degola e desespera sua torcida pelo péssimo futebol. O Joinville não aplicou uma goleada histórica quem sabe por piedade. O ABC não tem defesa, meio-campo nem ataque. O ABC só tem as camisas, os calções, os meiões e as chuteiras. As luvas do goleiro, tem às vezes.

      Empate técnico

      Baseado nos institutos de pesquisa, ABC e América estão empatados tecnicamente na Série B. O ABC tem 35 pontos e o América soma 33. Pela margem de erro de 3 pontos, pode até ser empate rigoroso.

      Rodada

      Cruzar dedos e orações na sexta-feira. América fora contra o América (MG). ABC contra o Paraná em Natal.

      Dênis Marques

      Duvido que Dênis Marques continuasse embromando o ABC com Bira Rocha de diretor de futebol. Sairia do Frasqueirão puxado pelas orelhas. Ou à base de chinelada. Dênis Marques fez dois gols contra o América e desde então, é visto apenas em visitas ao Google.

      Zé Wilson

      Ser lembrado é muito melhor do que oferecer presentes. Grato ao dirigente alvinegro José Wilson Gomes Netto, leitor de Passe Livre, que me trouxe duas preciosidades de sua mais recente viagem ao exterior: um manual completo sobre futebol editado em espanhol pela Fifa e o Guia da Liga dos Campeões 2014. Devidamente agendados para leitura.

      Lusa

      Clube que revelou Djalma Santos, Julinho Botelho, Leivinha, Enéas e Denner, a Portuguesa de Desportos caminha para a Série C e a extinção. Seus jogadores estão em greve branca, ou seja, sem salários, fazem corpo mole e a queda de divisão, extinguirá mais uma legenda do passado. O Vasco está a caminho.

      Boa iniciativa

      A Câmara analisa o Projeto de Lei 7526/14, da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), que obriga a União a conceder passagens aéreas ou terrestres para atletas brasileiros de modalidades olímpicas e paralímpicas de alto rendimento, para participação em competições regionais, nacionais e internacionais.

      Investir nos atletas

      Para a deputada, o Brasil vem perseguindo o objetivo de se tornar uma potência olímpica, e a melhor forma de alcançar esse objetivo é investir nos atletas. “São eles que mobilizam as paixões e a torcida dos brasileiros, cuja autoestima se fortalece a cada vitória, nos campos, nas quadras, nas pistas, nos tatames”, disse.

      Acompanhante

      A proposta inclui passagem para o atleta e seu técnico, e pode incluir o responsável legal caso o atleta seja menor de idade. No caso de atletas paraolímpicos, o apoio poderá ser estendido a um acompanhante responsável por seus cuidados especiais, caso ele necessite. Os pedidos devem ser acompanhados do convite ou convocação da entidade representativa da modalidade.

      Hospedagem

      Apenas em caso em que as competições tragam benefícios diretos ou indiretos ao esporte brasileiro, poderá ser concedido o benefício a atletas que moram fora do Brasil. E a proposta também abre a possibilidade de a União conceder hospedagem, alimentação e translado aos atletas e respectiva comissão técnica.

      Regulamentação

      Pela proposta, a solicitação do benefício, sua análise e prestação de contas devem ser regulamentadas pelo Ministério do Esporte. E a União poderá transferir recursos para estados e municípios que adotarem leis ou programas de incentivo semelhantes.

      Na moedinha

      A primeira e breve passagem de Carlos Alberto Parreira na seleção brasileira durou pouco e foi lamentável. Em 1983, comandou um time que, para se classificar à final da Copa América, decidiu no cara ou coroa a vaga contra o Paraguai, após dois empates. Ganhou na moedinha. Faz 31 anos agora. O Brasil perderia a Copa América para o Uruguai e Parreira, o emprego.

      O jogo

      Brasil e Paraguai (0x0) jogaram para 75 mil pessoas no Estádio Parque do Sabiá em Uberlândia (MG). O país estava de ressaca moral pela venda do seu maior ídolo, Zico, que saiu do Flamengo para a Udinese da Itália em junho.

      Times

      O Brasil de Parreira: Leão; Leandro, Márcio Rossini, Mozer e Júnior; Andrade, Jorginho e Renato Pé-Murcho (Tita); Renato Gaúcho (Careca), Roberto Dinamite e Éder. Paraguai: Roberto Gato Fernandez; Torales; Surián; Delgado e Jacquet; Benítez, Olmedo e Florentin; Romerito, Cabañas e Milciades Morel. Técnico: Ramón Gonzalez.

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        Antônio Maria – Rubens Lemos

        Antônio Maria, cronista, consagrou o cansaço e o diferenciou da preguiça ao prever a velhice chegando e ele, ao fim. O maior cronista brasileiro, fulminado por um ataque cardíaco há 50 anos numa esquina carioca, reduto sentimental de sua propriedade, escrevia o que a princípio se desenhava tristeza.

        Antônio Maria jamais aceitou a banalidade. Humilhava a mediocridade com ironias demolidoras. Irritações de lâmina. Nos seus textos, o cotidiano se eternizava em preciosidades efêmeras.

        Antônio Maria nunca tolerou a hipocrisia, tampouco economizou em sentimentos. Amou demais, sofreu ainda mais. Um gênio trágico. Pintou de preto seu apartamento ao perder o amor de Danuza Leão, a musa da Belle Époque, para o jornalista Samuel Wainer, brilhante bessarabiano e praticante da reportagem e do nacionalismo.

        Naquele tempo, Antônio Maria já estava cansado. Da burrice, da intromissão, dos imbecis incontroláveis. De virar a noite, depressivo, fechar o Beco das Garrafas, multiplicar-se em porres e produzir poesia amarga de dor e magistral de sentimento. Dormia duas horas por dia, redigia peças de estilo, textos para teatro, programas de radio e televisão, compunha canções belas sintetizando a esperança como profissão brasileira.

        Antônio Maria é para ser lembrado. É quando dormem, ele dizia, que as pessoas boas menos se parecem com os mortos. É no cansaço que é preciso procurar Antônio Maria. Às vezes, tem dias que a gente se sente. Simplesmente esgotado. E não pode ficar calado à idiotice perversa que se modernizou e institucionalizou décadas depois do cronista da melancolia carioca. É melhor esbravejar exausto. Do que acabar fulminado numa esquina sem dono.

