Banho de Bruna – Rubens Lemos

Minha paixão por Bruna Lombardi é antiga e inofensiva. Vivo muito bem acompanhado, obrigado. Bruna está em mim desde as…

Minha paixão por Bruna Lombardi é antiga e inofensiva. Vivo muito bem acompanhado, obrigado. Bruna está em mim desde as novelas das oito da noite da Rede Globo de antigamente, novelas que começavam exatamente às oito da noite e mostravam obras adaptadas ou histórias baseadas em boa literatura ou comédia. Não ensinavam a mentir, roubar, trapacear, trair e traficar drogas.

Bruna Lombardi e Maitê Proença são exemplares diferentes. O verbo é presente. Elas sempre serão. Maitê é de uma delicadeza a dançar entre o sensual e o angelical. Bruna Lombardi é protuberante.

Seus olhos dourados naturais paralisam patrulhas mecanizadas. Seu corpo é talhado no mignon bem brasileiro. Seu cabelo é uma maravilha tropicana. Ela é plural. É a prova carnal de que a perfeição existe.

Sempre que Bruna me reaparece, traz o fogo do adolescente tímido e perdido no arquivo da própria alma. Outro dia, fiquei chateado com o galã Marcos Palmeira ao rever a série do Detetive Mandrake, baseado no herói bem carioca e bon vivant do escritor Rubem Fonseca.

Mandrake, Marcos Palmeira, transa com Bruna Lombardi, Lena, a personagem, casada por interesse com um vilão internacional. Bruna dá uma surra humilhante de beleza nessas meninas metidas a besta de hoje, modelos de padrão caveira de anatomia. As coxas escapando da saia curta, a panturrilha, a batata da perna torneada, sem efeito de computador. Deusa, Bruna. Mandrake perdeu, ela disse não ao final, partiu para o estrangeiro. Eu gostei.

Parei esta semana no barbeiro para passar a máquina na cabeça cada dia mais grisalha de cansaço, descarrego do estresse. Seu Antônio falava sobre o seu tempo de soldado do Exército em 1959, orgulhoso, ele vindo de Lajes, sertão potiguar, para servir à pátria que ele parece achar meio bagunçada.

TV ligada num programa de variedades, similar criado por gênios marqueteiros para substituir a terminologia adequada: inutilidades. Dicas de como fazer bolo, cuidar das unhas, retirar pelancas. Surge Bruna, divina, ensinando a tomar um bom banho.

Seu Antônio me deu licença para a contemplação boquiaberta. Bruna debaixo do chuveiro, nua em imagem turva, voz rouca, em off, narrando cada detalhe. Ela toma banho em cinco minutos. Deveria gastar dois dias. Eu (quase) vi. Não perguntem a idade cartorial de Bruna. É falta de educação e suprema desmoralização para as mais novas.

América x Lusa

O América pode, se estiver focado, trazer três pontos de São Paulo. A Portuguesa é uma japonesa como toda a bola jogada hoje pelo Brasil cujo símbolo de artilharia é o tenebroso Alan Kardec, do São Paulo. O América, longe de casa, pode até ter a paz para fazer seu jogo. Algumas vozes intolerantes e de memória curta já esqueceram o que o time fez em tempos tão recentes.

Meio-campo

Contra a Portuguesa, o técnico Oliveira Canindé pode usar um esquema cauteloso, sem perder a capacidade de ganhar. Sem Arthur Maia, o time é um, sem ele, cai de qualidade. Fabinho pode ser liberado porque é um jogador múltiplo de pulmão e versatilidade.

Jogo da afirmação

Para o ABC, o jogo contra o Sampaio Correia será o da afirmação. Embalado pela vitória sobre o Atlético de Goiás, numa virada construída pela garra e a opção pelo ataque, o alvinegro pode deslanchar mantendo o estilo em Santa Cruz. Se a bola chegar macia, o artilheiro Dênis Marques é impiedoso.

Caravana

Caravanas de torcedores do ABC irão para Santa Cruz, hoje uma cidade em ritmo alucinante pela presença de romeiros de todo o Nordeste em visita à estátua de Santa Rita de Cássia. A santa, gigante e acolhedora, repousa o seu olhar sobre o gramado do Estádio Iberezão.

Sampaio reforçado

Eliminado da Copa do Brasil pelo Palmeiras, o Sampaio Correia chega para enfrentar o ABC na Série B com dois reforços que podem estrear amanhã em Santa Cruz. São os meias Aloísio e Márcio Diogo.

Drible de Cascata

O Sampaio Correia ainda não se refez do drible que levou do meia Cascata, ex-ABC e América. Contratado como estrela para a Série B, posou para fotografias e embarcou para a Arábia Saudita, onde assinou precioso contrato. O Casca é maneiro, cara, tem que fazer o pezinho de meia.

Decadência

É com cara de menino emburrado que reagem os fanáticos quando se mostra com provas a decadência do futebol brasileiro. O Cruzeiro ganhou a Série A do ano passado na valsa vienense. Com quatro rodadas de antecipação e 11 pontos a mais do que o segundo colocado. O Cruzeiro, sem ressalvas, é o insosso crème de la crème nacional.

San Lorenzo

Último representante do Brasil na Copa Libertadores, tomou uma aula de futebol do San Lorenzo, time do Papa Francisco. Os argentinos vieram a Minas Gerais no ritmo do tango das melhores calles floridas e poderiam ter goleado, tamanha a superioridade técnica e tática sobre o melhor time do Brasil.

Falso domínio

O Cruzeiro caiu da Libertadores quebrando um domínio de quatro anos do Brasil. Supremacia enganosa, posto que, ao sair para o Mundial, o Santos levou um chocolate catalão, Barcelona metendo 4×0 e deixando de fazer 12 em respeito ao passado do Peixe, em consideração aos tempos magistrais de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Sua Majestade e Pepe.

Só o Corinthians

Dos quatro brasileiros campeões continentais, apenas o Corinthians voltou campeão , derrotando o Chelsea da Inglaterra de esquema parecido com o do time então treinado por Tite. O Internacional caiu para o Mazembe, da África do Sul e o marroquino Raja Casablanca humilhou o Atlético Mineiro no ano passado.

País de zagueiros

O Brasil hoje é um país de zagueiros. A Argentina está cheia de meio-campistas talentosos. Não perdeu sua identidade, joga de acordo com sua escola e vocação. Preservar princípios é o maior título. A CBF é um clone europeu e futebol acima da média somente em Neymar e no meio-campista Hernandes, um velho armador dos bons tempos. Somos ufanistas. Teimosos e arrogantes de cegueira.

Na série D

Titular do ABC no acesso para a Série B em 2007, quando Wallyson florescia, o goleiro Ranieri segue jogando. Está animado para disputar a Série D pelo Moto Clube (MA). Aqui, um goleiro de razoável para bom.

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