Bárbaro, Seedorf

Espetáculo de show. Luzes, patrocínios, lindas arenas arquitetadas e o último craque brasileiro vai embora. Ora, a certidão do timbre…

Espetáculo de show. Luzes, patrocínios, lindas arenas arquitetadas e o último craque brasileiro vai embora. Ora, a certidão do timbre nunca estará no registro de nascimento. Seedorf, a pantera exuberante que chora, jogava o mais nacional futebol.

Regressa ao  Milan da Itália por convocação Berlusconiana. Foi a linda Bárbara, filha do Capo Sílvio, presidente rossonero, quem demitiu o treinador. Seedorf sai das quatro linhas ao banco, limíte de minifúndio de sua genialidade.

Seedorf hipnotizou o brasileiro nato pelo inato domínio de bola, a ginga adiliana( Adílio do Flamengo é verbo,sim), o molejo de malandro negro e simpático, dançarino de gafieira do Engenhão, o estádio engenhoca do Pan-Americano onde ele brilhou, casou, batizou, votou, apurou e proclamou a supremacia banta dos boleiros afro-favelados. O estádio que quase cai, malfeito por cifras tortas e frágeis ao seu molejo.

A Seedorf, na prática,  foi negada a bela convivência com o Ex-Maracanã. O colosso de 200 mil pessoas num clássico lotado de ricos, pobres e remediados sinônimos de classe média, gente em catarse de tribuna, cadeiras, arquibancada e geral, transformando um jogo numa parada nacional, pelas ondas do rádio, Norte a Sul do país.

Seedorf, o brasileiro mais brasileiro no gingado, deveria, ele sim, ter jogado, nos anos de 1957 e tal. Com o jornalista João Saldanha de treinador. Há que se imaginar em silêncio e de olho fechado, o oficialmente holandês magistral, no Botafogo de Pampolini e Didi; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Pampolini, por consequência, sairia sem reclamar para entrar Seedorf, embora a anarquia dos dribles e rebolados, debochados , preferisse Zagallo aquecendo  de um lado a outro na reserva.

Viriam os anos 1960 e Seedorf de todos os tempos, distinto,  puxaria Nilton Santos pelas mãos em sinal de reverência na despedia de um time e de uma geração em 1964.

Ele continuaria. No meio-campo, flutuando e abrindo espaços para os lançamentos de Gérson em canhota. Para Rogério na ponta-direita, Jairzinho, Roberto Miranda e um Paulo Cézar Cajú ciumento, do concorrente próximo, bem mais sofisticado e sem nenhuma nesga de presunção.

>>>

O Botafogo bicampeão em 1968, maduro e passado na soberba, venceria em 1971 o jogo premeditado e ganho contra o Fluminense. O jogo das embaixadinhas de Paulo Cézar para humilhar o tricolor. Haveria Seedorf, mais avançado, meia-armador, prendendo a bola. Segurando o jogo, evitando as embaixadinhas patéticas de Paulo Cézar e o gol tricolor de Lula no erro de arbitragem.

Em sua classe, a pantera convenceria, sem violência, o árbitro Marçal Filho, a excelência, do erro bisonho: Marco Antônio do Fluminense empurrou o goleiro Ubirajara e Lula tocou de biquinho para as redes.  Gol ilegal que valeu. Não havia Seedorf.

No começo da década seguinte, na afinação intuitiva dos  craques, lutaria em dupla com um loiro atrevido e nordestino, menino e bailarino, Marinho Chagas solitário na vida real. Seedorf e Marinho seriam inúteis num bando contra o Flamengo de Zico e o Vasco do artilheiro Roberto( nunca o caricato cartola que vai apagando a chama do velho Dinamte).
Seedorf iria embora na triste  embarcação que levou Cerezo e Sócrates, Zico, Careca e Falcão, abrindo nefasta nuvem sobre a criatividade. A fantasia o trouxe ao Brasil , maduro, esguio e governante, fazendo-se reserva minguante de lua cheia em relvado.

Seedorf ensinou aos meninos de hoje, que acima do sotaque autêntico e pronunciado como faz um diplomata, restava nele, o último futebolista essencialmente brasileiro. Doce, Bárbara Berlusconi, que o leva de volta ao Milan, unindo o branco e o negro chorando nas cores e dores do Botafogo.

 

Absurdo geral
O presidente do Alecrim liberou apenas a Rádio Globo para transmitir o jogo de ontem. Barrou os jornalistas. Todos deveriam ter se retirado. Cercado por seguranças, este cidadão se julga acima do bem e do mal. E como foi bajulado.

Arena de Khristal
O  produtor e agitador cultural José Dias informa: a cantora Khristal, voz divina potiguar, cantará na inauguração oficial da Arena das Dunas, dia 22, restrita a autoridades com a presença da presidenta Dilma Rousseff.

Para os operários
Khristal também cantará, segundo José Dias, seu companheiro e produtor, no dia 23, em evento promovido pela construtora do estádio e reservado a convidados e aos operários que trabalharam na construção da obra. Melhor nome, impossível.
 
Rádio do América
Está fazendo o maior sucesso o canal de rádio do site Vermelho de Paixão, do Sérgio Fraiman.  Debates, enquetes, reportagens estão atraindo o interesse da torcida. Acesse o www.vermelhodepaixao.com.br e ouça as notícias do América.

Corintians
Lamentável a situação do Corintians de Caicó. O vereador Lobão, seu dirigente, está lutando sozinho para preservar a sobrevivência do futebol tradicional da cidade, que durante anos lutou por um estádio e conseguiu terminar. O Marizão deve ter sempre um Corintians forte.

Bons times
O Corintians foi o primeiro campeão fora da capital em 2001, com um senhor time, comandado pelo camisa 10 Betinho.  Vice em 2002, já havia feito ótima campanha em 1993, com um bom time formado por Concone – o volante que arrancava filetes da canela do adversário -, Erijânio, Douglas Neves e Neira. Está na hora de  os caicoenses se unirem para salvar o Galo.

Mais de 20 na Série A
Especialista em direito esportivo, o advogado Luiz Roberto Leven Siano, dos maiores nomes nacionais, disse que a CBF, hoje, “não pode rebaixar nem Portuguesa nem Fluminense”. Segundo ele, não há outro caminho que não o da  Série A com mais de 20.

ABC contra os africanos
No dia 16 de janeiro de 1974, o ABC vencia a Tanzânia por 2×0 pelo Torneio da Apern, caderneta de poupança  da época existiu e famosa no Estado. Os gols foram de Alberi, aos 12 e aos 30 minutos do primeiro tempo. Primeira  exibição alvinegra em Natal após a Excursão para Europa e África de agosto a dezembro do ano anterior.

Público e time
Um público pagante de 9.211 pessoas compareceu ao Estádio Castelão(Machadão) para ver o jogo e o ABC atuou com Erivan(Floriano); Sabará(Gonzaguinha), Válter Cardoso, Telino e Anchieta; Nilson Beckenbauer(Aélio), Danilo Menezes e Alberi(Jaime); Soares, Jorge Demolidor(Libânio) e Morais. Tanzânia: Muchidini; Ali Iussuf; Gobbos, Selemani e Andul; Kapera, Chitete e Kitwana; Sunday(Kilambo), Sembuli e Dilunga.

Compartilhar:
    Publicidade