        América x Vasco

        O América pode vencer o Vasco se resolver voltar a jogar futebol criativo. No domingo à tarde, observei de longe a figura imperativa de Moura, grande camisa 10 da Era Machadão. Moura não temia ninguém em suas passadas e gazela e seus dribles de minifúndio. Deu saudade das tardes de festa. Moura pode ser a inspiração para aqueles que não jogam 0,05%do seu futebol.

        Jogos históricos

        O América fez um milionário da Loteria, o goiano Miron Vieira, em 1975, vencendo o Vasco em São Januário com gol do meia Washington. Foi um feito histórico. O América de hoje não chega nem perto do América de Washington. O Vasco de hoje também nada é diante do time derrotado há 39 anos.

        Criatividade

        O mínimo de criatividade será vital para o América. O Vasco é um time sem imaginação no meio-campo, joga com três cabeçotes de área chefiados pelo veterano argentino Guinazu. Os três não tratam bem a bola, prerrogativa exclusiva do ótimo meia Douglas, ele, sim, um senhor armador. O Vasco melhora apenas quando o uruguaio Maxi Rodriguez. Kléber volta ao ataque.

        Torcer

        Xenófobos devem ser desprezados. Essa história de quem é potiguar deve torcer somente por clube potiguar é uma tese que se respeita. Mas não se caia no campo perigoso da segregação e da intimidação.

        Cultura

        É da cultura de nossa terra torcer por um time de Natal e outro do Rio de Janeiro sem que se perca o amor pelo clube local. Eu sou ABC sou Vasco, gosto do Santa Cruz no Recife e ninguém, ninguém mesmo, vai me impedir de ser assim. Nem tem o direito de contestar o direito constitucional da liberdade de expressão.

        ABC e medo

        O ABC divulgou a relação de jogadores para enfrentar o Joinville, vice-líder da Série B. O que vem mal, pode piorar. O ataque titular não joga e o torcedor terá Zambi e Beto ou Zambi e Alvinho. De todos os convocados pelo técnico, dois ou três têm futebol de padrão razoável. Com extrema boa vontade.

        Time fraco

        O ABC da reta final do ano passado é muito superior ao atual. Tinha Edson explodindo, tinha Giovanni Augusto, um refinado armador, tinha Júnior Timbó em forma e querendo jogo, Rodrigo Silva em fase encantada e Gilmar sem calçar chinelinho, correndo e desbravando defesas. Hoje, é fraco o time. Na raça, conseguirá se manter na Série B.

        Pé de página

        O atentado a um posto policial militar na Zona Norte de Natal não é notícia de pé de página. É grave pela metodologia dos criminosos, semelhante à usada pelas facções purulentas de São Paulo e Rio de Janeiro.

        A arma

        O soldado estava sozinho na base da PM e não foi atingido pelo disparo de pistola .40, que perfurou a parede do lugar. Eram dois motoqueiros de capacete. Dois motoqueiros de capacete e uma arma de uso restrito da polícia. É inadmissível uma arma – a de maior poder de parada existente -, estar nas mãos de um marginal. Se ele conseguiu, roubou de quem pode portar ou usou do seu meio próprio: a burla a lei.

        Ramificações

        É urgente uma resposta enérgica da PM. Com a prisão dos bandidos a descoberta de suas ramificações. Quem atira num posto policial não é um ladravaz de galinha ou um punguista de ponto de ônibus. É do tipo agressivo, organizado e tutelado por gente ardilosa na retaguarda.

        Resposta

        Episódios como ataques sistemáticos a agentes de segurança em São Paulo e no Rio de Janeiro, começam de forma tímida e atingem a agressividade da onda sangrenta de 2006. Basta o crime perceber timidez ou fragilidade na reação dos encarregados de combatê-los com vigor extremo.

        Redução da maioridade penal

        Uma das minhas razões mais fortes para votar em Aécio Neves é a sua decisão de apoiar a redução da maioridade penal. Serei cabo eleitoral juramentado se ele conseguir aprovar prisão perpétua para matador de policial. Mas, voltando a Natal, o tiro na base da Zona Norte exige resposta. A sociedade amedrontada quer troco.

        Quem te viu

        O volante Bileu, que foi do ABC, está jogando pelo Santa Cruz certamente pela falta de opções para ocupar seu lugar. Bileu está cansado, desmotivado, sem marcar nem dar um passe de 10 metros. Chutando mal. Ainda assim, com o time atual do ABC, seria titular.

        Velhinho malvado

        Aos 38 anos e 17 gols na Série B pelo Ceará, o dinossauro magricela Magno Alves humilha meninos sem pontaria. Magno Alves deveria animar Sérgio Alves, que tem 44 anos, minha idade. Com duas semanas de treino físico, seria titular do ABC.

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          Caridade do esquecimento – Rubens Lemos

          Saía no tapa raras vezes quando o chato flamenguista xingava Roberto Dinamite na escola. Brigas bestas, de menino em intervalo discutindo a rodada de domingo na irritação de uma segunda-feira. Flamenguista não fica satisfeito apenas em torcer pelo seu time. Gosta de tripudiar, humilhar, debochar do derrotado e nos anos 1980, o Vasco apanhava muito mais do que batia.

          O Vasco era Roberto Dinamite, meu ídolo, o cara que ilustrava meu caderno socando o ar em vitórias sofridas. Quando o conheci, no antigo Hotel Ducal, onde ficou hospedada a seleção brasileira na única vez em que jogou em Natal, 26 de janeiro de 1982 (3×1 na Alemanha Oriental), tremi da cabeça ao dedão do pé ao receber seu autógrafo e um sorriso comovente pelo cinzento de uma tristeza cativante.

          Fiquei abalado quando o(maior) técnico Telê Santana excluiu Roberto Dinamite da lista dos 22 convocados para a Copa do Mundo de 1982. Uma tremenda perseguição. Roberto Dinamite fez gol e jogou muito bem, afinado com Zico ao ser convocado pela primeira vez por Telê para um amistoso contra os búlgaros em Porto Alegre:3×0. Zico e Roberto Dinamite, juntos, nunca perderam um jogo pela seleção.

          Na partida de Natal, isolado, o artilheiro do Vasco pouco rendeu. Ninguém jogou absolutamente nada, mesmo com a vitória. Sócrates fez falta, Falcão também não veio e não fosse pela ruindade dos alemães do caduco lado comunista, o Brasil, no máximo teria empatado. Como empatou contra a Tchecoslováquia em 1×1 no Morumbi.

