Caindo no Real – Rubens Lemos

A Medida Provisória que aperta o torniquete nos caloteiros, punindo clubes com rebaixamentos e dirigentes com sanções graves, parece ter despertado a cartolagem do conto de fadas que aumentava o pesadelo do futebol. Salários astronômicos, pagos a mão-de-obra de oitava categoria, estão virando miragens. As dívidas acumuladas atraem as garras da Lei.

O ABC pagou caro pelos 50 mil do enganador Washington, o W9. Terminou saindo a mais. O América também fez loucuras, tanto que, sem discriminação,o destrambelhado Lucio Curió andava em carro de magnata canadense. Cair no real. Salário acima de dois dígitos em Natal é vendaval.

O Fluminense mandou Cristóvão Borges embora e aproveitou para economizar. Mesmo diante das críticas da torcida, optou por contratar um treinador que aceitasse um salário menor que o antecessor, Ricardo Drubscky. Seguiu o caminho de dois outros clubes cariocas, Vasco e Botafogo, que preferiram treinadores baratos a figurões que exigem altos salários. Santos e Internacional fizeram a mesma coisa.

Com clubes endividados e com uma medida provisória de refinanciamento dos débitos que exigirá boas práticas de gestão batendo às portas, os dirigentes começam a colocar os pés no chão. Perceberam ser preciso gastar menos. E um dos primeiros passos dessa nova realidade está sendo a redução dos salários dos treinadores. Os dias em que os técnicos recebiam salários de R$ 500 mil, R$ 600 mil e até mais parecem contados.

Aos 55 anos e sem experiência em times do eixo Rio-São Paulo, Drubscky assumiu o Fluminense após ter assinado contrato que lhe garante salário de R$ 180 mil mensais. É um valor R$ 70 mil menor do que ganhava Cristóvão Borges. E não adianta nem a torcida chiar, como fez no primeiro treino que o treinador comandou nas Laranjeiras.

O presidente do time carioca, Peter Siemsen, já avisou que não vai contratar mais “treinadores caros”. “O Ricardo foi uma escolha da nossa área técnica, mas, por outro lado, é preciso levar em consideração que o Fluminense vai aderir em breve ao parcelamento da dívida com o governo. Temos de nos adequar para o futuro”, disse.

Recentemente, o Fluminense perdeu um patrocinador que por mais de uma década despejou dinheiro a rodo no futebol do clube. Ou seja, de uma hora para outra, o time “empobreceu”. E precisa saber conviver com a nova realidade. “Precisamos ser comedidos nos gastos para podermos fazer essa transição de forma segura. Em um primeiro momento, teremos de limitar o investimento para sairmos forte dessa transição. Entendemos que era importante escolher um técnico com o perfil que se encaixasse dentro desse n desejo.”

Siemsen até tentou contratar outro treinador. Mas Ney Franco, que era o preferido, pediu R$ 260 mil e Argel Fucks teria exigido R$ 200 mil. O Flu ficou com a opção mais em conta.

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Também em situação financeira delicada – o pagamento dos direitos de imagem dos atletas, por exemplo, estão atrasados -, o Santos radicalizou. Mesmo com o time invicto no Campeonato Paulista, dispensou os trabalhos de Enderson Moreira, que ganhava R$ 180 mil mensais e havia reclamado dos atrasos de pagamento, e simplesmente efetivou Marcelo Fernandes, funcionário do clube com vencimentos de R$ 10 mil em carteira.

Fez mais: em vez de aumentar o salário do novo treinador, optou por pagar gratificações mensais (valor não revelado). O mesmo recurso está sendo utilizado para remunerar os dois auxiliares de Fernandes, Serginho Chulapa e Edinho, igualmente assalariados do clube.

Na prática, Fernandes e seus parceiros vão ver mais dinheiro entrar na conta enquanto estiverem em seus cargos de comando do time principal. Se caírem, voltam a receber o descrito em carteira. “Se o Santos contratar um novo treinador no futuro, os três vão voltar a fazer parte da comissão técnica do clube e perdem o direito de receber a gratificação”, explicou o presidente Modesto Roma Júnior.

O dirigente até tentou contratar um treinador de nome. Mas Dorival Junior manteve-se irredutível na pedida de R$ 300 mil mensais e simplesmente foi preterido.

Outros dois clubes cariocas também decidiram economizar na contratação de treinadores para esta temporada. Rebaixado à Série B do Brasileiro e quase na bancarrota, o Botafogo não renovou com Vagner Mancini, que tinha direito por contrato a R$ 150 mil mensais, e reabilitou René Simões, que até então vinha trabalhando como comentarista de uma emissora de TV a cabo. Salário: R$ 60 mil. É parte da política saneadora da nova diretoria.

René não reclama. Ao contrário, encara a situação sem rodeios. “Eu não estou ganhando mal, estou ganhando muito bem. O futebol brasileiro é que estava fora da realidade”, disse ao ser apresentado.

Figura carimbada no futebol, Eurico Miranda voltou a reinar no Vasco depois de alguns anos de afastamento e uma de suas primeiras decisões ao assumir, em dezembro passado, foi limitar o salário do treinador da equipe a R$ 100 mil. “O clube passa por uma situação difícil e não tem sentido pagar salários absurdos.”

Decisão tomada, mandou um emissário à casa de Joel Santana – assumira o time em setembro passado em troca de um “soldo” de R$ 200 mil -, comunicar-lhe que estava demitido. Joel esperneou, disse que se sentia injustiçado pela “paga” que estava recebendo por trazer a equipe de volta à Série A, mas não adiantou. Está vendo o Vasco pela televisão.

Até mesmo o Internacional está conseguindo economizar um dinheirinho com o treinador. Paga entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao uruguaio Diego Aguirre, que ainda não superou a desconfiança da torcida e tem o trabalho questionado também pelo ganha – há quem veja desvantagem para o clube na relação custo-benefício representada por Aguirre. Mas o clube está gastando menos que no ano passado. O treinador anterior, Abel Braga, embolsava R$ 550 mil a cada 30 dias de trabalho.

O uruguaio chegou ao Inter no fim de dezembro e desde então vive na corda bamba. O presidente do clube, Vitório Píffero, garante que ele fica pelo menos até o fim do ano. Mas, se mudar de ideia, de uma coisa já avisou que não abrirá mão: pagar salário considerado realista ao treinador que vier. Salários milionários, entende, são parte do passado.

 

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    Dunga e a Normandia – Rubens Lemos

    Londres, junho de 1944 – O general Charles Taylor Dunga, do Tennessee (EUA), esgota seu estoque de argumentos e parte ao destempero verbal. Líderes aliados decidem, após longas exposições e apresentações estratégicas, que a invasão da Europa pelas praias francesas da Normandia, embora sangrenta, representa a única opção possível para enfrentar, derrotar e varrer o nazismo da civilização.

    O inglês Montgomery, brilhante e egocêntrico, solta um sorriso debochado pela ira de Charles Dunga, que o desafia para a luta braçal e é repreendido pelo comandante supremo,Dwight (Ike) Eisenhower, futuro presidente dos Estados Unidos. Silencioso, metódico e sem superego, Ike controlou personalidades complicadas.

    Baixinho, semblante fechado, Charles Dunga especializara-se na tática chamada “carrinho de batalha volante”, na qual o guerreiro quando em confronto corporal, derruba o adversário com uma rasteira para, em seguida, bunda ao chão, abatê-lo a golpes de baioneta, vítima deitada. A invenção do general de mau humor fora reprovada no Departamento de Inteligência e espionagem dos Aliados, o que bastara para enfurecê-lo.

    Charles Dunga não pertencia ao primeiro time dos heróis infantes norte-americanos. Estava a milhas do prestígio de Ike, de Douglas MacArthur (combatente em duas guerras) e do irascível George Patton, máquina motivadora de matar, conhecida pela vaidade e competência em trucidar oficiais da Gestapo, S.S. ou explodir inteiras divisões Panzer de blindados assombrosos. Charles Dunga era uma espécie de terceiro suplente dos famosos.

    Sua reação indignada às vésperas do Dia D da Civilização, fora motivada pela transformação do seu próprio plano de reviravolta contra os alemães e simpatizantes em papel higiênico. O general Charles Dunga preferia esperar por Hitler e seus cruéis. Colocar tropas inteiras entrincheiradas no que restava a ser dominado e, escondido, metralhar os inimigos. “Hitler inicia um bombardeio incessante e estaremos perdidos. É ideia de medroso”, provocou Montgomery, antes do desentendimento.

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    O general Charles Dunga foi rebaixado a coronel pelo pensamento mesquinho, choveu muito, mas a invasão da Normandia, além de causar um literal banho de sangue, mudou o curso da história.

