Bom Senso e Falácia

O tal do Bom Senso Futebol Clube, movimento criado por jogadores milionários e em final de carreira é o novo…

O tal do Bom Senso Futebol Clube, movimento criado por jogadores milionários e em final de carreira é o novo factoide de hipocrisia no desmoralizado futebol brasileiro. O Bom Senso surgiu faltando um ano para a Copa do Mundo, tempos de dinheiro farto em grana expressa e propaganda.

Os boleiros bem assessorados por marqueteiros e empresários, firulam com um discurso parecido com o do tal Procure Saber, aglomerado de artistas com talento esgotado lá se vão três décadas e querendo proibir a publicação de suas biografias. Gente que não pergunta para santo se ele permite fazer música usando seu nome em palco e TV. E ganha dinheiro em cima de cachê.

O Bom Senso joga para arquibancada e não está nem aí para a situação dos jogadores que lutam feito condenados em campeonatos de divisões medíocres sob condições absurdas e com base em profissionalismo de conversa fiada. Fiado é o que termina para muita gente que se cobrar o acertado termina levando surra ou até bala nos rincões onde o coronelismo ainda impera.

A boleirada de chuteira furada é a ralé do Bom Senso, cuja essência é formada por gente que já ganhou(uns por mérito, outros a gente discute), milhões de dólares pela Europa, Ásia e Oriente Médio. O Bom Senso não tromba com a cartolagem de esquina com a CBF. Essa briga é só papo. Chama os líderes para uma conversa e todo mundo se aquieta.

O Bom Senso deixou sozinho, jogado à humilhação, o meia Martinez, do Náutico, chamado de ex-atleta e desagregador pelo próprio presidente do clube, numa declaração tão infeliz quanto a campanha do glorioso Timbu. Se Martinez – que reclamou salários atrasados – veste a camisa do Náutico, alguém contratou. E com o aval do tal presidente do rebaixamento para a Série B em último lugar.

O Bom Senso emitiu uma nota de Bom Sonso, desejando um futebol melhor para quem torce, quem apita, quem transmite e “quem patrocina”. Quem paga é o objetivo de uma ação que, no sindicalismo, dava-se o nome de “pelegada”. Jogo de cena a favor do patrão.

O Bom Senso não discute fim do bicho, dos direitos de arena, de uma previdência para atletas, nem fala nos ex-companheiros de profissão. Se alguém tiver visto nota da turma sobre a morte de Nilton Santos, por favor, pode me enviar por e-mail.

Nilton Santos, dos maiores gênios da história do futebol mundial, chegou a oferecer em leilão seu acervo de conquistas. Ninguém apareceu. Nem o Bom Senso que joga errado, na tática coletiva, pelo instinto tão belo e esquecido quando havia nos gramados nacionais nos pés de verdadeiros craques: o individualismo.

 

Série B 2014
O Vasco deve voltar por absoluto merecimento à Série B. Seus espasmos de reta final não apagam o vexame da gestão de Roberto Dinamite. O Fluminense ainda está ameaçado, mas ficou com a situação amenizada pela permanência do Bahia. O fato é que um carioca estará na Segunda Divisão do ano que vem.

Difícil
Com Vasco ou Fluminense – ou ambos, mais Ponte Preta e Náutico, já rebaixados da Série A, mais Santa Cruz, Sampaio Corrêa, Luverdense (MT) e Vila Nova (GO), a parada será dificílima para ABC e América. É só conferir a lista de quem ficou para a Segundona.

Planejar
Icasa (CE), Joinville (SC), Ceará (CE), Paraná (PR), América (MG), Avaí (SC), Boa Esporte (MG), Bragantino (SP), Oeste (SP) e Atlético Goianiense. ABC e América devem planejar logo a Série B, desde anteontem.

Foco
O foco é não cair porque está cada dia mais difícil subir de novo. Palmas para a queda do Guaratinguetá (SP), um time de aluguel não merece fazer parte do futebol, é time sem alma, sem torcida, sem rosto, seu escudo é uma cédula.

Base
O América tem uma base montada para iniciar o Campeonato do Nordeste – do qual o ABC está fora por ter confiado o time a um neófito chamado Paulo Porto, incapaz de treinar um cocoricó de Série Z.

Preço e lição
O preço a ser pago se verá adiante, mas deixa pra lá. É pensar pra frente e ao menos montar um núcleo. É melhor trazer quatro ou cinco jogadores de bom nível do que repetir o erro de entregar a missão de contratar a empresários sem compromisso, a não ser com o próprio bolso.

Lição do Icasa
O Icasa não gastou esse balaio de dinheiro para ter perdido o acesso para a Série A para o Figueirense apenas pelo saldo de gols. É aprendendo com os bons exemplos que a gente cresce. Vamos conhecer a experiência do Icasa.

Novo poderoso
Presidente da Federação Catarinense de Futebol desde 1985, Delfim Peixoto Filho é o novo poderoso da bola. Tem dois times garantidos na Série A – Chapecoense e Figueirense e pode assegurar um terceiro – o Criciúma, na rodada final. Terá nas mãos quatro votos, os dos três clubes da A, mais o da Federação para barganhar na próxima eleição da CBF. Na próxima disputa (se houver), os clubes da Série A terão direito a voto.
 
Campeões
Dois campeões brasileiros da Série C pelo Santa Cruz vestiram a camisa do ABC: o goleiro Thiago Cardoso, aqui pouco valorizado e ídolo em Recife e mais goleiro do que todos os que estiveram no clube na Série B e o meia Raul, de estilo clássico e inteligente , tido como superado por muitos especialistas. Entendidos que agora assistem Raul comemorar o título com a camisa 10 do tricolor do Arruda.

Torneio José Américo
Encerrada a participação dos clubes nordestinos no Campeonato Brasileiro, foi organizado em 1976 o Torneio José Américo de Almeida em homenagem ao político, folclorista e sociólogo paraibano, então prestes a comemorar 90 anos. ABC e América participaram e no dia 2 de dezembro, o alvinegro empatou na Fonte Nova com o Vitória, por 1×1, gols de Joel Maneca para o ABC e Zé Júlio para os donos da casa. Público de 2.143 pagantes.

Times
ABC: Hélio Show; Fidélis, Pradera, Cláudio Oliveira e Vuca; Joel Maneca, Danilo Menezes e Amauri; Noé Silva (Draílton), Maranhão Barbudo (Raimundinho) e Noé Macunaíma. Vitória: Williams; Cláudio Deodato, Joãozinho, Válter e Teixeira; Paulo Roberto, Léo Oliveira e Joel (Valdo); Zé Júlio, Geraldão e Leinho (Ferreti).

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