          Vaias no Morumbi provocaram ranhuras em gloriosas reputações. Roberto Dinamite não teve paz, como não tiveram, várias vezes, Paulo César Caju, Zico, Bebeto. Tocava na bola e era xingado pela multidão pedindo Serginho Chulapa.

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          Barrado pelo pavoroso grandalhão Chulapa, à época no São Paulo, perdeu a vaga de reserva para o jovem Careca, do Guarani, habilidoso, ágil e adequado ao estilo de toque de bola da constelação que brincava com a bola.

          Careca se machucou já nos primeiros treinos em Cascais, Portugal, onde o Brasil se preparava, e Telê foi obrigado a convocar Roberto Dinamite sem sequer colocá-lo no banco de reservas em nenhuma das cinco partidas.

          Enquanto Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Leandro, Júnior e Éder encantavam o planeta bailando em variação de ritmos, do samba ao jazz, Chulapa, destoando da sinfônica, ganhava uma reputação infame: o melhor zagueiro-central da Copa perdida para a Itália. Telê Santana conseguia ser maravilhoso e teimoso.

          Roberto Dinamite segurou o Vasco sozinho no tempo de cartolas avarentos. De timecos. Aos 20 anos, comandou o improvável título brasileiro de 1974 superando o Santos de Pelé, o Cruzeiro de Dirceu Lopes e o Internacional de Figueroa e Falcão.

          Três anos depois, massacrou Flamengo, Botafogo e Fluminense na épica jornada do primeiro título que assisti pela TV. O Carioca de 1977 com Mazarópi; Orlando, Abel, Geraldo e Marco Antônio; Zé Mário, Zanata e Dirceu; Wilsinho, Roberto Dinamite e Ramon. Ele batendo o pênalti final jogando o goleiro Cantarelli para um lado e a bola entrando rasteira no canto direito.

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          Bem mais do que admiração, em Roberto Dinamite brotava ternura, uma singeleza quixotesca. Formou duplas sensacionais com Ramon, Jorge Mendonça, César, Cláudio Adão, Elói, Arthurzinho e Romário, seu sucessor rebelde e melhor atacante de todos os tempos.

          Na transição do adolescente para adulto, quando se assume o mundo sem que se combine com quem quer que seja, passei a ver o Vasco na classe superior do maestro Geovani, companheiro de Roberto Dinamite nos títulos de 1982, 1987, 1988 e 1992.

          Geovani representava a beleza estonteante que sobrava no Flamengo arrasador de Andrade, Adílio, Zico e Júlio César Uri Geller, ponta-esquerda entortador de laterais. Roberto Dinamite permanecia em mim como entidade. A coroa de ídolo já luzia imaginária na cabeça enorme do capixaba Geovani.

          Agora, sem paciência nem saco para idolatrar ninguém, me compadeço do menino alucinado pelo Roberto Dinamite destruidor implacável da própria biografia. Péssimo presidente do Vasco.

          Imagem e semelhança da lerdeza desastrada que rebaixou uma instituição duas vezes para a Série B, nivelou-se aos piores dos péssimos cartolas, praticando nepotismo e impondo o caos administrativo nefasto e devastador de uma história belíssima de vanguardismo, vitórias e avanços sociais no esporte.

          Roberto Dinamite é a caricatura do herói que já foi. Banido da vida política, já não será deputado estadual no próximo ano, contados os pífios 9 mil votos de sua vigésima suplência.

          Roberto Dinamite borrou com seu inesgotável estoque de incompetência, desenhos memoriais de uma geração inteira que chorava e lutava por ele. Hoje, Roberto Dinamite merece – com extrema boa vontade -, a caridade do esquecimento.

          No meio do caminho, o Oeste

          No meio do triste torto e esburacado caminho de ABC e América na Série B está apenas o Oeste de Itápolis (SP). Cinco pontos separam os dois maiores rivais potiguares na reta de chegada. ABC tem 35 e América, 30. Campeonato de instabilidade e incompetência.

          América x Vasco

          O América recebe o ex-grande Vasco na Arena das Dunas. Vasco em terceiro lugar graças à mencionada incompetência de Roberto Dinamite e buscando voltar à Série A ao menos entre os quatro primeiros. Vasco hoje saudoso do agradável e singelo Eurico Miranda. O América tem que vencer o Vasco e pronto.

          Maquiavelismo

          O ABC anda tendo aulas de maquiavelismo. Enche a torcida de orgulho ao vencer o Cruzeiro com golaço de Alvinho, mesmo Alvinho que faz partida desesperadora na derrota para o Luverdense, com todo respeito, time criado há poucos anos e que botou o alvinegro na roda.

          Parada federal

          O ABC vai a Joinville. Parada federal. Enfrentar o vice-líder. O ABC, com a derrota para um time que não vencia há nove jogos, precisa arrancar pontos fora de casa. E agora lembro o cara que me tentou convencer que o tal do Mendes da camisa 10 joga bola. Camisa 10 de Danilo, Alberi, Marinho, Geraldo, Sérgio Alves, Sérgio China, Cascata. Posso aceitar gracinha envolvendo Míster Mendes?

          Agonia

          ABC e América, ano após ano, massacram suas torcidas em jornadas de agonia. Sempre na angústia, sempre no sofrimento, sempre no abuso do mau futebol e no torpe jogo sujo da chantagem pelo dinheiro na hora decisiva.

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            O gol de Rômulo – Rubens Lemos

            Dou uma espiada nos rabiscos e recortes e admito que estou velho. Faz 30 anos que eu tinha 14 e vibrei até perder a voz na arquibancada duríssima do velho Estádio Juvenal Lamartine, tarde calorenta de domingo. O ABC venceu o América de 1×0 com um golaço de Rômulo.

            Na minha fase adolescente, Rômulo foi a maior esperança de craque formado no ABC. Na infância, confirmados foram Zezinho Pelé e Berg. Rômulo driblava bem, passava a bola sem erros e era um bom fominha. Se pudesse chutar e matar o goleiro, não compartilhava o lance com ninguém.

            O boleiro das antigas tinha esse doce defeito. Gostava de se exibir porque tinha o que mostrar. Paulo Rômulo era um garoto de Potilândia, na Zona Sul de Natal, pinta de surfista, bom papo, que naquele vesperal de 1984, recebeu passe perfeito de Dedé de Dora e encobriu na sutileza o camisa 1 Eugênio, seu amigo de bairro.

            Rômulo é um sujeito boa-praça. Poderia ter sido muito mais do que foi. Talvez pela falta de chances no timaço onde jogavam De Dora, Marinho Apolônio, Silva. Meia-atacante, refugiava-se na ponta-esquerda e, depois de breve passagem pelo Fluminense, terminou a vida rodando pelos campos empoeirados do Nordeste.

