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Avalanche

Data: 01 fevereiro 2013 - Hora: 18:00 - Por: Rubens Lemos Filho

A “avalanche” é uma coreografia assustadora e ridícula dos novos tempos de torcidas organizadas de olhares furiosos, cânticos fascistas e guerras campais. Queria compreender que graça há em se suportar a mais pífia pelada subindo e descendo degraus de arquibancada formando ondas tribais para a televisão mostrar imagens fortes e a facção demonstrar poder sobre a outra.

Com a “avalanche” proibida pela Polícia Militar e consentida por eles, os surfistas e maroleiros cartolas, por muito pouco torcedores do Grêmio não consumaram outra tragédia no Rio Grande do Sul depois do incêndio na boate Kiss em Santa Maria.

A “avalanche” não tem a magia da “ola”, aquele levantar em forma de onda famoso na Copa do México em 1986 e copiado pelo mundo inteiro. A ola é um desenho em movimento plástico e belo, pacífico e alegre. A “avalanche” é maremoto, tsunami, catástrofe vindo de cima para baixo. Os de baixo são espremidos.

Sorte. Foi ela, a sorte, que não aparece em regras ou manuais de segurança, a salvadora dos indigitados participantes da brincadeira sem atrativo algum. Mais um pouco e uma parte cairia no fosso e outra seria esmagada. Os dirigentes culpariam a polícia que responsabilizaria os dirigentes e o noticiário funesto encerraria a semana macabra.

Sorte que o Grêmio ainda venceu nos pênaltis a LDU do Equador, que tinha na baliza um crioulinho magro (afrodescendente é muito mais racista), parecido com Juca, ex- América, heroico Juca, que tomou o primeiro gol do Castelão (Machadão) no chute rasteiro de William, o motorzinho do ABC e enche o peito de orgulho até hoje pelo vazamento.

Viva a sorte e azar da “avalanche”, uma invenção dos violentos “barra bravas” grupos mafiosos que chantageiam dirigentes , agridem e assassinam as gangues inimigas. Assisti a um clássico Boca Juniors 0×1 Racing na Bombonera e, de longe, tremi com o espetáculo de terror da “avalanche” da torcida dos perdedores. Não perdi tudo porque vi Maradona, aos 36 anos, em 1996. Perdeu um pênalti, regeu o jogo.

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Delicioso tomar uma cervejinha em arquibancada. Comecei a frequentá-la aos 14,15 anos e a beber aos 17 para 18. Magro, resistência de tigre para a cevada. Chegávamos, eu e meu solidário amigo (hoje, professor catedrático, sempre cínico), Sérgio Trindade muito cedo, a tempo das preliminares.

Refregas inesquecíveis entre Riachuelo com Wilson, um habilidoso marinheiro baixinho e hábil no meio-campo contra o Atlético de Mauro Cabeleira, um enjoado camisa 10 tocador de bola para os lados. Mauro parecia Biro-Biro, o original do Corinthians (SP).

Caro leitor é preciso dividir meu parco tempo para que entendas: Até meus 12,14 anos, acompanhei as partidas no Castelão (Machadão) das cabines de rádio de onde meu pai, dane-se a modéstia, comentava de maneira sublime, vendo o jogo na tática e na poesia. No tempo de ótimos analistas. Ele foi contemporâneo de Cassiano Arruda, Franklin Machado, Adeodato Reis e Ely Morais, para se ter a dimensão da sabedoria da turma.

Retomando o prumo, quase adulto, sentávamos com prazer no cimento duro do chão da ala dos bares. Víamos a chegada das charangas, bandas e batucadas. Bandeiras imensas, lábaros do amor verdadeiros e sem ódio. De um lado a outro, o preto, o branco e o vermelho, uniam o anel de um estádio lindo de tanto calor emocional.

A cerveja, em lata ou garrafa, tomava-se à vontade, com gosto, colarinho como se chope fosse. E havia ela, a vendedora de um dos bares em seu short de elástico coladíssimo deixando meio bumbum desguarnecido.

Formava-se uma plateia de piquete sindical em torno dela. Os outros bares, comandados por marmanjos, feiosos, com freguesia de gatos pingados. Exigíamos a cerveja mais gelada, “a lá do fundo” do freezer. Ela caprichava na descida, o short subia (bem devagar) e a galera esquecia das pancadas de Riachuelo x Atlético na preliminar.

Ostentava, o mignon apelo comercial, uma beleza corporal de violão, embora o rosto, de formosura, lembrasse uma cratera. Nos encontramos um dia, eu e Sérgio, com o marido, uma massa bruta, rosto fechado, vindo em nossa direção.

Parou e disse, olhos em fúria: “Estou puto da vida. Os caras vão ao meu bar só pra olhar a bunda de minha mulher. Vou quebrar um de porrada É desconsideração, malandro!”

O sujeito formava uma divisão muscular de lutador. Respondemos juntos, pálidos de pânico: “A gente não olha nanãnão. A gente respeita!”. Ele sorriu, na sinceridade dos mansos: “Não olham vocês, que são meus amigos.” Aquilo sim, era uma avalanche.

 

Hipócritas
Assaltaram o América, bateram em Dr. Zé Rocha, um idoso. Só canalhas mimoseiam marginais.

Na teoria
ABC contra o Parnahyba e o América pegando o Ji-Paraná estão com 90% de chances de passar à segunda fase da Copa do Brasil.

Itamar
Ao chegar a Natal e ao América, o atacante Itamar comprovou, antes de tudo, que não pertence ao Clube dos Manicacas da Bola.

Viúvas de Judas
O Bloco das Viúvas de Judas Tadeu, ex-Presidente do ABC, sai amanhã às 17 horas. Prévia carnavalesca. Concentração na praça de Pirangi do Norte e frevo até o Bar do Suvaco. Orquestra foi apoio do prefeito Maurício Marques.

Homenagem
Judas Tadeu homenageia ex-craques de bola: Alberi, Danilo Menezes, Marinho Chagas, Erivan, Piaba, Mário César, Joãozinho, Tecy, Dedé de Dora e Sérgo Alves, dentre outros.

Rádio
Radialistas falecidos serão lembrados: Rubens Lemos, Souza Silva, Mário Dourado, Marco Antônio Garotinho da Copa, Zé Augusto, Adeodato Reis e Luth Lopes. Todos alvinegros.

Atenção
Um canalha ou uma calhorda no anonimato criou e-mail falso em meu nome para fazer o mal. Se você receber alguma mensagem do rubenslemos2013@bol.com.br jogue na lixeira antes de ler. E cuspa. A polícia está investigando. Descobrirá e punirá o ou os criminosos. O Bol oferece e-mail grátis e é uma mão na roda para os vigaristas.

Memória
Dia 1o de fevereiro de 1981, América 3×2 Ferroviário(CE) pela Taça de Ouro, a Série A da época, com Marinho Apolônio(2) e Sandoval para o América, Baltasar e Marco Antônio para o Ferroviário. Público de 5.546 pagantes no Castelão(Machadão).

Times
América: César; Ivã Silva, Domício, Odélio e Vássil; Ségio Poti, Gilson Lopes e Marinho Apolônio; Norival (Sandoval (Guedes) e Davi. Ferroviário: Salvino; Jorge Luís, Lúcio sabiá, Zé Carlos e Jorge Henrique; Baltasar, Jeová e Jacinto; Jangada (Haroldo), Roberto Cearense (Paulo César Cascavel) e Marco Antônio.

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