    Os Aliados foram redesenhando o mapa da Europa e o monstro Hitler, acuado, matou-se junto a auxiliares escabrosos, tipo o seu ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, para quem a mentira repetida com insistência, “vira verdade”.

    Fictício descarado , Charles Dunga é verdadeira versão bélica do técnico da seleção brasileira, sujeito 24 horas disponível para um quebra-pau, especialmente com jornalistas.

    Dunga CBF estabeleceu o contra-ataque de pragmatismo irrevogável e não há nada a reclamar. Fora da Normandia, livre dos seus fantasmas e no belo Stade de France, onde Zidane dançou gafieira para Dunga, Zagallo e o Brasil em 1998, a lição deu certo.

    Entenda-se a coerência de Dunga, convicto adepto da competitividade de transpiração. O Brasil não causa mais medo nos seus adversários – nem nos peladeiros das areias da Normandia – e a safra de jogadores pode ser classificada como fraca. O único craque é Neymar, reluzente de amarelo e ofuscado quando veste a camisa do Barcelona, onde não passa de mais um a completar a contrarregra de Lionel Messi.

    O Brasil venceu nas trincheiras, aproveitando bem bolas recuperadas no meio-campo onde surpreendeu a lucidez do toque de bola de Elias, um cara que vem jogando com sabedoria há certo tempo no Corinthians.

    Dunga está invicto e ganhou todas. É homem de guerra. Igualou em estatística com o jornalista João Saldanha na épica jornada de antes e durante as Eliminatórias de 1969, sete vitórias em sete jogos. Saber que time era melhor , basta perguntar ao auxiliar de Dunga em Paris, o espetacular Jairzinho, Fera de Saldanha.

    Cascata

    Deus deu o dom da superioridade futebolística a Cascata, pensador único do futebol potiguar. Ao perder dois gols por inexplicável preciosismo, Cascata desperdiçou habilidade e abusou. Mais: foi ganancioso ao chutar quando o lógico seria servir o colega Daniel Costa, livre. Pecou Cascata. Ele sabe demais, muito a mais. Errou pela incompetência em formular e agir como um corriqueiro, um habitual.

    Dois gols

    O Vitória pareceu ganhar um prêmio de caridade do América pela crise que vive. O América, inexplicavelmente, cedeu espaço. No Barradão, o Vitória será pressionado e tem tradição de eliminado em casa. Ao América, basta repetir o Colo-Colo baiano.

    Julinho

    Por ontem, pode virar nome de avenida.

    Sandro

    O meia Sandro, que deixou o ABC para jogar na Malásia, apresentou um futebol nota 6, no máximo, enquanto esteve no alvinegro. Fez bem menos que os ótimos jogos da época do Bragantino, quando aparecia no ataque e sabia armar com eficiência. Na Malásia, não vai ser difícil agradar. Até eu mereceria pôster no meio da rua. Lá, ninguém joga coisa alguma.

    Chicletes

    Sandro sai, Wellington Bruno chega e quem vem agradando em cheio a torcida é o menino Chicletes, dos juniores. Um meia bem criativo, com destaque na Copa São Paulo. Deixem apelido vigorar. É bem boleiro. Nada de batizar o rapaz com nome de praça, nome composto que é moda na mediocridade ululante.

    Graça nenhuma

    Não achei graça nenhuma no funk gravado por um preso ameaçando de morte com requintes sádicos um juiz e uma diretora de cadeia. Essa diretora, aliás, para ser odiada é porque deve fazer o serviço direito. Ou o Estado dá um basta nos criminosos ou ondas de terrorismo se tornarão comuns até morrer um rico.

    Há 38 anos

    Dia 27 de março de 1977, América e Alecrim empatavam em 0x0 no Castelão (Machadão) pela Taça Cidade do Natal – disputada antes do campeonato -, público de 4.388 pagantes. América: Batista; Ivã Silva, Joel Santana, Joel Copacabana e Cosme; Zeca, Garcia e Alberi; Ronaldinho (Rogério), Santa Cruz (Aluísio) e Ivanildo Arara. Alecrim: Sombra; Ivã Montenegro, Válter Cardoso, Gilson e Betinho; Nilson, Gonzaga e Marcos Pintado (Pepe); Natã, Fernando e Dalmo.

    Vitória do Baraúnas

    No mesmo dia, o ABC perdeu de 1×0 do Baraúnas, gol de Brito, no Nogueirão com 3.620 pagantes. O time não acertava com o técnico Neca, trazido dos juvenis do Botafogo.

    Times

    Baraúnas: Itamar; Nílton, Róbson, Eurico e Hélio; Edmundo, Jeová e Tiquinho (Quinho); Brito, Pinto e Abel. ABC: Hélio Show, Orlando, Pradera, Cláudio Oliveira e Fidélis; Danilo Menezes, Maranhão Barbudo e Zé Carlos Olímpico; Paulo César, Amauri (Tinho) e Noé Macunaíma.

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      Fé em Josué – Rubens Lemos

      Descreve o Velho Testamento que a travessia do Rio Jordão e a conquista da terra de Canaã pelo povo de Israel são milagres da fé e da persistência do profeta Josué, designado por Moisés. Josué, nos escritos bíblicos, é reverenciado como líder e vocacionado.

      Fazia muito tempo que um técnico não impressionava tanto quanto Josué Teixeira, em suas palavras lúcidas, tão logo assumiu o comando do ABC. Postura serena, firme sem alterar a voz, sem aparentar a doutrina do esporro pelo esporro, empresta o toque veterano tão indispensável para a recuperação do clube.

      Melhor foi ter visto Josué Teixeira declarar sua opção pelo ataque e sua predileção por times ofensivos, o avesso do avesso do avesso de tudo o que passou pelo alvinegro nos últimos anos, exceto na breve temporada de Roberto Fernandes.

      Cabelos brancos são indispensáveis na consolidação de um desenho humano concreto. Josué Teixeira não quer ser campeão pelo ABC pela fanfarra, pela possibilidade de conseguir contrato melhor. Quer fazer história e ser lembrado daqui a 100 anos, no segundo Centenário. Postura talhada pelo tempo.

      Frasqueira, é preciso crédito para Josué. Dar-lhe confiança e ter paciência. E existir time, afinal o milagreiro homônimo ficou nas preces e nas exaltações nem tão moderadas dos textos religiosos e místicos.

       

      Régua

      Decisões no sistema de mata-mata servem para os times passarem uma régua sobre campanhas recentes. Vale mais quem erra menos. Hoje, o América inicia sua participação nas quartas de final contra o Vitória (BA) na Arena das Dunas. Daqui a pouco, às 19h30. Prenúncio de casa cheia. O jogo está motivado.

      Negligência

      O América perdeu duas vezes para o Vitória na fase inicial por pura negligência. Na derrota em Salvador, levou um gol sobrenatural, uma joelhada do zagueiro que nenhum goleiro – ponha o russo Yashin, o inglês Banks e o alemão Maier na lista – defenderia pelo inusitado do lance.

      Azar

      Na derrota em Natal, o América perdeu vários gols e deu de presente o resultado ao adversário. Dar de presente (essa é para fanáticos que se escondem em pseudônimos e são desprovidos de cérebro) não significa entregar o jogo por desonestidade. Azar mesmo.

      Teoria de gênio

      Há uma história interessante sobre esse tipo de confronto e pariu da dor brasileira na derrota para a Itália em 1982. Terminado o jogo, Sócrates, sempre assustadoramente glacial afirmou: “Se o triangular (a Argentina participava do Grupo da Morte) fosse em ida e volta, já estaríamos na final. Foi matar ou morrer e nós morremos”.

      Hoje, outra história

      Não é o caso do América, tranquilo pelo título do primeiro turno e que vê jogadores importantes readquirindo a forma, caso do centroavante Max, que nada tem a provar em decisões. Seu nome já entrou para a história.

      Roberto monitora

      O técnico Roberto Fernandes terá o sangue ainda mais aquecido esta noite. Cobrar atenção da defesa para não levar gols e do ataque para ser sniper na pontaria. Com Cascata em campo, dez minutos que sejam, o gramado vira uma alameda de boas possibilidades criativas.

      Bala

      Aos 36 anos, o atacante Carlinhos Bala, 13 clubes na carreira, alguns com idas e vindas, é contratado pelo Potiguar de Mossoró, clube de torcida apaixonada. Sinceramente, é muita ingenuidade. Carlinhos Bala está roliço e ainda vai entrar em forma. É uma sombra do goleador atrevido e implacável do passado.

