Barça sem timoneiro

Contra o Granada, no fim de semana, o Barcelona atingiu o maior percentual de posse de bola desde o início…

Contra o Granada, no fim de semana, o Barcelona atingiu o maior percentual de posse de bola desde o início dos registros estatísticos: 86% do jogo. Ficou tocando, de pé em pé, e perdeu por 1×0, caminhando para o fracasso também no Campeonato Espanhol, fadado ao Real Madrid ou ao Atlético. Para o qual perdeu e foi eliminado nas quartas de final da Champions League.

O jogo encantador do Barça, envolvente e de asfixia a partir da defesa adversária, foi consagrado por um estudioso, Pep Guardiola, apaixonado pelo futebol brasileiro que viu jogar, adolescente, na Copa do Mundo de 1982. A afinação descontraída e bailarina comandada por Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo e Júnior.

Ao contrário dos técnicos do Brasil, aderentes vergonhosos na rendição ao estilo brucutu e sem técnica, Guardiola conseguiu fazer o belo vencer ao fim do filme, conquistando inúmeras taças para o clube catalão.

Guardiola, aos apaixonados pelo futebol baseado na cultura literata da grama, pareceu saciar a viuvez pela derrota do timaço de Telê Santana para a Itália de Paolo Rossi, Bruno Conti, Scirea, Antognioni e o goleiraço Zoff. E tem gente capaz de dizer que perdemos para um time ruim. Melhor que o nosso não era, mas nunca foi um Bonsucesso azul que nossa autossufiência teima em rotular.

O Barcelona vem jogando à base do toque de bola liderado por Messi, único gênio em atividade no futebol mundial, há quase cinco anos. Mulher passada na casca do alho na idade esconde pelanca com cirurgias, homem vaidoso se expõe ao ridículo de pintar o cabelo. No futebol, o tempo não faz concessões.

Os deslocamentos assombrosos do Barcelona, rápidos e desconcertantes para qualquer esquema padronizado, diminuíram de ritmo. Seu meio-campo exuberante com Iniesta, Xavi e Fábregas continua inigualável. Agora mantido menos pela qualidade aliada à rapidez e mais pelo raciocínio desobedecido pelas pernas.

Quando foi surrado pelo Bayern de Munique na Liga dos Campeões do ano passado, fatalistas( alguns ufanistas invejosos mais ainda), deram por encerrado o ciclo do Barcelona. Em pouco tempo, mordido, o time voltou a maravilhar o mundo com desempenhos encantadores e gols desenhados por Messi.

Certo é que erraram quando escolheram um técnico mediano -Tata Martino -, para conduzir a sinfônica guardiolesca. Ele não está à altura. É areia demais para o caminhãozinho dele. Incapaz de variar seu esquema e de enxergar duas verdades.

A primeira é a de os adversários descobriram como desestabilizar o Barça. É fazer um gol logo no início e o time começa a tocar e a rodar sem destino. É formado um cinturão de defensores que impede a penetração fulminante de Messi.

Tata Martino, boa rima com Bragantino, também não percebeu que falta um centroavante nato, um Diego Costa, só para exemplificar. Nada de tanque, de trombador, que desafina o concerto. Um finalizador abriria o paredão defensivo e seria uma espécie de antigo pivô de futebol de salão, prendendo beques, girando ou servindo os meio-campistas.

A desculpa da proximidade da Copa do Mundo pode ser usada. Messi na Argentina , Neymar no Brasil e quase todos os outros na defesa do título mundial espanhol, estão pensando muito se vale a pena dividir bolas espinhosas e arrumar uma contusão. Clima típico de crise existencial nas quatro linhas.

Mas não é argumento digno para a nobreza do Barcelona e do seu estilo delicioso. Barco navegando, mas precisando de motivação e de um bom timoneiro com astúcia para perceber o curso das águas e seguir viagem superando tempestades eventuais.

Obama e o Estadual

Fontes da Casa Branca informam que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviará telegrama rogando bom senso à Federação de Futebol para que encerre de uma vez por todas o Campeonato Estadual de 2014.

Lembrança única

Segundo a fonte, responsável pela interface com o Congresso Norte-Americano, Obama considera proveitoso apenas o gol de placa do camisa 10 do América, Arthur Maia, que driblou meio time do Globo na Arena das Dunas.

Atirador e kamikaze

O técnico do América, Oliveira Canindé, disse na Rádio Globo, que o seu adversário na decisão, o Globo, será um franco-atirador na final do campeonato. Quando se fala assim, se quer dizer que o inimigo não tem nada a perder. Erraram uma vez e virou lenda. Na batalha de campo, franco-atirador é atirador especial, raro e de precisão. É um sniper. É diferente do kamikaze, que arrisca tudo, até a vida, desde que destrua o combatente.

Humilde

Ainda sobre o técnico do América. Ele continua sendo o cara centrado e tranquilo, sem arroubos de estrelismo, tentação matadora de tantos treinadores no Rio Grande do Norte. Oliveira Canindé tem a confiança da diretoria e a vantagem de saber que o simples é o mais importante, sem invenções ou exibicionismos.

Série A

É legítima a pretensão do ABC de subir para a Série A. Demonstra espírito de grandeza, vontade de sair dos seus limites. Mas um time para garantir acesso não é nem parecido com o atual. Seria necessário mudar tudo. Faltando cinco dias para a estreia. Ou seja, o jogo de frases de efeito não deve se sobrepor ao campeonato da lógica.

Dinheiro da Caixa Econômica Federal

Torcedores devem estar atentos para saber como serão aplicados os 4 milhões liberados pela Caixa Econômica Federal, via deputado Henrique Alves -, por ABC (2 milhões) e América (2 milhões). No ano passado, foi a grana da empreiteira baiana que evitou o rebaixamento alvinegro.

Timbó

Preces por Natal inteira para Júnior Timbó, o 10 do ABC, voltar bem.

Vaia, 40 anos

A torcida e não engolia de jeito nenhum a seleção brasileira retranqueira de Zagallo nos preparativos para a Copa da Alemanha. No dia 14 de abril de 1974, o time foi vaiado por 72.845 torcedores decepcionados no ex-Maracanã. O Brasil venceu a Bulgária por 1×0 com gol de Jairzinho aos 40 minutos do segundo tempo em jogada pessoal. O Furacão de 70 saiu distribuindo socos revoltados para arquibancadas e gerais.

Times

Brasil: Leão; Zé Maria, Luís Pereira, Piazza e Marinho Chagas; Clodoaldo, Rivelino e Paulo Cézar Caju; Jairzinho, Leivinha (Mirandinha) e Edu. Bulgária: Simconov; Kordov, Keistakiev, Stankov e Apostolov; Jankov, Mundiev e Grigorov; Vassilev, Nikodimov e Dimitrov.

 

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