            Faz tempo que não reencontro Rômulo, um cara que nas minhas projeções infantis, faria história. Pode não estar na lembrança imediata das conversas de mesa de bar. Na minha memória, Rômulo, o Paulo apóstolo de minha tarde de três décadas, é inesquecível.

            Dez reais

            A ocasião faz a promoção. O ABC ofereceu ingresso a 10 reais até a tarde de hoje para o jogo contra o Luverdenese. O ABC é fruto do grito humilde do desdentado lá dos cafundós dos quarto ônibus superlotados, do esquecido nos tempos de glamour. Eles não podem ser chamados de torcedores. Eles são instituições populares.

            Começo da arrancada

            Roberto Fernandes começa sua jornada de reuperação no América neste sábado, fora de casa, topando o Bragantino, time que merece o adjetivo de qualquer um dos 20 participantes da Série B: comunzinho.

            Refis no futebol

            O futebol saiu da retranca para ajudar os combalidos cofres federais. Nada menos do que 33 clubes aderiram ao Refis, o programa de parcelamento de débitos atrasados com a Receita Federal. Entre eles estão grandes equipes como Corinthians, Flamengo, Atlético Mineiro, Botafogo e Fluminense. Mas a lista inclui também times como Paysandu, Remo e Coritiba, entre outros.

            Socorro

            Os clubes depositaram nos cofres do Fisco quase R$ 100 milhões desde agosto, com a adesão ao Refis. Em grave financeira, os clubes de futebol receberam de braços abertos a iniciativa do governo federal. O jogo foi de “ganha-ganha”: em busca de recursos para melhorar as contas públicas, o governo recorre ao Refis, oferecendo um desconto no total devido pelos contribuintes inadimplentes.

            Negociação

            O Corinthians negociou com a Receita toda a sua dívida tributária até 2011, informou o diretor financeiro do clube, Raul Côrrea da Silva. “Quando fomos rebaixados para Série B, em 2007, as dívidas do Corinthians poderiam nos levar para a Série C. O quadro de hoje é muito melhor. Voltamos a pagar tudo em dia a partir de 2011 e negociamos o atrasado agora”, disse.

            Corinthians

            O Corinthians pagou uma entrada de R$ 6 milhões e negociou os demais R$ 30 milhões, já com desconto de 25% aplicado ao saldo total devido. Aporte ainda maior fez o Atlético Mineiro, que parcelou em cinco vezes o pagamento da entrada de R$ 25 milhões. Sua dívida federal total, avaliada em R$ 270 milhões, foi reduzida a pouco menos de R$ 200 milhões graças à adesão ao Refis.

            Kalil

            Segundo o seu presidente Alexandre Kalil, o Refis é “o primeiro grande passo” para melhorar a situação financeira do futebol brasileiro. “É preciso arrumar o passado, acertando condições melhores para o pagamento das dívidas. Agora, o segundo passo seria criar uma nova estrutura tributária, específica ao futebol”, disse Kalil.

            Fluminense

            De acordo com o dirigente, o desempenho esportivo de um clube em crise financeira é contaminado. “É preciso um esforço inacreditável para evitar que o time seja abalado. Mas sempre é”, afirmou. No caso do Fluminense, o presidente Peter Siemsen informou que o clube ingressou com sua dívida de R$ 48 milhões no Refis. Com o desconto automático, o passivo caiu a R$ 32 milhões. O clube pagará R$ 5 milhões, ao todo, como entrada, e o restante será negociado em 180 meses.

            7 bilhões

            No geral, apenas em agosto o Refis rendeu R$ 7,1 bilhões aos cofres públicos. A participação do futebol parece pequena no conjunto, mas o Ministério da Fazenda está em uma fase crítica. “Parece pouco, mas é um dinheiro que não havia mais perspectiva de entrar nos cofres públicos. Para os clubes, por outro lado, é muito dinheiro”, disse um auditor da Receita envolvido na operação.

            Desconto

            Ao aderir ao programa, os clubes recebem desconto na dívida. Eles precisam pagar uma entrada de 20%, que pode ser dividida em até cinco parcelas, e negociam o pagamento dos 80% restantes em 180 meses. O pagamento no Refis é corrigido pelos juros do BNDES, hoje em 5% ao ano, abaixo da inflação.

            Inadimplência

            “Nossos problemas afetaram a performance esportiva, sem dúvida. O Fluminense pagou impostos em dia em 2011 e 2012 e teve bons anos, fomos campeões cariocas e do Brasileirão em 2012. Por conta de desentendimento com a procuradoria fazendária do Rio, ficamos inadimplentes em 2013 e o desempenho esportivo se refletiu. Se não paga salários e fornecedores em dia, o ritmo cai. Tudo vira uma bola de neve”, disse Siemsen.

            Maiores caloteiros

            Os maiores endividados do País, Flamengo e Botafogo, não comentaram. O time rubronegro, por meio de sua assessoria, afirmou apenas que “de fato entrou (o clube) no Refis, no entanto dados de modelo de pagamento e valores são internos”. O Botafogo sequer respondeu aos pedidos da imprensa , que apurou que o clube alvinegro negociou o pagamento de uma entrada de R$ 12,5 milhões em cinco meses e negociou o restante. Em grave situação financeira, a gestão de Maurício Assumpção contou com o auxílio de torcedores ricos para ajudar no pagamento à Receita.

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              Elevação – Rubens Lemos

              O jornalista Elio Gaspari preserva e fermenta o sarcasmo napolitano de nascimento. Imagine irritado após uma madrugada acordado em fechamento de edição de Veja quando a revista ainda não era bem mais que um caderno de linha editorial escancarada contra o petismo que precisa tirar umas férias e se deixava produzir pelo talento bem mais que a tecnologia. Gaspari coordenava política, corrigia os textos dos repórteres, titulava as páginas e amanhecia o dia até concluir o seu trabalho.

              Chegava em seu apartamento e seguia direto para um sono tumular de doze, treze horas. Quando entrava no condomínio em que residia, raramente encontrava alguém para dar bom dia, fora o porteiro, afinal era sábado e as pessoas dormiam até mais tarde. Elio Gaspari sabia primeiro o que o país esperava para ler no domingo no Sudeste e na segunda-feira ou terça, por aqui pelo Nordeste.

