NO BERÉU DE CHICA BOCÃO…

Êita, Natá Boêmia de ôtrora; cumo eu tenho sodade de tu e de teus moradô mais inrreverente; daqueles qui fizero…

Êita, Natá Boêmia de ôtrora; cumo eu tenho sodade de tu e de teus moradô mais inrreverente; daqueles qui fizero tua verdadêra históra e qui já fôro prestá conta a Papai do Céu… E hoje, minha querida Natá qui guardo na lembrança, na ritina e no meu coração; me bateu a rescordação de uma fulêrage qui se passô no Beréu qui havia lá no Bairro Nordeste, chamado NA LUA, cuja proprietára Chica Bocão, tinha êsse nome, divido ao fato de num levá porríssima ninhuma de quaiqué disafôro qui fosse, prá sua casa (lá dela…). Chica era ô é, se ainda tive batendo perna nêsse mundão véio sem purtêra; o qui se pudia ô se pode chamá de uma criatura maraviósa; só de um pavíi curto dimaise… S’ispoletava prú quaiqué coisa qui lhe disagradasse… A Lua tinha dois andá; no térreo era o salão de dança e adonde suas “fazedora de caridade” ficava isperando uis criente, ao som ô da radióla de ficha ô da sanfona tombém maraviósa do sodosíssimo Zé Minhoca, qui tinha cumo ajudante, Zé do Rojão, do quá, além de fã número um; eu tombém era cumpanhêro de peregrinações biritológicas e/ô prostibulares, ao lado dos saudosos Teimoso, Chapéu Cagado, Seu Chimba e o queridíssimo Véio Fulêro; que eram funcionários do curtume do meu pai… A gente rodava o mundo e o fundo; pintando o sete e bordando o oito… E numa noite de quinta fêra, já avisados por Zé do Rojão, qui êle e Zé Minhoca ia tá Na Lua, tocando um animado forró, oito e meia da noite, nóis já se abanquemo e fiquemo disfruitando daquêle tão saudáve ambiente… Ao redó de umas dez da noite; um “cú de burro” duis graaaannnnde! Era tamburête avuando sem distino, rapariga gritando, fresco dando ataque de isterirmo; “cú de burro êsse”, qui só parô cum a chegada da turma da Sétima DP das Quintas; cujo titular na época, era o Tenente Belmiro, qui puro porte físico, era chamado carinhosamente, inté puros bebum qui êle prindia; de Belmirão. E Chica Bocão; coitada; sem dinhêro mode pagá o adevogado; levô uns criente cumo tistimunha prá 7ª. DP do Bairro Das Quintas; onde uis bebum já chegaro cada um querendo dá sua versão premêro qui o ôto… Era uma “latumia” mais disinfiliz dêsse mundo! Belmirão se alevanto e danô sua mãozinha qui cabia “cum izajêro e tudo”; uma bola de basquete dento; in riba do birô, gritando:

– É bom parar com essa zoada; só vai falar um de cada vez; vocês se calem que eu vou anotar os dados da proprietária da Casa de Drinks…

E se dirigindo com tôda fóimalidade a Chica Bocão; cumêçô o interrogatóro:

– Nome ?

– Francisca de Tal (Discuipe, Chica; num alembro seu sobrenome…).

– Dona Francisca; eu estou com uma dificuldade para compor sua ficha de interrogatório; o que devo colocar como sua profissão ? Posso colocar “mulher de vida fácil” ?

Aí, meu fíi; Chica Bocão “barreu da quenga” e o qui se viu foi aquêle homão de quage dois metro de artura, incúído detráis do birô,

iscutando a voz istridente e indiguinada de Chica Bocão:

– Delegado; se o sinhô acha qui a gente ficá cum deiz hôme ô mais num dia, “cum ferramenta de tudo qui é tipo”, sem pudê recramá; dispôi inda agüentá seus sordado quando eles chega lá querendo além da gente, bebê e cumê de graça é vida fáci; é essa a minha luta! Se o sinhô acha fáci a vida de puta, pode incolocá!…

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