Bancas de jornais podem virar pontos de informações turísticas

Alguns proprietários de bancas afirmam que isso já acontece sem a necessidade da lei

Lei aprovada pela CMN é bem vinda pelos proprietários de bancas e similares. Foto: Divulgação
Lei aprovada pela CMN é bem vinda pelos proprietários de bancas e similares. Foto: Divulgação

Uma lei municipal, aprovada nesta semana pelos parlamentares do município, prevê a inclusão das bancas de jornais como pontos de informações turísticas de Natal. Isso ocorreria por meio de distribuição gratuita de material de informação sobre a cidade. Tudo seria fornecido pela Prefeitura.

Alguns proprietários de bancas afirmam que isso já acontece sem a necessidade da lei. Outros acreditam que o turista não deixará a comodidade de informações na palma da mão (com um smartphone conectado a internet, por exemplo) para se deslocar para uma banca.

O dono da Banca Tirol, José de Souza Dantas, de 61 anos, dedica 35 anos da sua vida à venda de material informativo. Ele acredita que não serão muitos turistas a aderir a esse meio para se informar, uma vez que muitos têm a internet como a primeira opção para conseguir informações sobre a cidade. “Quando eu comecei não tinha esse negócio de internet. Eu acho que eles não vem só para isso não”, opinou Dantas.

Mesmo assim, ele se dispõe à aderir ao projeto. “Se quiser deixar não tem problema não. Eu aceito na hora para ajudar a Prefeitura”, declarou. Na sua banca, a venda de revistas e guias turístico não são o forte. “É uma raridade vender, o povo quase não compra. Tinha uns mapas turísticos aqui, mas acabou e não comprei mais”, disse.

De certa forma, o oferecimento de material informativo de forma gratuita poderia ser um convite para que o turista comprasse outras publicações naquela ou em outra oportunidade. Mas José Dantas não pensa dessa forma. “O movimento das vendas acho que não aumenta, mas acho que os turistas iam ficar satisfeito. É muito difícil vir gente de fora, mas quando vem e compra guia turístico, sai daqui tão satisfeito”, considerou.

Dantas ressalta também que as bancas já são um ponto de referência para qualquer tipo de localização, mesmo para quem não é turista. “Eu passo o dia todinho com o pessoal perguntando, onde fica clínica, onde fica isso, onde fica aquilo. Se eu cobrasse um centavo a cada um que me perguntasse onde fica, eu tava rico. Só hoje eu já mandei uns quatro para fazer exame de DNA”, brincou.

Proprietário da revistaria João Marinho há três anos, André Caldas afirma que já faz esse trabalho com material informativo da Prefeitura de Natal. “Algumas vezes vem [o material]. A gente já distribuiu de graça, um deles foi antes da Copa sobre os restaurantes da cidade”, explicou. Ele também não vê problema nenhum que essa operacionalização seja sistemática e contínua.

Diferente da Banca Tirol, na revistaria de André a venda de material turístico pago é alta. “Do Rio Grande do Norte, sai bastante, principalmente quando é um período de muito turismo como a Copa do Mundo”, falou.

Projeto

Aprovada nesta terça-feira, a lei ainda necessita de sanção do Prefeito Carlos Eduardo Alves. A adesão por parte dos proprietários de bancas e revistarias será voluntária e completamente gratuita. Os estabelecimentos serão identificados para que os turistas reconheçam facilmente.

A ideia é que sejam colocados a disposição pelo município de Natal material como mapas, guias com informações sobre estabelecimentos de alimentação e bebidas, com informações de programação cultural e similares. Todo material deverá estar dentro da política de turismo definida pelo Executivo municipal.

A lei também permite a realização de parceria com empresas privadas para o fornecimento de até 10% do material informativo para tais empresas com fins publicitários. A autoria do projeto é do vereador Felipe Alves (PMDB).

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