AVC: Doença que mais mata no Brasil

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), mais conhecido como derrame, é a doença que representa as maiores causas de morte no…

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), mais conhecido como derrame, é a doença que representa as maiores causas de morte no Brasil. Segundo dados da Academia Brasileira de Neurologia, a expectativa é de que, em 2015, haja aproximadamente 18 milhões casos de AVC no Brasil e, em 2030, esse número suba para 23 milhões de ocorrências. Os idosos são mais propensos a ter o Acidente Vascular Cerebral, especialmente os homens, apesar de a frequência ser maior nas mulheres, já que elas vivem mais.

Entretanto, diferente do que muitas pessoas pensam, o AVC está também afetando jovens em todo o mundo. Levantamento do Ministério da Saúde relativo aos anos de 2000 e 2010 mostra que cerca de 62 mil pessoas com menos de 45 anos morreram no Brasil vítimas do Acidente. Sem levar em conta as internações na rede particular de assistência à saúde, o estudo também apontou que do início da década até setembro deste ano, 200 mil pacientes nessa mesma faixa etária foram internados nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o professor do Instituto do Cérebro em Natal, professor André Luis Hernandez Pantoja, esses números representam uma tendência mundial por causa do aumento dos fatores de risco: obesidade, hipertensão, diabetes e sedentarismo. “Hoje em dia a doença vem atacando todas as idades, desde crianças até idosos, seja por predisposição genética ou maus hábitos alimentares e de vida”, disse.

A doença ocorre devido à alteração na circulação cerebral. No AVC isquêmico há a obstrução de um vaso sanguíneo cerebral, levando à diminuição da circulação em determinada região do cérebro. No hemorrágico, acontece a ruptura de um vaso sanguíneo, com sangramento dentro do cérebro. Os principais fatores de risco são a hipertensão, o diabetes, o colesterol elevado e o tabagismo.

“Muitas vezes as pessoas não sabem o que é um AVC, não sabem quais são os sinais, os fatores de risco, ou a quem procurar”, disse Pantoja. Conforme a região cerebral atingida, bem como de acordo com a extensão das lesões, o AVC pode oscilar entre opostos. Os de menor intensidade praticamente não deixam sequelas. Os mais graves, todavia, podem levar as pessoas à morte ou a um estado de absoluta dependência, sem condições, por vezes, de nem mesmo sair da cama.

Vários fatores de risco contribuem para o aparecimento dos Acidentes Vasculares Cerebrais. Alguns desses fatores não podem ser modificados, como a idade, a raça, a constituição genética e o sexo. Outros fatores, entretanto, podem ser diagnosticados e tratados, tais como a hipertensão arterial (pressão alta), o diabetes, as doenças cardíacas, a enxaqueca, o uso de anticoncepcionais hormonais, a ingestão de bebidas alcoólicas, o fumo, o sedentarismo (falta de atividades físicas) e a obesidade. “A adequação dos hábitos de vida diária é primordial para a prevenção do AVC”, alerta o professor.

O tratamento e a reabilitação da pessoa vitimada por um AVC dependerá sempre das particularidades que envolvam cada caso. Há recursos terapêuticos que podem auxiliar na restauração das funções afetadas. Para que o paciente possa ter uma melhor recuperação e qualidade de vida, é fundamental que ele seja analisado e tratado por uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde, fisioterapeutas, médicos, psicólogos e demais profissionais.

“Seja qual for o tipo do acidente, as consequências são bastante danosas. Além de estar entre as principais causas de morte mundiais, o AVC é uma das patologias que mais incapacitam para a realização das atividades cotidianas”, alerta o professor do Instituto. O tipo de déficit neurológico causado pela doença será conforme a localização do AVC no cérebro.

Um AVC extenso do lado esquerdo do cérebro, por exemplo, normalmente leva à perda da fala com alteração de força e sensibilidade do lado direito do corpo. Por outro lado, um AVC na parte posterior direita do cérebro pode levar a apenas um defeito no campo visual do lado esquerdo, sem fraqueza, sem alteração de sensibilidade e de fala.

“O AVC é uma doença que parece ser várias”

Aproximadamente 90% dos Acidentes Vasculares Cerebrais são isquêmicos – ocorrem quando há um entupimento nas artérias responsáveis pela irrigação cerebral. A obstrução é geralmente causada por coágulos sanguíneos formados na parede das artérias ou no interior do coração. Dependendo da região cerebral atingida, o paciente sofrerá sequelas maiores ou menores, podendo até mesmo chegar a óbito.

Ainda que as consequências da doença, em alguns casos, sejam irreversíveis, é possível que as pessoas atentem para uma prevenção. Para isso, é necessário conhecer os sintomas que antecedem o AVC, que são a diminuição ou perda de força no braço ou perna de um lado do corpo; a alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular frases e se expressar ou para compreender a linguagem. Também estão entre os sintomas a perda súbita de visão em um ou nos dois olhos e dor de cabeça intensa e persistente sem causa aparente.

De acordo com o pesquisador, alguns fatores ajudam a evitar o AVC, como o controle da taxa de colesterol e da pressão arterial; bons hábitos de vida, como não fumar, não ingerir bebida alcoólica em excesso, se alimentar bem, não ser sedentário; e, principalmente, ter controle da taxa de diabetes, que se apresenta como um grande fator de risco.

“O AVC é uma doença que se você tem uma vez, precisa estar cuidando para que ela não volte a atacar. Por atingir o cérebro, o Acidente Vascular Cerebral é uma doença que aparenta ser várias, então ela pode ser apresentada de maneiras mais diversas possíveis, dependendo da parte do cérebro afetado e do tipo das lesões”, afirma o professor André Luis Hernandez Pantoja.

O tempo de recuperação e a necessidade de tratamento em longo prazo diferem de pessoa para pessoa. Problemas em se movimentar, pensar e falar frequentemente melhoram nas semanas e meses depois de um AVC. Muitas pessoas que tiveram o problema ainda continuarão a melhorar nos meses ou anos depois dele.

A perspectiva de evolução no combate aos Acidentes depende do tipo de AVC, de quanto o tecido cerebral está lesado, de quais funções do corpo foram afetadas e do quão rapidamente o tratamento é recebido. A recuperação pode ocorrer completamente ou pode haver alguma perda permanente de função. Mais da metade das pessoas que têm um AVC são capazes de se mover independentemente em casa.

Se o tratamento com medicamentos que dissolvem coágulos for bem-sucedido, os sintomas de um AVC podem desaparecer completamente. No entanto, os pacientes frequentemente não chegam ao hospital cedo o suficiente para receber esses medicamentos ou há condições médicas complicadas que impedem o seu uso. Pessoas que têm AVC isquêmico (devido a um coágulo do sangue) têm uma chance melhor de sobreviver do que aquelas que têm um AVC hemorrágico (devido à hemorragia no cérebro).

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