Banco que reproduz posição de cócoras promete combater prisão de ventre

Você provavelmente nunca parou para pensar no assunto, mas especialistas garantem: a melhor posição para fazer necessidades é a de…

O banquinho acoplado ao vaso sanitário faz a pessoa ficar na posição de cócoras, ajudando a esvaziar o intestino por completo. Foto: Divulgação
O banquinho acoplado ao vaso sanitário faz a pessoa ficar na posição de cócoras, ajudando a esvaziar o intestino por completo. Foto: Divulgação

Você provavelmente nunca parou para pensar no assunto, mas especialistas garantem: a melhor posição para fazer necessidades é a de cócoras. A postura, utilizada pelo ser humano durante milhares de anos e ainda mantida em alguns países, favorece o relaxamento do reto e o esvaziamento completo do intestino.

Com a proposta de resgatar o hábito antigo e evitar problemas como a prisão de ventre, uma empresa está trazendo para o Brasil um banquinho de apoio para os pés projetado especificamente para reproduzir a posição.  Segundo os fabricantes do Squatty Potty,  ele leva os usuários a formar um ângulo de 35º, considerado “o mais eficiente” para esvaziar o intestino.

Para o médico Mateus Rotta, professor de coloproctologia da Faculdade de Medicina de Mogi das Cruzes, problemas como constipação e cólica são frequentemente atribuídos à dieta, mas se relacionam também a uma postura inadequada no banheiro, no momento de defecar.

Hábitos errados como alimentação pobre em fibras e líquidos, falta de atividade física e o esvaziamento incompleto do intestino podem causar distúrbios como a constipação que, além de desconfortável, favorece o aparecimento de doenças. E, para ele, a postura errada também conta.

“Evacuar de cócoras não é uma recomendação somente para pacientes com problemas de cólon. Todos deveriam preferir esta posição para aliviar o desconforto intestinal e evitar doenças”, afirma Rotta.

Ele conta que pacientes têm relatado melhora com o uso do utensílio. “Tecnicamente, existe uma lógica, pois a posição relaxa a musculatura e retifica o reto, facilitando a evacuação”, completa.

Com ele concorda o coloprocotologista Carlos Sobrado, do Hospital 9 de Julho, que é presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia: “Acredito que este banquinho melhora, sim, a angulação e colabora para o funcionamento do cólon”.

Sobrado frisa que o produto é mais uma arma no combate à prisão de ventre e constipação. “Sabemos que as pessoas consomem poucas fibras. O correto seria que ingerissem entre 25 e 30 gramas por dia. Em 70% dos casos, só esta mudança já ajuda. Isso sem contar o aumento no consumo de líquidos e a prática de algum exercício. O produto é uma arma a mais”.

Algo que ambos profissionais lembram é que as pessoas têm de respeitar os horários e desejos de evacuar. “Isso porque neste momento há um reflexo anal que facilita o ato. Se você adiar na maioria das vezes, não irá conseguir mais defecar com facilidade”, avisa Sobrado.

Horário marcado

Rotta diz que é preciso habituar-se a ir ao banheiro no mesmo horário todos os dias, deste modo, educa-se o intestino. O médico comenta que, geralmente, a vontade surge um tempo depois das refeições.

No entanto, ele enfatiza que o produto não é para todos os casos. “Se o problema persiste mesmo mudando os hábitos ou se há presença de hemorroidas, é preciso comunicar ao médico”.

Outro ponto positivo do produto, para os médicos, é que seu uso também fortalece o assoalho pélvico, evitando futuros problemas de incontinência. “Há estudos feitos com índias, que ficam de cócoras para fazer suas necessidades físicas, mostrando que a parede abdominal é mais forte, por isso não é comum casos de incontinência nesse grupo”, afirma Sobrado.

Melhora

A estudante Nathalia Milian, de 25 anos, diz que tem intestino preso desde a adolescência, e que já tentou várias coisas como tomar iogurtes e produtos solúveis à base de fibras, sem ter muito resultado. “Ficava vários minutos no banheiro e quando terminava, ainda ficava com aquela sensação de que não havia eliminado tudo”, conta ela.

Recentemente, sua família adquiriu o Squatty Potty e ela tem usado o banquinho. “É como se a posição naturalmente ‘empurrasse’ o conteúdo do intestino para fora. Quando estou em outros lugares e preciso usar o banheiro, demoro tanto que consigo passar umas três fases do Candy Crush”, brinca, citando o game.

Ela confessa que não tem uma alimentação saudável e que não prática atividades físicas no momento, porém, o produto tem ajudado. “É muito comum as pessoas levarem este assunto para o lado do humor, mas o banquinho é algo simples e que ajuda mesmo!”, encerra.

Já a professora Ana Cristina Teixeira de Oliveira Ariza, de 48 anos, conheceu o Squatty Potty durante uma consulta com um proctologista que indicou a ela o produto.

A professora o utiliza desde setembro de 2013 e tem achado o resultado muito bom. “Ele me ajuda especialmente quando tenho mais dificuldade e fico dias sem conseguir ir ao banheiro”.

Ela conta que procura ter uma alimentação com bastante fibra, toma muito líquido e pratica exercícios físicos, além de ter sempre um horário fixo para usar o banheiro. “A posição ajuda muito. Ele veio para acrescentar facilidade à minha rotina diária. Eu o recomendo”.

 

Fonte: Uol

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