      Auge

      Quando Carlinhos Bala despontou no Santa Cruz, em 1999, o presidente era Fernando Henrique Cardoso, um ano depois de reeleito, do mesmo jeito que o governador do Rio Grande do Norte, Garibaldi Alves Filho. Prefeita de Natal, pela segunda vez, Wilma de Faria selava acordo com o PMDB que a reelegeria no ano seguinte. Seu vice, Carlos Eduardo Alves. Em 1999, o sucesso de submundo musical Era “Arruma a Mala Aí”. Melodia que Bala certamente ouviu um bocado.

      Prêmio

      A Comissão do Esporte aprovou da Câmara dos Deputados aprovou projeto que concede prêmio de R$ 100 mil e auxílio especial mensal para o atleta medalhista que tiver desenvolvido deficiência ou lesão permanente durante a preparação ou a participação em Jogos Olímpicos ou Paraolímpicos que o impeça de exercer atividade esportiva profissional.

      Benefícios

      Os benefícios só valem para o atleta lesionado que enfrentar dificuldades econômicas para se manter. Ele não terá direito se for beneficiário de seguro de vida e contra acidentes pessoais que tenha coberto o período de treinamento e de competição no qual se acidentou.

      Parecer

      A proposta (PL 7797/14), da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), recebeu parecer favorável do relator, deputado Fábio Reis (PMDB-SE), que elogiou a iniciativa da parlamentar. “A proposta valoriza o atleta brasileiro, que exerce sua atividade profissional em condições reconhecidamente desprotegidas, sobretudo aqueles oriundos dos estratos de menor nível socioeconômico”, disse.

      Exemplo

      Fábio Reis lembrou que o projeto foi apresentado pela deputada após o acidente sofrido pela ginasta Laís Souza, no início do ano passado, em Salt Lake City (EUA), quando treinava para os Jogos Olímpicos de Inverno.

      Pensão

      No ano passado, o Congresso aprovou projeto concedendo pensão vitalícia para a atleta. O projeto virou a Lei 13.087/15. De acordo com a proposta, o prêmio de R$ 100 mil será pago de uma só vez, a título de indenização, pelo Ministério do Esporte e está isento de Imposto de Renda. Se o atleta falecer, a indenização poderá ser recebida pelos herdeiros.

      Auxílio

      Já o auxílio mensal, pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), será complementar à renda do atleta, de modo que os dois somados atinjam o teto do salário-de-benefício da Previdência Social. Para 2015, o teto é de R$ 4.663,75.

      Isenção

      Sobre o auxílio incide Imposto de Renda, mas ele está isento da contribuição previdenciária. O auxílio especial mensal também será pago ao cônjuge e aos filhos menores de 21 anos ou inválidos do atleta falecido, desde que a invalidez seja anterior à data em que completaram 21 anos.

      Rodada dupla no JL

      Rodada dupla surpreendente no dia 26 de março de 1972 no Estádio Juvenal Lamartine (o Castelão estava sendo concluído). Na preliminar, o América perdeu de 1×0 para o Riachuelo, gol de Marconi. O Alecrim, com gol de pênalti de Válter Cardoso, venceu o ABC. Público. 2.711 pagantes.

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        Sem Didi e com Firmino – Rubens Lemos

        Rever o concerto Brasil 5×2 França de 1958 já não me consola. É dos maiores jogos da história do futebol e a sentença irrevogável da importância do talento para embelezar e vencer um jogo. Brasil x França me apresentou ao charme de Didi, pai dos armadores, espécie extinta. Didi dá uma aula ao seu rival de ofício e esplêndido criador, o pequenino Kopa.

        Lembranças francesas me são amargas. Nem tanto pela paulada de 1998. Aquela Copa do Mundo acabou para mim na sacanagem feita por Zagallo e Lídio Toledo com Romário, cortando-o sem piedade e deixando o zagueiro reserva André Cruz, machucado com gravidade maior, mofando na concentração até o fim.

        Hoje, 17 anos mais velho que os meus 27 daquela tarde, vejo Zidane subindo e matando Taffarel em solidariedade a Romário. Pensando com sensatez, uma seleção com Júnior Baiano na defesa é indigna de uma Copa do Mundo.

        Minha amargura vem de 1986, da derrota nos pênaltis. Da sumária execução de Zico da história de títulos mundiais, ele que foi roubado na Argentina, azarado por tabela em 1982 e jogou no México de herói que sempre foi, joelho esfolado. Perdeu um pênalti regulamentar, mas bateu e fez o dele na hora decisiva em que Sócrates e Júlio César erraram.

        Desde 1986, aquela derrota num 21 de junho, me sinto inferior a quem comemorou o Tri do México, que fazia 16 anos no sábado fatídico. O Brasil x França de amanhã, com Roberto Firmino na função de Romário, é um petardo no bom gosto. Logo abaixo da cintura.

        Novo meia

        Wellington Bruno, contratado pelo ABC para resolver o problema crônico da camisa 10 é rodado. Suas milhagens aéreas valeriam bilhetes para rodar o mundo. É (ou era) um jogador de habilidade e potencial ofensivo, com passagem sem destaque pelo Flamengo e maior visibilidade pelo Ipatinga.

        Que seja

        A Frasqueira espera que Wellington Bruno venha a repetir o que foi Giovanni Augusto em 2013, último meio-campista de futebol acima da média depois da Era Cascata. Júnior Timbó esteve muito bem naquela fase de corrida contra o rebaixamento. Uma cirurgia no joelho levou seu futebol para longe.

        Contra o Macaé

        Coincidências da vida. Wellington Bruno fez parte do grupo de jogadores do Fortaleza na Série C do ano passado, fez duas partidas, um gol e foi dispensado em novembro. Logo depois da eliminação para o Macaé (RJ), do técnico Josué Teixeira, agora seu comandante no ABC.

        Crise e perigo

        O Vitória vem a Natal juntar os cacos de sua maior crise dos últimos 15 anos. O clube, referência vencedora no Nordeste, caiu a ponto de o presidente Carlos Falcão renunciar, sem aguentar o sufoco. O jogo de amanhã torna-se vital e deve ser encarado com todo cuidado pelo América. Que pode aproveitar e abrir vantagem no saldo de gols na Copa do Brasil.

        Jantar da Arena

        O América gosta de Arena, mas quer a sua. Sexta-feira tem jantar de adesão na Churrascaria Sal e Brasa ao preço de 100 reais por cabeça. É juntar dinheiro para acelerar a obra do estádio de Parnamirim, se possível, para a Série C, com cinco mil lugares. Maiores informações é ligar para o 3211-4326.

        Violência e futebol

        O caso do zagueiro Thiago Potiguar (Palmeira de Goianinha), acusado e reconhecido pelas vítimas de participar de assalto no Litoral Sul (Praia de Barreta) ainda terá desdobramentos. Ele nega envolvimento no crime, cometido por uma gangue violenta. O Palmeira, é bom que fique claro, nada tem a ver com o caso. Sua imagem não deve ser vinculada à atitude do jogador, se comprovada a culpa na Justiça.

        Cada parte

        O clube defende o jogador, mas o veteraníssimo policial Ranulfo Alves e sua esposa, que também exerce a profissão (eles sofreram terror), não têm dúvidas. Ranulfo eu conheço de longas datas. Amigo e profissional destemido. Viveu um inferno. Jogaram querosene em seu corpo e não tocaram fogo por não encontrarem fósforo ou isqueiro. Fizeram a maldade adicional quando descobriram que ele é agente.

        No Rio de Janeiro

        O volante Luiz Antônio, do Flamengo, está sendo investigado por estelionato e envolvimento com milicianos. Por pouco, não foi preso na concentração para o jogo contra o Vasco. Valores perversos hoje em dia. Antes, malandro era jogador que brigava em campo ou dava trabalho fugindo de concentração ou faltando a treino. Hoje, é tênue a linha que separa pernas de pau do Código Penal.

        Dura Lex

        Feita para a renegociação das dívidas fiscais dos clubes, a MP (Medida Provisória) do Futebol determinou regras para os clubes brasileiros ainda mais duras do que as vistas na Europa, de onde saiu a inspiração para a legislação. No Brasil, os times terão de chegar ao déficit zero e tem limitação percentual de gastos com futebol.

        Guinada

        “A regra é mais forte do que a da Europa pois terá de haver déficit zero em 2021. O fair play financeiro da UEFA prevê tolerância de € 5 milhões”, contou o advogado Eduardo Carlezzo, especialista em direito esportivo. “É guinada de 180 graus no futebol brasileiro.”