              Ao voltar de um dos tais fechamentos, encontra sob a porta um papel fechado, que abre com pressa e não rasga, pois certas imbecilidades merecem ser guardadas para que se prove que aconteceram. Estava convocada uma assembléia-geral de todos os moradores para avaliar um problema gravíssimo. A empregada do 416 estava usando o elevador destinado aos patrões, o dito social, o que segrega proprietários ou inquilinos, dos empregados.

              Para a sorte do autor da trilogia sobre a Ditadura Brasileira, a Assembléia-Geral estava marcada para uma segunda-feira à noite, dia de reunião de pauta e distribuição de missões às sucursais de Brasília e Rio de Janeiro. Elio Gaspari, o dono do 416, estava pontualmente às 19 horas, quando foi iniciada a reunião.

              O síndico, depois de um solene pigarro, enumerou as regras que norteavam o bom andamento do condomínio, a disciplina e a hierarquia entre todos os seus habitantes, respeitadas as condições de cada um, os donos e os servos.

              Com todo o respeito que o senhor merece, foi dizendo o síndico a Elio Gaspari, o senhor está ferindo de forma grave as normas básicas e elementares da boa conduta e do bom conviver entre os que por aqui transitam. Elio Gaspari, óculos de lentes de fundo de garrafa, apenas ria um desdém cínico.

              O síndico cresceu mais um centímetro e prosseguiu dizendo que o fato de o morador do apartamento 416 ser um profissional acima da média na autoridade textual, não lhe garantia o privilégio de transgredir regulamentos.

              Suspirou alto e forte, plateia fulminando o jornalista com olhares de lâmina e bradou: “A sua empregada está usando o elevador social quando temos o de serviço para os empregados. Vamos aplicar uma multa caso o senhor não a ponha em seu devido lugar!”

              Após as palmas que certamente fizeram o síndico pensar em ser vereador por alguns segundos, Elio Gaspari encerrou a conversa: “O senhor está falando de uma mulher alta, negra, de cabelos black power e avental?”. O síndico confirmou com um irritado “sim, senhor!”

              O napolitano-brasileiro de texto universal mandou na testa: “Há um grande engano: Ela não é minha empregada. É minha amante. Excelente desempenho. Dorme na minha cama. Todo dia”.

              A mulher era empregada de Gaspari e continuou subindo e descendo de elevador com as madames boquiabertas após aquela desastrada conferência. As suas colegas continuaram no de serviço, pois não tinham um patrão igual a Gaspari.

              Elevador me fez muito medo quando criança por claustrofobia. Fiquei preso dentro de um, no velho Edifício 21 de março, na Rua João Pessoa, velho centro de Natal. Foi uma missão traumática para voltar a entrar noutra geringonça. Só com ascensorista. Depois, perdi o pânico.

              Hoje, troco palavras civilizadas nos elevadores sociais. No prédio onde moro, prevalece a democracia. Nos de luxo, há carrancas, rara simpatia e monossílabos. Quando vou pelos que transportam empregados, me sinto melhor. Futebol, política, crimes, a vida de verdade. Afinal ou, ao final, em cemitério não há sepultura social ou de serviço.

              Arthur Maia versus Alvinho

              Com elegância, civilidade e alguma indignação, torcedores do América enviaram mensagens pela caixa postal eletrônica e nas redes sociais contestando uma sentença por mim imposta no texto de abertura de ontem: de que o voleio do povo, o golaço de Alvinho havia sido o mais bonito da Arena das Dunas.

              Placa

              Lembraram os americanos da pintura do camisa 10 Arthur Maia no Campeonato Estadual, driblando meio time do Globo a partir da intermediária até deixar a bola no fundo do gol. Lindo lance que valeu placa, cujo texto é meu, com muita honra.

              Artes se completam

              Reconheço que são duas, na verdade, as artes principais. Que se completam no traço e no diferencial. O gol de Alvinho foi explosão e coragem, um pulo de penhasco em gramado. O gol de Arthur Maia representou o brasileirismo puro, a ginga perdida nos esquemas toscos. Título justamente dividido por dois.

              Nem na Copa

              O fato é que, tanto Alvinho quanto Arthur Maia fizeram gols que nem Balotelli, Pirlo, Luis Suarez, Giovani dos Santos, Rafa Marques e Eto’o, astros milionários da Copa do Mundo, conseguiram sequer desenhar em papel A4.

              Desafio

              A desenvoltura e o golaço contra o Cruzeiro põem Alvinho no páreo na disputa pela vaga de titular no ataque do ABC. Ele não fez apenas o gol. Movimentou-se, teve personalidade e mostrou muito mais bola do que o irregular João Henrique, um jogador que ainda não rendeu nada acima de 5,5.

              Dênis Marques

              Dênis Marques está liberado pelo Departamento Médico. Dênis Marques precisa ser liberado mesmo é pelo Departamento do Tédio. Ele parece torcer para Rodrigo Silva fazer gol e ele continuar descansando.

              Dúvidas no América

              O volante Márcio Passos e o meia Arthur Maia, que ontem estavam no banco mas não tinham condições de jogo, deverão ser aproveitados na partida de amanhã contra o Bragantino em Bragança Paulista. Os dois jogadores foram convocados apenas para compor o grupo, diante da ausência de vários jogadores.

              Com desconto

              Os ingressos com desconto para América x Vasco estarão disponíveis até domingo pelo site do Arena das Dunas. O jogo é terça-feira e é bom reservar logo o seu. Vem vascaíno de todas as partes do país. Mesmo o time na segundona.

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                Ícaro e Alvinho – Rubens Lemos

                Ícaro criou asas de cera de mel de abelha e penas de gaivota. Ícaro sonhava fugir de Creta, na Grécia, onde estava aprisionado com o pai, Dédalo, exilado por conspiração. A mitologia grega é uma biblioteca de sonhos. Ítalo quis voar e morreu. Desafiou a natureza insistindo na sua obstinação inútil.

                Nossos Ícaros deixam a Copa do Brasil. ABC e América viveram uma lenda prática enfrentando com dignidade o Cruzeiro campeão brasileiro surrado pelo Flamengo que tem Gabriel jogando na função um dia musicada por Arthur Antunes de Coimbra, o Zico.

                O América perdeu de 1×0 no Maracanã repetindo como epitáfio honroso o placar da derrota no primeiro jogo em Natal. O jogo foi insosso e o América demonstrou fibra, vontade, resistência.

                O Flamengo não é nada demais como também não é qualquer sumidade todo agrupamento de jogadores do Sudeste de onde luziam os favoritos de tempos menos digitais e de talento colossal.

