Banda formada por Supla e João Suplicy toca hoje à noite em Natal

Crítica e público têm propagado: que a dupla faz rock and roll de primeira qualidade

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

“Tem o PT, PSDB, PMDB e o DEM, tem PTB, PSB, PR e sei lá mais quem, tô de saco cheio e acredito que você também [...] é Mensalão, Mensalinho, ele é meu amigo, ele é meu padrinho, Vai se f…!, vai se f…!, vai se f…!”. A abertura de Tudo Pelo Poder, nova música de trabalho da banda Brothers of Brazil, dos irmãos Suplicy, poderia ser a trilha das Eleições deste ano. Filhos de dois ícones do Partido dos Trabalhadores, João e Supla foram pragmáticos na composição da letra. “Só para não ter ninguém enchendo o saco”, diz o ‘Papito’, via telefone, na manhã deste sábado (07) em que Natal verá o show da dupla no Whiskritório Pub, em Capim Macio, a partir das 20 horas.

A resposta sobre a impressão que a musica causou na ministra Marta e no senador Eduardo Suplicy diz muito sobre a postura que eles adotaram quanto ao fato de descenderem de políticos – categoria profissional tão desacreditada no Brasil. “Eles são democráticos e respeitam nossa opinião”, diz Supla que, minutos antes, tinha me chamado de professor e pedido um tempo para se recompor de um banho. Com quatro anos de união músico-fraternal, eles contabilizam mais de 500 shows no exterior e também inúmeros na terra natal. Se a noite de ontem foi em Fortaleza, hoje os roqueiros da capital potiguar terão a oportunidade de serem surpreendidos.

O som que eles fazem é uma mistura curiosa de punk, rock e bossa nova. O que tem rendido elogios de critica e público, como na apresentação que fizeram em abril passado, no Lollapalooza, em São Paulo – uma das melhores de um artista nacional no festival. “O que eu já vivi junto com meu irmão é uma coisa maravilhosa. Tocamos em vários lugares fora do país, representando a boa música. Nos três últimos anos, nos dedicamos a divulgar o Brothers lá fora. Até que nós pensamos: ‘Porra, meu, temos que tocar no Brasil'”. Antes mesmo de concluir a pequena turnê nordestina, um retorno à região está previsto para novembro que vem, dentro de um festival no Ceará.

O Brothers of Brazil tem dois discos lançados (Punkanova, de 2009, e On My Way, de 2012) e um prestes a chegar ao mercado. “Vamos tocar músicas já do terceiro disco, que gravamos nos Estados Unidos. O repertório de hoje vai disso”. Supla canta e toca bateria. Enquanto João sustenta violão, guitarra e também os vocais. No programa entram temas conhecidos dos tempos de carreira-solo, como Garota de Berlim (clássico dos 80s, com o grupo Tóquio) e Japa Girl. Mas há espaço para covers que influenciaram a sonoridade atual – breves citações de Break On Through, do Doors, Imagine, de John Lennon e a íntegra de Rock and Roll, do Led Zeppelin.

“The Doors fazia rock com música latina, o que tem a ver com o Brothers. E Imagine é uma citação da letra, que traz a liberdade. Fizemos também [no show de ontem a noite, em Fortaleza] umas coisas acústicas. Ao todo o show dura uma hora e pouco”, diz Supla. Décadas de experiência são traduzidas em energia e competência roqueira, na contramão de quem desconhece o trabalho dos dois – para muita gente, o lado humorístico do ex-punk que teve um romance com a alemã Nina Hagen (sua garota de Berlim), durante o Rock in Rio, em 1985, é um bloqueio para aceitar quase uma unanimidade: o rock do Brothers é bem feito e tem grandes momentos.

 

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