        Alberi esvazia clássico

        O Alecrim não se encolheu em 1979 e conquistou – invicto – a Taça Cidade do Natal por antecipação sob o comando do craque Alberi. Aos 34 anos, o Negão botou ABC e América no bolso, pisou macio, mascando chicletes e depois foi para o Campinense (PB). Também levantou caneco na Paraíba.

        Empate sem graça

        O Alecrim foi campeão no dia 21 de março e quatro dias depois, há exatos 36 anos, ABC e América fizeram de conta que jogaram para 7.177 pagantes no Estádio Castelão (Machadão). O árbitro foi César Virgílio, pai da competente Liziane Virgílio da InterTV Cabugi e ele próprio, comentarista da Rádio Globo. O jogo em 1979 foi tão ruim que nem um esporro, César Virgílio precisou dar nos 25 marmanjos que passearam pelo gramado.

        Times

        ABC: Carlos Augusto; Geraílton, Domício, Cláudio Oliveira e Noronha; Baltasar, Arié e Danilo Menezes; William, Maia Tubarão e Noé Macunaíma (Jorginho). Técnico: Ferdinando Teixeira. América: Zé Luiz; Ivã Silva, Joel Santana, Ronaldo Alves e Sérgio Poti (Valmir); Ubirani, Davi e Marinho Apolônio; Ronaldinho, Mário (Luisinho) e Sandoval. Técnico (interino): Otávio César.

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          Caminhos do América – Rubens Lemos

          A vitória do América sobre o Alecrim, por maior que tenham sido as motivações em torno do jogo, até mesmo uma combinada rodada de voleibol digital de elogios mútuos em rede social, foi a lógica do melhor prevalecendo.

          Nos últimos 30 anos, esse time do América talvez ficasse em seu próprio ranking pela décima colocação. Não chega perto daquele tricampeão em 1987/88/89 cuidadosamente montado pelo presidente Jussier Santos, que se dava ao luxo de desfilar no meio-campo, jogadores do nível de Baltasar, o guardião, Dedé de Dora, o sergipano Sídnei, com passagens por Portugal e o Cruzeiro.

          Injusto seria esquecer o paraibano Lauro, articulador e objetivo, um dos mais modernos meias que passaram por Natal e Baíca na flor dos seus gols e arrancadas. Romildo trancando a defesa e Silva fazendo gols no ataque. E omiti, por Alzheimer precoce, o ótimo Manu, reserva de Silas no São Paulo, trazido para fazer dupla com o também atacante tricolor Edmílson em 1989.

          O time atual do América é baseado na presença imperativa do comandante Roberto Fernandes que, embora com passagem salvadora pelo ABC em 2013, é a cara do alvirrubro eternamente insatisfeito e cobrador.

          Roberto Fernandes é o típico técnico em extinção por optar pelo jogo ofensivo e conseguir que um comum da estirpe de um Maguinho, encontre motivação e se supere na pasmaceira onde escapa, de chuteiras reluzentes, o mago Cascata.

          Cascata é indispensável ao futebol. Futebol caolho, gladiador, embrutecido, marcador e falsamente chamado de competitivo. Cascata é criticado por jogar pouco tempo em função de joelhos martirizados. Num lance, marca um gol de Michelângelo correspondente à folha de pagamento de todo os coleguinhas.

          Quem quer Cascata fora do futebol teme ser sua vítima. É a conclusão básica. O América está com uma das mãos no Campeonato Estadual, garantido na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil de 2016. Pronto. Pode fazer sua programação.

          O América precisa de uma casa própria. Sua arena, em construção em Parnamirim. Ideal para a Série C. O Olimpo das Dunas sai muito caro. Suspender o papo que tem Vitória da Bahia, ferido, pela Copa do Brasil e nada de rebolado.

          Fase do Vitória

          Adversário do América no mata-mata da Copa do Nordeste, o Vitória passou por um dos seus maiores vexames na história. Com a derrota para o Colo-Colo, por 2 x 0, a equipe foi eliminada do Campeonato Baiano.

          Pior campanha

          Para completar, essa foi a pior campanha do clube no estadual dos últimos 30 anos, já que foi eliminado ainda nas quartas de final. Perder para o Colo-Colo seria mais ou menos o América ser derrubado pelo Força e Luz.

          Troca de técnicos

          Mesmo passando a primeira fase sem nenhuma derrota, duas vitórias e quatro empates, o número excessivo de igualdades fez com que o técnico Ricardo Drubscky fosse demitido. Para as quartas de final, Claudinei Oliveira assumiu o Vitória, mas não evitou a eliminação.

          Rebaixado

          Sem esquecer que, há quatro meses, o time baiano foi rebaixado para a série B do Campeonato Brasileiro. Portanto, a fase não tá nada boa para o Leão.

          Alerta

          O Vitória pode estar na bacia das almas. É tradição, é camisa e é chegada. O América não deve absorver qualquer sinal negative do adversário e fazer o seu papel, abrindo um bom escore em Natal e decidindo no Barradão. O pior inimigo é o inimigo acuado e em desespero. Vai para o tudo ou nada.

          Gostei de Josué

          Alô Frasqueira. Assisti uma entrevista do novo técnico Josué Teixeira. Exatamente quando ele, emocionado, se despedia do Macaé (RJ), que comandou na campanha do título da Série C. Josué transmite verdade e franqueza em suas palavras. É bom pois sinaliza seu caráter. É ruim pois gente desse calibre sofre nos submundos da bola.

          Ver para conviver

          Os dirigentes do ABC deveriam ver o video, disponível no Globo Esporte.com e no site do narrador Marcos Lopes. Josué Teixeira é um sujeito maduro, de 54 anos, que sai deixando o Macaé em quarto lugar no Campeonato Carioca, empatado com o Fluminense (RJ).

          Profissionalismo

          Josué Teixeira transmite um profissionalismo exemplar e revela mágoas dos cartolas cariocas, que lhe prometeram transformar o Macaé num “clube de futebol” e deixa explícito que não aceita descumprimento de compromissos. Parece aqueles homens que não existem mais, para os quais, palavra vale acima do papel assinado. Gostei. Espero não me enganar.

          Time

          O novo técnico do ABC é formador de times. Não é do tipo que chega com um balaio de barangas. Aceita que a diretoria contrate e monta seu esquema. A questão é quando ele vir com especial atenção o que tem nas mãos, um elenco sofrível. “Não engulo sapos”, foi a frase marcante da entrevista. Ou quando perceber a influência do empresário-mor.

          Perigo

          A parte da aversão a sapo me faz lembrar um velho ditado do PSD antigo, o PSD de Juscelino Kubitscheck, aqui no Estado representado pelo “Majó”Theodorico Bezerra, craque dos bastidores. O PSD pregava o seguinte: “Não se deve nomear quem não se pode demitir”. O tempo dirá.

          Melhorar

          Para melhorar – mesmo – o ABC precisa de um ou dois meias (não volantes), meias criativos, um centroavante que chegue e diga assim: “A partir de agora, quem manda na camisa 9 sou eu e zagueiro comigo é na desmoralização, eu só vou ver na comemoração.”

          Taça de Prata

          No dia 24 de marco de 1980, faz 35 anos, o ABC vencia o Treze (PB), pela Taça de Prata, a então Série B do Brasileiro, gols de Zezinho Pelé e Carpinelli com 5.697 pagantes no Castelão (Machadão). Zezinho – cracaço – seria expulso pelo árbitro baiano Anivaldo Magalhães.

          Times

          ABC: Luís Neto; Dão, Tito, Cláudio Oliveira e Carpinelli; Baltasar, Danilo Menezes e Beto; Tinho (Paulinho), Zezinho Pelé e Noé Macunaíma. Técnico: Servílio. Treze: Norival; Levi, Israel, Hermes e Heliomar; Wilson, Mozart e Lula (Valimir); Porto, Adelino e Gil. Técnico: Jouber de Carvalho.

          Tragicômico

          Não deixou de ser engraçado acompanhar o superjogo Barcelona x Real Madrid (2×1) na televisão e muita gente nas redes sociais tratando dos possíveis rebaixados no estadual. Imagine o que deve ser um jogo de segundona potiguar.

          Brasil x França

          Com Benzemá em campo, sei não.

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            A Taça e o JL – Rubens Lemos

            O resultado de América x Alecrim acabou secundário depois de divulgada a perfeição plástica do troféu do Campeonato Estadual. Até agora, o mais importante de tudo o que aconteceu no campeonato, incluídos jogos, gols, confusões, toques (raros) de efeito e lambanças técnicas ao gosto do freguês.

