Barbosa e as pesquisas

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, é um homem avaro em sorrisos. Pode ser que ao ler…

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, é um homem avaro em sorrisos. Pode ser que ao ler o noticiário político sobre a sucessão de 2014, esboce um movimento no rosto. Contraia os músculos faciais.

Seu nome aparece em pesquisa eleitoral com considerável substância na preferência dos entrevistados do Datafolha, com 15% e empatado com dois nomes de pronúncia gasta em campanhas: o tucano Aécio Neves e a ex-senadora, ex-petista Marina Silva.

Os três atrás de Dilma Rousseff, liderando com 29% neste cenário. Segundo turno assegurado e cardápio azedo para a atual presidente, somados os cinco pontos do governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB).

Quando Dilma é substituída pelo antecessor, Lula, os quatro concorrentes, com a hipotética presença de Joaquim Barbosa, somariam 43%, dois pontos a menos que o petista. O “Fator Joaquim Barbosa” deve ser avaliado e reflete a velha classe média justiceira aliada à frustração geral botando as garras de fora em busca de um salvador ou de um xerife.

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A postura do presidente do Supremo muito mais me assusta do que tranquiliza. E tenho repetido por aqui. Não acredito mais em partidos, dogmas ou ideologias que se esfarelam quando chegam ao poder e repetem exatamente os defeitos e conchavos dos oponentes de ocasião. É preocupante o estilo de Barbosa e dos seus seguidores.

O presidente do STF, nomeado pelo próprio Lula, tem exibido pendões narcisistas e intolerantes, imperceptíveis na maior parte dos componentes de cortes supremas. Joaquim Barbosa entrou no STF pelo currículo e numa jogada midiática de Lula para sair bem contra o racismo pondo um negro na toga mais nobre do Brasil, mas parece que o preconceito não saiu de dentro do ministro.

Suas opiniões são sempre radicais, embora seu conhecimento jurídico eu não discuta, por não poder analisar saber jurídico. Não sou jurista. Embora seja prática de quase todos os outros profissionais usar e abusar do direito de discutir jornalismo quando acham que devem. E parecem poder sempre. Joaquim Barbosa tem opinião formada sobre tudo e expressa de forma antipática e sumária. Como verdade, nunca ponto de vista.

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Suas brigas com colegas durante o julgamento do Escândalo do Mensalão foram impróprias para alguém que lidera um tribunal superior. Em outra ocasião, desancou juízes, acusando-os de privilégios, cobrou igualdade racial nas redações brasileiras como se competência não fosse o critério em qualquer profissão livre, é refratário ao bom trato, esquivo e arredio, grosseiro com quem o aborda.

É um traço pessoal do ministro e ninguém tem nada com sua maneira de ser. O Brasil é que está em busca de um novo Messias para curar males de metástase de antanho, incorrigíveis com punho de aço ou demonstração da força pela força ou da intromissão de um poder sobre outro.

O ministro Joaquim Barbosa é a expressão do sujeito chateado com a escalada da violência, com o caos horroroso na saúde pública, com a corrupção desenfreada, tornado herói por uma parcela nacional por ter mandado prender os envolvidos no Mensalão.

Se erraram, que paguem, mas Joaquim Barbosa recebeu críticas dos próprios colegas, alguns mais antigos, um deles, conhecido pelo conservadorismo e a reserva, como o ministro Marco Aurélio de Mello. Pessoalmente, nunca duvidei do Mensalão.

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Os admiradores de Joaquim Barbosa seguem-lhe a linha de arrogância. Nas redes sociais, das quais sou muito mais observador do que debatedor de temas que não levam a nada, há uma tendência forte à intransigência e ao sarcasmo do poder estabelecido pelo martelo do homem e suas convicções acima da limitação da lei.

O Brasil pagou caro quanto optou por soluções de faxina disfarçada de ética e moral e descortinadas em arbitrariedade e despudor. Jânio Quadros proibiu o uso de maiôs em concurso de beleza, biquini nas praias, corridas de cavalo em dias úteis e revelou-se um frustrado Delegado de Costumes no comando de uma Nação que largou ao renunciar pouco menos de sete meses após assumir.

As reformas de base e a estatização pela estatização do Brasil, urdidas por radicais, foram o caminho do presidente João Goulart ao calabouço preparado pelos militares reacionários loucos para cassá-lo assim que Jânio renunciou.

A Ditadura manchada pelo sangue dos torturados e mortos, durou 21 anos e os desastres de José Sarney, sucessor de Tancredo Neves, o quase-presidente-morto do regime democrático, levaram o país a eleger um Caçador de Marajás que era o próprio nababo: Fernando Collor de Mello, radical adversário e hoje amigão do PT de Lula.

Tenho minhas reservas quanto a Joaquim Barbosa, o possível político. Ele personificaria uma das tantas frases essenciais de Victor Hugo, autor de Os Miseráveis “É inútil obter por piedade aquilo que desejamos por amor.”
Victor Hugo morreu em 1885, portanto, não pode ser processado. É que Joaquim Barbosa, a cada destempero, dá a impressão de que não basta apenas triunfar. O importante é humilhar, tripudiar e destruir.

 

Genoíno
A decisão do deputado federal José Genoíno (PT) de não enfrentar o processo de cassação na Câmara dos Deputados pela sentença condenatória no mensalão pode ser resumida num suspiro de fuga: “Quem renuncia, consente.”

Nada é estranho
Quando se assina um contrato com uma empresa do porte da que está construindo a Arema das Dunas, não se deve esperar gentileza. É negócio na base do duralex. Ou a empreiteira iria doar dinheiro? Só em Marte, se existir. Então, o controle do programa Sócio-Torcedor entra no pacote de cláusulas e passa para nova administração.
 
Obras
O Portal Uol destacou a falta de obras estruturantes para a Copa do Mundo em duas capitais: Natal e Cuiabá, onde tudo está concentrado na construção das arenas para os jogos.

Aliás
Já tem gente animada nas redes sociais prevendo grandes eventos com bandas internacionais que transformarão Natal numa cidade de referência artística internacional. Concordo. Aqui não falta artista.
 
Sorteios
Pote legal é de sorvete. O importante do sorteio é saber quem vai jogar contra quem. Quanto mais difícil o grupo, mais se saberá se a seleção brasileira terá fôlego para seguir longe na Copa do Mundo.

Minha seleção
De 2013: Andrey; Norberto, Cléber, Lino e Somália; Edson, Fabinho, Régis e Timbó; Gilmar e Rodrigo Silva. Roberto Fernandes de técnico.

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