Betinho: “Pintaram a gestão Rosalba Ciarlini de forma distorcida”

Nesta entrevista, Betinho criticou a postura do DEM de discriminação a ele

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Alex Viana

Repórter de Política

O presidente do PP no Rio Grande do Norte, deputado federal Betinho Rosado, concedeu uma longa entrevista esta semana, na qual afirmou que o caminho político do PP era permanecer na base da presidente Dilma Rousseff, mesmo ele, pessoalmente, sendo aliado da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), sua cunhada. Nesta entrevista, Betinho criticou a postura do DEM de discriminação a ele, Betinho, que sofre processo que pode resultar na perda do seu mandato, por infidelidade partidária cometida ao deixar o DEM para se filiar ao PP, e, também, discriminação do DEM à governadora Rosalba, ao não permitir que ela se candidatasse à reeleição. “A campanha era um bom momento para que Rosalba explicasse as ações do seu governo e mostrasse ao Rio Grande do Norte que as matizes e as cores que pintaram a sua administração estão completamente distorcidas”, afirmou. Confira a entrevista:

O Jornal de Hoje – Em que pé ficou o processo de cassação contra o senhor no TSE?

Betinho Rosado – Nosso processo de cassação não foi julgado e nós esperamos que ele volte à pauta do Tribunal a partir de agosto, quando o Tribunal estará voltando do recesso.

JH – Que o senhor achou da ação movida pelo DEM?

BR – A ação é natural, porque todos os deputados que mudaram de partido para partido existente têm um processo de cassação. Nessa atual legislatura 52 deputados mudaram de partidos, 26 para partidos novos que foram criados e 26 para partidos existentes. Todos os 26 que mudaram para partidos existentes têm um processo de perda de mandato; os partidos não entraram, o promotor federal de justiça entrou contra esses deputados. A única coisa que me chamou a atenção é que, desses 26 deputados, alguns mudaram de partidos em 2011 para serem candidatos a prefeitos na eleição de 2012. O meu processo, a minha mudança de partido é a última que aconteceu lá. No entanto, mesmo com o processo de quase três anos de andamento no Tribunal, o único que está pronto para ser julgado ou que está na pauta é o de Betinho Rosado, mostrando que o nosso processo tem um quê de diferente dos outros que a gente ainda vai descobrir.

JH – A que atribui isso?

BR – Eu sei que tem, porque é esquisito que o último seja o único que esteja na pauta, mas nós vamos botar o baralho ainda para descobrir isso.

JH – O senhor será candidato à reeleição. O não julgamento terá interferência negativa na sua candidatura?

BR – Não. Nesse momento, mais, não. Claro, se eu tivesse perdido o mandato, pelo fato de ser cunhado da governadora, parente em segundo grau da governadora, eu estava impedido de ser candidato, eu só posso ser candidato se estiver exercendo o mandato. É o caso, por exemplo, de Márcia Maia, filha de dona Wilma quando era governadora, que pôde ser candidata a deputada estadual. Naquela ocasião, o projeto político de dona Wilma era Márcia para federal e Lauro para estadual. Isso não pôde ser realizado por conta dos impedimentos legais da lei da inelegibilidade. Portanto, esse adiamento dessa definição permite o registro da candidatura, e, registrada a candidatura, nós somos candidato sem nenhum problema.

JH – Qual foi o principal motivo para o senhor deixar o partido?

BR – Essa situação é uma situação antiga dentro dos Democratas. A imprensa, o jornal, mostra que desde 2007 que eu venho tentando deixar o convívio dos Democratas. Inclusive, em 2007, havia entrado com uma ação de desfiliação de justa causa. Naquela ocasião também foi negado o meu pedido. E eu me acomodei e disputei novamente a eleição pelos Democratas, fui eleito, mas sob esse processo forte de discriminação. Mas, terminada a eleição, eu antes de pedir para sair dos Democratas eu vim participar do governo de Rosalba Ciarlini, passei dois anos como secretário, mas ao final desse período como secretário eu achei que não tinha condição de disputar outra eleição sem que o partido me ajudasse. Eu não tinha condição de disputar outra eleição enfrentando como adversário os nossos adversários declarados que estavam do outro lado e mais os adversários de dentro do partido. Então, por isso que fiz essa mudança e tenho a expectativa de que o Tribunal reconheça as razões pelas quais eu mudei de partido e mande arquivar o processo.

