Barrote em livro – Rubens Lemos Filho

O mestre Ariano Suassuna teria adorado conhecer meu querido professor Nilson Pinto, o Barrote. O chato é que possivelmente Barrote,…

O mestre Ariano Suassuna teria adorado conhecer meu querido professor Nilson Pinto, o Barrote. O chato é que possivelmente Barrote, dos melhores goleiros de futebol de salão desta dobra de continente, chamasse Ariano de Adriano, Aureliano ou Aproniano. Barrote é um homem de admiráveis virtudes pessoais e um desligamento aéreo de um Pluto, de Walt Disney.

Ariano Suassuna, gênio e prosador da simplicidade regionalista, gostaria de receber a surpresa que tive, ontem, segunda-feira modorrenta e prenunciando estresse, ao atender a um telefonema e depois conversar longo tempo com outro professor dos meus saudosos idos de Escola Técnica Federal, Fábio Fernandes Lisboa. A minha ETFRN é o atual IFRN.

Fábio é filho de dona Déa Fernandes, mulher de fibra que soube criá-lo e aos seus irmãos Roberto, Flávio e o espetacular Dennis Lisboa, o Falcão de minhas alegrias no ginásio do Palácio dos Esportes, enfileirando dominós humanos desabando aos seus dribles encantados. Dennis, com a bola na canhota ilusionista tinha parte com Trancoso, assombrosa inspiração de fábulas e mistérios infantis.

Além de supercraque e espirituoso, Dennis Lisboa anda como se somente ele ouvisse Zeca Pagodinho de Back Ground, de Fundo Musical. É rebolado comparável apenas ao do famoso Bossa do Pandeiro, personagem vitalício da boemia natalense, que é muito mais eficiente nas piruetas e evoluções do que no tratamento dispensado ao batucar. Dennis, não. É um Diogo Nogueira na pose e no gingado, mas jogava qualquer esporte bem. Muito bem, aliás.

Fábio também era bom de bola, fez parte do time da Afurn campeão de 1982 no Palácio dos Esportes, final inesquecível contra o América. Tinha 12 anos e, um dia antes de fazer 44, aquele jogo repassa como youtube memorial. Dois belos quintetos que não refletiram o placar de 4×0 construído pelos irmãos Lisboa.

Fábio Lisboa, violão de dedo estiloso e som ritmado, me fez ganhar o dia ao me entregar a biografia que escreveu sobre Nilson. Se Fosse Nilson, Histórias de Barrote é de doer a mandíbula de rir.

É o desenho bem escrito, talhado na palavra elegante e ferina, do Nilson Barrote que o Rio Grande do Norte merece conhecer melhor. O improvisador de genuína graça e dono do seu próprio universo.

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O livro deve ser lançado em setembro e já tenho o meu, autógrafado e traçado com a avidez nata do leitor e a admiração do amigo. De Nilson e de Fábio.

Histórias hilárias de um cara desligadão. De alguém que troca nomes, inverte situações e protagoniza episódios com naturalidade antagônica ao felino que defendia corajoso e arremessava milimetricamente em quadra. Bom treinador. Compenetrado e compreensivo professor.

Nilson Barrote não gosta de Olinda. É dos poucos. “O problema é que as ladeiras de lá são muito Ingrids”. Íngremes. Inclinadas demais. Voltando aos seus redutos, Nilson Barrote, sério e solícito, alpendres de Muriú, a comunicar aos amigos. Uma das mansões de veraneio cinematográficas do Litoral Norte fora “embarcada”. As obras de reforma tinham sido embargadas.

Um dos comparsas de copo, Beto Cabral, fulminou: “Embarcaram a casona de navio né Nilson?”. Jogo tenso contra o América ginásio com gente pendurada no teto, é inspirado na preleção: “É só jogar no cadenceio que a parada tá ganha”. Cadência, mas deixa quieto.

Em 1999, contou vantagem, apostando no ABC, de fato campeão potiguar, naquele gol contra de ré do zagueiro Marcelo Fernandes. “Só vai dar ABC. Trouxe esse tal de Robocop e não tem pra ninguém.”

Era Robgol, estupendo centroavante, matador de confundir guarda britânico. Para o notório saber de Barrote, o timeco de Felipão derrotou a Espanha em 2013 e ganhou a Copa das Confraternizações.

Quem quiser que leia o seu exemplar. Compre e mande reservar. Fábio deve marcar o lançamento, avisar à imprensa e manter intensa vigilância sobre o homenageado. Nilson Barrote é capaz de esquecer e faltar. Sem preço é o gesto de Fábio Lisboa e a dimensão pessoal de Nilson Barrote, homem tranquilo e agregador, desconcertante como um drible. De Dennis Lisboa.

 

Bullying

ABC pega o Vasco pela Copa do Brasil. Sinal de boa renda. Mas hoje tem o Ceará, em Fortaleza. O ABC sofre de bullying do Ceará. E faz tempo. Só teve um arrocho de macheza com Danilo Menezes em 1977 e com Sérgio Alves e Robgol, o Robocop do professor Nilson Barrote, personagem do texto acima.

Somália

Concordo. O veterano Somália é melhor na lateral-esquerda. Deixa Michel, que é bom volante, na posição. Não se mexe no pouco que vem dando certo e Michel está cumprindo sua missão profissional.

Mais difícil

O América pega um adversário mais difícil que o ABC na Copa do Brasil. O Atlético (PR) engatou na Série A e é organizado, estruturado. Jogo imprevisível.

Estupidunga

Dunga terá convocado hoje a seleção brasileira. Trabalho não de técnico, mas de detetive, de caçador, imensa a ausência de craques. Ou de mágico, pois o troglodita-mor disse ter três jogadores para cada posição. Pode ser posição de diarreia.

Estupidunga dois

Dunga se superou em estupidez ao dizer que craque, para ser carimbado, tem que ganhar Copa do Mundo. Se referia a Neymar, que deve ser perseguido por ele o tempo inteiro. Acertou em Di Stéfano, Puskas, Zico, Messi, Zizinho, Cruijff. Ele, nesse delírio arrogante, talvez se coloque acima de Danilo Alvim e Falcão, dois volantes que jogavam o fino e não ganharam Copa.

Abordagem

É pra Agamenon Mendes Pedreira analisar e louvar a ideia de a PM abordar passageiros de ônibus depois que mataram um motorista. É sempre assim o Efeito Defunto. Amanhã volta tudo ao pânico de sempre. Bom que anunciaram a operação. Só faltou por lista dos ônibus e roteiros. A vagabundagem vai aplaudir. Maurílio Pinto de Medeiros, quanta saudade, Xerife.

ABC 76

Nunca é tarde para lembrar que ontem fez 38 anos do título estadual do ABC no Castelão (Machadão), empate por 0x0 contra o América, público de 30.891 torcedores. O América não conseguiu o tri.

Times

ABC: Hélio Show; Fidélis, Pradera, Wagner e Vuca; Drailton, Danilo Menezes e Joel Maneca; Noé Silva, Zé Carlos Olímpico (Reinaldo) e Noé Macunaíma. América: Otávio; Olímpio, Joel Santana, Odélio e Cosme; Juca Show, Alberi e Hélcio Jacaré (Garcia); Ronaldinho, Pedrada (Santa Cruz) e Ivanildo.

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