            É uma graça a taça que homenageia o velho Estádio Juvenal Lamartine, fazendinha de onde brotaram as primeiras paixões, emoções e os protagonistas do futebol potiguar. Obra da imaginação de Ana Luíza Cruz, da equipe do jornalista Alan Oliveira.

            Ao contemplar a foto, fiquei encantado. O JL é maravilha para o saudosista empedernido que perdeu os dias radiosos de Jorginho, Alberi, Cadinha, Cileno, Wallace, Cezimar, Véscio, Pancinha, Pedrinho, Vasconcelos e Marinho.

            É arte legítima, não caneco banal de loja de material esportivo. É peça feita com esmero e inspiração, inteligência e criação.

            A velha arquibancada de madeira, charmosa, reposta como se voltasse abrigando homens de fraque e cartola e senhoras conservadoras para assistir clássicos de pergaminho ou, depois, a receber bêbados incuráveis e inofensivos nas batalhas de ABC x América ou de um dos dois versus Alecrim.

            Resgatar o Juvenal Lamartine em material tão majestoso é sensibilidade natural. O JL é nosso coração e não será destruído, graças à lei. Ah, o campeão do primeiro turno é o golaço arquitetônico de Cascata para o América. Outro tema para virar gravura.

            Barça x Real

            Quase 100 mil pessoas, jogadas sensacionais, craques no campo e no banco. Maracanã, Nou, Camp. Futebol na plenitude.

            Josué do ABC

            Criticar o novo técnico do ABC, Josué Teixeira, sem deixá-lo mostrar serviço é incoerente. Ele foi tão campeão da Série C quanto o Comendador Leandro Campos.

            Diá

            O Campinense (PB) está nas quartas da Copa do Nordeste. E tem gente que ridiculariza o técnico Diá. Puro preconceito. Competência, tem mais do que 500 Fonsecas e Canindés que enganaram em Natal.

            Ditadura dos técnicos

            A teimosia dos senhores de engenho de beira de campo já causou prejuízos terríveis ao futebol. O endeusado – e com razão – Telê Santana – perdeu a Copa do Mundo de 1982 por insistir em manter no Brasil os dois melhores goleiros do país – Leão e Raul e o principal centroavante – Reinaldo, convocando e escalando de titulares Valdir Peres e Serginho Chulapa, de desempenhos bisonhos.

            Zagallo

            Em 1998, Zagallo resolveu usar sua habitual peçonha e vingou-se de Romário pelo protagonismo do Baixinho em 1994, matando uma nação inteira. Cortou o gênio e privou o Brasil de seu único jogador capaz de decidir sozinho a Copa do Mundo, ganha por Zidane. Romário saiu da França para atuar pelo Flamengo.

            Queridinhos e derrotados

            Zagallo havia perdido, dois anos antes, as Olimpíadas dos Estados Unidos com sua dupla preferida e bem comportada, Bebeto e Ronaldo, o par de merchandising da Fifa e que, junto, nada venceu. Somados, Bebeto e Ronaldo não dão uma meia usada, com chulé de 20 dias, de Romário. E em 2002, gostem ou não, o craque chamava-se Rivaldo.

            Na Argentina

            Também tem milongueiro. Em 1978, César Luiz Menotti abriu mão de Maradona e os militares ganharam a taça no roubo comprando o Peru. No ano passado, o pernóstico Alejandro Sabella cismou e não trouxe para a Copa do Mundo,Carlitos Tevez, que joga uma barbaridade e foi a flecha que faltou para dar apoio ao solitário Messi.

            Dupla impossível

            Sozinho, o Pleonasmo levou os hermanos para a decisão e faria maravilhas com o companheiro maluco e sensacional goleador. Jogador não é para ser genro de técnico. É para resolver.

            Entregadores de camisa

            Os arrogantes de hoje deveriam se espelhar em Vicente Feola, que conhecia muito de futebol e era um sábio político. Na Copa da Suécia, obedeceu direitinho aos cobras Bellini, Didi e Nilton Santos, pôs Zito, Pelé e Garrincha no time e conquistou a Taça.

            Vergonha

            Quando quis mandar, em 1966, convocou 44 jogadores e a campanha foi vergonhosa, eliminação na primeira fase. Sobre técnico, leiam o texto abaixo.

            Tim, a raposa

            Meus respeitos a Elba de Pádua Lima, o Tim, que se firmou, no cenário do futebol brasileiro, como um dos maiores técnicos e estrategistas.

            Era, acima de tudo, um apaixonado pelo futebol.

            Começou sua carreira como atleta pelo Botafogo de Ribeirão Preto, aos 14 anos, ficando conhecido pelos seus dribles desconcertantes e perfeito domínio de bola.

            Depois se transferiu para a Portuguesa Santista.

            Em 1936, como jogador, o Fluminense foi buscá-lo para sagrar-se campeão carioca, formando uma famosa dupla com Romeu. Dois anos depois, participaria pela seleção brasileira da copa de 1938, na França, quando o Brasil chegou em terceiro lugar, fazendo uma campanha elogiável, num time onde se destacava Leônidas da Silva, um lendário craque.

            Em 1949 e 1950, esteve no futebol colombiano, tendo voltado ao Brasil para iniciar a carreira de técnico.

            Como treinador do Bangu lançou um craque: Ademir da Guia.

            Lembro-me, em 1963, treinando o time do Bangu, um time excelente, onde havia um ataque com Paulo Borges, Bianchini, Parada e Mateus.

            Em 1964, foi técnico do Fluminense, onde foi campeão carioca naquele ano. Voltaria a ser campeão, no antigo Estado da Guanabara, em 1970, pelo Vasco da Gama, num time em que Silva era, sem dúvida, o melhor jogador.

            Na Argentina foi campeão invicto pelo San Lorenzo de Almagro.

            Quando treinou o Flamengo mostrou todas as suas qualidades de conhecedor exímio de futebol. Era um time de um craque, Doval, que trouxera da Argentina. Mesmo assim parou o Botafogo de Gérson, Jairzinho, Paulo César, usando sua visão tática.

            Quando participara de mesas redondas, dava uma verdadeira aula teórica de futebol, pelos conhecimentos que tinha. Aliás, ele era um filosofo do futebol, pois o conhecia em todas as suas mazelas.

            Ainda treinou o Coritiba, o Santos, o Botafogo, o Guarani, dentre outros times, e foi responsável pela classificação da seleção do Peru, para Copa de 1982, derrotando a seleção do Uruguai.

            Dizia uma frase cada vez mais atual: “tirando Pelé, o resto é tudo japonês”.

            Morreu, em 7 de julho de 1984, no Rio de Janeiro, vítima de insuficiência hepática sem realizar um sonho: o de criar uma escolinha de futebol. (Rogério Tadeu Romano, Procurador da República)

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              América, Alecrim, histórias – Rubens Lemos

              #EuAcredito

               

              Duas figuras estão marcadas no tetracampeonato invicto do América em 1982, conquistado sobre o Alecrim sem a menor ameaça do maior rival, o ABC. A primeira, pela ordem de escalação é a do gigante goleiro Rafael, ágil como tigre e melhor da história rubra.

              A segunda, felina superior, é a de Silva, maior atacante de área que os campos potiguares recepcionaram. Silva revelado no Botafogo e idolatrado por ninguém menos que o comentarista João Saldanha, o João sem-Medo.

              Saldanha treinador competente quando desejou, de feras da estirpe de Didi, Garrincha, Nilton Santos, Quarentinha e Zagallo no Botafogo, Pelé, Gerson, Tostão, Jairzinho, Rivelino, Edu, Paulo César Caju e Clodoaldo na seleção brasileira das Eliminatórias de 1969.

              Saldanha era fã de Silva, moleque surgido nos juvenis do Botafogo das vacas magérrimas do final dos anos 1970. Hábil, incapaz de uma pancada forte na bola, versão negra (aproximada) de Reinaldo do Atlético Mineiro, Silva chegou à seleção pré-olímpica e sucumbiu ao período de péssimos resultados do Botafogo dirigido pelo informante de polícia Charles Borer, irmão do temido diretor do Dops na Ditadura, Cecil Borer.

              Aos 22 anos, cabeleira de capacete à Júnior do Flamengo e mignon, Silva chegou para o América de Natal para formar dupla com um meio-campista veterano e estilista, conhecido de pelejas no ex-Maracanã: Ailton, descoberto no América (RJ) pelo Príncipe Danilo Alvim, vítima da derrota brasileira para o Uruguai em 1950 jogando de volante e técnico do ABC no começo de 1982, pífia tentativa de repetir a bela experiência do tetracampeonato de 1973.

              O América bateu no ABC do jeito que achou conveniente. O alvinegro não venceu nenhum clássico, embora contasse com o melhor jogador do Rio Grande do Norte e artilheiro do campeonato estadual.