                Em Natal, o limitado ABC deixou para a história o gol mais bonito da Arena das Dunas. A maravilha produzida pelo desprezado Alvinho foi plástica, pontaria e peripécia de acrobata no salto mortal da bicicleta fulminante. Alvinho saiu do mausoléu dos esquecidos para explodir a massa esperançosa.

                O alvinegro é um crédulo. Um crédulo e um bom como os adjetivos da frase usada pelo moderado Djalma Marinho no telegrama de parabéns ao seu vitorioso adversário, o maior líder popular do Rio Grande do Norte, Aluízio Alves. Telegrama nunca respondido porque Aluízio, que enxergava malícia em Saturno, considerou a frase uma ofensa.

                A virada do ABC, esfacelado do que para ele já é tão pouco, qualidade, injetou ânimo na torcida abatida pelas derrotas na Série B. O ABC tomou dois gols tolos e até sairia classificado, não fosse a chance perdida, ridícula, do atacante João Henrique. Um jogador que erra e sorri, menos por pirraça, mais pela confissão nervosa do parco futebol.

                O homem da noite histórica foi Alvinho. Ele é um cirandeiro. Feito em casa, rodopiou pelas mãos de trocentos técnicos espertos e associados a empresários a encher de forasteiros terríveis o elenco do clube sofredor.

                Ao jogar o corpo ao ar, meter a perna com fúria e estufar as redes do goleiro Fábio, de fama continental, Alvinho estava desabafando. Representava em sua antologia aérea, o frasquerino mais humilde, que, sem dinheiro para o ingresso, ouviu e vibrou com uma obra-prima digna dos atacantes históricos vestindo preto e branco. A festa acabou. Menos para Alvinho, o Ícaro do voo e do voleio do povo.

                Dedé

                A cada jogo que vejo, procuro entender a razão de dizerem que Dedé é zagueiro acima da média.

                Vida real

                Apagada a ribalta da Copa do Brasil, ABC e América entram na vida real da Série B. O ABC recebe o Luverdense em casa precisando de três pontos para dar uma relaxada. O América sai para pegar o Bragantino em luta direta contra o rebaixamento. Dois jogos no sábado, dois jogos sem direito a glamour. É hora de provar que só os fracos não têm vez.

                Um primor

                O locutor do Canal Fox brindou seus telespectadores com uma doçura transversal ao narrar ABC x Cruzeiro. Falava sobre os desfalques do time mineiro: “O Departamento Médico do Cruzeiro está recheado de jogadores contundidos”. Um recheio de pimenta deve combinar com problemas de contusão.

                Picaretagem internacional

                Golpe em Natal, golpe na Itália, golpe na Ásia. O estrangeiro que dirigiu o Alecrim é nome internacional nas páginas esportivas e está sendo olhado com lupa especial pelas autoridades policiais. O homem que falava grosso, humilhava jogadores e jornalistas, pode mostrar sua força bruta contra outros gringos que não estão para brincadeira. Natal deveria aprender a fazer careta. Para picareta.

                Ganso genial

                O gol de Ganso pelo São Paulo, batendo de canhota, lado interno do pé, de chapa, no ângulo, resgatou o futebol-arte tão maltratado pelos teóricos. Ganso, Philipe Coutinho e Neymar no mesmo time de Diego Tardelli anima até o mais cético rabugento. Ganso é cracaço.

                Animação

                O show de Neymar em campos chineses reanimou velhos céticos. No almoço, revi meu querido abastecedor de revistas e livros antigos sobre futebol, Albimar Moraes e com ele o servidor público Canindé Claudino. Na falta de papo em meio às garfadas, escalamos, cada um, sua seleção brasileira de todos os tempos.

                Sonho de cada um

                Albimar escalou Marcos; Leandro, Carlos Alberto Torres, Orlando e Nilton Santos; Gerson, Didi e Pelé; Garrincha, Romário e Jairzinho. Canindé foi de Marcos; Carlos Alberto, Orlando, Luisinho e Nilton Santos; Clodoaldo, Gerson, Sócrates e Pelé; Garrincha e Romário.

                Meu time

                E eu recitei Taffarel; Djalma Santos, Carlos Alberto, Orlando e Nilton Santos; Gerson, Didi, Pelé e Zico; Garrincha e Romário. Depois, ninguém aceitou pronunciar o nome do volante Luiz Gustavo.

                Instabilidade

                O jornal mexicano “El Economista” fez um estudo sobre o tempo de permanência dos técnicos de futebol no cargo. Foram analisados os dez principais campeonatos no mundo: cinco nas Américas e cinco na Europa. Com base em estatísticas desde 2002, a conclusão: Brasil é o país onde os treinadores têm a menor estabilidade no cargo. A cada 15 jogos do Campeonato Brasileiro, pelo menos um técnico perde o cargo. O segundo colocado é a Itália, e o terceiro, a Espanha.

                Tolerância

                Na Itália existe uma tolerância de 40 jogos por técnico, já na Espanha sobe para 42 a média. De 15 para 40 é muita coisa. Aqui realmente é muito instável – comentou Ivan Moré ao apresentar a entrevista exclusiva com o técnico do São Paulo Muricy Ramalho, que acaba de sair de um hospital com problemas cardíacos.

                Marinho Apolônio decide

                No dia 16 de outubro de 1983, o ABC conquistava o segundo turno do Campeonato Estadual vencendo o América por 1×0, gol de pênalti de Marinho Apolônio no Castelão (Machadão). Público pagante: 21.114 torcedores. No primeiro jogo, o ABC fez 3×0.

                Times

                ABC: Lulinha; Alexandre Cearense; Joel, Alexandre Mineiro e Luis Antônio; Nicácio, Dedé de Dora e Marinho Apolônio; Curió, Silva e Dudé (Noé Macunaíma). Técnico: Erandy Montenegro. América: Rafael; Saraiva, Argeu, Otávio Souto e Wassil; Baltasar, Ailton e Júnior (Valério); Amilton Rocha, Tião Marçal (Sandoval) e Severinho. Técnico: Laerte Dória.

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                  É com ele que vamos – Rubens Lemos

                  Esquece o Japão, dá um tempo nas lembranças dos 7×1 no Mineirão, deixa Dunga e seus ataques histéricos para lá. Neymar está jogando demais e assumiu o protagonismo maduro, entrando de vez no sofisticado grupo dos supercraques testados e aprovados.