JH – Que achou da postura de Agripino no episódio?

BR – Eu acho que o senador José Agripino fez o que todos os outros 26 (presidentes de diretórios estaduais do DEM) fizeram. Se Agripino não entra com uma ação o próprio promotor federal teria entrado. Agora essa discriminação, que é uma coisa assim difícil de ser provada, de ser mostrada, ficou mais patente quando o Democratas negou à governadora Rosalba Ciarlini o direito de concorrer novamente ao processo eleitoral, mostrando que há uma corrente interna dentro do Democratas no Rio Grande do Norte que não quer permitir a nossa presença na política. No meu caso, como eu era deputado, disputava um cargo no legislativo, a nossa candidatura é uma candidatura nata, então eu não preciso ir para convenção, mas a governadora, os cargos majoritários, senador e governo, precisam ter o respaldo, a aprovação do diretório. No caso, o senador José Agripino, que comanda o partido há muito tempo, tem a maioria do diretório, negou, ele e seus seguidores dentro do diretório, o direito de Rosalba tentar mais uma vez o governo do estado.

JH Qual a sua opinião sobre essa decisão do DEM de impedir Rosalba de se candidatar?

BR – É, não permitiu e perdeu uma oportunidade interessante de que a governadora Rosalba Ciarlini fizesse uma defesa de seu governo, mostrasse à população do Rio Grande do Norte o que é que tinha acontecido no seu governo, quais as obras, quais as ações que foram feitas no governo. Porque ela não teve muito apoio da imprensa estadual para a divulgação das suas ações. O período da campanha, pela exigência do equilíbrio entre as forças, porque na campanha você não pode privilegiar setor A, bloco A, na política, tudo tem que ser igual, e nesse momento da igualdade era um bom momento da governadora Rosalba Ciarlini mostrar as ações, o que tinha feito no governo.

JH – Qual avaliação que faz do governo Rosalba?

BR – É difícil fazer essa avaliação do governo Rosalba Ciarlini e expressá-la junto ao público, porque o governo Rosalba Ciarlini, como nenhum outro na história política do Rio Grande do Norte foi tão atacado de forma injusta e às vezes até leviana. Tem um episódio muito interessante que quando a governadora estava dizendo o conjunto de ações que ela tinha tomado para melhorar a qualidade da saúde da família potiguar, a Rede Globo aqui de Natal mostrava o maior caos no hospital; Rosalba dizia ‘melhorei isso’ e estavam lá as macas no meio do corredor. Só que as imagens que eles estavam mostrando não eram de um hospital do estado, eram de um hospital do município de Natal, que estava em uma dificuldade grande e mostrou então a leviandade com que a imprensa andou tratando o governo de Rosalba. Essa questão da campanha e a candidatura de Rosalba, por esse equilíbrio que a lei obriga, as oportunidades iguais para todos, era um bom momento para que Rosalba explicasse as ações do seu governo e mostrasse ao Rio Grande do Norte que as matizes e as cores que pintaram a sua administração estão completamente distorcidas.

JH – Por que o senhor se aliou a Robinson?

BR – Junto com Henrique Eduardo Alves o PMDB rompeu com o governo Rosalba. É bem verdade que Robinson também rompeu com o governo de Rosalba, mas junto com Henrique Eduardo Alves estava o grupo que mais fortemente tinha atingido o governo de Rosalba. Nos seus órgãos de imprensa, no caso, por exemplo, do PMDB, que comanda a Rede Globo aqui no estado e também o jornal de maior circulação, que é a Tribuna do Norte, as rádios, esse negócio todo, então o caminho natural era o que tivesse distante desse grupo onde se integrou também o Democratas, e o caminho natural foi apoiar a candidatura de Robinson.