              Marinho Apolônio, antigo carrasco vestindo a camisa vermelha, fora contratado ao Central (PE), mas, diante da confraria de cabeças de bagre, não pôde se superar nos milagres operados. Em 1983, Deus o juntou a Silva para formar a dupla de área até hoje gritada em sonhos pela torcida do ABC.

              O América venceu o campeonato de 1982 em ritmo de valsa, monotonia de irritar monge. Seu adversário era o Alecrim. Um time valente e derrotado também pelo azar. Perdeu sua principal esperança, o atacante Jonas, rápido e goleador, campeão em 1978 pelo ABC e responsável pela conquista da Taça Cidade do Natal.

              Jonas liderava o ataque abastecido pelos passes açucarados do meia Odilon. Enlouquecia os zagueiros com seus deslocamentos. Perdeu para o destino. Ao entrar numa loja de vidros, bateu na porta e uma lâmina cortou seu tornozelo, inutilizando-o ao futebol. Seu substituto, Freitas, era goleador, mas não dispunha da técnica de Jonas.

              O América não tinha nada com problema alheio e papou os três turnos. Sempre derrotando o Alecrim. Quando chegou à decisão do Campeonato, dia 1o de dezembro, a torcida, para não cair no sono, fazia contagem regressiva. Bastava o empate.

              Na primeira partida, com Rafael pegando pensamentos infantis do Alecrim, Curíó, Baltasar e Silva construíram sem dificuldades os 3×0 que sacramentavam o campeonato. O jogo final acabou em 0x0. Tetra invicto, o América só perdeu a artilharia. Silva para Marinho. Ordem invertida no ano seguinte. Os dois no ABC.

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              O Alecrim penou, soube esperar e devolveu o sofrimento três anos depois. Em 1985, o Brasil respirava, tímido, os ares da redemocratização, chorando a morte de Tancredo Neves, o presidente que não foi, e elegendo, pela primeira vez após a Ditadura, os prefeitos das capitais. Em Natal, Garibaldi Alves Filho foi o vencedor.

              Ironia ou não, o Alecrim ganhava reforços de tonalidade vermelha. O goleiro César, reserva de Rafael, o lateral Saraiva, o beque Lúcio Sabiá, o lateral-esquerdo Soares, o cerebral armador Didi Duarte e o ponta-direita Curió, mantendo os meias Odilon e Edmo Sinedino e revelando o magérrimo e eficiente finalizador, Baíca.

              O Verdão correu por fora. O ABC tentava o tricampeonato, contratou mais de 40 jogadores e não conseguiu ajustar 11 num time. O América trouxe a estrela em curva descendente, Marinho Chagas, esforço de marketing liderado pelo milionário Flávio Rocha, pré-candidato a deputado federal (seria eleito com folga no ano seguinte) e ungido diretor de futebol.

              Silva, recontratado, quebrou a perna em jogada desleal do quarto-zagueiro alecrinense De Leon. Dinheiro era fartura: O América trouxe Eusébio, goleador do Sport e, de quebra, o famoso ponta-esquerda Gilson Gênio, cria do Fluminense.

              O Alecrim perdeu o primeiro turno para os rubros, seguiu as regras draconianas do técnico Ferdinando Teixeira, o maior papão de títulos do Rio Grande do Norte e ganhou a segunda etapa batendo o ABC por 2×0 num solo de Odilon, driblando até almas penadas no gramado do Castelão (Machadão).

              O terceiro turno foi decidido contra o América. No finalzinho da partida, aos 18 anos e usando um imenso calção que o transformava em Rei Momo da Biafra, rebelde república nigeriana de população esquelética de fome, Baíca marcou o gol desviando do goleiro Eugênio.

              O Alecrim, campeão pela última vez em 1968, no pequeno Estádio Juvenal Lamartine, jogava pelo empate e recebeu oportunista apoio da torcida do ABC. Se não podia vibrar, o alvinegro se contentaria com a desgraça do americano. Iniciada no gol de Freitas, aproveitando rebote.

              Gritado em vozes arranhadas e desafinadas pela falta de hábito, o hino do Alecrim embalou o segundo gol. Didi Duarte recebeu, sozinho e solene no meio-campo, enxergou Odilon na ponta-esquerda e lançou longo. Odilon cortou para o meio e costurou a defesa do América até colocar devagar, sem chances para o goleiro Eugênio. Alecrim 2×0, Alecrim campeão de 1985.

              “Fogo de palha. No ano que vem, o time se desfaz e tudo volta ao normal, serão mais 17 anos de sofrimento”, esperneava o americano ao enrolar sua bandeira a caminho do estacionamento do Castelão (Machadão).

              Errou. No ano seguinte, deu Alecrim de novo, fazendo do ABC, o sparring que o América havia sido . Depois de 1986, o Alecrim voltou a se encolher, vivendo de espasmos.Amanhã, América e Alecrim voltam a se encontrar na decisão da Taça Cidade do Natal. Na Arena das Dunas. Tudo diferente em palco, enredo e futebol.

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                Doce e Bárbaro – Rubens Lemos

                Lembrei de quando o pipoqueiro faltava no final da aula. Ou furavam a bola da pelada ao cair no quintal da vizinha chata. Nota baixa, mamãe tomava(estava certa) e rasgava minha revista Placar com Roberto Dinamite na capa em 1982. Acabava a razão de viver.

                O espetáculo contra o Manchester City encheu-me de uma verdade irreversível: o futebol sem Messi pode acabar. Não terá razão de viver. Nem a Alemanha seria capaz de compensar a ausência do gênio argentino, de cola Durepox no pé esquerdo e repertório de mágico do Circo Tihany.

                Quando o Barcelona está sem Messi, vejo um filme antigo na televisão, um documentário repetindo conspirações sobre a morte de Kennedy ou de Pablo Escobar, o traficante colombiano financiador da geração fracassada de Valderrama, Higuita, Rincon e Asprilla, nos anos 1990.

                Se você não assistiu Messi contra o Manchester City, perdeu um momento dos mais importantes da Civilização. Saia buscando a reprise ou não serás digno de dizer: “amo o futebol”. Messi extrapolou no seu tango de repentista de feira. Brasilianista peladeiro do passado.

                No primeiro tempo, tentou oito dribles, acertou sete. Cortes vergonhosos para o adversário. O festejado Yayá Touré parecia um volante do Humaitá de Venha-Ver, Alto Oeste Potiguar, tão encabulado e impotente ficou.

                O passe para o gol(único), foi algo de computador. Messi correu, driblou, correu, driblou, correu, driblou e olhou ao lado esquerdo, corrijo, ao invisível perceptível aos seus olhos exclusivos.

                A bola saiu limpa e o volante Rakitik daria aquele toque sobre o goleiraço Joe Hart mesmo se não quisesse. Messi deixou a execução pronta, pescoço livre à guilhotina. Messi não pode se machucar, tirar férias, nada. O futebol merece atenção, menção, apenas por ele. Doce, bárbaro.

                ABC

                O ABC fez o que quis com o Boavista. Fosse melhorzinho teria enfiado 6 e não 2×0.

                Cleto e o CT

                O advogado Cleto Barreto, ao doar 10 hectares para o ABC construir um Centro de Treinamento para as bases em Pium repete o que apenas Vicente Farache fez em eras priscas. No início do século passado.

                Cuidados

                Um gesto de amor ao clube. Cleto deveria fiscalizar a qualidade do trabalho desenvolvido e impedir que atravessadores lancem mão sobre os meninos bons de bola descobertos.

                Show business

                O Alecrim parece satisfeito em ter ido à final do primeiro turno e está fazendo do jogo de domingo um show midiático na internet. Não deveria ser o espírito. O negócio é concentrar para ganhar o jogo. Vagas na Copa do Nordeste e do Brasil seriam úteis ao clube.

                América

                Jogando para o gasto, com um pouquinho de vontade, não tem adversário em Natal. E sem Cascata, em nova turnê pelo Departamento Médico. Cascata é para jogar 15 minutos por partida. Tempo que, comparado aos demais, vale um turno inteiro de qualidade.

                Presídios

                Quem ocupa cela de presídio não é por ter passado em primeiro lugar no ENEM, doado milhões a freirinhas cuidadoras de velhinhos ou descoberto a cura da AIDS. Presídio é lugar de criminoso. De assassino, de estuprador, de latrocída, de incurável.