                  Releve o fato de que Neymar hoje é rei em terra de chuteiras cegas. Deixe a multidão de nulidades no deserto da insignificância. Venha comigo e ponha na estante a sua má vontade. Arquive o mau humor e admita: Neymar é outro.

                  A derrota para os alemães eliminou Neymar do rol dos bons produtos de propaganda. Neymar não vende como empolgava os consumidores antes e durante a Copa do Mundo vergonhosamente encerrada pela seleção brasileira.

                  A porrada covarde que ele levou do colombiano nas quartas, serviu para que os ranzinzas – entre os quais me incluo -, percebessem o traço de humanidade e carisma que o atacante driblador e senhor das improvisações e toques mágicos carrega em qualquer peleja.

                  Neymar conseguiu comover quando era antipatizado pela exposição exagerada na mídia comandada pela Globo, que o transformou em bibelô de sorriso postiço, de cabelo espetado e de desdém absoluto pela função que deve exercer: jogar a bola que sabe como nenhum outro no Brasil.

                  Depois de Denner, o falecido gênio que achava o drible mais bonito que o gol, é Neymar o mais próximo da sala nobre dos craques acima da média. Suas últimas atuações pelo Barcelona deram a pista de um novo homem, aliás, do homem no lugar do caricato babaca a palpitar sobre novela, videogame e coxa torneada de maria-chuteira.

                  Derrotado no evento programado para seus sucessivos shows – a Copa do Mundo -, Neymar chegou de crista baixa ao Barcelona que também não estava com moral para desprezá-lo como fez nos áureos tempos do esquema do tic-tac, do futebol baseado na posse de bola e na asfixia do adversário.

                  Repare no Neymar tímido do ano passado, quase pedindo por favor um passe, recebendo bolas quadradas dos cerebrais meio-campistas do Barça, titulares da seleção campeã mundial eliminada de maneira bisonha na primeira fase por Holanda e Chile. Neymar corria de um lado a outro, gesticulava, se humilhava e a bola não vinha, quando quadrada chegava.

                  >>>>>>

                  Foi o choque do precoce astro acostumado a dar vareios em times pequenos do futebol paulista e a mandar no Santos de uma forma tão petulante que nem Pelé ousava fazer nos tempos do mitológico time bicampeão do mundo e vencedor de 11 entre 10 campeonatos que se disputasse de 1958 até a despedida do Rei.

                  Botaram Neymar no seu lugarzinho de coadjuvante, a derrota no Brasil o fez cair na real, a mídia abutre, que consagra e destrói em segundos qualquer mito, verdadeiro ou de isopor, tornou-o secundário ou culpado e a saída foi trocar a balada pelo jogo.

                  Neymar abandonou a teimosia de disputar o impossível. O posto de melhor do mundo com Messi, algo inalcançável nos tempos de hoje. Neymar cresceu, encontrou no argentino o par perfeito e com ele está formando uma dupla de ataque capaz de ser a melhor do mundo durante uma década. Um completa o outro.

                  O Brasil depende de Neymar e ele começa a encorpar personalidade. Quando Pelé chegou à seleção brasileira, havia Nilton Santos e Didi para protegê-lo. Zico estreou aos 23 anos, no time principal, humilde, vestindo a camisa 8 e sem a responsabilidade de resolver sozinho. Afinal, a camisa 10 pertencia a Roberto Rivelino, monstro sagrado da esquerda elástica.

                  Romário estreou na entressafra de 1987, convocado pelo técnico Carlos Alberto Silva para a reserva de Mirandinha, isso mesmo, Mirandinha – me traz um Dramin B6 para enjoo e, na prática, tornou-se protagonista depois do abandono de Careca da seleção brasileira. Aí Romário, contra a vontade de Zagallo, provou porque foi o maior atacante da história.

                  Foram quatro gols de Neymar.Tudo bem, contra o Japão. Mas foram quatro gols sublimes. Ele finalizou como Romário, concluiu como Ademir Menezes, driblou e bateu igual a Zico, arrancou feito um Jairzinho, faltou a suavidade patenteada pelo Zizinho dos anos 1950.

                  Todos os citados são recordistas com quatro gols em apenas uma partida pela seleção. O recorde é de Evaristo de Macedo, categórico centroavante, que fez cinco, contra a Colômbia num passeio de 9×0, quando a Colômbia era um time formado por colonos, padeiros, datilógrafos e funcionários públicos. Juntavam na rua e botavam em campo.

                  É mirar em Neymar. É ele o condutor. Dunga é um déspota retranqueiro com mania de perseguição. Neymar está entre os maiorais. É mais fácil para ele do que foi para os outros. A diferença é que agora é Neymar. E sua solidão.

                  ABC x Cruzeiro

                  A Arena das Dunas pode receber esta noite o seu maior público com ABC x Cruzeiro pela Copa do Brasil. Dica de quem não sai mais de casa para estádio de futebol: chegue cedo, ocupe o seu lugar. Evite filas, chame a polícia ao primeiro sinal de baderna.

                  Prognóstico

                  Pela lógica, é o Cruzeiro, que o Flamengo mostrou não ser nenhuma Brastemp. Pela força do bicho gordo, o ABC limitado pode se superar. E tem o bafo da Frasqueira, ainda que seja um grito sofisticado, sem o molho popular da massa em ebulição.

                  Dênis Marques

                  Foi liberado para treinos físicos. A praia é um bom ambiente para arejar a cuca e gelar o estômago de cevada, lúpulo e água. Dênis Marques está preocupado com o ABC como os Estados Unidos com Trinidad e Tobago.

                  Sem susto

                  O Maracanã não mete medo no América. A situação contra o Flamengo hoje é menos complicada do que contra o Fluminense. O América foi lá, fez 5×2 e surpreendeu o Brasil. Com a chegada de Roberto Fernandes, o time vai ganhar fôlego para subir o Cristo Redentor e mostrar serviço. Tem que evitar logo um gol rubronegro. E fazer um no contra-ataque.

                  Arthur Maia

                  Um jovem torcedor do América me rebateu quando reclamei da queda de nível de Arthur Maia em relação ao Campeonato Estadual: “Ele joga demais. Os outros não entendem”. Faz sentido. É péssimo perguntar em português e a resposta vir em mandarim.

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                    Confiou e morreu – Rubens Lemos

                    Aspanu Fiscciolla era o grande amigo, o irmão adotado por Salvatore Giuliano, o Príncipe-Bandido da Sicília, que desafiou a Máfia, a Igreja, os latifundiários e o Governo da Itália na década de 1940 até ser assassinado em julho de 1950, aos 27 anos.