JH – A aliança com Robinson significa o apoio de Rosalba a ele?

BR – Isso aí você vai ter que perguntar à governadora Rosalba Ciarlini, e não a mim.

JH – É possível que ela apoie Robinson?

BR – Infelizmente tenho conversado muito pouco com Rosalba. Essa questão das definições dos partidos, das coligações, isso demanda uma negociação muito grande, muito intensa, principalmente com o PT, que gosta muito de reunião para decidir as coisas. Então isso não tem permitido que eu converse com a governadora. Quem fala pela governadora é ela.

JH – E o apoio do PP a Fátima, por que não houve impeditivos?

BR – Nós conhecemos o trabalho e temos um relacionamento com o PT. Já tive a oportunidade de votar, das cinco vezes em que Lula foi candidato ao governo da Presidência da República, em três ele recebeu o meu voto. Portanto, eu também sou eleitor do PT e reconheço nesse governo de dona Dilma um esforço muito grande para manter o Brasil em crescimento.

JH – Que achou da aliança entre Henrique, Wilma e Agripino?

BR – Isso é uma salada muito boa. Mas as eleições são assim. Os partidos se juntam e formam seus exércitos para irem em busca do voto e não se deve ter, nem eles têm, nenhuma dificuldade de se juntar interesse. O interesse e o objetivo é a vitória, e poder, que os partidos políticos devem sempre buscar. Portanto, não tem o que comentar a respeito dessa junção. Essa junção é de tal forma que se pronunciou, que eu achei mais interessante me juntar com outro bloco e naturalmente muitos outros partidos. Nós somos um bloco hoje acho que de sete ou oito partidos.

JH – Como acha que vai ser a eleição no RN?

BR – Eu acho que nós vamos ter a vitória de Robinson Faria.

JH – Por que afirma que Robinson vai vencer?

BR – Não, eu não afirmo, eu dou um palpite, da mesma forma que se dá o palpite de que Henrique vai vencer as eleições. Mas a gente tem observado que a intenção de voto de Henrique, a despeito de ele ter formado esse bloco político muito forte, é muito pequena. Uma intenção de voto, a essa altura do campeonato, de 30%, face esse bloco enorme… Praticamente todas as forças políticas do estado do Rio Grande do Norte estão apoiando a candidatura de Henrique. Essa é uma intenção de voto muito pequena e mais: mais de 40%, quase 50% dos eleitores do Rio Grande do Norte ainda não se definiu pelo seu candidato a essa altura. Eu lembro que na campanha passada, por exemplo, a governadora Rosalba já tinha uns 50 a 60% dos votos nessa época; que quando Garibaldi enfrentou dona Wilma, Garibaldi tinha mais de 60% dos votos a essa altura do campeonato; e quando Zé Agripino enfrentou Garibaldi, Agripino começou a campanha com cerca de 70% das intenções de voto. Estou achando uma intenção de voto muito pequena para Henrique nesse momento da campanha, por isso a candidatura dele mostra certa fragilidade.

JH – E o PP nacional, como está?

O nosso bloco político mantém uma coerência federal, todos os partidos que estão na nossa base apoiam a candidatura da presidenta Dilma. O PP apoia Dilma, o PSD apoia Dilma e o PT, que são os três maiores partidos, claro, também apoia Dilma. Diferentemente do outro bloco, que aí tem uma salada grande dentro desse negócio, uns apoiam Eimael, outros apoiam Aécio Neves, outros apoiam Eduardo Campos e outros apoiam Dilma Rousseff, mostrando que os interesses do estado do Rio Grande do Norte de certa forma superaram as barreiras que poderiam existir pela divisão a nível federal.

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