                Crise

                Na crise em que os facínoras organizados começaram detonando e depois foram freados pelo Estado, houve baderna, quebra-quebra e prejuízos a patrimônio privado. Nós, contribuintes, pagamos. Os presos voltam a receber colchões e outros apetrechos. É preciso entender que suas vítimas estão sepultadas, apodrecendo, sem direito algum.

                O juiz

                No episódio em que muita gente apareceu, verbalizou e produziu nem tanto, todo respeito à figura do juiz de Execuções Penais, Henrique Baltazar dos Santos. É um magistrado ao pé da letra. Duro sem ser injusto, não tergiversa. Não o conheço pessoalmente. Sei da trajetória sem medo de cara feia em Pau dos Ferros na fase do Sindicato do Crime e em Caicó, também em tempo quente.

                Cobrar, sim

                O juiz cobra providências com razão e acerta em cheio quando diz que, se autoridades brincarem, o crime toma as rédeas. Se alguém conhece o sistema carcerário sem evoluções teóricas ou boçais, é Henrique Baltazar, que (desculpem a rima), cansou de avisar.

                Culpa

                Não é do atual Governo. Que gerencia a crise com eficiência. Problema foi ter nomeado para campo minado, um neófito absoluto. Ali, é área para especialista e não apadrinhado.

                Dilma x CBF

                A medida provisória que trata do refinanciamento da dívida dos clubes junto à União e prevê contrapartidas em prol do cumprimento de regras para que os clubes não voltem a se afundar tem um ponto que não é tão “simpático” à CBF.

                Fim das reeleições

                O governo federal colocou no papel e na apresentação feita em Brasília – a enquadrar a CBF em algumas regras válidas para os clubes, como a limitação dos mandatos de presidente a quatro anos, sendo possível apenas uma reeleição. Essa e outras regras, que abordam a gestão de clube ou entidade, fazem parte do artigo 18-A da Lei Pelé.

                Ela banca

                “O governo pareceu disposto a bancar isso. Está incluído na MP, que deve ser assinada pela presidente Dilma Rousseff . Desse jeito, se algum deputado quiser mudar, vai ter que ser via emenda no Congresso”, contou o diretor-executivo do Bom Senso, Ricardo Borges, que participou da exposição na capital federal.

                Contra

                Como Ricardo citou, há deputados contrários à medida, como Vicente Cândido (PT-SP), que é sócio de Marco Polo del Nero, futuro presidente da entidade, sob o argumento de que a CBF não recebe recursos públicos de forma direta.

                Parcelamento

                Quanto ao parcelamento e as contrapartidas, o movimento de jogadores, de uma forma geral, ficou animado com o que ouviu. “Não tivemos acesso ao texto original na íntegra, foi apenas uma apresentação oral. Mas estamos bastante animados. A perspectiva é muito boa. Parece haver um consenso entre os deputados. Pedimos contrapartidas sérias que pudessem revitalizar o futebol e elas estão incluídas”, completou Ricardo.

                Escanteio

                Se a MP apresentada virar realidade, como é esperado, o projeto da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, que está sendo discutido a passos lentos na Câmara, será escanteado.

                Vitalícios

                É importante esta medida. Há muitos meninos espertos envelhecendo em clubes e federações por sucessivas décadas. É preciso acabar com os vitalícios, que não existem mais sequer no Senado Romano.

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                  Semelhança e ponto final – Rubens Lemos

                  O humorista e escritor Jô Soares saltou de sua poltrona de repouso no camarim do Teatro Ruth Escobar, na Rua dos Ingleses, Bela Vista pauliceia, assim que viu o fã, magro e tímido, sem coragem de lhe pedir o autógrafo após o show.

                  Jô Soares, profundo conhecedor de futebol, que assistiu ao vivo, menino, a Hungria maravilhar e perder a Copa de 1954 e é torcedor do Fluminense, virou tiete. Pegou no braço do rapaz, lhe deu um abraço e chamou a equipe inteira para apresentá-lo: “Aqui está o melhor jogador do Brasil. Aqui está o homem que Telê Santana esqueceu de levar para a Copa do Mundo. Aqui está o craque insuperável que não fabricamos mais”.

                  Jô Soares não exaltava nenhum ponta-direita, sua obsessão na Copa do Mundo de 1982 na Espanha. Corria o mês de maio de 1986 e a delegação estava no México. O objeto de sua adoração era Pita, armador do São Paulo, canhoto compositor revelado no Santos, estrela principal da primeira safra de Meninos da Vila, descoberta pelo falecido técnico e ex-volante Formiga.

                  Jô Soares cobrava o óbvio. Pita ritmava violino, amadurecera, contava 27 anos, idade ideal para disputar uma Copa do Mundo para a qual haviam sido selecionados os cansados Falcão (a quem Pita barrara no São Paulo causando ruídos entre o técnico Cilinho e patrocinadores), Sócrates, Cerezo e o indispensável e machucado Zico.

                  No inconformismo de Jô Soares, caberiam os velhinhos. Não se admitia era Telê, ainda mais turrão depois de quatro anos manter Pita no Brasil e levar os limitados volantes Elzo e Alemão, meros corredores sem qualquer capacidade técnica de organizar uma partida ou de lançar para o ataque de uma distância de 40 metros.

                  Até os inexperientes Valdo, do Grêmio, e Edivaldo, do Atlético (MG), foram incluídos na lista final de Telê Santana apenas para passear em Guadalajara. Jamais foram cogitados para entrar no time e sequer figuraram entre os reservas em nenhuma partida.

                  Valdo, com seu rodar de enceradeira precursora do flamenguista e depois palmeirense Zinho, seria titular inútil em 1990 e Edivaldo morreria tragicamente de acidente de carro em 1993.

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                  Pita não reclamava e seu comportamento assustava Jô Soares que deu declarações agressivas na Revista Placar ameaçando até mesmo torcer contra o Brasil, que disputou a Copa do Mundo sem um canhoto nato do meio-campo ao ataque.

                  Desde a despedida de Rivelino, faltava ao Brasil um craque de perna esquerda encantada. Pita, vendedor de siris na infância paupérrima em Cubatão, assumiu a camisa 10 do Santos aos 20 anos, primeiro a usá-la e não tê-la tomada depois do revezamento medíocre de Toinzinhos, Totonhos e Mifflins após o reinado de Pelé.

                  Sem Rivelino, a seleção de Telê Santana apostou no meio-campo com Cerezo, Sócrates e Zico e Tita, depois Paulo Isidoro, de falso ponta-direita. “Bota ponta, Telê!”, berrava Jô Soares no programa Viva o Gordo.

                  Jô sem perceber que não havia mais Garrinchas, Julinhos, Jairzinhos nem nascera um Renato Gaúcho naquele hiato do início dos anos 1980. Justiça seja feita, Telê até testou os principais nome da camisa 7: Tarciso, do Grêmio, Robertinho, do Fluminense, e Paulo César Capeta, do São Paulo, três decepções.

                  No meio-campo, Pita foi convocado para um amistoso contra o Uruguai em 1980 e substituiu Sócrates em Fortaleza, vitória apertada de 1×0, gol do lateral-direito Getúlio, de pênalti. Jogou bem. Sem a magia do clube. Continuou presente às convocações e entrava no segundo tempo, demonstrando apatia desproporcional ao talento genuíno.

                  Pita, jogando com nobreza e explosão ao partir do meio-campo ao gol, poderia ter ido com Adílio, do Flamengo, à Copa de 1982, para ganhar experiência. Telê levou o pálido Renato Pé-Murcho, do São Paulo, seu queridinho e Dirceu, ancião. Em 1984, Pita, trocado pelo ponta-esquerda Zé Sérgio, renasceu no tricolor.

                  Numa manhã de março de 1985, Pita marcou dos mais belos gols da história do Estádio do Pacaembu no empate em 4×4 contra o Palmeiras. Driblou seis adversários e o goleiro Leão e tocou de mansinho para o gol. Cilinho, amante de arte, descreveu em letras telúricas o instante fantástico: “Pita homenageou a obra de Jorge Amado, a música da Sinfônica de Campinas e da família Caymmi, devidamente acompanhada por Caetano Veloso.”

                  Pita poria no peito a medalha dourada Pan-Americana de 1987, sem motivação e esbanjando requinte. O meia Paulo Henrique Ganso, último imprevisível brasileiro, é comparado a Pita nos lampejos e no desligamento. Ontem, disse que faria bonito na Libertadores. Omisso. Ganso torra a paciência na letargia quase proposital. Pita era estilo. Lindo. Vento vespertino litoral.

                  Na Arena

                  Bem ou Max, salva o América.

                  Terceira

                  O América deveria jogar a Série C longe da Arena das Dunas por causa dos custos. Estrategicamente, o Nazarenão, pelo calor da torcida, ou sua arena, se estiver pronta, são os estádios mais adequados. Na terceirona, campo também ganha jogo.

