Barão do crack tem faturamento mensal de mais de R$ 5 milhões

Alvarenga controla venda de drogas no Parque União, é discreto e dita leis com armas e assistencialismo

Irmão de barão do crack ostenta e circula no meio de famosos. Foto:Divulgação
Irmão de barão do crack ostenta e circula no meio de famosos. Foto:Divulgação

Enquanto forças de segurança do Rio não ocupam o Complexo da Maré, traficantes de drogas da região vão fortalecendo o mundo paralelo em que vivem. E nesse reino — logo ali na Avenida Brasil —, vive o ‘intocável’ Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, barão das drogas na Favela Parque União. Procurado pela polícia desde 2006 e com seis mandados de prisão ativos, ele é um dos únicos líderes da facção criminosa Comando Vermelho que nunca foi preso.

Protegido por um séquito de 150 bandidos armados em sua quadrilha, Alvarenga é escorregadio e quase não circula pela favela, para não ser visto. Tanto que, nos bancos de dados da Segurança Pública, a foto existente do criminoso é a de sua primeira carteira de identidade. Suas aparições públicas são raras e por isso ele é tido como um ‘fantasma’ na favela. Nas escassas vezes em que circula, o barão está acompanhando o movimento das bocas de fumo, armado e cercado por seguranças.

São pouquíssimas as pessoas que sabem onde o criminoso mora. Para manter o sigilo de seu endereço, ele pede aos seguranças que o deixem a metros de distância da casa e manda esvaziar a rua: enquanto ele entra, ninguém pode ficar nas janelas para ver qual é o imóvel. A obediência dos moradores não foi algo difícil para Alvarenga conquistar porque, além do poder bélico, ele faz a linha assistencialista e ajuda muitas pessoas.

No domínio de Alvarenga, desfile de armas e drogas é mais do que permitido, é quase obrigação. As bocas funcionam a todo vapor dia e noite, sempre protegidas por homens fortemente armados. Os fuzis e metralhadoras são ostentados como troféus durante e depois dos bailes funk da favela, um dos mais concorridos da cidade. Regados a drogas e bebidas, os eventos promovidos por Alvarenga recebem frequentadores de vários lugares, de moradores da favela a ‘patricinhas’ da Zona Sul.

O Parque União é hoje um dos maiores distribuidores de drogas da facção. De lá, saem carregamentos que abastecem favelas como a Cidade Alta, em Cordovil; Vila Kennedy, em Bangu, e Antares, em Santa Cruz, bem como comunidades de Duque de Caxias e São João de Meriti, na Baixada. O faturamento mensal da quadrilha é de mais de R$ 5 milhões, sendo que só uma das cargas transportadas para as demais comunidades custa em torno de R$ 2 milhões.

Alvarenga é um dos poucos traficantes que tem autonomia dentro da facção e não recebe ordens. Boa parte de seu status foi adquirida pelo fato de ter sido cunhado e homem de confiança do traficante Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói, morto pela polícia em 2011. Na ocasião, Alvarenga era um dos alvos da operação policial, mas conseguiu escapar.

Crack entregue no asfalto

Uma das pedras no sapato das autoridades, a cracolândia do Parque União também faz parte do domínio de Alvarenga. O efeito devastador do crack — que transformou centenas de pessoas em ‘zumbis’ que povoam a Avenida Brasil, em torno da favela que alimenta seu vício — não impede o traficante de manter seu negócio. Somente a venda das pedras movimenta para a quadrilha cerca de R$ 700 mil por semana.

Para manter a alta lucratividade, Alvarenga ordenou apenas que os ‘zumbis’ não entrem na favela, para não espantar a freguesia dos outros entorpecentes. Mas o dinheiro dos viciados, ao contrário da presença deles, é sempre bem-vindo. O traficante mandou criar um sistema ‘delivery’ para continuar vendendo aos viciados na Avenida Brasil: uma pessoa da quadrilha vai lá fora, pega o dinheiro arrecadado e entrega as pedras para o consumo. O crack vendido no Parque União vem de fora do estado, basicamente de São Paulo, destino final de uma conexão que começa na Bolívia.

Irmão frequenta boates e gosta de ostentação

Família que trafica unida, permanece unida. Este é o lema na casa do barão do crack, que tem nos dois irmãos seus seguidores mais fiéis. Na hierarquia da quadrilha, Diogo de Souza Barbosa é o segundo homem, que assume o comando na ausência do primogênito Alvarenga.
Considerado sanguinário e problemático, ele é temido pelos moradores da favela porque impõe seu poder na ponta do fuzil. Prova disso é sua extensa ficha criminal, com anotações por roubo, tráfico e homicídio.

Na comunidade, nada acontece sem o aval do irmão do meio de Alvarenga que, ao contrário do mais velho, gosta de ostentação e circula em hotéis e boates badaladas, inclusive frequentadas por famosos, como o jogador Adriano, com quem Diogo não tem vínculo, mas fez questão de pedir para tirar foto ao seu lado. Na árvore genealógica do tráfico, há ainda José de Souza Resende, o Zezinho, 18 anos, caçula que também atua no bando.

Fonte:IG

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