                    Aspanu participou dos primeiros roubos de trigo assumidos por Giuliano para entregar pão a camponeses famintos. Aspanu assaltou trens com Giuliano, tomou vinho, recrutou homens que formaram uma milícia tão poderosa que fez tremer a temida Questura, a polícia federal sediada em Roma.

                    O único fio que destoava da lealdade de Aspano a Giuliano era o modo com que olhava para bela Giovana, a noiva de Salvatore, o Siciliano. Mas ele jamais ousara um gesto que contrariasse o líder. Seu olhar serpentário insinuava o caráter e a (ausência) limite do escrúpulo.

                    Um dia, Giuliano invadiu o quartel da polícia e quase foi morto pelo cabo Silvestro Canio. Aspanu, em acesso de fúria, quis eliminar Silvestro à faca. “Vamos respeitá-lo, encerrou o assunto Giuliano que conquistou Silvestro, a ponto de torná-lo um dos seus capangas mais devotados.

                    Giuliano, Rodin Hood montanhês de Montelepre e sedutor, confiava cegamente em Aspanu, autor do tiro que o matou dentro de um barco de pesca de onde deveria fugir para os Estados Unidos, onde se encontraria com a bela Giovana. Aspanu havia sido cooptado pelo Governo e os mafiosos e traiu o Siciliano.

                    Quem desconfiou do plano e, em vão, avisou ao chefe? Silvestro Canio. Enquanto a pobreza italiana chorava Giuliano, jogado em frente a um prédio policial onde os Carabineri terminaram de metralhá-lo, Aspanu cumpria pena fajuta de um ano, até ser libertado e perdoado pela traição.

                    Um belo dia, recebe a visita do soturno mentor intelectual de Giuliano que, ao invés de ópio, entrega veneno, que ele ingere e morre em segundos. Antes de partir, o vingador prega um papel escrito com a frase imortalizada pelo seu ídolo e com que brindava os algozes: Assim morre quem trai Giuliano.

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                    A Itália é o berço da vindita, vendetta, vingança. Mário Puzo foi o seu maior intérprete em livros e clássicos como o Poderoso Chefão, Òmerta e o Último Chefão, além do próprio Siciliano, que transformou em lenda.

                    A origem da palavra Máfia, vem de Ma-Fia (Minha Filha), grito desesperado de uma pobre mãe que via sua criança ser estuprada e morta. Um grupo de homens juntou-se e não só matou como retalhou o criminoso. Passaram a se organizar para fazer a justiça que consideravam certa: a das próprias mãos.

                    A vingança é o segundo ato de qualquer tragédia. Por mais dolorosa, é, friamente, um gesto de fibra. Sou contra a violência e também contra a impunidade. Sou a favor da lei. Da lei dura e inflexível. Matador de poicial em service, por exemplo, merece perpétua.

                    Esqueça os discursos de mesa de bar, as teorias de seminários, as lições moralistas de amorais protetores do crime. O que você desejaria para um deflorador de bebês? Ou um assassino em série? Que piedade você sentiria do ladrão que roubasse as economias juntadas durante toda uma vida? Ou do esperto que o iludiu em sua boa-fé?

                    Claro, que a hipocrisia da nossa retórica é a do perdão. Mas como se até ele, o Nazareno, expulsou a tapas os Vendilhões do Templo? Vingança é a lei física da reação igual e contrária. O verdadeiro mal é o que a provoca. O ideal seria o bem praticado por todos. Até em filme é impossível acreditar nessa balela. Giuliano confiou e morreu.

                    Lotação

                    A torcida do ABC está em êxtase para o jogo contra o Cruzeiro. Muitas crianças estarão presentes na Arena das Dunas conhecendo o encanto de um jogo histórico. Minha filha de 14 anos, vai. Relutei, mas o sangue alvinegro pulsa forte nela. Temo a violência. Mas estará muito segura. Que ninguém se meta a besta.

                    Roberto Fernandes

                    Chega para fazer o que está acostumado. É uma espécie de SAMU dos times de Natal. Salvou oAmérica no Estadual de 2012, evitou o rebaixamento do ABC no ano passado, foi campeão no Remo desacreditado e volta por cima. Volta com amplas chances de tirar o time rubro da Zona de Rebaixamento.

                    Nome

                    Divisões pessoais no clube à parte, não havia melhor nome. Divisões pessoais no América só contribuem para prejudicar o clube, conhecido em velhos tempos pela união em torno do objetivo maior: vencer.

                    Canibalismo digital

                    O canibalismo digital no segundo turno das eleições é deplorável. As redes sociais desnudam a face pantanosa de quem se apresentava como formador de opinião. O Jet, dos ricos ou nem tanto, posudos e subservientes, desce ao nível do lamaçal junto à classe media. Outros – piores -, usam fakes, perfis falsos, versões virtuais dos purulentos dedo-duros da Ditadura Militar, que tantas vidas ajudaram a matar com subserviência colaboracionista.

                    Maldade não tem classe social

                    O combate de baixo nível mostra que baixaria não tem classe social. É maldade placentária. Os patrulheiros políticos, então, merecem o lixo do esquecimento. O voto é uno, direito individual. Ninguém deve satisfação pela escolha que faz. Quem se mete é porque é idiota carimbado.

                    Aécio

                    Meu candidato era Eduardo Campos, um homem que conheci de perto, de autenticidade, de olho no olho, de muita vida e talento para emprestar ao Brasil. Sua morte ainda é uma cutilada em mim. Voto em Aécio Neves, ele é mais preparado. Trata melhor o semelhante do que Dilma, uma mulher grosseira que tive o desprazer de conhecer.

                    Respeito

                    Mesmo assim, respeito os eleitores decentes de Dilma. Pessoas que votam sem precisar agredir ninguém. Eles têm o direito de torcer por ela e defendê-la. Deprezo aqueles que atacam os outros, ofendem e adjetivam buscando o lixo dos vocabulários.

                    A vida

                    Eleições passam. A vida fica. Vejo em algumas pessoas o receio de não declarar o voto para governador temendo perseguição política. Ódio pessoal e picuinha. Não temo. Quem sofreu efeitos de um tempo em que pensar diferente gerava barbárie e tortura, enfrenta o que vier. E convive civilizadamente com o que não vier. Na cordialidade que aprendi em casa. Não foi à toa que escrevi sobre Salvatore Giuliano.

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