                  Mandar embora

                  No jogo contra o Globo, que nada vale, o ABC poderia testar quem ainda está por aí sem comprovar qualidade e, mantida a mediocridade, mandar embora de uma vez.

                  Normando chateado

                  O professor Normando Bezerra, fundador da Fera, torcida do Alecrim, está chateado com a transferência do jogo com o América para a Arena das Dunas, que chama de “cemitério do futebol natalense”. Diz que não vai à decisão de domingo. Acha que o Alecrim errou.

                  Edson Teixeira

                  Presidente em 1981 e 1982 e diretor em 1988 e 1992, Edson Teixeira morreu em 2011, de câncer, aos 57 anos. Apaixonado pelo ABC, foi responsável pelo que existiu no terreno onde está o Frasqueirão. Ele equipou e inaugurou a Vila Olímpica Vicente Farache em 1o de agosto de 1982. Uma rua, com seu nome, precisa ser concluída para que ele seja justamente homenageado no Centenário do ABC.

                  Rodada dupla

                  Dia 19 de março de 1977, rodada dupla pelo Campeonato Estadual com 6.942 pagantes no Castelão (Machadão). Na preliminar, surra do América no Ferroviário por 7×0, gols de Santa Cruz (2), Ivã Silva (2), Zeca, Garcia e Marinho Apolônio.

                  ABC x Potyguar

                  Na principal, o ABC venceu o Potyguar de Currais Novos por 2×0, dois gols do meia-atacante Zé Carlos Olímpico.

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                    Neymar contra o impossível – Rubens Lemos

                    Estava tudo em paz com Neymar no Barcelona. De coadjuvante, aprendendo a servir os companheiros e consciente do protagonismo intocável de Lionel Messi. Neymar vinha livre de cobranças, fazia seus golzinhos, sentava no banco de reservas algumas vezes e sem reclamar e melhorava na seleção brasileira, amadurecido e dono do time, ávido por alguém a dialogar no seu privilegiado dialeto.

                    Neymar é garoto mimado e milionário, mas, de verdade, nem é o chato da história. Jornalistas, ex-boleiros e técnicos cuidam de tentar jogá-lo aos precipícios da desgraça. A mais recente arapuca é dizer que ele vai superar Pelé na artilharia absoluta da seleção brasileira. O Rei fez 95 gols em 114 jogos. Neymar, aos 23 anos, exibe média razoável: 42 gols em 60 partidas. Aos 23, Pelé vencera quatro mundiais: dois pelo Brasil, dois pelo Santos.

                    Mantendo o ritmo, é possível que Neymar empate ou supere Pelé estatisticamente, o que nada dirá em termos futebolísticos. Neymar atua hoje num padrão técnico subterrâneo e quando o caldo engrossa, ele afina, exceto na milagrosa Copa das Confederações de 2013, que serviu para iludir os patriotas do absurdo até a ridícula campanha em 2014.

                    Neymar jogava bem a Copa do Mundo até ser espancado nas quartas-de-final e poupado do massacre alemão. Melhor para ele e a sua imagem exposta em dosagem exagerada nos comerciais de cueca, refrigerante e ainda não de casa funerária.

                    O técnico Dunga e o gênio Romário (Romário muito mais por birra pessoal com Edson Arantes, o humano cujo corpo a divindade Pelé arrebatou), apostam que Neymar será mais artilheiro do que Pelé. Copiam meu querido e falecido tio-avô Derval, que nada entendia de futebol(só não entendia de futebol) e teimava que Vavá fora mais importante que Pelé, Didi e Garrincha em 1958, Copa do Mundo que ele ouviu no Rádio Voz de Ouro.

                    O também finado Washington, nascido em Bauru, onde Pelé passou a infância antes de ir ao Santos, surgiu em 1972, um ano após a despedida do Intangível. A cor, a habilidade e a coincidência da terra das primeiras peladas, bastaram para a mídia chamar Washington de “Novo Pelé”.

                    Convocado para a seleção olímpica, derrotada em Munique pela Dinamarca e o Irã, Washington fez algum sucesso no Goiás, perambulou por outros times até morrer pobre e esquecido pelos maldosos profetas. Gente perversa que tentou atrapalhar a carreira de Zico, “Pelé Branco”, na década de 1970, fase em que a imprensa paulista, ciumentíssima, chamava-o de “jogador de laboratório”. Zico foi simplesmente o desconcertante Zico.

                    Cláudio Adão, formidável centroavante, jamais foi convocado para a seleção brasileira principal. Jogava o fino. Carregava a sina de um dia ter sido um dos futuros impossíveis herdeiros de Pelé.

                    Pelé que jamais foi igualado pelo português Eusébio, os argentinos Maradona e Di Stéfano (nem o máximo Messi), o holandês Cruijff ou húngaro Puskas. Que um dia afirmou: “Jogador foi Di Stéfano. Pelé eu não comento. Pelé é inatingível. Está acima das discussões”.

                    Neymar pode empatar e superar Pelé em artilharias e, se achar que é o dono do mundo, cairá na vala dos efêmeros Robinhos, ele que pode construir seu próprio caminho glorioso. Pelé pode perder em números banais, ele que jogava, lembrem, esquecidos propositais, de meio-campista avançado, não era atacante oficial.

                    Quando alguém ganhar três Copas do Mundo, dois mundiais interclubes, cravar 1.283 gols, for eleito atleta do século, parar guerras por um jogo de bola, conquistar quase uma década inteira de campeonatos nacionais e regionais, traçar as melhores mulheres do mundo e disser “Love” nos Estados Unidos, nação de batalha, então pode ser que eu converse.

                    Primeira decisão

                    Hoje é a primeira decisão da semana para o América. Pega o Serrano da Bahia pela Copa do Nordeste com o dever de ganhar na Arena das Dunas. Pela tradição, a necessidade, a superioridade técnica e a bondade de homenagear os heróis que estarão no jogo marcado para dez da noite, horário terrível.

                    Segunda decisão

                    Nesta quarta, o América concentra esforços no adversário baiano e esquece o Alecrim, em quem deverá pensar com seriedade a partir de amanhã, pois o jogo de domingo é vital pela garantia de vaga tanto na próxima Copa do Nordeste quanto na Copa do Brasil. Ah! E na decisão do estadual, também.

                    Na Arena

                    Sem dúvida, a Arena das Dunas é a mais segura opção. O Alecrim, ao levar o jogo para lá, estará sendo campeão de fair-play dando ao América o direito de jogar em casa e pelo empate. O América tinha, faca, queijo e terá domingo, o domínio do terreno. Malandragem é vital em decisão.

                    Palavra de Kayke

                    O centroavante Kayke prega respeito ao Boavista e acha difícil o jogo de amanhã às 19h30 no Frasqueirão. Kayke tornaria a classificação assegurada se firmasse a pontaria e errasse menos. Não é mau jogador, tampouco o ideal para liderar a ofensiva alvinegra, especialmente na Série B.

                    Fresan

                    Uma nova vitória (postura ofensiva e sem covardias) dará confiança ao auxiliar Ademir Fresan, mesmo que não seja efetivado e não deverá ser. Seu trabalho pode credenciá-lo como alternativa para o futuro.

                    Vôlei

                    A segunda etapa da Copa Natal de Vôlei de Praia será nos dias 16 e 17 de maio no Aero Clube, onde será instalada uma arena. Promoção da Promoção da Federação Norte-Rio-Grandense.

                    Negociar com bandido

                    Ninguém deve negociar com bandido. Partindo do princípio de que bandido não negocia com suas vítimas. Simples assim.

                    Torneio Juvenal Lamartine

                    Intervalo do Campeonato Brasileiro de 1978, torcidas motivadas, ABC e América decidem fazer um amistoso valendo o troféu Governador Juvenal Lamartine. No dia 18 de março, o ABC venceu por 1×0, gol do lateral-direito Orlando, aos 23 minutos do segundo tempo, com público de 18.707 pagantes no Castelão (Machadão).

                    Times

                    ABC: Hélio Show; Orlando, Pradera, Cláudio Oliveira e França; Baltasar, Danilo Menezes e Maranhão Barbudo (Jorge Costa); Noé Silva, Zezinho Pelé (Santa Cruz) e Noé Macunaíma. Técnico: Waldemar Carabina. América: Batista; Ivã Silva, Ivã Xavier, Joel Copacabana e Humberto (Olímpio); Zeca, Ronaldo Alves e Alberi; Jangada, Aluisio e Ronaldinho. Técnico: Laerte Dória.

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